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Carta ao Leitor
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26 de Setembro Carta ao Leitor... Um grande passo O governador Wagner deu um passo importante no combate à impunidade de quem mata jornalistas e atenta contra a liberdade de informação na Bahia. Muita gente só enxergou uma placa e uma homenagem. São cegos.
O que aconteceu de verdade foi uma ruptura com o passado dos coronéis. Entre 1990 e 1998 nada menos que 10 jornalistas foram assassinados apenas porque incomodaram políticos carlistas ou policiais. Este número tornou a Bahia um dos lugares mais perigosos do mundo para ser jornalista, naquela época. Os jornalistas cumpriam apenas sua função na sociedade, de fiscalizar os gestores do nosso dinheiro e denunciar os que agem errado. Seus jornais e rádios foram calados a bala. Ou quase todos, porque no caso de meu pai, Manoel Leal, deu errado. O jornal não fechou, ficou ainda mais forte e continuou em sua luta implacável contra os corruptos da Bahia. Mas outra coisa pegou os mandantes de surpresa. Nenhum dos nove casos anteriores foi investigado, até porque os mandantes tinham, com certeza, ligação com os governadores da época, ACM (90 a 94) e Paulo Souto (95/99). Mas no caso de meu pai, não aceitamos isso. Eu e toda a equipe de A Região começamos uma ofensiva, junto a entidades e jornalistas do Brasil e exterior para pressionar o governo a abrir uma investigação. Foi o primeiro caso com investigação, mesmo ela sendo manipulada. Depois a luta foi por reabrir o caso, encerrado pelo delegado Valois, que veio “de encomenda” para cá. Reaberto o caso, a luta foi por chegar a aos executores e mandantes. Só conseguimos os executores. Paciência. A luta passou a ser por levar a júri e condenar. Sucesso no caso de Monzar Brasil, que deu os tiros, fracasso no de Marcone Sarmento. E nada de mandantes, que nunca foram investigados por Valois, sequer incomodados. Nestes 11 anos venho usando a internet e o email de forma intensa, mantendo as entidades interessadas. Foi de uma delas, a SIP, a iniciativa de levar o caso à OEA, onde foi aberto um processo na Comissão Interamericana de Direitos Humanos. César Borges nunca quis investigar o caso. Paulo Souto se recusava até a tocar no assunto. A sorte foi a eleição de Jaques Wagner. Foi ele quem aceitou as recomendações da CIDH, entre elas a cerimônia realizada na segunda-feira em Salvador. Ela não é coisa simples. Significa que o estado assume a responsabilidade por não garantir liberdade de expressão na Bahia, liberdade jornalística de meu pai e a segurança dos jornalistas. A partir de hoje abre-se um precedente, muito mais importante que qualquer placa ou indenização. A partir de hoje, se morrer um jornalista, o governo é responsável por investigar. Se um jornalista for ameaçado, o governo tem a obrigação de garantir proteção. É uma posição corajosa, ousada e, acima de tudo, muito importante para a liberdade e os direitos na Bahia e no Brasil. Wagner escreveu seu nome na história e garantiu aos jornalistas mais segurança. Mas, apesar disso tudo, para mim o caso continua aberto enquanto os mandantes não forem para a cadeia. Daí a importância da disposição de Wagner e do secretário Pelegrino em abrir a investigação sobre mandantes, seguindo a recomendação da CIDH e do senso de justiça. A repercussão da morte de meu pai, internacional, e a insistência em manter o caso na mente da população ajudaram a dar segurança a muitos outros jornalistas, tanto que nenhum foi morto depois de 1998. A posição de Wagner e, acima de tudo, uma punição aos mandantes, selaria de vez esta nova realidade. Nenhum país do mundo pode ser democrático, pode dar à população a certeza de que seus direitos serão respeitados, sem uma imprensa livre. Países sem imprensa livre costumam ter ditadores (Fidel Castro) ou semi ditadores (Hugo Cházez) que fazem o que querem para se perpetuar no poder sem que o cidadão saiba. Nestes lugares, o povo paga uma conta cara sem ter quase nada de volta, passa fome, fica sem emprego nem condições mínimas enquanto os presidentes luxam. País sem imprensa livre não tem democracia, justiça nem direitos humanos. O Brasil só pode ser um país democrático se a imprensa puder fazer seu trabalho sem medo de mordaça. Ou bala. Marcel Leal marcel@grapiuna.com Cartas anteriores: A jogada errada de Geddel Fala sério, prefeito O jogo politico de 2010 Ceplac: fim de ciclo? A novidade da década (Obama) O TSE e a internet Comércio aberto à noite Sobre o novo Porto Sul Geddel surpreendido pelo PT To translate this page into English using FreeTranslation.com click here To translate just a part of the text, copy and paste into the area below. Choose "Portuguese to..." the language of your choice. |
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