carta ao leitor
25.Julho.2015

|


Itabuna “já teve”
      A frase “Itabuna é a terra do já teve” sempre esteve presente nas conversas, desde que eu era menino. fabrica de balas
      Não lembro do que sentiam falta na época, mas tenho minha lista de coisas que perdemos. É normal, mas ainda assim, uma coisa triste.
      Não sou nenhum pessimista. Sei que para cada coisa que Itabuna perdeu, ela ganhou umas 10.
      Mas, nos 105 anos da cidade, não custa prestar homenagem a alguns tesouros de Itabuna.
      Pelo menos para mim.
      Um deles, da minha infância, era jogar gude e futebol na hoje Praça Manoel Leal, onde morava. Ou brincar de bandeira na rua de trás, a Ruffo Galvão.
      Tenho saudade do bar Vagão, que ficava onde hoje é o Marabá Center, em frente ao rio. Era onde todos sentavam nas tardes de sábado e domingo para ver e ser visto.
      Teve o Esquina 3, que revelou muitos artistas bons em suas noites de som ao vivo. E ainda o Encontru's e sua turma, que improvisava voz e violão com muito papo.
      Americano e Eduardo Rihan eram assíduos no violão.
      Durante um tempo a turma se reunia no bar do aeroporto. É, Itabuna tinha um aeroporto. E o bar, onde “Maria de Cambão” fazia a bebida favorita da galera, o hi-fi.
      Outro point era o Mustafá, restaurante que servia como bar ali no início do calçadão Ruy Barbosa.
      A noite já contou com a boate New York, o Amaralina e o Estrela do Sul.
      O Vagão citado antes ficava ao lado do Cine Marabá, numa época em que Itabuna tinha vários (Itabuna, Oásis, Catalunha e Plaza), cada um com um tipo de filme preferido. O Plaza, por exemplo, adorava passar filmes da jovem guarda.
      Já o Cine Itabuna gostava de filmes de faroeste (Ringo...) e luta de espadas (Maciste...). Hoje temos um shopping center, mas não temos cinema algum. O Marabá vendia outra coisa que “já tivemos”, as balas azedinho doce.
      Itabuna também já teve vendedores de quebra-queixo e o bar de “seu Alcides”, no início da Duque de Caxias, com suas “balas de atum”.
      No quesito delícia, Itabuna já teve a pipoca Lyrio do Vale, invenção 100% itabunense que ficava uma delícia com manteiga derretida por cima. Quando voltava da praia, comprava uns 10 sacos, jogava manteiga, colocava do lado um litro de água de coco e passava a tarde lendo gibis numa rede da varanda. Vida boa.
      Itabuna já teve os clubes, que viviam lotados em tardes e noites de som ao vivo, com bandas como Phase e o Lordão. Nunca esqueci de Joinha tocando rock e cantando “inglês inventado” no Iate (!) Clube da Mangabinha, que rivalizava com o Social do Pontalzinho e Seac.
      Mas o “rei dos clubes” era o Grapiuna Tênis Clube, onde Itabuna “já teve” carnavais e reveillons memoráveis, com os pais nas mesas e os filhos azarando as filhas na pista de dança. Quem já tinha arranjado uma, namorava na quadra de tênis ou atrás do salão.
      Itabuna já teve uma época de ouro, até o meio dos anos 80, quando todo carro era zero km, todo mundo esbanjava e existia uma “high society” promovendo festas incríveis, como as da casa dos Midlej no Goes Calmon.
      Itabuna já teve um campo de futebol amador, onde hoje é o Centro de Cultura, com cabine de imprensa e arquibancadas.
      Itabuna já teve gincanas que agitavam os jovens com tarefas por toda a cidade.
      Itabuna já teve a super casa de sucos de Almirante, uma figura única e um amigo que deixou saudades.
      Já teve várias empresas que marcaram época, como Lorva, Os Gonçalves, a Doll Modas, Quitandinha, Capri Lanchonete, Barros Autopeças, Silveira S/A, HiperMessias, Clipper Perfumaria, Padaria Aurora, Zito Tintas, Sulba, Itagrale, Makro, Ipê, Nuxnet, Radiolar, Bambatex.
      Já teve a sapataria de “seu Nenga”, a alfaiataria de Juca, a pensão e depois o restaurante de Bittar, a Casa da Manteiga.
      Itabuna já teve festivais como o Terravista e premiações como o Troféu Jupará que, depois de 15 anos de pouco apoio e muito trabalho, cansei de promover.
      Itabuna já teve a Coograp, que chegou a ganhar um prêmio nacional por seu queijo.
      Itabuna já teve uma ilha do Jegue de bom tamanho, lavadeiras no Rio Cachoeira e locais onde dava para tomar banho nele.
      Se juntar uns amigos, a gente pode ficar anos listando o que Itabuna já teve.
      Nada disso vai voltar, mas é gostoso lembrar. Faz parte de nossa história.
      Da mesma forma que, daqui a 100 anos, vão lembrar que Itabuna “já teve” várias empresas atuais, por exemplo.
      Lembrar é manter vivo.


 
compre fazenda
Anuncie aqui: (73) 3043-8941


Copyright©1996-2014 A Região Editora Ltda, Praça Manoel Leal (adami), 34, 45600-023, Itabuna, BA, Brasil | Reprodução permitida desde que sem mudanças e citada a fonte.