carta ao leitor
13.Dezembro.2014



Vida = morte = vida
      A morte é uma coisa supervalorizada. Talvez porque nós, que já vivemos muitas vidas, só lembramos da atual, que é muito curta, no máximo de uns 100 anos, muitas vezes menos. Por ser curta, nós tememos muito perdê-la. nosso lar
      As pessoas têm medo da morte, quando deveriam encará-la como ela, de fato, é: uma passagem para uma área onde vamos poder esperar a próxima vida com calma, analisando esta vida e o que aprendemos nela.
      Ah, voce é do tipo que não acredita em vida depois da morte? Tudo bem, respeito sua opinião, apesar de me ser impossível imaginar um “nada” depois desta vida, até porque a ciência já provou que energia não se extingue, apenas se transforma. Sempre.
      E nós somos formados por energia circulando numa massa de ossos, músculos e carne.
      Nossa alma, feita só de energia, tem que ir para algum lugar quando sai do corpo.
      Ela não fica zanzando pelo local onde morremos, o que seria meio esquisito. Já pensou a gente quicando pelas paredes como uma bola doida?
      Ainda se você acredita em vida após a morte, é provável que tenha medo dela do mesmo jeito. É nossa cultura.
      Em algumas, no oriente, as pessoas fazem festa quando alguém se vai, porque sabem que vai para um lugar mais bacana e avançado.
      E choram quando alguém nasce, porque terá que enfrentar as agruras de uma vida cheia de problemas e imperfeições.
      O mesmo acontece com as cores. Se para os ocidentais o preto é a cor do luto, para os orientais é o branco.
      Ou seja, ninguém tem certeza de nada quando se trata da morte ou da vida.
      O que sabemos é que a vida atual é curta e precisa ser bem aproveitada.
      Conheço pessoas que não vivem, mesmo que tenham todas as condições para isso.
      Pessoas com dinheiro e tempo livre que não viajam para conhecer outras culturas, não saem com amigos, não vão a shows, peças, exposições.
      Ficam só acumulando o dinheiro, sem usá-lo, na prática sendo usadas por ele.
      Acho um desperdício de vida. Não precisavam nascer.
      Outras parecem que não aprenderam nada nas vidas que já teve nem nesta.
      São pessoas mesquinhas, preconceituosas, amargas e sem simpatia nem sorrisos.
      São pobres mesmo que sejam ricas. São dignas de pena porque precisarão de mais umas dez vidas só para ser... gente.
      Tenho orgulho quando vejo minha filha, desde pequena, dando as roupas e os brinquedos usados sempre que ganha novos.
      Muitos adultos amargos preferem ver a roupa estragar num armário do que dar a quem precisa dela. Já ouvi coisas do tipo “é um absurdo dar essa roupa para um pobre porque ela é de grife e custou caro”. E daí?
      Se ela não vai usar, para que vai guardar? Que prazer mais mesquinho é esse de negar a quem não tem o que vestir uma roupa só porque custou caro e é de grife?
      Já dei muita coisa cara, que não tinha uso para mim, e ganhei como recompensa o sorriso, o olhar de felicidade de quem recebeu.
      Não existe preço para uma vida bem vivida. Nem para uma desperdiçada. A escolha é sua.

O “enrolation”
      Voce deve estar se perguntando por que eu apareci com este texto sobre a morte.
      Não, não estou pensando que vou morrer logo nem nada do tipo. É “enrolation” mesmo.
      Não conseguia pensar num tema para a Carta desta semana, coisa normal em quem escreve muito.
      Alguns escritores passam por fases até muito longas sem nenhuma “inspiração”, apesar de eu não acreditar em uma inspiração “mágica”, que só algumas pessoas têm.
      Besteira.
      Escrever é coisa que se aprende e a qualidade vai aumentando quanto mais você escreve e lê. Quanto mais você lê, mais sabe, mais temas domina, por isso escreve mais fácil e melhor. “Inspirado”.
      Qualquer pessoa que teve uma educação básica decente pode escrever bem e ser genial muitas vezes.
      Eu não gosto da maioria dos meus textos. São normais, nada de espetacular.
      Mas de vez em quando acerto um texto tão “redondo” que me faz sorrir e me sentir bem, me sentir bacana.
      Nestas horas o que pesou não foi “ser inteligente” nem nada, foi ler muito e absorver o suficiente para me expressar de uma forma especial.
      Sim, mas, afinal, por que o texto sobre a morte? Foi só enrolação de escritor?
      Na verdade, em parte.
      Gosto de debater a morte por ver tanta gente com medo dela, quando deveriam entender que é a coisa mais normal desta vida. Nascer é que é estranho.


 
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