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Daniel Thame

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Praça da Paz, Praça de Guerra
      Quem não se lembra do cidadão comum que enfrentou uma fileira de tanques durante o massacre na Praça da Paz Celestial em Pequim, na década passada?
      A cena correu o mundo e celebrizou-se como um símbolo de resistência. Não há força de canhão que apague a chama de liberdade, ainda que essa chama seja constantemente ameaçada pela truculência dos que se mantém o poder com o uso da força.
      O chinês anônimo e inesquecível ganhou, no dia 22 de abril, um similar nacional. Nacionalíssimo, aliás, já que seus ancestrais habitavam essa terra antes dos colonizadores portugueses.
      Os índios faziam uma caminhada de Coroa Vermelha até Porto Seguro. Pretendiam protestar contra o que consideram 500 anos de dominação e também entregar um documento ao presidente Fernando Henrique Cardoso.
      A marcha foi interrompida pela Polícia Militar. Dispostos a evitar que os indígenas chegassem a Porto Seguro, os policiais investiram contra eles com bombas de gás lacrimogêneo, cassetetes e balas de borracha.
      Uma desnecessária e gratuita explosão de violência que transformou Coroa Vermelha numa praça de guerra. Os índios, que 500 anos antes receberam de com cordialidade os portugueses no mesmo local, agora eram atacados com ferocidade.
      Eis que surge Gildo Terena. Tendo como uma arma a coragem, o indío vai ao encontro dos policiais. Uma chuva fina dá um tom ainda mais dramático à cena. Terena abre os braços para impedir que os PMs massacrem seu povo. Depois se ajoelha. É atingido pelas costas com uma bomba de gás lacrimogêneo. Cai estirado no asfalto.
      Os PMs passam por cima de Terena e prosseguem a pancadaria. Mas, aí, o gesto do índio já entrava para a eternidade.
      O índio Terena é o sem-terra Terena, o estudante Terena, o negro Terena.
      Terena somos todos nós, os excluidos do banquete, como – e só eles parecem não ter percebido - são excluidos os desafortunados policiais militares que participaram da pancadaria.
      Terena é um símbolo de resistência num país onde os poderosos detém o poder político, o poder econômico, a mídia. Mas nem com tudo isso são capazes de deter a indignação popular.
      Gildo Terena, brasileiro!

      Fossemos um país verdadeiramente democrático, onde as leis são respeitadas, após os lamentáveis incidentes ocorridos no dia 22 de abril em Porto Seguro, toda cúpula da Polícia Militar da Bahia estaria afastada.
      Mas, nessa terra onde o Brasil começou, os PMs são elogiados pela bravura.
      Qual a bravura que há em bater em índios, sem-terras e estudantes indefesos?
      É a tradução literal do “bata, mate se for o caso, que a gente garante”.
      Vale não apenas para índios, sem-terras, estudantes mas, também, para jornalistas que não se curvam diante dos poderosos de plantão.

      Magistrados que participaram da Operação Mãos Limpas na Itália participaram de uma palestra em Itabuna.
      Lá, centenas de políticos, empresários e juizes envolvidos em corrupção foram parar atrás das grades.
      Numa terra de tanta gente de mãos sujas posando de honesta, dá uma baita de uma inveja dos italianos. É vero!

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