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29 de Abril 2006

A Região: a vida além da morte de Manoel Leal



        "Aqui você tem que ter poder, dinheiro ou um jornal".
        O ano era 1987 e o autor da frase acabava de perder o poder com a derrota acachapante do candidato a governador apoiado por ACM, Josaphat Marinho, para Waldir Pires no ano anterior.
        Até então, dirigindo a Sulba (empresa estatal de transporte coletivo intermunicipal), ele era uma espécie de "vice-rei" do Sul da Bahia.
        Quanto a dinheiro, as modestas propriedades rurais já começavam a sentir os impactos daquela que se transformaria, três anos depois, na maior de todas as crises da história da lavoura cacaueira.
        Dito isto, Manoel Leal decidiu montar um jornal. Nascia A Região, que pelos anos seguintes ocuparia a cena da imprensa escrita grapiuna como nenhum outro jornal conseguiu ocupar.
        Contado assim, o nascimento de A Região ganha tons poéticos e ao mesmo tempo simplórios.
        Não foi tão poético nem não simplório.
        Primeiro porque o namoro de Manoel Leal (cuja vida por si só daria um livro maior e mais interessante do que a história do jornal, embora durante pouco mais de uma década essas histórias se fundissem) com a imprensa remonta à década 60, com sua participação no jornal A Terra, periódico marcado pela irreverência e por um espírito contestador que só seria imitado, talvez superado, três décadas depois. Com o lançamento de A Região.
        Segundo porque Manoel Leal não necessitava do jornal para substituir o poder e o dinheiro. Envolvido na caça às bruxas promovida pelo governo de Waldir Pires, por conta de supostas irregularidades na administração da Sulba, precisava mesmo era de um escudo. Sabia que iria apanhar e havia uma parcela da cidade ávida para devorá-lo.
        Enganou-se redondamente quem imaginou que Manoel Leal usaria o jornal para se defender. Não era esse seu estilo e nem foi esse o estilo do jornal. A melhor defesa era o ataque, mas isso só iria ficar claro para os leitores lá pela trigésima edição.
        O que ficou claro para os leitores, desde o início, é que A Região seria um jornal diferenciado.
        (Aqui um parêntese: meses antes da circulação do jornal foi publicado um folheto de lançamento que era um primor de arrogância. Entre outras preciosidades decretava que A Região iria reinventar a imprensa grapiuna, que os profissionais que fossem trabalhar no jornal teriam que ser reciclados -não seria realfabetizados?- e que o periódico teria como modelos o New York Times, o The Guardian e o Le Monde. Só isso.
        Hoje o folheto merece um lugar de destaque no panteão das grandes sandices da imprensa regional em todos os tempos. Mas na época causou um estrago danado.
        Não é difícil imaginar a indignação que isso causou nos profissionais de comunicação, gente de reconhecida competência, repentinamente transformada em dinossauro e remetida à pré-história da imprensa).
        Talvez por isso e mais ainda pelo fato de Manoel Leal estar em processo de demonização, A Região começou a circular tendo na reportagem uma equipe praticamente desconhecida.
        Nenhum dos profissionais consagrados (sob o prisma da imprensa local, registre-se) quis emprestar seu talento a um jornal que nascia sob o signo da desconfiança, a ponto de muita gente apostar que ele não viraria o ano.
        Virou a década, virou o século.
        Os primeiros números do jornal tiveram como editor Hélio Pólvora, escritor brilhante e jornalista com passagem significativa pela imprensa do Rio de Janeiro.
        Dono de um texto primoroso, mas absolutamente sem paciência para "reinventar" o jornalismo grapiúna, como ele se propunha no tal folheto que tantas suscetibilidades ferira.
        Quando a paciência de Hélio Pólvora permitia que ele revisasse uma reportagem e ele decretava que o texto estava razoável o sujeito poderia se sentir no Olimpo. "Razoável" era o máximo que Pólvora concedia para os mortais comuns.
        Como repórteres Vilma Medina, Ilvaneri Penteado, este jornalista, recém chegado de São Paulo e, numa das muitas excentricidades de Leal, contratado apenas pela origem.
        Apenas uma das histórias que, contadas hoje, parecem lenda. Na coluna social (na época os colunistas sociais, por conta da herança dos tempos áureos do cacau, gozavam de um prestígio imenso), Nilsinho Ramos e Joseph Marie.
        Assim, num misto do estilo arrebatador de Manoel Leal e da sobriedade contida de Hélio Pólvora, o jornal começava circular em abril de 1997.
        E assim começava a história de A Região.
       
        Esse é o primeiro capítulo de um ainda hipotético livro que estou começando a escrever sobre o jornal A Região. O livro pode nem sair do terreno da intenção, mas A Região chega aos 19 anos com aquela alma, aquela gana e aquela chama que o diferencia dos demais jornais.
        Pode não ser pior, nem melhor. É diferente, para ficar no desgastado chavão.
        Iniciar a pesquisa nas páginas amareladas no jornal foi como mergulhar no tempo, reviver manchetes inesquecíveis, malhas impagáveis, matérias exclusivas e ousadias típicas de Leal, como minhas matérias produzidas em Cuba e na Itália.
        Essas últimas por obra e graça de um agiota que era incapaz de lhe negar um dólar furado, vítima freqüente de trocadilhos infames com a palavra ágil, que remete a ágio.
        Lembrar os 19 anos de A Região é ver Manoel Leal com seu coração titubeante renascendo a cada edição, a cada furo, como a lendária denuncia de fraude no vestibular da Uesc, para ficar apenas na manchete mais lembrada.
        É constatar que, nessa história de sonhos e angústias, de batalhas perdidas e vencidas, Leal ficou pelo meio do caminho.
        Mataram duas vezes o meu velho 'capo'. Primeiro pelos tiros covardes disparados numa noite de verão de 1998. Depois, num julgamento visivelmente viciado em 2005, com a absolvição de um dos principais suspeitos de tê-lo assassinado.
        Desafiando essas duas mortes, Leal continua vivo pelas mãos, mentes e corações daqueles que continuam fazendo A Região, Marcel Leal à frente, ignorando as mais torpes vilanias, as ameaças veladas e a asfixia financeira.
        Ao contrário da frase que abre o meu ainda hipotético livro, a questão agora não é substituir o poder ou o dinheiro.
        É manter vivo o sonho, que se renova a cada edição, que desafia aqueles que acreditaram que os tiros poderiam não apenas tirar uma vida, mas também calar um jornal.
        A Região é a vida além da morte de Manoel Leal.
        É também a vida além da vida de todos aqueles que fizeram e fazem parte dessa história.
        Porque se há um jornal que transcende tinta e papel e pulsa como se tivesse vida esse jornal é A Região.
 


Por Daniel Thame, jornalista da primeira equipe de A Região.
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