carta ao leitor
6.Fevereiro.2016

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O último carnaval

      Já que estamos na semana do carnaval, tirei o pó de algumas memórias lembrando do meu último. Calma!
      prado Não foi o último porque morri, mas porque naquele ano decidi que seria o último em que brincaria o carnaval nas ruas e nos clubes. Tinha cansado da folia, era hora de parar.
      A “despedida” dos carnavais foi em grande estilo e uma maratona que só um cara novo podia aguentar.
      Durante quatro dias eu ia atrás dos trios na rua até tarde da noite (o carnaval era na Avenida do Cinquentenário), daí para o Grapiúna Tênis Clube, que tinha bailes fantásticos com bandas até de manhã.
      Com o dia já claro, ia para um camping que ficava na Praia de Batuba, em Olivença, onde montei uma barraca. Dormia até que o calor não deixasse mais e saía para almoçar.
      Antes de ir à Batuba, em Itabuna, comia um delicioso troço, o “x-tudo”, sanduíche com tudo o que você pensar.
      Tinha hamburger, queijo, presunto, milho, tomate, ervilha, bacon, alface, ovo frito... um verdadeiro monstro.
      Ele foi criado por Zé Carlos num trailer que ficava na esquina onde hoje está o Atlanta Center. Tinha alguns dos melhores sandubas de todo o sul da Bahia.
      Na volta de Olivença, de novo atrás dos trios, depois o clube, o sanduíche monstro, a barraca na Batuba.
      Foi assim no sábado, domingo, segunda e terça.
      Na quarta, fiquei em Itabuna para o esperado banho da ressaca, que era dado com carro pipa na praça Adami.
      Depois dessa maratona, cheguei em casa por volta de 14 horas da quarta-feira, sonado como um zumbi.
      Enchi uma jarra com água de coco, coloquei na geladeira e fui dormir. Acordei na quinta à noite, tomei a jarra, enchi outra e voltei a dormir.
      Acordei na sexta-feira, bebi a outra jarra e passei o dia deitado na rede.
      Fiquei lendo uma pilha de gibis, comendo pipoca Lyrio do Vale com bastante manteira e bebendo mais água de coco.
      Foi o último carnaval, como um último deve ser, uma saideira intensa, exagerada, para enjoar de vez. E depois?
      No ano seguinte não sabia bem o que fazer nessa época de carnaval, mas eu e meu amigo Demósthenes resolvemos viajar para acampar e fazer trilhas de moto em Prado.
      A gente não conhecia Prado, mas o Guia 4 Rodas dava a estrada de Itamaraju para lá como asfaltada. Que nada...
      Percorremos a estrada, cheia de buracos e costelas, com as duas motos sacudindo no reboque. Ah, Guia safado...
      Mas Prado é fantástica, tem praias lindas (olha a foto ai), uma comida caseira farta e barata, muitas dunas para saltar com a moto, um passeio bacana pela praia, no norte, até onde é possível.
      Existe uma barreira de pedras que impede a passagem depois de alguns quilômetros de praia. Se por um lado impede a passagem, do outro lado existia uma prainha linda, intocada, que valeu a pena o passeio.
      Na volta, a gente só esqueceu da maré subindo. Do lado direito existe uma faixa com muralhas e o mar bate direto nelas. Quase que a gente não consegue voltar...
      Depois dessa época, ainda nos anos 80, só viria a aparecer num carnaval em 2002.

Carnaval a trabalho

      Mais de 20 anos depois, voltei a frequentar um carnaval não por querer a folia de novo, mas a trabalho.
      carnaval Existe uma diferença bem grande entre curtir carnaval na muvuca e trabalhando.
      Tudo bem que para mim o trabalho na Morena FM (ou aqui em A Região) é prazer, mas ficar toda noite até de madrugada na Beira-Rio trabalhando é dose.
      A Morena FM montou seu camarote em todos os carnavais, onde recebia artistas, amigos e autoridades, fazia entrevistas e flashes ao vivo da avenida.
      Paulo Vicente fez muitos flashes de lá, com equipamento criado por Cledir que dá às transmissões externas a mesma qualidade do estúdio.
      Era cansativo, mas muito gratificante e gostoso.
      Receber gente para bater papo sempre foi uma coisa que me dá satisfação, prazer, por isso não era ruim fazer esta cobertura ao vivo.
      De 2002 a 2004 Itabuna fez grandes carnavais, perdendo só para o de Salvador, com todas as grandes atrações, por ser antecipado.
      Muita gente estourou antes em Itabuna e chegou ao carnaval de Salvador já com a nova e súbita fama.
      Foi assim com Babado Novo e Cláudia Leite, com a banda Jheremias Não Bate Corner, depois Jammil.
      Uma lembrança bacana foi Ivete Sangalo fazendo o “m” de Morena FM com os dedos num outro carnaval, no qual gente da prefeitura proibiu os artistas de citar a rádio. Ivete nunca engoliu farofa de ninguém...
      Falou, elogiou e badalou :O)


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