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Um grito de liberdade
Eram 8h30min da manhã chuvosa de Domingo, 1° de outubro. Bairro São Caetano. Uma das cerca de dez mil pessoas contratadas para fazer boca de urna do atual prefeito aproximava-se de um repórter e diz com sinceridade:   - Estou ganhando o dinheiro dele, mas o meu voto é de Geraldo Simões.   A cena, em menor ou maior intensidade, se repetiu em todos os postos de votação da cidade. Uma revolta muda, onde a urna falou por milhares de pessoas desempregadas ou subempregadas obrigadas pela necessidade de pedir votos para um candidato em quem não acreditavam.   Eram 17h10min do mesmo domingo. A chuva cessara e quem passasse pela praça Adami notaria o comando da campanha fernandista se abraçando na comemoração uma vitória que pare lhe parecia líquida e certa.   Uma demonstração de arrogância que algumas horas depois se transformaria numa dura lição para aqueles que se acreditam donos da vontade popular. São apenas dois dos muitos momentos marcantes desse já histórico domingo de 1° de outubro de 2000.   Fala-se aqui de derrotados, justamente para fazer o contraponto com os vitoriosos. Porque naquele primeiro de outubro os vitoriosos produziram um desses momentos de antologia repletos e simbolismo.   Na prática, eram lideranças locais como Geraldo Simões, Ubaldo Dantas, Renato Costa, Davidson Magalhães, João Xavier, Marco Wense contra o prefeito e sua máquina administrativ,; os senadores ACM e Paulo Souto, o governador César Borges, o comando da PM, a Justiç...   Quem apostasse na sua vitória dos primeiros passaria como delirante, não fosse um pequeno detalhe: o povo, que é quem realmente decide uma eleição, estava ao lado daqueles que consideravam seus legítimos representantes.   Soa meio poético, meio simplório afirmar isso mas era o povo contra o poder que de tão forte se tornava opressivo.   A vitória de Geraldo, que fique bem claro, não é obra do acaso. É fruto de uma coligação bem estruturada, que apresentou propostas consistentes num plano de governo realista, de um grupo articulado e que teve a capacidade de superar diferenças em torno de um interesse maior.   Consolidada, essa vitória abre perspectivas para um novo modelo de governo, onde os recursos públicos sejam bem aplicados, a merenda escola, vá para a mesa dos estudantes, os remédios para a rede hospitalar e postos de saúde e a administração de setores como limpeza pública, por exemplo, não se torne uma "ação entre amigos".   É também uma enorme responsabilidade, na medida em que o povo tornou Geraldo maior do que Fernando, ACM, César Borges e Paulo Souto, mas que igualmente irá cobrá-lo por esse voto de confiança.   A noite de 1° de outubro transformou-se na mais bela das noites, quando o grito de libertação ecoou por todos os cantos da cidade.   A noite dos vitoriosos. Entre eles, os rapazes e as moças da boca de urna do atual prefeito. Dos que, despedidos da arrogância, compreenderam que a verdadeira vitória não é aquela que só obtém na marra, mas a que se constrói com honestidade, seriedade, transparência.   Um dos momentos mais emocionantes da campanha eleitoral foi a exibição de um pôster do jornalista Manoel Leal durante a última caminhada de Geraldo Simões na avenida do Cinqüentenário.   Em todos os trechos, um só grito: "justiça, justiça". Alguém disse que, onde estiver, Leal está sorrindo com a lição que o povo acaba de dar.   Para criar apenas uma frase de efeito, diríamos:   - Velho Leal, o crime não compensa.   Porque, quando se escapa da Justiça, não se escapa do julgamento do povo.   Ou - porque não? - do julgamento de Deus. |
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