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21 de Novembro

Carta ao Leitor...

Cada um na sua
      Quando a gente denuncia um prefeito, ele pode ter dois tipos de atitude. Se é conivente, se irrita com a independência da imprensa livre. Se não é, deveria ficar agradecido. mauricio, nilton, marcel
      É através da imprensa que ele pode saber de fraudes e malandragens cometidas por secretários e servidores por suas costas.
      Os jornais e rádios que recebem dinheiro para só elogiar a prefeitura não servem para alertar o prefeito, não ajudam ele em nada.
      Nem mesmo a dar mais respaldo ao prefeito, porque todo leitor sabe que o que está escrito ou falado é pago, que aquele veículo de comunicação jamais vai ficar do lado dele, leitor, ouvinte, por medo de perder as verbas oficiais.
      Admito que não é nada fácil sacrificar o dinheiro, cada vez mais raro, em nome de um idealismo que sempre foi mais forte nos jovens, que ainda não sofreram na vida e não tiveram que escolher entre o que pensa e o que come. Dou graças todo dia por continuar "imaturo", jovem, quanto a isso.
      Nesta semana, um amigo que trabalha na prefeitura de Ilhéus comentou que certo cara, de cargo alto por lá, diz sempre ao prefeito que me manda os press releases da prefeitura mas eu faço "questão de rasgar".
      Tirando a besteira de que eu "rasgaria" emails (porque é assim que os releases saem), até hoje não entendi em que essa intriga idiota ajuda o cara.
      Ignoro as notícias geradas pela prefeitura de Ilhéus porque nunca recebi nem recebo press releases de lá (e não mandam de propósito, para manter esta intriga). Mas vai mudar.
      Pedi a um amigo, daqueles de verdade, que me mande cópia dos releases que recebe.
      Com isso, venho dando algumas notícias da prefeitura, as que são importantes para os leitores (depois de checadas para confirmar se é verdade, porque é nossa obrigação).
      Não sei se Newton Lima "come essa pilha" do assessor. Espero que não, porque nunca misturo trabalho com pessoal.
      Me dou muito bem com Azevedo, por exemplo, mesmo criticando seu governo. Eu não misturo as coisas, nem ele.
      Assim tem que ser numa democracia, na civilização, onde cada um cumpre sua obrigação sem deixar que isso contamine as relações pessoais.
      No lançamento do livro de Klinger Sobreira, em Ilhéus, Newton foi cordial comigo e até tiramos foto juntos.
      É como deve ser. Faço aqui minha obrigação como um jornalista, fiscalizando quem tem cargo público para quem o elegeu, sendo a voz e os olhos do eleitor, do cidadão, cuidando para que o dinheiro que ele paga em impostos seja empregado de forma séria, honesta.
      Ou denunciando quando isso não acontece. Seria muito fácil receber verbas de prefeito para só elogiar e fechar os olhos às irregularidades.
      Mas isso não ajudaria os prefeitos em nada, ao contrário, deixaria sua gestão vulnerável a servidores ruins, que entram no serviço público para servir só ao próprio interesse.
      Não ajudaria os leitores e ouvintes, enganados por gente que eles elegeram.
      E eu, se aceitasse, não dormiria tranquilo. Como durmo. Todo dia.

De novo a polêmica
      A prefeitura vai mudar o Código de Posturas de Itabuna para que o comércio seja autorizado a funcionar à noite e nos finais de semana. Já se sabe que o sindicato dos empregados é radicalmente contra.
      Ele diz que isso daria margem a abusos de todos os tipos. Eu entendo a posição do sindicato, mas me parece que ele nunca enxergou fora de sua redoma, não conheceu como funciona em outros lugares.
      O comércio aberto à noite é coisa normal em lugares onde o bom senso impera. E não é para todos.
      Existem lojas que não terão vantagem abrindo à noite, enquanto outras poderão servir um cliente que não tem como fazer compras durante o dia.
      Deixar o comércio de Itabuna no atraso porque não existe segurança, uma das alegações, é miopia.
      Cabe ao comércio abrir, ao sindicato fiscalizar se há abusos, à prefeitura e à Justiça trabalhista punir os abusos, e à sociedade cobrar a segurança.
      Só uma taturana pode achar que se o comércio abrir à noite e fins de semana vai haver, automaticamente, exploração. O sindicato tem preguiça de fiscalizar as empresas quanto ao descanso obrigatório e ao limite de horas semanais? Ou acha que a Justiça trabalhista se omite quanto isso?
      Devem observar o São Caetano, cujo comércio cresce mais que o do centro porque abre domingo. E o shopping, que abre à noite. Acordem.

      Marcel Leal
      marcel@grapiuna.com

      Cartas anteriores:
O apagão dos Niltons
Uma data histórica
A jogada errada de Geddel
Fala sério, prefeito
O jogo politico de 2010
Ceplac: fim de ciclo?
A novidade da década (Obama)
O TSE e a internet
Comércio aberto à noite
Sobre o novo Porto Sul
Geddel surpreendido pelo PT



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