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rui e gomes
14.Outubro.2017

“Autorizada” de novo


Palanque, dezenas de prefeitos, vereadores, deputados e militantes com bandeirinhas. Uma cerimônia montada para a “autorização” da duplicação da BR-415 entre Itabuna e Ilhéus que foi comício de campanha eleitoral antecipada.

Mas, com dez minutos do discurso do governador Rui Costa, a minoria de pessoas não envolvidas com partidos já estava decepcionada.

A “autorização”, diferente do que deram a entender, não significa que a obra vai começar. Longe disso, se começar será apenas daqui a 90 dias.

Com isso, a “autorização” se junta a outras já enterradas pela história da duplicação, desde as promessas dos carlistas durante mais de 20 anos às outras dos 13 anos petistas.

A obra é do governo federal e depende dele liberar a verba. O ex-presidente petista Lula prometeu liberar em 2006, ajudando a eleger Jaques Wagner governador da Bahia.

Na época, também foi feita uma “autorização” festiva. Logo depois da eleição, o assunto foi enterrado, para ressurgir em 2010, ajudando a reeleger Wagner.

Logo depois, foi jogada na gaveta de novo. Sempre que era cobrado, o governo enrolava, alegando trâmites burocráticos.

Em 2014, de novo a obra foi “autorizada”, com a garantia de que a ex-presidente Dilma, do PT, liberaria a verba.

Mas era apenas mais uma enrolação para eleger Rui Costa, que hoje faz nova “autorização”, com duas diferenças.

A primeira é que desta vez quem promete liberar a verba não é ninguém do PT e sim o “golpista” Michel Temer, que poderia usar a obra para sabotar o hoje inimigo PT.

Até aqui não fez e nem acredito que fará. Temer, e não Lula ou Dilma, nem o PT, é quem vai viabilizar a obra.

Ele sabe que o PT vai usar na campanha como se fosse obra sua – e não é.

Mas acredito que Temer prefere entrar para a história sendo um presidente que resolve problemas.

Seu primeiro ano mostrou isso, ao tomar medidas impopulares mas necessárias para o Brasil sair do buraco sem fim em o PT o colocou.

O PT preferiu jogar o Brasil na recessão que tomar medidas que pudessem ser uma ameaça a seu projeto de ficar no poder eternamente, ajudado pelos bilhões roubados de nós.

A outra diferença para as “autorizações” anteriores é que Rui tem se mostrado um gestor prático e tem em seu crédito duas obras que “não saíam”, a ponte do Pontal e a barragem do Rio Colônia.

Novamente, as duas obras ficaram apenas na promessa com Lula e Dilma. Só deixaram de ser uma enrolação depois que Temer assumiu e liberou as verbas para as duas.

Hoje, é irônico que Rui Costa se beneficia justamente das ações de Temer.

Virando a casaca


Se no campo da gestão Rui Costa tem a ajuda de quem chama de “golpista”, na área política suas ações podem lhe custar a reeleição.

Desde que ACM Neto se tornou o melhor gestor da história de Salvador e ganhou uma notoriedade nacional com sua gestão, ele se tornou uma ameaça à reeleição de Rui.

O susto com a eleição avassaladora de Neto e, ainda mais, com uma reeleição ainda mais acachapante, com 75% dos votos válidos, levou o petista ao desespero político.

Todos os informes oficiais do estado passaram a ser feitos com tom eleitoral, enaltecendo o governador e citando seu nome a cada parágrafo. Alianças passaram a ser, literalmente, com qualquer um.

Rui se aliou e passou a bajular o prefeito mais corrupto da Bahia, inimigo histórico de seu partido, constrangendo os militantes e desprezando os candidatos históricos do PT.

Ele tinha três políticos de Itabuna como aliados e acabou perdendo dois por se aliar ao que existe de mais atrasado e sujo na política local.

O diretório local do PT em Itabuna acabou, sem ter como responder ao militante por que o PT se tornou subalterno a Cuma, que deve ter palavra final quanto aos candidatos apoiados pelo governador a deputado.

Rui está rifando o PT, talvez como estratégia para se livrar da fama corrupta de seu partido e mudar para outro.

O erro dele, e dos outros petistas, é achar que o eleitor não lembra de onde vieram.


O editorial de A Região, por Marcel Leal.

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