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20 de Janeiro de 2007

As mil vidas de Manoel Leal, por Daniel Thame
      Mil edições, mil semanas. Um marco histórico para um jornal que há quase duas décadas é uma referência na imprensa regional. Um jornal diferenciado sob todos os aspectos, daqueles que, além de papel e tinta, trazem algo imensurável.
      A Região não é feito apenas de notícias, ainda que sua especialidade seja a informação exclusiva, a coragem de denunciar e enfrentar poderosos, a resistência às perseguições políticas e econômicas. É um jornal feito com alma.
      Nessas edições (1000 edições!) está a alma de Manoel Leal, tombado numa noite de verão de janeiro, vítima de seis tiros covardes, disparados por um pistoleiro contratado por pessoas mais covardes ainda, acobertadas por uma impunidade que perdura até hoje.
      Manoel Leal, idealizador, fundador e mentor de A Região, jornal que acabou sendo sua razão de viver e morrer. E que, de uma certa forma, venceu a própria morte para se perpetuar em cada linha, em cada reportagem, em cada página, em cada edição.
      Durante dez anos fui parceiro, testemunha e não raramente cúmplice do estilo Manoel Leal de fazer jornal, que transformou A Região em leitura obrigatória, que rendeu amigos e inimigos. Amor e ódio.
      Era impossível ficar impassível diante de um jornal que, a começar por Malhas Finas que hoje parecem peça de antologia, trazia algo raro no jornalismo-release de hoje: reportagens.
      Algumas, no limite na irresponsabilidade, como a denúncia de fraude, imediatamente comprovada, no Vestibular da Uesc.
      Outras hoje soam quase como arroubos quixotescos, como a tentativa de impedir por meio da força do jornal o desembarque de cacau importado no Porto de Ilhéus, golpe mortal na auto-estima de uma região acostumada a exportar os até então frutos de ouro.
      Reportagens quase proféticas como aquela que, em letras garrafais, trazia o título ACABOU, abrindo os olhos para uma realidade que ninguém queria enxergar: o fim do ciclo do cacau.
      Reportagens que mudaram o curso da história, como a denúncia de tráfico de menores para a Europa através de um esquema de adoções que havia se transformado num negócio rendoso para juizes, advogados, comerciantes.
      E uma anti-reportagem que nunca desejamos que fosse publicada, sem nenhuma linha de texto, mas que falou por milhões de palavras.
      Uma foto 3x4 de Manoel Leal em meio a uma capa de jornal toda branca. E a página 3, na única vez em que não trouxe as impagáveis e demolidoras malhas finas, toda em negro, com seis buracos. Representando os seis tiros que mataram Leal.
      Para os algozes, parecia o fim.
      De Manoel Leal e, por extensão, do jornal.
      Foi um recomeço.
      Além das reportagens habituais, o jornal tornou-se uma trincheira não apenas em defesa da memória de Manoel Leal e da punição dos mandantes e dos assassinos, mas de outros crimes idênticos, numa Bahia onde a morte era o preço a pagar quando se contrariava determinados interesses.
      Cada edição era uma vitória particular, uma conquista. Graças ao jornal foi possível fazer com que os principais suspeitos não tivessem a paz que esperavam quando calaram Leal.
      Foi possível, até, levar dois dos supostos assassinos a júri popular, algo inédito neste paraíso da impunidade chamado Bahia. Um foi condenado, outro absolvido, num daqueles julgamentos que transformam o respeitado salão do júri num cirquinho mambembe.
      Ambos estão soltos.
      A Região jamais deixou de fazer sua parte. Se a Justiça não faz a dela, é outra história.
      O importante é que lá se vão quase dez anos sem a presença física de Manoel Leal e o jornal continua firme, driblando dificuldades que para outros seriam intransponíveis. Resistindo, num terreno onde tantos teriam afundado.
      Teimando em adiar indefinidamente o epitáfio que tentaram e ainda tentam escrever para um veículo de comunicação que será lembrado (e espero sinceramente, lido) por gerações e gerações não apenas como um exemplo de determinação, mas de um jornal bem feito. Desses que dão gosto de ler.
      A vocação folhetinesca, "pasquinesca" (no sentido positivo de ambas as palavras) deve se ombrear com outras virtudes que muitas vezes passam desaparecidas num jornal símbolo de resistência: a qualidade, a busca inquieta pelas boas reportagens, o humor que transita na linha tênue que separa ironia de baixaria nas malhas finas.
      Manoel Leal, dos chopps regados a sonho e fantasia nos botecos de Itabuna, sempre me dizia que não queria apenas fazer um bom jornal, mas "o melhor jornal".
      A julgar pela longevidade de A Região e pela fidelidade do leitor, o sonho sonhado junto a tantos colaboradores materializou-se, embora haja subjetividade demais nessa coisa de "melhor, pior", "bom, ruim". O leitor que faça seu julgamento.
      A tragédia pessoal de Manoel Leal, também uma tragédia coletiva pela violência que embutiu em si, não interrompeu esse sonho, hoje conduzido pela persistência de Marcel Leal e alimentado a custa de paixão/dedicação por esse menino-gigante chamado Ailton Silva, além das alquimias de Flávio Monteiro Lopes, a quem meu velho e inesquecível "capo", nos seus momentos de aperto, atribuía dotes estranhos como "dar nó em pingo d'água usando luvas de boxe".
      De edição em edição, a edição histórica, num jornal onde o que não faltam são histórias.
      1000 edições de A Região, 1000 vidas de Manoel Leal.
      Longa vida a ambos!
      Daniel Thame, jornalista e parte da alma histórica de A Região.
      PS - 500 eu vivi, 500 eu li.
      A rima pobre não paga um átimo do débito que tenho com Manoel Leal e comigo mesmo: escrever um livro sobre a história ainda não contada de A Região.

