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Daniel Thame

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Bem vindos ao picadeiro!
      O Circo Brasilis desarma lona em Brasilia e transfere o picadeiro para Porto Seguro. Sai de cena a inacreditável troca de agressões entre ACM e Jader Barbalho (mais inacreditável ainda é que a grande imprensa limitou-se a repercutir a baixaria, ignorando uma regra básica do bom jornalismo que seria apurar, na Bahia e no Pará, se denuncias tão graves tem veracidade ou não) e embarcamos todos na alegre caravela dos 500 anos.
      O horripilante relógio da Globo, que conseguiu parar (onde mais poderia ser?) em Salvador, mostra que falta pouco para esse ‘momento mágico’. Por alguns dias, Porto Seguro será o centro do mundo. E o que se pretende mostrar às autoridades estrangeiras e aos convidados escolhidos a dedo (ou a dolar?) para a festança é que somos um povo alegre, ordeiro, hospitaleiro.
      Bem no estilo “moro num país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza...”
      Nem que para isso seja preciso expulsar os próprios moradores de Porto Seguro e de Santa Cruz Cabrália da área da festa. Ou, pior, agir com injustificada truculência contra os índios pataxós de Coroa Vermelha.
      Tiramos o nome do nosso (nosso?) país de uma madeira que eles usavam para se pintar para a guerra, para as suas celebrações ou apenas para se acharem mais bonitos e/ou atraentes, praticamente exaurimos a mata nativa e na hora da festa expulsamos justamente os donos.
      É evidente que se esses indígenas, em vez de lutar pela preservação de sua cultura, pela demarcação de suas terras e por uma vida digna; e se contentassem em ilustrar a festa com seus trajes típicos e seus gostos exóticos, tudo seria diferente.
      Vendidos como produto made in Brazil (com z mesmo em homenagem ao nosso presidente poliglota!) seriam a decoração ideal num quadro onde ao centro ficariam as autoridades e os convidados, ao lado os agregados das autoridades, um pouco mais ao lado os convidados dos agregados e, bem no cantinho, os nossos ‘fascinantes’ indios, felizes por terem sido descobertos.
      Como não aceitam – e nem poderiam aceitar- o papel de coadjuvantes, são expulsos do banquete com aquela conhecida ‘ternura’ da nossa gloriosa polícia militar. Traduzindo: na base da porrada.
      Negros, sem-terras e outros excluídos, então, que nem se atrevam a por os pés em Porto Seguro! Essa gente sem educação e sua mania de querer entrar onde não foi convidada...
      Veremos, pois, a festa pela tevê, com as imagens que a Globo achar conveniente mostrar.
      Mesmo que seja impossível ignorar a Marcha dos Sem-Terra, a Conferência dos Povos Indígenas e dos Negros e de outras manifestações populares que nem a mão de ferro dos nossos ‘governantes coronéis’ será capaz de impedir.
      FHC certamente exibirá o melhor de seus sorrisos quando comandar o espetáculo no grande picadeiro do 22 de abril.
      Na falta de leões (o do Imposto de Renda anda muito ocupado em morder os pequenos contribuintes e lamber os grandes), malabaristas (os que conseguem se equilibrar em fortunas feitas a partir do nada estarão preocupados em enriquecer mais ainda), ou equilibristas (pega mal mostrar um trabalhador se equilibrando com um salário de 151 reais), certamente apresentará um mágico, capaz de mostrar um país que não existe aos nossos queridos visitantes.
      E os palhaços?
      Que é isso, cara pálida? Os palhaços somos nós!

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