carta ao leitor
28.Maio.2016

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Cultura para poucos

      Os últimos fatos provam que a ocupação dos prédios do MinC por artistas conhecidos não era em prol da cultura, mas sim do próprio bolso. ocupacao minc
      São um grupo de artistas acostumados a pegar milhões pela Lei Rouanet para projetos que custam muito menos e ainda por cima cobram ingresso caro. Ocuparam ou incitaram a ocupação de prédios do ex-MinC alegando que a luta era para recriar o Ministério da Cultura. Não era.
      É o braço cultural do PT tentando derrubar Temer e forçar o caos no país. Isso ficou claro depois que ele recriou o MinC mas as ocupações ficaram, agora, às claras, para “derrubar o governo ilegítimo”.
      Nem vou entrar no assunto do “ilegítimo” porque meus leitores têm cérebro e sabem que o processo foi não só Constitucional quanto vigiado pelo STF. Vou falar de cultura.
      Desde que inaugurei a Morena FM, em 1987, venho fazendo cultura e apoiando os artistas regionais, sem nunca precisar de mamatas públicas. Poucas vezes tentei usar a Lei Rouanet em projetos.
      Isso foi nos governos Lula e Dilma, quando descobri que ela só existia para parceiros do PT. Projetos de outros nunca eram aprovados.
      Fiz o Troféu Jupará por 15 anos sem dinheiro público, fiz a Copa Morena de Surf com Gleuber, fiz o Projeto de Verão por vários anos com Miguel Lima, fiz exposições e palestras sobre a história de Itabuna, fiz projetos de história e cultura na Morena FM e jornal A Região.
      Neles, nunca usei verba pública. Se eu posso fazer isso, por que Chico Buarque, Marieta Severo, Carlinhos Brown, Maria Bethânia e outros desse porte precisam de verba pública para montar shows que lotam e têm ingressos caros?
      Por que peças de teatro com atores da Globo precisam da Lei Rouanet? Não precisam.
      Há claramente esquema para enriquecer artistas amigos e comprar a opinião de outros com visibilidade. Hitler também fazia isso.
      Criada no governo Collor, a lei era usada, até FHC, para artistas novos, para projetos alternativos difíceis de receber patrocínio privado e de baixo público, a cultura que precisa.
      A partir de Lula virou cofre para amigos e bancou projetos como filme sobre a vida do presidiário José Dirceu (R$ 1,5 milhão), R$ 1,3 milhão para Bethânia fazer um blog (!), R$ 843 mil para documentário sobre a vida de Jean Wyllys, R$ 4,5 milhões para turnê de Luan Santana;
      R$ 1 milhão para turnê dos Detonautas, R$ 5,8 milhões para shows de Cláudia Leite, R$ 5,7 milhões para um evento no Club A (de ricos), R$ 1,5 milhão para a escola de samba Império Serrano, R$ 13 milhões para o Banco Santander fazer seu marketing cultural, R$ 356 mil para um livro de Cláudia Leite, R$ 840 mil para shows de Daniela Mercury, R$ 843 mil para shows de Ana Carolina.
      Ou seja, a sociedade banca o show e depois paga R$ 150 para assistir. É imoral.
      Não existem pequenos projetos apoiados? Sim, claro que existem. Mas apenas 3% de amigos do PT ficaram com 50% da verba e 75% dos projetos apoiados foram no sudeste.
      Ao invés da intenção inicial da lei, o dinheiro público financia a arte de quem não precisa de verba pública.
      E a conta é nossa.

Farra sem audiência

      Outro gasto escandaloso dos governos do PT foi com a Empresa Brasil de Comunicação (EBC), que inclui a TV Brasil, a menor audiência do país, quase nula. A EBC pelo menos tem um bom noticiário diário.
      Mas a EBC e a TV Brasil custam os olhos da cara e, se fossem privadas, teriam falido. Continuam porque viraram cabide de emprego e fonte de muita grana fácil.
      O diretor de teatro Aderbal Freire Jr, por exemplo, marido da atriz Marieta Severo (que chama o impeachment de golpe), recebia R$ 91 mil por mês, cinco vezes mais do que o presidente da estatal.
      Rozane Braga, outra que assinou o manifesto “anti-golpe”, é sócia da FBL, produtora do programa “ABZ do Ziraldo”.
      Ela recebia R$ 717 mil por ano para fazer o programa, que não tem audiência alguma.
      Mariana Kotscho, filha de Ricardo Kotscho, ex-assessor de Lula, ganhava R$ 2,4 milhões por ano para fazer o obscuro programa “Papo de Mãe”.
      O programa “Expedições”, da empresa Roberto Werneck Produções, recebia por ano R$ 1,6 milhão.
      O jornalista “amigo” Sidney Rezende faturou R$ 507 mil por 13 edições de um programa de rádio.
      O que todos têm em comum é a ligação com o PT, a defesa acirrada do partido e de Dilma, a falta de consideração com o dinheiro público.
      Enquanto isso, rádios e jornais do interior passam por muita dificuldade para manter o setor, essencial à sociedade.


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