Amilton Gomes
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A Uesc e o Cacau
A Biofábrica produtora de clones de cacau supostamente resistentes à vassoura-de-bruxa vem de firmar convênio com a Universidade Estadual de Santa Cruz, conforme anunciada pela reitora Renée Albagli quando de sua posse em seu segundo mandato.
 
A novidade é de significativa importância, tanto por trazer para o cenário do cacau essa instituição de ensino superior, como por acusar equívocos na estratégia da condução dos destinos e da reconstrução da lavoura cacaueira da Bahia.
 
Muito embora a tendência moderna das universidades no mundo inteiro, especialmente nos países mais desenvolvidos, é afastar-se da pesquisa, reservando esta atividade para os chamados institutos de pesquisas, o que poderá ocorrer aqui, a fim de centrar seus esforços no ensino propriamente dito e na extensão.  
Todavia, o ingresso da Universidade Estadual de Santa Cruz na área do cacau abre a possibilidade de sanar dificuldades que certamente estão prejudicando a política do governo para recuperação da região sul do Estado.  
No princípio havia o Instituto de Cacau da Bahia (ICB), órgão que prestou relevantes serviços a toda região baiana produtora de cacau, mas que não resistiu ao charme e à potencialidade da Ceplac que sozinha passou a comandar a reestruturação da lavoura cacaueira, mantendo a exclusividade até há bem pouco tempo, após passar por uma fase em que se discutiu muito a sua incorporação à Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agronômica), o que não aconteceu devido à chegada da vassoura-de-bruxa nestas terras, cuja praga ensejou uma campanha política ufanista tipo a Ceplac é nossa, privando a já decadente região do cacau da Bahia de ter sobre si o olhar sistêmico e policromático daquele órgão nacional de pesquisas agrícolas, diferentes do monocromatismo que doirou e empalideceu a vida de todos, aqui no sul do Estado.
 
Sem o Instituto de Cacau da Bahia e sem a Embrapa, contamos agora com a Ceplac, a Biofábrica e Universidade Estadual de Santa Cruz; esta, incorporando conceitualmente uma visão universitária no conjunto geral da política e pesquisa do cacau, com o objetivo de alcançar bons resultados nesta luta de salvação regional, mas que também poderá recrudescer novas guerras científicas e tecnológicas de conseqüências inglórias.  
Na união das três deve prevalecer a humanidade e a unificação de todos em torno da melhor bandeira para a região, que certamente será a da UESC devido a universalidade de sua visão e por ser uma instituição por natureza e destinação menos preconceituosa, mais democrática e mais comprometida com uma verdade científica eminentemente crítica. Não o acontecendo, no entanto, corremos o risco da permanência da dicotomia de comandos com resultados negativos previsíveis.
 
A Universidade Estadual de Santa Cruz é uma instituição governamental que vem acumulando triunfos na última década e isto é suficiente para todos crêem que deverá haver umaa guinada em tudo que oficialmente está sendo feito, inclusive uma resposta clara às perguntas: deve o descapitalizado e endividado lavrador de cacau continuar financiando todas essas aventuras tecnológicas impostas pelo governo? A Ceplac propiciou a vinda da vassoura-de-bruxa da Amazônia para cá? O produtor deve ser indenizado?
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