carta ao leitor
23.Abril.2016

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Rui pisa na bola

      Tenho em alta conta Rui Costa como governador, mas não posso deixar de me decepcionar quando ele deixa a postura do cargo para virar animador de comício da (ainda) presidente Dilma. rui costa
      Rui, que sempre foi mais técnico que político, se dá muito mal quando resolve reforçar a segunda função. Repete os argumentos absurdos que vem sendo espalhados por Lula e Dilma, mais por desespero que qualquer outra coisa. Repete o choro do perdedor, o grito de “juiz ladrão” dado pelo jogador corretamente expulso.
      Se fossem apenas comentários em reuniões, tudo bem. Mas Rui usa a imprensa oficial e eventos oficiais para fazer esta apologia a Dilma e ofender os eleitores.
      Começa chamando de “golpe” um impeachment que é previsto na nossa Constituição Federal, baseado em crimes fiscais apurados pelo TCU, que pediu punição a Dilma pelas “pedaladas fiscais”.
      O nome “pedaladas” engana, parece coisa besta, mas não é. São crimes fiscais que afetam as contas do governo.
      Afetam a economia e a vida diária de cada cidadão.
      Justamente por isso são proibidos e punidos. Dilma cometeu na gestão anterior e continuou nesta, além de ordenar despesa sem licença.
      Rui Costa, como um papagaio, repete as palavras de Lula, de que o vice-presidente Michel Temer “não tem legitimidade para presidir o país”. Talvez o governador ignore, mas em nosso sistema, o eleitor vota num presidente e num vice, elegendo uma chapa com titular e substituto em caso de vacância do cargo.
      Temer recebeu os mesmos 54 milhões de votos de Dilma. O PT foi quem escolheu Temer para substituir Dilma em caso de vacância, colocando-o como vice na chapa. O eleitor elegeu os dois. Todo vice eleito tem legitimidade para assumir o cargo, como antes aconteceu com Sarney e Itamar.
      O PT só gosta de seguir a lei quando é a favor dele. Quando não é, acha que só se aplica aos outros. Voltando a Rui Costa, o problema é quando o governador deixa de atacar o vice de Dilma para atacar a população em geral.
      Foi o que aconteceu ao dizer que todos os defensores do impeachment representam “uma elite egoísta que não pensa no povo”.
      Todas as pesquisas mostram que 70% da população quer o impeachment de Dilma, então Rui Costa está acusando dois terços do povo de ser “elite egoísta que não pensa no povo”. É ridículo. Somos uma elite egoísta que não pensa na gente mesmo.
      Para Rui Costa, a razão está com os 13% que são favoráveis a manter “tudo isso que está aí”, para usar uma frase que o PT adorava quando era oposição. Rui Costa ainda afirmou que os favoráveis ao impeachment têm “pensamento escravocrata” (!) Essa é nova.
      Rui descobriu que 70% dos brasileiros são a favor da escravidão...
      É triste ver um governador deixar a postura do cargo de lado para falar tantas sandices.
      Pior, atacar a maioria dos eleitores, que deram o cargo a Dilma e hoje pediram de volta. Pessoas que deram o cargo de governador a ele (e ainda não pediram de volta). Devia respeitar os baianos.
      Para completar a falta de compostura de Rui, ele passou a repetir uma ideia de Lula, dizendo que “é melhor ter nova eleição do que um vice traidor assumir a presidência”.
      A ideia de novas eleições é do ex-presidente, que sabe que em 2018 deve estar inelegível ou mesmo preso.
      Novas eleições em caso de impeachment é invenção, aliás, golpe, pois não existe nenhuma previsão disto na Constituição Federal.
      O que ela diz é que o vice assume o lugar do presidente cassado, morto ou que renuncie. Não existe qualquer amparo legal para novas eleições nas leis eleitorais ou Constituição.
      O interesse de Lula, que ainda teria chance de se eleger se as eleições fossem neste ano, é o mesmo de Marina Silva.
      Marina passou a vida toda no PT, comunga das mesmas ideias e só montou outro partido porque queria ser candidata a presidente mas não teria chance dentro do PT.
      Como lidera as intenções de voto no momento, quer fazer eleições neste ano.
      Rui Costa e o PT precisam entender que golpe não é seguir um processo rigorosamente definido em lei e previsto na Constituição, como vem sendo o impeachment, mas sim propor eleições antecipadas que não têm amparo legal.
      O Brasil precisa passar esta fase a limpo e recomeçar um caminho de normalidade. Precisa cassar Dilma, punir os corruptos do PT, PMDB, PP e partidos aliados envolvidos, cassar Renan e Cunha.
      Começar de novo.


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