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pai e tio
12.Agosto.2017

Um filho de muitos pais


Esta é uma semana boa para escrever sobre ser pai. Mas quem já é, sabe a felicidade ilimitada que a paternidade traz. Quem não é pai, jamais poderia entender. Então, vou usar o tema para falar de outros pais, nem sempre lembrados.

Eu sou um cara de muita sorte, um privilegiado, porque tive, além de meu pai, vários tios que ajudaram a formar minha maneira de ser, meu caráter, minha personalidade.

Eles me mostraram, via exemplos, o certo e o errado, o elogiável e o condenável. Um traço em comum entre todos eles é jamais aceitar as coisas erradas, não ser cúmplice de quem erra, dos maus.

Meu tio Tinho era um professor que nunca aceitou as coisas erradas nem manobrou para ganhar mais sem que isso saísse de seu trabalho.

Não ganhava muito, mas sabia fazer o dinheiro gerar mais felicidade, prazer, conforto. Ele me ensinou desapego.

Também me ensinou o valor da amizade sincera.

Meu tio Zezé era único. Nunca encontrei com ele sem que estivesse com um sorriso largo na boca, fazendo sinal de positivo, mesmo que por dentro vivesse muitos problemas.

Ele me ensinou otimismo e como se manter sereno no meio de uma tempestade. E que gentileza gera gentileza.

Meu tio Nine era um Indiana Jones. Gostava de um bom desafio, de desbravar caminhos. Não pensava duas vezes em mudar para um local sem saber o que o esperava.

Ele me ensinou coragem para enfrentar qualquer desafio, como quando enfrentou uma doença mortal.

Meu tio Heitor, grande exemplo de vida e vitalidade,me ensinou sacrifício, como o que fez a vida toda pelos filhos.

Me ensinou que idade é só um número (logo ele, que via números todo dia no trabalho) e que nunca é tarde para aprender algo novo. É internauta voraz.

Meu tio Aliomar é um bruxo, um explorador que não teme buscar experiências novas nem misteriosas.

Ele me ensinou que vale a pena buscar conhecimento até nos lugares menos óbvios, tentar caminhos inexplorados.

Todos eles são também um pouco meus pais e sempre me senti amado como um filho.

Na vida muita gente faz o papel de pai sem ser. Exemplo óbvio são os professores.

Eu não lembro de todos, mas sei que fui moldado, em boa parte, por eles e não só na parte escolar.

Me ensinaram conceitos de ética, de comportamento, de convívio, de educação que se somaram às lições de meu pai, de meus tios.

No Dia dos Pais a gente precisa ampliar o conceito, incluir quem sempre nos deu o amor e os ensinamentos de pai.

Dito isso, sinto todo dia saudade do meu e procuro me fazer digno dele, do que ele esperava e espera de mim.

RM é mais que isso


Vejo o pessoal discutindo a Região Metropolitana do Sul da Bahia pela undécima vez e não sei se algum dia vai sair do papel. Talvez quando a BR virar uma avenida e for inevitável.

Falam da sede, da gestão, das verbas que podem vir mas não vejo uma análise prática.

Não há uma receita para que a gestão da RM seja feita independente de quem for prefeito nas cidades.

Sem isso, a interferência política tornará impossível criar equipamentos regionais. Vai ficar na discussão do que deve ficar em Itabuna ou Ilhéus.

Imagine que a RM existe e somos um bolo só. Precisamos de um aeroporto internacional (o governo não fala mais) e tornar as estradas em avenidas, com iluminação e calçadas.

A coleta e tratamento do lixo de toda a RM deve ser feita em um centro comum.

Precisamos de central de alimentos como a Ceasa de São Paulo, distribuindo a produção das cidades da RM.

A saúde precisa de um hospital da criança, um para queimados, uma maternidade de grande porte, servindo todos os municípios (com uma rede de ambulâncias).

A segurança precisa ser integrada, com fiscalização nas entradas da RM, monitoradas por vídeo online. As polícias têm que ter comunicação em cada canto da RM reportando a uma central que coordene a força policial de toda a região.

Uma RM não é título e cargos. Ela tem que ser como uma urbe única e independente. Ou é perda de tempo.


O editorial de A Região, por Marcel Leal.

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