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daniel thame
18.Fevereiro.2017

O desafio de Rogério Ceni


O goleiro artilheiro Rogério Ceni é um dos maiores, senão o maior, dos ídolos da gloriosa história do São Paulo. Sua atuação na vitória de 1x0 sobre o Liverpool, na final da Copa do Mundo de Clubes da FIFA, no Japão, pode ser considerada, sem exageros, como uma das melhores de um goleiro em todos os tempos.

Nesse dia já imortal (ao menos para o torcedor tricolor), diante do time inglês muito superior tecnicamente ao brasileiro, Rogério Ceni fez defesas milagrosas que evitaram uma goleada do Liverpool. O São Paulo achou um gol com Mineiro, segurou o 1x0 e Ceni entrou para a imortalidade.

Com Ceni na meta, o São Paulo ganhou uma Libertadores, uma Sul Americana, três Campeonatos Brasileiros no início dos anos 2000.

Quando o sonho acabou (e não apenas para os rapazes de Liverpool), o São Paulo, ainda com Rogério Ceni no gol, havia se transformado num time comum, sem glórias e sem títulos, ultrapassado pelos rivais Corinthians, Palmeiras e Santos.

Em 2016, já sem Rogério Ceni, foi eliminado do Campeonato Paulista pelo Audax de Osasco (uma sonora goleada de 4x1), da Copa do Brasil pelo Juventude (então na Série C) e no Brasileiro passou o tempo todo ameaçado pelo rebaixamento. Um time sem garra, sem alma, aceitando passivamente as incontáveis derrotas. Verdade que foi 4º colocado (o melhor dos brasileiros) na Libertadores, mas nunca empolgou ou deu pinta de campeão.

Era preciso um choque para evitar novos vexames de 2017. E o choque veio num misto de risco e ousadia. E lá veio Rogério Ceni, anunciado como treinador do São Paulo.

O torcedor, que age essencialmente com a emoção, adorou. Tanto é que um jogo do insignificante Campeonato Paulista contra a Ponte Preta levou mais de 50 mil pessoas ao Morumbi.

Os comentaristas esportivos, mais racionais (nem sempre, nem sempre), avaliam tratar-se de um risco. Pode dar certo e pode não dar.

Falcão, por exemplo, foi um excepcional jogador e nunca foi além de um treinador mediano.

Tite foi jogador mediano e se transformou num excepcional treinador.

E de mais a mais, como demitir um Mito do tamanho de Rogério Ceni? Ou, em caso de fracasso como treinador, o ídolo como jogador terá sua imagem arranhada?

Em seus primeiros 45 dias como treinador, Ceni conquistou o Torneio da Florida (dois empates em 0x0 com River Plate e Corinthians, vitórias nos pênaltis), tomou de 4x2 do Audax e venceu a Ponte por 5x2 e o Santos por 3x1 no Paulista e fez um pálido 1x0 no Moto Clube pela Copa do Brasil.

Pouco tempo para uma avaliação mais profunda, mas o suficiente para constatar que aquele time sem alma faz parte do passado. O São Paulo de Ceni corre, briga pela bola, busca a vitória sempre.

Não é pouca coisa. Pelo contrário, já é muita coisa.

É Gol - Borja no Palmeiras e Lucas Pratto no São Paulo. Dois atacantes de primeira linha. Um colombiano e um argentino com faro de gol. Quem vai balançar mais as redes? Façam suas apostas.

É pênalti - O Barcelona tomou um baile de 4x0 do PSG na França e só um milagre mantém o time espanhol na disputa da Champions League. Messi, Luiz Suarez e Neymar não viram a cor da bola. Ah, mas o Neymar pelo menos namora a Bruna Marquezine...



Coluna do jornalista Daniel Thame.

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