Os mil gols de A Região
      Mil edições, um daqueles números redondos que fazem a gente parar e pensar no que viveu até esta marca. Não foram apenas mil edições. Foram mil edições de sucesso, mil gols do jornal A Região.
      Gols como a fraude no vestibular da Uesc, o escândalo de propina da Sérvia, o esquema de venda de crianças para o exterior, as denúncias provadas contra políticos corruptos de vários partidos e grupos.
      Gols como investigar a investigação do assassinato de Manoel Leal, a cobertura dos juris de Marcone e de Monzar, matérias provando a manipulação do inquérito e do juri de Marcone.
      Gols como as milhares (26 mil) de Malhas Finas que tanto aterrorizaram os que não prestam; milhares de notas das colunas de Cláudio Humberto, de Adelindo Kfoury, de Marcel Leal, de Diogo Caldas e de todos os colunistas que passaram por A Região.
      Gols como as fotos de Valderico Reis fazendo farra com as meninas em Ilhéus, as do vaqueiro que foi morto no Caso Marcos Gomes, a própria cobertura do caso, bem mais intensa, imediata e completa que qualquer outra.
      Gols como as muitas campanhas sociais, como a luta pelo curso de medicina da Uesc, pela vinda de outras universidades, pelo banco de sangue da Santa Casa, pelo combate ao câncer infantil com o Gacc, pela ajuda a entidades como Abrigo São Francisco, Creche Irmã Margarida, Albergue Bezerra de Menezes, Lions, Rotary, entre tantas outras.
      Gols como campanhas pelo voto regional e pelo combate à violência. Ou contra a mudança da avenida J.S. Pinheiro para ACM, idéia bajulatória de Fernando Gomes abortada pela Câmara de Vereadres.
      Gols como o apoio ao Colo Colo, ao Grapiuna e ao Itabuna, a dezenas de nadadores e judocas. Gols como o apoio a times de vôlei e handebol, ciclistas, triatletas, judocas, academias de dança, ao teatro, à música e à cultura regionais, ao surf e skate.
      Gols como a capa publicada na semana do assassinato de Manoel Leal, toda em branco, com a foto dele em 3x4 no meio, com tarja na boca. Na mesma semana, no jornal Agora, uma página inteira denegria a imagem de Leal para desviar a atenção do mandante óbvio.
      Gols como denunciar os delegados Mouzinho e Valois. Como informar sobre o salário de marajá de Fernando Gomes, o caso de esterilização das índias e o insólito amor de Ferreirinha e Yolanda, todos virando assunto nacional.
      Gols como sobreviver à perseguição de ACM, de juízes, de Gilson Prata e de Fernando Gomes, à apreensão de jornais pelo Major Gilberto Santana da PM, ao boicote de empresários ligados ao prefeito e até ao assassinato de nosso editor.
      Gols como enxergar, anos antes, o fim do ciclo do cacau, o fechamento de empresas como Messias, Pernambucanas, Coograp, Os Gonçalves, Ipê, Makro, CrediCoograp e Econômico
      Gols como fazer séries como a Empresa Grapiuna, outras sobre os bairros, as agências de propaganda e a essencial História Viva.
      Gols como abrir suas portas e aceitar estagiários, novos talentos que vêm mostrando qualidade e uma garra incomum.
      Gols como manter 70% de matérias exclusivas e os outros 30% redigidos por nossa equipe, sem copiar press releases vindos das prefeituras.
      Gols como nunca aceitar jabá nem vender a alma a ninguém.
      Gols como ganhar uma credibilidade única e 51% dos leitores. Como fazer de A Região online um dos principais jornais do Nordeste, alcançando o mundo inteiro e virando referência de notícias sérias do sul da Bahia.
      Gols como ganhar de goleada o campeonato de jornais com muito menos jogadores que os outros, sem uniforme, sem campo de treino, sem bolas.
      Porque, assim como o eterno Rei Pelé, jogamos com o coração, pela camisa e não pelo bicho. E é isso que faz um campeão.

      Marcel Leal
      marcel@leal.com

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