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| 12.Agosto |
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A propaganda do biscoito
A relação de Itabuna com Jorge Amado lembra aquela propaganda do biscoito: vende mais porque é fresquinho ou é fresquinho porque vende mais?   Jorge Amado foi indiferente com Itabuna porque a cidade foi ingrata com ele ou Itabuna é ingrata a Jorge Amado porque ele foi indiferente com ela?   Há aqui uma propositada confusão em relação ao filho mais famoso.   Numa terra que costuma produzir escritores como num passado distante se produzia cacau, Jorge foi o único que indiscutivelmente ultrapassou as fronteiras nacionais, em que pese o inegável talento de Hélio Pólvora, Adonias Filho, Cyro de Mattos, Telmo Padilha, Euclides Neto.   Jorge levou o nome de Itabuna, ainda que compartilhando com a Ilhéus de sua infância, para os quatro cantos do planeta.   Uma das lendas a seu respeito, bastante difundida aqui, é a de que sempre negou ter nascido em Itabuna.   Em 1992, num documentário produzido pela TV Cabrália para marcar os 80 anos do escritor, ele disse com todas as letras à reporter Renata Smith que era “um cidadão grapiuna, nascido em Ferradas, distrito de Itabuna”.   E foi Itabuna que apareceu em todos os noticiários dos veículos de comunicação do Brasil e do Exterior como a cidade onde nasceu Jorge Amado.   Existem ainda bobagens antológicas como a de um ex-prefeito que acusou Jorge de não ter feito nada pelo cacau, como se isso fosse obrigação do escritor.   Ou a de que Jorge teria se referido a Ferradas como o “cú do mundo”, o que de fato ocorreu em Terras do Sem Fim.   O estilo desbocado do escritor, para quem o palavrão era um mero recurso de linguagem, deixa evidente que não havia ali nenhuma ofensa a Ferradas, ainda que a frase tenha feito de Jorge Amado um quase pária no local em que nasceu.   Ilhéus sempre soube capitalizar melhor a fama de Jorge Amado, ainda que o Vesuvio venha de desfigurando a cada novo proprietário e a reforma do Bataclan tenha se transformando numa novela de péssima qualidade.   Mas lá estão a Casa Jorge Amado e a Fundação Cultural Jorge Amado, como também poderia haver o Centro de Convenções Jorge Amado, não fosse a febre de homenagens ao onipresente Luiz Eduardo Magalhães, pano de fundo à epidemia de homenagens ao sempre presente Antonio Carlos Magalhães.   Mas, voltemos a Itabuna, essa sim de uma omissão cavalar quando se trata de Jorge Amado.   A casa onde eles viveu seus primeiros meses está caindo aos pedaços e há dois anos chegou-se ao absurdo de produzir uma fachada de madeira, tal qual os filmes do velho oeste.   O que seria um projeto de restauração, virou motivo de chacota, exemplo pronto e acabado de uma administração onde cultura era “coisa de viado”.   Há ainda um bairro chamado Jorge Amado, que reune quase todos os tipos de excluídos retratados nos livros do escritor. Longe de ser homenagem, é um retrato em preto e branco da obra amadiana.   E mais nada.   Se é verdade que certas pessoas – e esse parece ser o caso de Jorge Amado- que mortas se tornam ainda maiores do que vivas, esse é momento de uma homenagem significativa, ainda que não deva ser a única.   E não existe homenagem mais oportuna do que mudar nome da Avenida do Cinquentenário (nome insosso a uma cidade de 91 anos) para avenida Jorge Amado.   Alguém haverá de alegar que em breve a cidade fará 100 anos e teremos ali a Avenida do Centenário. Depois mudaremos para a avenida do Sesquicentenário, do Bicentenário, do...   Jorge, ao contrário de datas (por mais significativas que elas sejam) é eterno. E merece, finalmente, ser eternizado pela cidade em que nasceu. |
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