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krav maga
15.Abril.2017

Deixando de ser vítima


Em Israel tem bomba, tem atentado, mas não tem assalto de rua, batedor de carteira, roubo em semáforo. Por que? Porque toda a população recebe aulas de Krav Maga desde a escola, sabendo quando, onde e por que usar.

Importante notar que Krav Maga não é arte marcial.

É um sistema de defesa pessoal que usa movimentos simples e eficientes, sem precisar de força. Da criança à idosa, qualquer pessoa se defende facilmente.

Seu princípio é anular o atacante da forma mais rápida e eficiente possível, usando gestos defensivos ao mesmo tempo em que devolve o ataque sem esforço, muitas vezes usando a força dele ao invés da sua, ou nenhuma.

A Federação Sul Americana de Krav Maga promove, todo ano em março, aulas gratuitas para as mulheres, que aprendem a reagir ao invés de virar a próxima estatística.

Na Bahia, neste ano, houve aulas em Salvador, Conquista e Itabuna.

Elas aprendem a se livrar de estrangulamento, sair debaixo de estuprador, se defender de facadas e de socos, a usar gestos que não precisam de força para anular o atacante e até a analisar melhor o ambiente.

A importância desta iniciativa deve ser vista por um dado policial. Uma coisa muito chocante é o número de estupros na Bahia.

Toda semana chegam notícias da prisão de 2, 3, 4 estupradores. Isso, os presos.

O número de mulheres estupradas que não deram queixa por se sentir culpada, envergonhada ou com medo de retaliação é centenas de vezes maior que este.

Por sinal, estupro é outra coisa rara em Israel.

Existem dezenas de formas com que a mulher pode se livrar da tentativa de estupro, todas elas fáceis de aprender e, se praticadas, fáceis de ser aplicadas.

Quem foi à aula de Itabuna, sábado 8, viu isso de perto. Mesmo em outras situações o Krav Maga pode ser a esperança de vida.

Hoje os assaltantes matam por matar, por se sentir poderosos com a falta de consequência dos atos.

Nem sempre quem aprende Krav Maga vai poder reagir. Em algumas situações é melhor obedecer. Mas na maioria das vezes é possível anulá-lo em segundos, sem precisar ser forte.

Em Itabuna, o instrutor Paulo Almeida mostrou até como se livrar de alguém que puxa a mulher pelos cabelos, coisa rotineira em briga delas e em tentativas de estupro.

As mulheres viram como é fácil sair debaixo de um homem grande e forte usando pouca força aliada ao Krav Maga. Pela tarde, Paulo mostrou como enfrentar um cara que está com faca ou um porrete nas mãos.

Não é nada complexo. A técnica se baseia sempre em gestos naturais.

Praticando, eles se tornam automáticos e muito eficientes.

Mas os instrutores não ensinam qualquer pessoa, porque sua próxima pergunta provavelmente é...

E se um ladrão ou estuprador aprender Krav Maga? É difícil.

Nenhum instrutor aceita um aluno sem analisar seu perfil e, mesmo depois de algumas aulas, ele pode ser mandado embora se for percebido algum desvio de caráter. Paulo já fez isso.

É uma exigência da Federação seguida por todos. Só a FSAKM pode autorizar alguém a dar aulas e estes instrutores passam por um longo processo, de meses.

Para conseguir esta autorização é preciso não só dominar as técnicas, como ter um caráter sério.

Isso, depois de atingir um patamar elevado de conhecimento da técnica e da filosofia do Krav Maga.

Se quiser ter uma ideia do que é o Krav Maga, busque no YouTube o canal “Krav Maga Caveira”.

Neste país onde o bandido fica impune e pode atacar sem se preocupar com armas (só eles podem ter), saber Krav Maga pode ser a diferença entre voltar para casa ou ir ao cemitério.

Devia ser ensinado nas escolas, como parte do currículo. Talvez a estatística criminal mudasse bastante.


O editorial de A Região, por Marcel Leal.

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