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6.Março.2010

Carta ao Leitor...

A imprensa que atrapalha
      O prefeito Zé Azevedo andou dizendo que “Itabuna não recebe grandes investimentos por culpa da imprensa”. Azevedo
      Tem razão. Ela insiste em noticiar a realidade ao invés de varrer os graves problemas desta não-gestão para baixo do tapete e fingir que está tudo ok.
      A imprensa poderia deixar de lado as dezenas de irregularidades do Hospital de Base e Samu 192, denunciadas pelo jornal A Região e pela Morena FM desde dezembro, que (olha outro pessoal teimoso aí) foram confirmadas pelo relatório feito pelo Conselho Municipal de Saúde.
      Para não atrapalhar a captação de investimentos, a gente talvez devesse fechar os olhos para o preço que a sociedade paga pela coleta do lixo na cidade, nada menos que R$ 1,5 milhão contra R$ 420 mil pagos por Ilhéus (a imprensa de lá deve atrapalhar menos).
      Nós da imprensa somos teimosos mesmo. Imagine lembrar que Azevedo ganha R$ 18 mil por mês enquanto Jaques Wagner recebe R$ 11 mil para administrar toda a Bahia.
      Ou que José Serra ganha R$ 14 mil para tomar conta do estado de São Paulo, onde cabem umas dez Bahias.
      A imprensa é uma chata. Para que lembrar ao cidadão que ele paga R$ 9 mil por mês aos secretários de Itabuna, enquanto a prefeitura alega não ter dinheiro para aumentar os salários ou pagar em dia o pessoal da Saúde e Educação?
      A imprensa tinhosa insiste em lembrar que os diretores do Hospital de Base, que o Conselho Municipal de Saúde querem demitidos por incompetência e substituídos por gente com formação na área, foram indicados pelo GAC, Grupo de Ação Cumista, que se cala diante do descalabro no HB. Está na moita.
      Tanto Antônio Costa como Marcelo Andrade foram “nomeados” pelo GAC, aquela confraria de almoço que Azevedo pensa que é entidade.
      O relatório do CMS, talvez por influência maléfica dessa imprensa que atrapalha, recomenda auditoria em todos os contratos do hospital.
      Mostra que tudo o que denunciamos é verdade.
      Caro prefeito, a imprensa que atrapalha tem orgulho de fazer seu papel, cumprir com a obrigação que tem para com a sociedade, outorgada por ela.
      Coisa que você, depois de receber 53 mil votos (votos de confiança), não faz.
      Não é do bolso do cidadão que sai o dinheiro que usamos para manter a rádio, o o jornal, o blog, a tevê.
      Não decidimos quanto queremos ganhar nem podemos ganhar sem trabalhar, ao contrário de sua excelência.
      Nós, da imprensa que atrapalha quem não trabalha direito, quem rouba, quem faz a vida num cargo público, quem compra fazenda com menos de um ano no cargo, ralamos.
      Com as exceções que existem em qualquer atividade, a imprensa regional se orgulha de atrapalhar sua gestão, desde que isso signifique defender o cidadão, preservar o dinheiro público, denunciar as mazelas.
      Ao invés de lançar e prometer obras que não vão sair do papel porque a prefeitura está inadimplente e as verbas são virtuais, trabalhe mais e fale menos. A gente agradece.

Repercussão dos “índios”
      As reações à matéria e à Carta ao Leitor da semana passada sobre os ataques de supostos índios em Buerarema mostram que muita gente pensa como eu e os que ficaram indignados com o caso.
      Daniel Thame escreveu “a culpa pelo conflito entre supostos índios tupinambás e pequenos produtores rurais pode ser debitada única e exclusivamente na FUNAI, a Fundação Nacional do Índio. Que, no caso em questão, pode ser chamada da Fundação Nacional dos Insensatos”.
      Uma leitora de A Região de Brasília, que é do sul da Bahia, diz que conhece duas vítimas dos “índios”, Peu e Alfredo, “homens dignos com família unida”.
      Diz que eles e muitos dos pequenos produtores, que ela conhece são “pessoas que lutam para ter o seu pão de cada dia”.
      E esclarece sobre Babau. “Também conheço e não é índio coisa nenhuma e sim marginal”.
      Indignada, ela conta que acompanha o caso pelo A Região online e está fazendo o que pode. “Entro em contato com pessoas que conheço e repasso os links com as notícias para que eles vejam o que está acontecendo no Sul da Bahia”.
      “Ontem falei com um assessor de uma Senadora que, em outra ocasião, já falou em plenário em defesa da Mata Atlântica, mostrando ao País a importância do Cacau para sua preservação, e passei para ele a Carta ao Leitor”. Que vai insistir em falar do caso.

      Marcel Leal
      marcel@grapiuna.com

      Cartas anteriores:
Walter Scott Vicentini
O apagão dos Niltons
Uma data histórica
A jogada errada de Geddel
Fala sério, prefeito
O jogo politico de 2010
Ceplac: fim de ciclo?
A novidade da década (Obama)
O TSE e a internet
Comércio aberto à noite
Sobre o novo Porto Sul
Geddel surpreendido pelo PT



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