carta ao leitor
21.Março.2015



Miopia e protesto
      As manifestações do dia 15 de março tiveram 1 milhão ou 2 milhões de pessoas nas ruas? Não importa. A quantidade de gente que abriu mão do domingo e da praia para protestar contra Dilma é um marco na história. elite branca
      Ele está logo atrás do famoso comício das Diretas Já em 1984. Apesar de histórico, aquele comício de 1 milhão de pessoas não conseguiu fazer o Congresso aprovar a volta das eleições diretas. Mas iniciou um movimento irreversível.
      O movimento pelo impeachment de Dilma também não vai convencer o Congresso a fazer isso, ainda, mas não é porque “Dilma não é Collor”, como defendem os petistas atordoados com o recado das ruas. Realmente são diferentes.
      Collor não foi cassado porque roubou “um Fiat Elba”, motivo do processo. E foi inocentado pela Justiça depois. Nem foi por sequestrar a nossa poupança e contas de banco.
      Collor foi cassado porque acreditou que a força das urnas lhe dava um poder maior que o real. Ele se recusou a fazer, como os outros, balcão de negócios com o Congresso.
      Não aceitou trocar cargos por apoio político. Deputados e Senadores, que se lixavam para a poupança, não aceitaram a “arrogância do moleque”.
      O caso de Dilma é bem diferente. Email em poder da PF prova que ela sabia do Petrolão desde 2006, quando ministra. Foi confirmado pelos três delatores, assim como a ciência de Lula sobre o esquema.
      Dilma deixou a maior empresa do país se tornar nanica e isso, por si só, é motivo válido para impeachment, mas o que a população vê é a soma de muitos erros. O Mensalão, o Petrolão, a lei que permitiu o fim da pena de José Genoíno, assinada por ela no fim do ano, a lei que a isentou do crime de improbidade que cometeu...
      A estes escândalos se soma a maneira absurda como o PT trata as manifestações e a recusa em enxergar a realidade econômica do País. Um exemplo foram as declarações de petistas e ministros depois do domingo.
      Tentaram desqualificar as manifestações, que levaram seguramente mais de 2 milhões de pessoas às ruas de 158 cidades, incluindo as capitais, todas, em verde e amarelo.
      Para eles, foi protesto “de brancos e ricos” ou de “velhos, brancos e ricos”, ou ainda da “elite branca” e de “pessoas que não votaram em Dilma”.
      Neste ponto têm razão. Quem votou em Dilma não tem coragem de ir às ruas.
      O grave é o PT usar o preconceito racial e de classes como ideologia de partido, como se brancos, ricos e velhos não tivessem direito de cobrar, de se manifestar. Todos eles pagam impostos cada vez mais pesados para manter o governo do PT. Mas não tem direitos.
      Para o PT, quem votou em Marina e Aécio também não tem direito de se manifestar, de exigir o fim da corrupção ou o impeachment de Dilma. Como se um voto valesse mais que o outro, como se a presidente só governasse para quem a apoiou.
      Até meu dileto amigo Wenceslau Jr perdeu excelente oportunidade de ficar calado e tascou no Facebook: “Foi o povo brasileiro? Percebe - se a presença hegemônica de uma elite branca. As pessoas que foram às ruas não representa (sic) a diversidade que marca a composição do povo brasileiro”.
      E ele continua...
      “Não notamos a presença do povo negro. Muito menos dos indígenas”. Ou seja, só preto ou índio podem se manifestar. Branco e rico não fazem parte da população brasileira.
      Eles esquecem que não existe um negro sequer nos ministérios de Dilma ou comando de estatal importante. Todos são brancos e ricos, começando pela própria Dilma. A cúpula toda do PT não tem um negro ou índio sequer.
      Aos negros e pobres sobra a militância e cargos pequenos. O PT, que usa o preconceito como arma ideológica, é mais racista que os outros.
      Outro discurso absurdo é o da crise da Petrobras. Para Wenceslau, “os impactos da ação midiática abalaram a Petrobrás e ameaçam quebrar dois setores estratégicos”.
      Ah, sei, foi a imprensa que quebrou a Petrobras e não a corrupção do PT.
      Foram os jornalistas que montaram o esquema de propinas e desvio... tá.
      A outra maneira de desqualificar quem protestou foi alegar que “querem a ditadura” ou “intervenção militar”.
      Ninguém quer “ditadura" militar nem a disfarçada de esquerda, como na Venezuela.
      O que a maioria quer é o impeachment de Dilma, que a Constituição prevê e que o PT defendeu para Sarney, Collor e FHC. O impeachment de Collor deu no fim da hiperinflação.
      O de Dilma pode ser o pontapé inicial para acabar com a corrupção sistemática.
      O recado foi dado, mas o PT não enxergou. Vem aí o de 12 de abril. Quem sabe acorda...
     
      Artigo de opinião, por Marcel Leal


 
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