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6.Janeiro.2018

Prefeito vai demolir obra liberada por engenheiro

indicando apenas correções em algumas partes. A Prefeitura de Itabuna pretende demolir a construção, 70% pronta, do Shopping Popular alegando erros graves e irreversíveis de projeto. Porém, a mesma obra já tinha sido liberada pelo engenheiro Francisco França em 8 de dezembro.

O embargo foi suspenso após o laudo técnico de França, apontando como causa do desabamento, do beiral de uma laje do segundo andar, falha humana. Segundo o laudo havia problemas nas ferragens (armadura negativa) e dimensão incorreta da viga divergente.

O engenheiro determinou a correção do dano, com a recuperação dos elementos estruturais. Já a Defesa Civil declarou na época que o desabamento foi causado porque alguém retirou as escolas da laje antes de elas estarem totalmente secas.

Mas nesta semana uma comissão recomendou a demolição da obra, como queria o Prefeito Fernando Gomes desde abril de 2017, muito antes de qualquer problema na construção. Na época, alegou que o local era “inadequado”.

O desabamento, que aconteceu em 27 de novembro, agora se tornou a desculpa para o Prefeito demolir uma obra que já custou R$ 1,7 milhão. A comissão foi formada pelo secretário de Desenvolvimento Urbano, Patrick Monteiro e dois engenheiros, João Zulato Filho e Kleber Bras.

O relatório

O relatório repete a alegação inicial de Gomes, sugerindo que “se possa dar à referida área outra utilidade pública, de forma social e sustentável, abrindo espaço para a construção de equipamentos públicos mais adequados ao local”.

O uso de uma afirmativa destas em um relatório técnico de engenharia sugere que foi dirigido para atender aos desejos do Prefeito, que também afirmou que entrará com ações na Justiça contra a empresa responsável. Mas ela foi contratada pela atual gestão para várias outras obras.

O relatório afirma que 90% dos pilares e vigas “estão abaixo do mínimo projetado para este tipo de estrutura”, que todas as vigas do último pavimento estavam condenadas por apresentar níveis baixíssimos de resistência, com alto risco de colapso.

Outro problema apontado no relatório seria vigas de piso e pilares fora do alinhamento. O estranho é um engenheiro altamente respeitado como Francisco França não ter visto nenhuma das irregularidades apontadas pela comissão.

Uma alegação adicional da comissão é que “o projeto da obra não passou por qualquer tipo de análise pela Secretaria de Desenvolvimento Urbano, não possuindo nem mesmo alvará ou qualquer outro tipo de licença de construção”.

É no mínimo omissão o atual titular da Sedur não ter percebido, em um ano inteiro de gestão, que a obra não tinha alvará nem projeto aprovado. O Prefeito Fernando Gomes diz que “ainda está estudando” se vai demolir a obra, mas é óbvio que fará o que queria muito antes do problema.