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daniel thame
18.Março.2017

Um goleiro matador na cidade do ET


Foi coisa de `jênio”.

“A gente contrata o Bruno, o time será conhecido, vamos ter mídia nacional e até mundial, vão chover patrocinadores e vamos ganhar muito dinheiro”.

Essa deve ser sido a ideia do “jênio” que convenceu a diretoria do Boa Esporte, time de aluguel que perambula pelo interior mineiro, agora abrigado em Varginha, a contratar o ex-goleiro Bruno, preso pelo assassinato e ocultação do cadáver da ex-modelo Eliza Samudio, com quem teve um filho que se recusava a reconhecer.

Eliza, dizem várias testemunhas, teve seu corpo cortado em pedaços e jogado para os cães, daí nunca ter sido encontrado.

Bruno foi condenado a 22 anos de reclusão, mas acabou solto por uma dessas brechas que a lei sempre deixa. Isso para quem pode pagar um advogado. Cadeias estão superlotadas de ladrões de galinha, esquecidos pela lei e pela sociedade, mas isso não vem ao caso. Deveria vir, mas não vem.

Quando foi preso, Bruno vivia o auge da carreira como goleiro. Campeão Brasileiro e ídolo no Flamengo, às portas de ser negociado para o Milan da Itália, nome certo para a Seleção Brasileira.

Assassino não confesso, apesar de testemunhos irrefutáveis e incontáveis evidências, Bruno foi reforçar o time da Penitenciária, até ser liberado pelo “gol contra” do Judiciário e ver as portas do Boa Esporte se abrirem para ele.

Pareciam as portas do céu após o mergulho no inferno.

Mas Bruno, convertido a uma igreja evangélica e que, por uma fé sincera ou pura conveniência, usa o nome de Deus a todo momento, se esteve às portas do céu alguém esqueceu de entregar as chaves.

Porque o que se viu após o anúncio de sua contratação foi uma enxurrada de críticas ao clube mineiro (especialmente nas redes sociais, como sua influência cada vez mais avassaladora), e fuga de patrocinadores.

Se o Boa Esporte queria mídia mundial, ganhou.

Mas mídia negativa e piadas que beiram o humor negro, do tipo “o time é bom, o que mata é o goleiro” e “vocês tem atacante matador, mas só o Boa tem goleiro matador”, só para ficar nas mais criativas.

Mesmo com toda essa reação contrária, a direção do Boa Esporte, sob o mantra de que pode contribuir para a ressocialização de Bruno depois que ele pagou pelos seus erros, decidiu manter o goleiro.

Tudo muito nobre, tudo muito bonito, não fosse o detalhe de que Bruno não cumpriu sua pena. Está solto por um casuísmo da lei que, além de cega, surda e muda (há controvérsias), costuma ser extremamente lenta.

O que o Boa Esporte conseguiu com essa barafunda toda foi colocar a simpática Varginha, então conhecida como a terra em que os ETs costumam fazer suas visitas esporádicas à Terra (e pelo jeito voltarem correndo para seus planetas) como a cidade que deu status de superstar (os pedidos de selfies, inclusive com crianças, correm o mundo) a um criminoso que, reitere-se, não pagou pela atrocidade que cometeu contra uma mulher que não teve a mínima chance de se defender.

Era melhor ter recorrido ao ET...



Coluna do jornalista Daniel Thame.

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