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lula e wagner
15.Abril.2017

Odebrecht: Wagner recebeu R$ 12 milhões

em espécie e no Caixa 2 e presentes como relógios de luxo. Nas planilhas do departamento de propinas da Odebrecht, o petista era o “Polo”, segundo os executivos, por ter trabalhado no polo petroquímico de Camaçari, como técnico de manutenção, nos anos 70.

A primeira campanha ao governo do Estado de Jaques Wagner financiada pela empreiteira foi em 2006. À época, o diretor Cláudio Melo Filho diz ter recebido um pedido do petista para marcar um almoço, no restaurante Convento, em Brasília, com Marcelo Odebrecht.

O candidato pediu apoio financeiro ao então presidente da empreiteira, que concordou, embora não acreditasse no sucesso da candidatura. “Esta ajuda financeira foi direcionada por Marcelo Odebrecht para o Diretor Superintendente da Bahia à época, Alexandre Barradas”.

“Acredito que tenham ocorrido pagamentos de até R$ 3 milhões de forma oficial e via Caixa 2. O meu apoio interno foi essencial para o pagamento”, afirmou Melo Filho. Durante o mandato, entre 2006 e 2010, delatores da Odebrecht apontaram trocas de favores entre o governador e a empreiteira.

ICMS da Braskem

Uma das tratativas foi sobre créditos pendentes do ICMS da Bahia com a Braskem, pertencente ao grupo Odebrecht. De acordo com delatores, o acúmulo do valor a ser ressarcido chegou aos R$ 620 milhões em 2008.

Carlos José Fadigas relatou que o então presidente da Braskem negociou diretamente com Wagner. Segundo o executivo, o governador concordou em reduzir o ICMS sobre matérias primas da Braskem permitindo, na prática, que a companhia reavesse o crédito que ela tinha com o Estado.

Um decreto sobre o benefício fiscal à empresa foi assinado pelo próprio Jaques Wagner. A Odebrecht ainda teria se comprometido, no primeiro mandato de Jaques Wagner, a pagar um litígio trabalhista com o sindicato da indústria química.

De acordo com Fadigas, a Braskem teria financiado a candidatura do governador à reeleição, em 2010. Ele relatou ter encontrado no sistema “Drousys”, por meio do qual se controlava os repasses de propinas da empreiteira, pagamento de R$ 12 milhões em nome do codinome “OPAIÓ”.

Ao fim do primeiro mandato, segundo Cláudio Melo Filho, Wagner foi qualificado para melhores recebimentos da empreiteira, pela atenção com interesses da Odebrecht. “O próprio Jacques Wagner fez questão de encaminhar esse pedido de apoio financeiro mais qualificado”.

Os R$ 12 milhões

Somente entre 2010 e 2011, Jaques Wagner teria recebido, por meio do codinome Polo, R$ 12 milhões do departamento de propinas da Odebrecht. O diretor do “departamento de propinas”, Hilberto Mascarenhas, confirmou ao MPF pagamentos de R$ 1 milhão em dinheiro vivo em 2010.

A primeira parcela, de R$ 500 mil, teria sido enviada à casa da mãe de Jaques Wagner. “Por algum problema dele com a mãe, ele não queria mais que fosse usada a casa dela. Fizemos um esforço grande e conseguimos pagar por meio de um preposto dele, Carlos Dalto”.

Tamanha era a amizade entre o governador e a empreiteira, que, no segundo mandato, quando fazia aniversário, Jaques Wagner recebia presentes de luxo. Cláudio Melo Filho afirmou que executivos da empreiteira deram um relógio de US$ 20 mil e outro de US$ 4 mil.

Reeleito em 2010, Wagner teria continuado a rotina com a Odebrecht. Durante este mandato, foi construída a Arena Fonte Nova, para a Copa. O estádio sofreu com atrasos. Diante das cobranças da Fifa, o consórcio, formado por OAS e Odebrecht, teve de acelerar as obras, o que gerou gastos extras.

Delatores apontaram que Wagner teve receio de fazer um aditivo de contrato para cobrir os gastos, mas teria sugerido uma solução heterodoxa. A Odebrecht teria acertado com Wagner que o governo poderia pagar uma dívida judicial com ela de mais de R$ 1 bilhão, em valores atualizados.

Sem solução até as vésperas das eleições de 2014, a Odebrecht não financiaria o candidato de Wagner, Rui Costa. O assunto acabou sendo resolvido pouco antes das eleições. A empreiteira aceitou receber R$ 290 milhões, dos quais R$ 30 milhões iriam para o PT nas três eleições seguintes.

O Diretor Superintendente da Odebrecht na Bahia, André Vital, confirmou ao MPF que a empreiteira usou a Cervejaria Itaipava para doar R$ 5 milhões à campanha de Rui Costa, após o acerto de contas. Wagner tem reiteradamente negado envolvimento em qualquer ato ilícito. Com o Diario do Poder.