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Carta ao Leitor
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19 de Abril Carta ao Leitor... Comércio noturno é bom Em 1985 eu fui visitar umas amigas num lugarejo chamado Vila Garibaldi, na costa leste da Itália. Para chegar foi uma aventura, pegando trens que pareciam saídos do século 19. Lá, aprendi uma grande lição sobre comércio e serviços. Cheguei ainda pela manhã e procurei uma pensão. Como esta vila é turística e a época era o outono, as ruas estavam vazias e só encontrei uma pensão que me aceitasse, sob certas condições. “Voce fica com a chave da porta da frente, entra e sai quando quiser, mas não me perturbe nem chame,” decretou a dona da casa. Depois de mudar de roupa, me livrando do óleo diesel dos trens, que vai se acumulando em voce por causa da fumaça, fiz um breve passeio para conhecer o local e, ao meio-dia, procurei um restaurante para almoçar. A barriga roncava, porque não tinha feito lanche ao chegar. Deixei o estômago todo para o macarrão, que na Itália é incomparável, mas tomei um choque ao descobrir na porta do restaurante o aviso: “fechado para almoço”! Um restaurante fechado para almoço na hora do almoço! Passei fome até às 14 horas, quando ele finalmente abriu as portas. Não resisti e perguntei ao garçon o por quê do fechamento. Me olhando como se fosse um marciano, me disse o óbvio (para ele): “fechamos para que a gente almoce, claro! Queria que ficássemos com fome?” Lembrei disso porque parte dos comerciários e o sindicato são contra a abertura do comércio de Itabuna à noite. Claro que é um direito deles e precisa ser respeitado, mas me pergunto se não estão indo contra a própria categoria. O sindicato acha que os empresários vão burlar as regras, usando a mesma turma no terceiro turno. Apenas pagariam hora extra. Desculpe, mas acho que nenhum empresário que sobreviva no ramo faria isso. Primeiro porque as horas extra sairiam caro. Segundo porque teriam desempenho baixo dos empregados, cansados pelo horário puxado. Observe que boa parte dos empresário também é contra o horário extendido, principalmente aqueles que, como os italianos da minúscula Vila Garibaldi, fecham para o almoço. Esses estão fadados a fechar as portas para sempre em pouco tempo, por não acompanhar as mudanças da sociedade, por ignorar os avanços da tecnologia, por esquecer que só podem ter lucro se clientes estiverem satisfeitos. E nenhum fica satisfeito ao encontrar a porta fechada no horário em que pode comprar. É por isso que, exceto nas menores vilas, o comércio não fecha mais para o almoço desde o século passado. E é para dar ao cliente mais um horário em que ele pode fazer compras sem pressa (o que significa comprar mais) que se tenta criar o noturno. Já é assim nas grandes cidades. O comércio sempre foi puxado pelo lazer. Passear pelo centro é lazer para muita gente, especialmente de outras cidades, e este lazer leva às compras. Se apenas o shopping tem horário extendido, as pessoas que querem comprar à noite só vão comprar no shopping. O mesmo vale para abrir domingo, outra idéia rechaçada pelo sindicato, mas que faz sucesso em todo o mundo. Funciona. Ele precisa lembrar que novas turmas para a noite ou para o domingo (ambas são obrigatórias) significam mais empregos e mais mensalidades para o próprio sindicato. Mais gente empregada significa mais gente comprando. Mais gente comprando significa mais comissão para vendedores, mais condições de investir para os empresários, mais impostos arrecadados. Abrir o comércio à noite e aos domingos faz bem para empregados, para empresários, para clientes e para a cidade. Faz sentido para um pólo comercial como Itabuna. Não faria se fosse a Vila Garibaldi... Marcel Leal marcel@leal.com Cartas anteriores: Geddel surpreendido pelo PT Sobre o novo Porto Sul To translate this page into English using FreeTranslation.com click here To translate just a part of the text, copy and paste into the area below. Choose "Portuguese to..." the language of your choice. |
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