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12 de Julho

Carta ao Leitor...

TSE afronta o direito
      Ignorância, miopia, falta de bom senso. Dê o nome que quiser, o certo é que, ao proibir a campanha na internet, o TSE comete um crime contra a liberdade do cidadão em se informar sobre candidatos que querem mandar em sua cidade.
      Logo de cara é contra- senso. Se os jornais podem fazer entrevistas, matérias, dar opinião e até ter um candidato de sua preferência, por que os sites não podem? No caso de rádio e tv alegam que é porque se trata de concessões públicas. Mas os sites não são.
      A internet devia ser, na verdade, totalmente liberada e incentivada, porque é o único meio onde os candidatos, desde enorme a minúsculo, disputam em igualdade de condições.
      Por mais dinheiro que o grande tenha, nunca vai ter vantagem sobre o pequeno, como acontece com outdoor, rádio e tv, de produções caras.
      O grande vai gastar (sem necessidade) milhares de reais na montagem de seu site, mas o pequeno vai fazer isso quse de graça, usando hospedagem gratuita e design de um amigo.
      A internet é o meio democrático por natureza, onde o eleitor pode interagir, debater, questionar, conversar com os candidatos. Nenhum outro dá esta liberdade ao eleitor, nenhum dá esta igualdade aos candidatos. Proibir a internet é trancar a democracia no armário da ignorância.
      Talvez o problema seja de interesse. Afinal, nenhum político rico ou poderoso quer dar chance a um pequeno de crescer. Eles têm medo da internet, porque iguala seu poder ao dos pequenos. Se eles não querem a internet liberada, será que o TSE o faria?
      Fora daqui, onde a democracia e a liberdade são colocadas acima dos interesses, a história é outra.
      Nos EUA, por exemplo, foi usando bem a internet que Barak Obama atropelou os outros candidatos democratas, incluindo a favorita e muito mias rica Hillary Clinton.
      Foi na internet que ele encontrou a maioria de seus 1,5 milhão de doadores que garantiram sua campanha. Foi onde pôde debater direto com os eleitores, tirar suas dúvidas.
      Foi onde os convenceu a apoiar um negro num país onde o racismo é protegido por lei (a KKK, por exemplo, pode fazer manifestações à vontade).
      É na internet que Obama mantém um site só para desfazer os boatos que soltam sobre ele. É nela que encontra seus novos voluntários.
      A internet está no centro da eleição americana. Aqui, ela está amarrada pela ignorância de ministros que não sabem o que é nem como funciona. Mas se acham no direito de legislar sobre o que não conhecem.
      A proibição tem, até, um lado absurdo, a ser combatido com ações no STJ. Pegue o exemplo de A Região.
      O jornal impresso pode fazer matérias opinativas sobre as eleições à vontade. Mas a edição online está proibida de publicar estas matérias!
      Até os internautas estão proibidos de dar opinião em foruns, blogs e sites.
      A decisão do TSE afronta a Constituição, que garante ao brasileiro o direito de opinar e à imprensa o de divulgar. Quem disse que decisão de juiz não se discute? O TSE errou.

Um inquérito sem sentido
      O governo Wagner pode demitir o policial Monzar Brasil sem pensar duas vezes, afinal é um assassino condenado a 18 anos num juri popular. gilson prata e cuma
      Mas, estranhamente, está levando meses se arrastando numa investigação curiosa, porque muito além do normal.
      A SSP-BA vem tomando novos depoimentos, ouvindo testemunhas, fazendo novas acareações, como se estivesse recriando o processo e o júri que condenou Monzar, a pedido de seu advogado. Por que?
      A única explicação, até porque o advogado é o mesmo do delegado, é que Gilson Prata tem medo do que Monzar possa fazer se for finalmente recolhido à Lemos de Brito. Será medo do que ele pode falar?
      Monzar era da equipe de Gilson Prata e sócio dele em Santo Antonio de Jesus. A únca ligação com Itabuna era Prata, denunciado pelo A Região um mês antes de Manoel Leal ser assassinado.
      Não existia razão alguma para Monzar matar meu pai, por isso, só pode ter sido enviado para isso. E, se foi enviado, não poderia sê-lo sem autorização de seu chefe e sócio, Prata.
      Esta é minha opinião e, para mim, a razão da SSP se dar a um trabalho nunca feito antes para demitir um assassino.
      Se precisa de fato certo para a demissão, é fácil: o cara foi condenado por assassinato.
      Mas parece é que não querem achar razão, mas ganhar tempo. Até Monzar morrer de velhice ou “de morte matada”.

      Marcel Leal
      marcel@grapiuna.com

      Cartas anteriores:
Comércio aberto à noite
Sobre o novo Porto Sul
Geddel surpreendido pelo PT



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