carta ao leitor
13.Setembro.2014



Que cidade queremos?
      Itabuna precisa decidir se quer continuar se comportando como um vilarejo do fim do mundo ou como uma cidade de 200 mil habitantes que é pólo regional de comércio, finanças e serviços. Para isso, várias coisas precisam mudar. passeata
      O Nucleo Cuidar, que sempre apoiamos, vai fazer a 10ª Caminhada pelo Dia de Luta da Pessoa com Deficiência.
      A causa é nobre, mas a escolha do dia e local prejudica, mais uma vez, o comércio de Itabuna, clientes e o trânsito.
      Isso porque será numa segunda-feira, às 16 horas, em pleno horário de comércio.
      Na prática, o evento vai obrigar todas as lojas a parar de vender e perder duas horas de faturamento a partir deste horário. Prejuízo certo.
      O Núcleo Cuidar não é o único nem o primeiro a escolher dia e horário errado, atrapalhar o trânsito e o comércio do centro. Usei como um exemplo apenas porque é o mais recente. De passeatas de protesto a caminhadas políticas, além de enterro, parece que todo mundo faz questão de atrapalhar a cidade em horários ruins.
      Ninguém faz seus eventos no sábado à tarde, nem no domingo e a razão é egoísta. Sabem que ninguém se interessa pelo evento exceto os que participam dele, por isso precisam marcar no horário de pico do comércio para que ele seja visto na marra. Mas isto faz de Itabuna uma vilazinha.
      É preciso, com urgência, aprovar uma lei proibindo qualquer tipo de evento no centro de Itabuna durante dias e horários comerciais.
      Não é possível que isso ainda exista numa cidade do porte de Itabuna. Não somos mais uma vila.
      Outro sinal do atraso são os quebra-molas, já eliminados há mais de uma década nas cidades deste porte em outros estados. Na Bahia, continua sendo o sinal mais claro de administração paroquial.
      Basta que algum pedestre seja atropelado (e a maioria o é por culpa do próprio pedestre, que atravessa a rua sem olhar) para pedirem mais um.
      E a prefeitura corre e instala mais um quebra-molas, que vai acabar sem pintura nem sinalização, criando um perigo para motoristas e pedestres.
      Itabuna continua assim porque os administradores a enxergam como uma vila, sua visão é limitada e atrasada, Incluindo a Câmara, onde os vereadores fazem um festival de comadrismo digno da novela O Bem Amado.
      Nesta semana, um deles aprovou “Moção de Parabéns” pelo aniversário de um amigo...
      Donos de botecos pequenos invadem as calçadas e até o asfalto porque, numa vila, cada um faz o que quer e as regras ficam só no papel.
      É o mesmo na hora de construir. Se é uma casa e o cara quer uma varanda, constroi em cima da calçada.
      Se é um prédio, a prefeitura não analisa o impacto que ele pode ter.
      Um prédio com 40 apartamentos significa mais 40 a 50 carros transitando na rua, um aumento explosivo no uso de água, energia e esgoto.
      Nem sempre esta rua pode suportar o aumento de trânsito. No caso da energia, a Coelba sempre ajusta.
      Já a rede de água e de esgoto continua a mesma, porém com um fluxo muito maior. É desastre certo.
      Em cidade séria, a prefeitura nega alvará em casos onde a rua não suporta o prédio. Em Itabuna, tanto faz. Ninguém faz estudo, ninguém se importa com as consequências.
      O espírito de vilarejo continua no uso indiscriminado de carros de som, apesar das 6 emissoras de rádio e duas teves disponíveis para divulgação.
      Segue em gente usando cavalos e carroças pelo centro, em cortejos fúnebres desfilando pelas principais avenidas, em placas de propaganda que são penduradas em árvores, postes e até monumentos.
      A prefeitura, nesta gestão de Vane, tem avançado em áreas como a fiscalização de obras, interditando as que não são seguras e as irregulares.
      Falta negar alvará para obras que afetam as ruas.
      Itabuna como um todo precisa decidir o que quer ser, porque a prefeitura só pode tomar uma atitude mais severa se tiver o apoio da sociedade.
      Sem este apoio, ela não vai ter coragem de eliminar os quebra-molas nem proibir os eventos que prejudicam o setor que sustenta a cidade, o nosso comércio do centro.
      Vane é um prefeito muito bem intencionado, mesmo tendo um ou outro secretário que mais atrapalha que ajuda, que mais afasta parcerias do que agrega apoiadores.
      A maior parte de sua equipe quer fazer o melhor para a cidade, mas tomar as atitudes que a cidade precisa significa também enfrentar protestos de quem prefere morar numa vila.
      Eu quero Itabuna arrojada e moderna. Não quero uma vila.


 
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