carta ao leitor
18.Outubro.2014



Comércio ameaçado
      O comércio do centro de Itabuna precisa se impor contra os abusos, do contrário vai acabar “pagando para vender”. Entre passeatas em dias úteis e exigências de sindicatos sem noção, a perda de vendas já compromete o futuro do setor. freiburg
      Um dos calos é a filosofia necrosada do sindicato dos comerciários, que é contra toda tentativa de servir melhor aos consumidores e vender mais.
      O melhor exemplo foi o Dia das Crianças. O sindicato exigiu que as lojas do centro fechassem às 13h no sábado, véspera do evento.
      O resultado, óbvio, foi que todo mundo correu e comprou no Shopping Jequitibá, que abre até às 22 horas. O prejuízo ficou para os lojistas do centro.
      Mas também fica para os associados do sindicato, já que o comércio foi obrigado a demitir mais do que contratar neste ano, graças aos prejuízos causados por burrices sindicais, entre outros fatores. É um deles.
      Neste ano, o comércio já fechou 187 vagas e duvido que o sindicato tenha encontrado outro emprego para eles ou dê sustento para as famílias.
      Mas não é só o sindicato tacanho que prejudica os lojistas do centro. A prefeitura tem uma boa parcela no prejuízo.
      Por mais que se explique, que se fale da consequência nas vendas e, por tabela, empregos, a prefeitura continua deixando acontecer todo tipo de evento na principal artéria comercial da cidade, a Cinquentenário.
      Praticamente toda semana ela autoriza passeata, carreata, protesto, desfile e até enterros passado pela avenida em dias úteis, em horário de venda do comércio.
      Devia proibir qualquer tipo de evento no centro em horário comercial e nos dias úteis. Eles deveriam acontecer apenas nos finais de semana ou depois das 18 horas.
      Cada passeata ou coisa do tipo faz o comércio “fechar as portas” por duas, três horas num dia comercial.
      Isso se reflete nas vendas e perda de faturamento reflete no emprego e na arrecadação de impostos como o FGTS e ISS.
      Ninguém emprega tanto quanto o comércio, que sustenta, na prática, a cidade. Se ele chegar ao ponto de quebrar, como fica a prefeitura?

As ameaças
      Além dos eventos e do atraso dos sindicatos, outros fatores precisam ser corrigidos para que Itabuna volte a ter um comércio forte e independente.
      As praças, avenidas e ruas do centro precisam ser atraentes para o consumidor das outras cidades, que movimentam boa parte do faturamento local.
      Centro bonito, bem cuidado e interessante faz com que o consumidor de fora passe mais tempo na cidade, consuma produtos que de outra forma iria ignorar, como tomar sorvete e fazer lanche na praça Camacan.
      A poluição visual, cuja culpa é mais do lojista, pode ter solução com medida educativa, conscientização, palestras, visitas de consultores, sugestões de arquitetos da prefeitura.
      O comércio precisa de uma iluminação especial, forte o suficiente para simular o dia, aliada a duplas de guardas pelas ruas. Isso daria ao lojista a opção de montar uma vitrine atraente para expor à noite.
      O comércio poderia abrir em horário “de shopping”, das 10 às 20 horas, ao invés de 8 às 18 horas. Não mudaria nem o número de horas trabalhadas.
      Assim como a prefeitura já começou a embelezar o centro pelas avenidas, a chegada da Zona Azul melhorou a falta de vagas, mas não resolveu nem vai resolver.
      É preciso fazer edifícios garagem, montar linha especial de microonibus ou bondes, confortáveis, ligando bairros ricos ao centro, para incentivar a classe média a deixar o carro em casa. Assim como linhas diretas de outras cidades para o centro, voltadas para compradores.
      O lojista precisa receber orientação e ser ensinado a não sujar sua calçada, cuidar dela como se fosse a antessala da loja. Poderia ter incentivo para pintar a fachada, talvez com a prefeitura dando a tinta.
      Padronizar o tamanho máximo e exposição de placas e letreiros também ajudaria.
      Os carros de som e o som das lojas deveriam ser proibidos no centro. É a saída, já que os lojistas não entendem como seu som incomoda e afasta clientes, não só de sua loja como de todas as lojas próximas.
      É preciso encontrar uma maneira de a Cinquentenário ter o tráfego de veículos proibido, virando na prática um calçadão de 2 km mais as transversais.
      A passagem de veículos só seria permitida entre 18h (ou 20h se adotar o horário que sugeri) e 7h (ou 9h), para que seja feita a carga e descarga de materiais, retirada de entulho de obra ou entrega de materiais.
      Funciona nos shoppings e pode funcionar no centro. Não se pode mais adiar a discussão.
      No tempo que você gastou para ler este texto, milhares de vendas foram fechadas. Online.


 
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