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Carta ao Leitor
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10 de Maio Carta ao Leitor... O início dos últimos 11 Neste mês em que A Região completou 21 anos, lembrei da primeira semana em que assumi o jornal, sob o impacto do assassinato de meu pai, Manoel Leal, fundador, editor e alma de um semanário que sempre foi sua cara. A primeira decisão foi a mais fácil: fechar o jornal para evitar novas mortes e ataques ou mantê-lo aberto, insistindo em denunciar corruptos, bandidos, maus policiais e políticos? Levou meio segundo para decidir manter A Região. Afinal, meu pai foi assassinado para que o jornal se calasse, fechasse, e este gosto eu não daria nem darei aos mandantes. Nem a equipe da época. Nem a equipe atual. A Região não se vende nem se dobra (a não ser o papel...) A segunda decisão, depois do assassinato na quarta-feira, era o que fazer com a edição, que estava quase toda pronta. Faltava pouca coisa. Decidimos manter as matérias que meu pai já havia escalado, até como um último tributo a seu trabalho pela região. A elas se juntaria a principal matéria daquela semana, o próprio crime, que teve repercussão mundial, de A Tarde e Folha de São Paulo ao Washington Post e Le Figaro. Restava decidir o que colocar na capa. E não podia ser uma capa qualquer. A primeira opção era manter a capa normal, apenas usando como manchete principal aquele atentado que, mais do que contra meu pai e A Região, foi contra a imprensa e sua liberdade (na verdade um dever) de informar. Mas aquela não era uma semana normal e uma capa normal jamais poderia descrever o que sentíamos. Era pouco, infinitamente pouco, diante da gravidade. De repente, a idéia caiu do céu, perfeita em sua simplicidade, um discurso inteiro sem palavras. Naquele 17 de janeiro de 1998, a edição chegou às bancas com uma capa inteiramente em branco, exceto pela logomarca em cima e, no centro da página, sozinha, uma foto 3x4 de meu pai com uma tarja na boca. Não tinha mais nada. Não precisava dizer mais nada. Daquela semana em diante, minha alma teve que se dividir entre a rádio Morena FM e A Região, duas paixões, dois orgulhos de quem sempre teve na veia música e jornalismo. Não foi fácil. Não é fácil. Mas com a ajuda da equipe da época e das que a seguiram, até a atual, nosso dever de informar seguiu em frente e manteve viva a chama (aliás, o incêndio) jornalístico de meu pai. A Região tem que continuar, independente de pressões, ameaças, falta de dinheiro, de estrutura, de solidariedade. Mesmo com a inveja de seu sucesso vindo até de quem deveria torcer por sua continuidade. Uma recepção decepção Tive vergonha. Não por mim, mas pela região, no lançamento do PAC do Cacau que, para mim, foi feito na cidade errada. Enquanto dezenas de ônibus chegavam de mais de 100 cidades, a praça da catedral não tinha meia dúzia de ilheenses. Se fosse em Itabuna, teria que ser na Praça Rio Cachoeira, que estaria cheia como nas festas de carnaval ou São João (da época de Geraldo). Lotada. Entupida. O ilheense, que não vai em shows na própria cidade, também ignorou a visita de um presidente da República com seu staff de ministros mais próximo. Outra ausência que notei foi dos fazendeiros, justamente para quem o PAC do Cacau foi feito, a duras penas, depois de anos de negociação. Poucos apareceram, talvez por achar que era um evento político. Mas claro que é político! Perdoar até 80% de uma dívida e rolar o resto é política. Tecnicamente isso jamais seria aceito. Ilhéus parece não ter noção do que é receber um presidente, seja quem for. Ela precisa esquecer sua postura “superior” e acordar para a vida. Tanto os anéis quanto os dedos já se foram... Lula está salvando a mão. Marcel Leal marcel@leal.com Cartas anteriores: Comércio aberto à noite Sobre o novo Porto Sul Geddel surpreendido pelo PT To translate this page into English using FreeTranslation.com click here To translate just a part of the text, copy and paste into the area below. Choose "Portuguese to..." the language of your choice. |
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