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Manoel Leal
14.Janeiro.2017

Parada no tempo


Há exatos quatro anos eu escrevia sobre a total falta de Justiça para meu pai, Manoel Leal, assassinado em 14 de janeiro de 1998 depois de denunciar o então prefeito de Itabuna e um importante delegado de Salvador.

Hoje, o prefeito é o mesmo da época em que meu pai foi morto. Em 19 anos, não foi sequer investigado de forma oficial pela polícia.

O que escrevi há 4 anos, assim como nesses 19 anos, ainda é atual, verdadeiro.

A luta, diária e muito desgastante, em busca de Justiça começou naquele dia, em 1998, mas até hoje não terminou. Nem terminará.

O executor, ex-policial Monzar Brasil, já foi julgado e condenado.

Um de seus comparsas sumiu e muitos dizem que foi morto em queima de arquivo.

O outro acusado de participar do crime, Marcone Sarmento, foi inocentado num juri comprado que o Tribunal de Justiça da Bahia anulou.

Ele determinou que um novo julgamento seja feito, em Salvador, mas isso já foi há mais de 10 anos e o TJ-BA até aqui não cumpriu sua própria determinação.

Enquanto isso, Marcone, um amigo muito íntimo de Maria Alice Araújo e Fernando Gomes, está solto e curtindo a vida.

Ele passou os quatro anos de Cuma e os quatro de Azevedo empregado como motorista do prefeito, mas dirigindo, o tempo todo, para Maria Alice, que o visitava na cadeia quando estava lá.

Gomes está de volta à prefeitura, assim como Maria Alice e, provavelmente “seu” Marcone como motorista.

É como se estes 19 anos não tivessem existido, como se houvesse um pulo de 1998 para 2017.

A diferença é que meu pai não está aqui, apenas eu tentando manter sua luta em prol de Itabuna e da justiça.

É decepcionante que Itabuna fique dando voltas no tempo sem sair do lugar.

Depois de 19 anos ela volta para o mesmo lugar, a mesma situação, os mesmos escândalos, a mesma patota sugando o dinheiro que nós, cidadãos, entregamos via impostos à prefeitura.

Assim como em 1998, a polícia não investiga os mandantes, óbvios, daquele crime que ganhou alcance nacional e mundial.

Por determinação da OEA, o Governo do Estado pediu a reabertura do caso para investigar os mandantes e a manipulação do inquérito pelo delegado Jaques Valois.

Pediu mas não levou.

O Ministério Público ainda não deu seu parecer e o TJ-BA não se mexeu.

Entidades de todo o mundo querem a reabertura, por um motivo simples.

Os tiros não foram só contra meu pai, afrontou toda a sociedade, os policiais sérios e os juízes honestos.

Foi um ataque direto ao direito que a mídia tem de informar com liberdade e que você tem de ser informado.

Corruptos, sejam do PT ou do DEM, não suportam a mídia independente, a ampla liberdade para denunciar seus crimes.

Ora apelam para crime de mando, como fizeram com meu pai, ora para o atentado jurídico, tentando calar o veículo com processos que custam tempo e dinheiro.

Fazem o veículo gastar um dinheiro que faz falta no dia a dia de qualquer jornal ou rádio do interior.

Já o que eles gastam não sai do bolso dos corruptos, mas do nosso.

Em geral perdem essas ações, porque a maioria dos juízes defendem a liberdade de imprensa determinada pela Constituição.

De vez em quando um juiz, por opinião própria, amizade ou interesse, julga contra a mídia.

Não aqui, pois os nossos nunca aceitam punir a mídia por cumprir seu dever, sua obrigação de defender a sociedade e denunciar o que a prejudica.

Mas, Brasil afora, vários bandidos conseguiram tirar dinheiro de pequenos jornais e rádios do interior.

Como José Dirceu, que processou 100 pequenos jornais por danos morais (!)

Ou Lula, que processa o MP porque pediu sua prisão. São pessoas sem moral querendo “danos morais”.

E assim se passaram 19 anos sem Itabuna sair do lugar, parada no tempo.


O editorial de A Região, por Marcel Leal.

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