carta ao leitor
22.Novembro.2014



Limitação x arrojo
      Juiz me livre de cometer uma blasfêmia, pois Juiz é minha testemunha que sempre respeitei os homens de toga.
      A instalação atabalhoada das ciclofaixas em Itabuna lembra a improvisação feita em São Paulo, apressada por causa das eleições, e mostra uma falta de planejamento e bom senso da secretaria de Trânsito que se estende a outras coisas.
      A cidade tem poucos lugares adequados para instalar uma ciclovia e a insistência em criar onde não deve não ajuda ninguém, nem os ciclistas.
      A rua Zildolina, por exemplo, que pega o tráfego que vem pela Av. Fernando Cordier em direção à ponte do São Caetano, é super estreita.
      A prefeitura colocou a ciclofaixa para passar ao longo de um dos lados, eliminando o estacionamento dos moradores e estreitando a pista, onde já é difícil passar um carro se um dos lados tem outros estacionados.
      Isso para cair na rua Vitória, que sai do Jardim do Ó para a ponte, de tráfego intenso, um perigo para os ciclistas.
      Por toda a cidade trechos da ciclofaixa impedem que os moradores estacionem na porta de casa, prejudicam quem tem lojas daquele lado e se misturam com pontos de ônibus.
      Não basta o secretário Clodovil Soares ser correto, bem intencionado e dedicado.
      Para gerir um trânsito c0mplexto como o de Itabuna, só boa intenção não resolve.
      Itabuna não comporta ciclofaixas na maior parte onde foram instaladas e tem outros problemas, mais graves, que até hoje não foram pensados.
      Há quase dois anos, em entrevista na Morena FM, no Mesa Pra 2, Clodovil me disse que resolveria em pouco tempo o gargalo que existe em frente à saída do shopping.
      Não resolveu. A confusão enorme no fim da tarde e início da manhã continua a mesma.
      Também falou de projetos como uma nova ponte entre o São Caetano e a Zildolândia, com uma avenida ligando até a J.S. Pinheiro. Esqueceu.
      Outro problema que já abordei aqui em A Região várias vezes é o congestionamento que se forma por causa de quem entra na rua Etelvina Miranda para pegar a Paulino Vieira, seguir até a praça e depois entrar na ponte Marabá.
      Basta fechar a entrada e levar o motorista a contornar a praça para pegar a ponte.
      São coisas que Clodovil pode e deveria fazer (ou não deveria, no caso das ciclofaixas) pois estão a seu alcance, não dependem de verba.
      Outras são arrojadas, mas se a cidade não tentar conseguir, vai parar, no futuro, com um nó constante no trânsito. tram
      Um exemplo é transporte coletivo, que não pode mais ficar limitado a ônibus e táxis, sob pena de um dia ninguém conseguir se mexer no centro.
      O motorista jamais vai deixar o carro em casa se não tiver no transporte coletivo o conforto, rapidez e praticidade que encontra no carro.
      Cidades do tamanho de Itabuna resolveram em parte este problema fechando a rua principal de comércio para os carros e instalando linhas de trans (os bondes modernos, iguais ao VLT só que circulando no chão, em trilhos).
      Os trans viajam em baixa velocidade, sem atrapalhar os pedestres. Mas como não precisam parar demais nem enfrentam filas, são rápidos entre os destinos.
      Movidos a eletricidade, são silenciosos, econômicos e não poluem a cidade.
      Cada tram carrega até 50 pessoas, todas sentadas, com um conforto atraente para quem tem carro. Funciona.
      Nestes locais, motoristas que não abriam mão do carro passaram a deixá-lo em casa.
      Foram atraídos pelo conforto, silêncio, rapidez e praticidade do tram.
      Itabuna poderia ter uma linha circular saindo do São Caetano, passando pelas avenidas Princesa Isabel, Aziz Maron e Mário Padre até o Conceição, de onde pegaria a ponte antiga e seguiria até a Amelia Amado.
      Ao chegar no fim dela, contornaria a Rodoviária e subiria até a Nações Unidas para depois ir ao Jardim do Ó.
      A linha seguiria pela Cinquentenário até o canal e voltaria pela Fernando Cordier.
      Ao chegar na ponte do São Caetano, voltaria para a Princesa Isabel até o ponto inicial, na praça do bairro.
      Eu sei, você está pensando que é impossível uma cidade como Itabuna ter um transporte tão arrojado, que as empresas de ônibus seriam contra, que custa caro demais.
      Também pensaram isso nas cidades que já adotaram o tram, inclusive no exterior, onde a preocupação era a mesma.
      Acontece que você só tem quando tenta. Sem tentar não se consegue nada.
      Além disso, um sistema de trans (o ideal seria ter uns cinco nesta linha circular) é mais barato do que corredores especiais para ônibus, gastam menos em manutenção e em combustível. E convencem o motorista a deixar o carro.


 
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