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| 10.Junho |
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O anão de jardim
Antonio Carlos Magalhães, quem diria, está virando anão.   A pequenês moral ficou comprovada no escândalo da fraude do painel do senador, em que teve que se submeter ao ato covarde da renuncia para não ter o mandato cassado.   Mas ACM quer ir além da pequenês moral.   Está se transformando literalmente num anão de jardim, aquela figura meramente decorativa, quase folclórica, sem qualquer utilidade aparente.   Perdeu o senso do ridículo. Desde que renunciou ao mandato anda aproveitando o espaço aberto pela mídia baba ovo (justiça seja feita: a Globo está fora disso, descartou de vez o outrora aliado) para bater duro em Fernando Henrique.   Ainda que tenha razão, fica a pergunta inevitável: ACM foi aliado de FHC durante cinco anos e meio e na tentativa de escapar da forca chegou a barrar a CPI da Corrupção.   Sua carreira política se solidificou nos anos de chumbo da ditadura militar, aquela que torturava e matava adversários.   Foi até o último segundo um aliado do saqueador Fernando Collor. Com um currículo assim, esse ´surto de moralidade´ só pode provocar risos.   Anão de jardim que se preza tem que chamar a atenção.   E lá foi ACM ao programa Raul Gil, o supra-sumo da breguice paulista, participar do quadro do chapéu e depois, todo balofo, requebrar com a banda Araketu.   Antes já havia simulado tocar trombone no Pelourinho, naquela “manifestação expontânea” onde prefeitos foram obrigados a lotar ônibus com moradores, sob pena de sentirem o peso do chicote.   Na semana passada, noticiou-se que ACM havia sido convidado (e topou) participar do Programa do Ratinho, um teatro de horrores especializado em explorar a miséria humana.   Falta pouco, pouco mesmo, para que o ex-senador apareça na banheira do Gugu ou nas pegadinhas do Faustão.   Há quem jure ter visto ACM no meio de semana num cirquinho mambembe numa vilazinha poeirenta nos confins da zona rural de Ilhéus, fazendo o papel de leão.   Um leão que outrora causava terror com suas garras afiadas e sua astúcia e que hoje, desdentado e decadente, no máximo provoca risos e curiosidade.   Feito um anão de jardim. |
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