Davidson Magalhães
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Pitta, Nicéa, ACM e Itabuna
O cenário político brasileiro é tomado por uma nova onda de denuncias de corrupção e banditismo envolvendo gestores do dinheiro público.
 
Antes de comentar esse assunto é bom esclarecer que os maiores assaltos, tráfico de influência e criminalidade estão sendo implementados pela política econômica de FHC, que doa o patrimônio público nacional ao capital estrangeiro e agrava a situação do povo com o desemprego e a fome, feita essa importante observação voltaremos ao tema específico.
 
Em São Paulo, terceiro orçamento do país e uma das maiores receitas da América Latina, uma quadrilha, travestida de representantes do povo, além de saquear os cofres da Prefeitura, diretamente e através das empreiteiras, chegou-se ao desplante de cobrar propina de camelôs, segmento empurrado para o subemprego vitimado pela crise econômica e social.
 
A CPI do narcotráfico, que por razões que a própria razão desconhece não veio à Bahia, desnudou o submundo do aparelho jurídico e policial do país que, diante de um cidadão boquiaberto, apresentou-se como uma estrutura em razoável estado de putrefação, parasitada em significativas partes pelo narcotráfico.
 
O Senado, conhecido pelo seu conservadorismo, foi palco, no último dia 05, de uma batalha de titãs. Jáder Barbalho (líder do PMDB) e ACM desfilaram densos dossiês onde as duas biografias são destacadas pelas falcatruas, arbitrariedades.
 
Jáder é ladrão, disse ACM. ACM é corrupto e corretor da OAS, retrucou Jáder. Os fatos apresentados por ambos são de amplo conhecimento da população, porém nunca apurados e muito menos penalizados pelo nosso “eficiente” aparelho policial e judicial.
 
Para completar a salada não poderíamos deixar de ter a presença pitoresca, mas não menos “eficiente” e escandalosa do Prefeito de Itabuna. Notas clonadas, superfaturamento, licitações irregulares e direcionadas são amplamente denunciadas pela imprensa. Condenação do tribuna de contas, obrigando-o a devolver dinheiro ao município.
 
Por último, a divulgação no Jornal A Tarde, de maior circulação no Norte- Nordeste, da identificação dos responsáveis e executores do crime do jornalista Manoel Leal, onde se inclui, em matéria de pagina inteira, o nome da secretária municipal e do alcaide, Fernando Gomes.
 
Tudo isso enquanto BMW, VECTRAS e novas fazendas desfilam e são apresentados sem embaraços ao Itabunense.
 
É por essas e outras que as últimas pesquisas constatam que mais de 80% dos jovens não acreditam nos partidos, e os políticos e as instituições que compõem o poder republicano (legislativo, executivo e judiciário) não são reconhecidos como confiáveis e perfilam como um bando de aproveitadores, verdadeiros algozes para o jovem e o cidadão comum.
 
É importante destacar, não por coincidência, que os personagens deste filme estão no mesmo campo, professam a mesma cartilha ideológica e política. Fazem parte da mesma elite que se metamorfoseia, permanecendo há quase 500 anos no poder, e que herdou da Portugal agrário-mercantilista do séc. XVI a visão patrimonialista, que trata o Estado, a coisa pública, como uma extensão dos negócios do indivíduo e da sua família.
 
Aqui, não podemos ficar esperando por Nicéas ou Jáder, temos que romper o cetismo, o apoliticismo e fazermos valer o nosso direito de cidadão. Tá na hora de levantar Itabuna!
 
Davidson Magalhães, Prof. Economia UESC
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