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Carta ao Leitor
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8 de Novembro Carta ao Leitor... A novidade da década Na terça fiquei acordado até a madrugada de quarta para presenciar um marco na história, ao vivo, mesmo que pela tv CNN. A eleição e o primeiro discurso do primeiro presidente americano negro. Além de negro, filho de um imigrante africano e uma branca pobre. Barak Obama leva para a Casa Branca um nome e um sobrenome africanos, depois de concorrer com um americano típico: rico, branco, ex-soldado, conservador. Mas a eleição de Obama foi mais que isso. Pela primeira vez um homem chega a presidente financiado pelo povo, por gente que tirou 5, 10, 20 dólares da poupança para doar à sua campanha, uma multidão que, junta, lhe deu mais dinheiro que o angariado por McCain. Pela primeira vez a internet foi crucial na eleição, começando pela coleta de doações (a maioria foi feita por ela), passando pela divulgação das idéias, pela propaganda, pelo combate aos boatos, pela interação com o eleitor. Vejo em Obama, antes de mais nada, um cara de família, que encontra tempo para beijar e abraçar as filhas mesmo na campanha mais acirrada que os EUS já viram. Que entrou com a família para o discurso de vitória. Que deixou a campanha de lado num momento crítico para visitar a avó doente. Vejo em Obama um cara que fala direto com as pessoas, ouve o que elas têm a dizer. Um sujeito com porte de príncipe, oratória fantástica, um discurso arrebatador que vem dele (sem ler textos de ninguém) e um carisma arrasador. Carisma e discurso que fizeram o veterano Jesse Jackson (ex-candidato a presidente e líder negro americano) chorar copiosamente, junto com a maior parte da multidão. Vejo em Obama um cara que não foi financiado pela indústria militar e isso faz toda a diferença. Desde a morte de Kennedy, todos os presidentes americanos foram financiados por ela. Coincidência ou não, cada um dos presidentes iniciou uma nova guerra ou invadiu um bando de países. Era preciso vender armas... Obama foi financiado pelo povo e, como lembrou em seu histórico discurso da vitória, ainda abatido pela morte da avó, os EUA voltam a ter um governo vindo do povo, pelo povo, para o povo, como Abraham Lincoln pregava. Obama pode reduzir impostos para quem ganha menos e aumentar para os que ganham muito porque não foi financiado pelas empresas nem indústrias. O povo, literalmente, “pagou para ver” um novo estilo de governo. Pela primeira vez os EUA elegem alguém disposto a mudar coisas fundamentais da cultura americana e isso é o maior marco. Obama pode mudar a maneira como os EUA lidam com capital e trabalho, colocando o segundo na frente do primeiro. Sim, ele pode. Obama pode mudar a maneira como os EUA encaram os outros países e resgatar a boa imagem que ele já teve. Ao invés de invadir países com tanques e bombas, ele pode estender a mão e levar remédios e alimentos. Sim, ele pode. Obama pode fazer os EUA enxergarem a África e os países pobres com olhos de piedade e não de cobiça. Pode tirar dinheiro de armamentos para colocar em alimentos. Sim, ele pode. Obama, que não levou dinheiro da indústria de carros nem da do petróleo, pode investir em combustíveis mais ecológicos. Sim, ele pode. Seu slogan foi “Yes, we can” (sim, nós podemos), uma mensagem de esperança e de certeza de que é possível mudar o país, torná-lo mais justo. Este slogan é outro marco histórico, pelo que representa, pela força que teve durante a campanha (chegou a ser usado pelo adversário, sem querer, em mais de uma ocasião). Resume toda uma filosofia. Durante o discurso da vitória, a cada frase de Obama, reiterando todas as promessas de campanha, a multidão gritava “yes, we can”, de uma forma muito parecida com um sermão seguido do “amém”. Obama concorreu com uma ex-primeira dama tida como imbatível, depois contra o típico herói americano. Como bom africano, superou tudo com muita luta. Obama será o presidente mais importante da história dos EUA, pelo que pode fazer. Isso, se não for morto por algum caipira imbecil racista de lá. Ou pela CIA, os grandes interesses mulitares (assim mesmo, mistura de mula com militar) ou econômicos contrariados com sua política. Que Deus proteja Obama. Marcel Leal marcel@grapiuna.com Cartas anteriores: O TSE e a internet Comércio aberto à noite Sobre o novo Porto Sul Geddel surpreendido pelo PT To translate this page into English using FreeTranslation.com click here To translate just a part of the text, copy and paste into the area below. Choose "Portuguese to..." the language of your choice. |
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