carta ao leitor
23.Maio.2015



Provocando a onça
      O anúncio do corte de 30% no orçamento da Polícia Federal tem toda a aparência de ser uma vendetta, uma vingança da presidente Dilma e do PT por causa da eficiência da PF em descobrir os crimes praticados por eles. Ou é provocação. policia federal
      Esta provocação pode ser uma manobra para irritar os federais a ponto de provocar uma greve geral da categoria.
      Se os policiais fazem greve, param de investigar os crimes do colarinho vermelho e dão trégua para a quadrilha.
      Durante esta trégua a presidente e o PT podem tentar melhorar a imagem com mais mentiras em mídia maciça.
      Os investigados podem destruir as provas, ameaçar as testemunhas, mandar recado aterrorizante para os que estão presos se calarem.
      A primeira reação dos delegados da PF foi justamente a esperada pela manobra.
      Na sexta-feira enviaram à imprensa um comunicado dizendo que não descartam uma paralisação nacional e a entrega de todos os cargos de chefia. Dilma e o PT agradecem, comovidos, as duas medidas.
      Além de não investigar e facilitar a destruição das provas, a entrega das chefias abriria a porteira para que Dilma nomeie somente delegados que estejam comprometidos em proteger o governo federal, as empreiteiras e “cumpanheros” indiciados.
      Na nota, o pessoal da PF reclama da “postura tímida do Ministério da Justiça e da Direção-Geral da PF na defesa da instituição”.
      Sério mesmo que voces esperam que José Eduardo Carodozo defenda a categoria que está enviando a cúpula de seu partido para a cadeia?
      “A categoria argumenta que espera do Ministério da Justiça e da Direção-Geral da Polícia Federal a mesma postura institucional verificada no Supremo Tribunal Federal e na Advocacia Geral da União, quando promovem junto ao governo federal a defesa das reivindicações de interesse de seus órgãos e servidores”.
      Parece que se esquecem que o papel de Cardozo está longe daquele que se espera de um Ministro da Justiça. "Justiça", para ele, é inocentar todos os petistas e seus aliados.
      É proteger o governo e o partido a qualquer custo, manter empreiteiras a salvo e garantir a impunidade dos aliados.
      A nota lembra uma coisa óbvia, que “investir na Polícia Federal é ajudar o país no equilíbrio das contas, pois é investir no combate ao desvio de recursos públicos”.
      O governo sabe disso, o problema é que o desvio está sendo feito justamente pelos aliados e comandados do próprio governo.
      “O corte orçamentário de R$ 70 bilhões prevê atrasar ou não executar, por falta de receita suficiente, a programação prevista na Lei Orçamentária de 2015, o que prejudicará as atividades da Polícia Federal, inclusive de investigações e operações policiais”.
      Exatamente o que Dilma espera, de preferência com a ajuda de uma greve da PF.
      Minha sugestão para os policiais e delegados federais é fazer o oposto do que ela espera. Não fazer greve nem entregar cargo. Ao contrário, trabalhar em dobro, até com sacrifício pessoal, investigando.
      Fazer o jogo do Brasil e não o jogo da presidente.

Salvos pela brasileirice
      Conversando sobre coisas de segurança com um amigo, acabei lembrando uma situação pela qual passei.
      A gente fala muito da falta de segurança em nossa cidade, estado, país, mas em todo lugar existem lugares que você não deve frequentar.
      É assim em certos bairros de Londres, New York, Paris, Los Angeles (onde já me vi no meio de um tiroteio ao passar por um bairro, de dia).
      A situação que eu lembrei aconteceu na minha primeira viagem pela Europa.
      Tinha conhecido um casal simpático de mexicanos e, como estávamos viajando com passe livre de trem, podíamos mudar de rota à vontade.
      Por isso seguimos para Rotterdam e seu Jazz Festival.
      Só que, ao sair da estação de trem, percebi dois sujeitos nos seguindo (percepção típica de quem já morou no centro de Sampa...) Decidimos voltar à estação e ir para Amsterdam, mas primeiro era preciso nos livrar da dupla.
      Aí entrou em ação uma característica cultural nossa, de brasileiros e mexicanos, que os Europeus do norte não têm.
      Não nos importamos de “pagar mico” quando necessário mas eles não conseguem.
      Entramos no corredor da fila de um self-service e fomos enchendo as bandejas. Fizeram o mesmo, mais atrás na fila.
      Ao chegar no caixa, nós largamos tudo e fomos embora. Eles não tiveram coragem, porque a cultura de lá impõe outro comportamento.
      Salvos pela brasileirice...
     
      Artigo de opinião, por Marcel Leal. Leia sua coluna aqui.


 
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