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Frederico Monteiro

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A Vassoura-de-bruxa não é carcará...
      No momento em que a Ceplac completou 43 anos, em 20 de fevereiro, de profícuos trabalhos em favor da cacauicultura brasileira, e eu me avizinho dos 40 anos impregnado pelo "visgo do cacau" (fui admitido na CEPLAC em 7 de março de 1960), não posso continuar me omitindo ante as notícias ampla e sistematicamente divulgadas de que a causa da destruição da cacauicultura e do empobrecimento da região sul da Bahia é a vassoura-de-bruxa. Afinal a vassoura-de-bruxa não é o carcará, que "pega, mata e come..."
      Pretendo demonstrar que a região cacaueira sul-baiana já estava “quebrada” e debilitada antes da chegada da vassoura-de-bruxa à Bahia, em 1989. Antes disso, o parque produtivo, então o segundo mais importante do mundo, estava obsoleto, os cacauais envelhecidos, decadentes, sem condições de competitividade. Isto porque no horizonte do PROCACAU, nem depois dele, se conseguiu renovar os projetados 150 mil hectares de cacauais. Mal e mal foi feito um adensamento ou interplantação em 41,6 mil hectares.
      A meta inicial de 110 mil hectares de cacauais foi ampliada para 145 mil hectares, dentro do horizonte do PROCACAU, 1976-1985. Graças ao altos preços, as áreas de plantio cresceram sem controle. Foi plantado cacau nas denominadas “áreas periféricas” ou “áreas marginais” dotadas de solos pobres, onde se poderia cultivar cacau, como se cultivou, às custas de pesadas calagens e abundantes adubações.
      É o caso dos plantios feitos em Una, o maior município plantador de cacau, e os plantios feitos no vale do Jequiriçá, na “boca do sertão”. Quando os preços despencaram, não houve como continuar a empregar o pacote tecnológico, de alto custo, recomendado para os solos pobres.
      A cacauicultura baiana estava baseada em 26 mil propriedades, disseminadas em mais de 70 municípios do sul da Bahia, onde vivia uma população de dois milhões de habitantes, dos quais 150 a 200 mil trabalhadores rurais, empregados diretamente.
      Em 1978, graças aos altos preços internacionais, de até US$3.500/tonelada, o cacau gerou quase um bilhão de dólares (US$953 milhões), e apenas US$390 milhões em 1982. Os altos níveis de preços internacionais alcançados nos “anos-de-ouro” despencaram para US$3.000, US$2.000; e chegaram, nos últimos dez anos, a níveis abaixo de US$1.000/tonelada. Na semana passada, atingiram o mais baixo nível da história cacaueira recente (27 anos) US$657/tonelada. A relação de perdas é de 1:6 vezes.
      A produção recorde de 457 mil toneladas, no ano de 1984, não parou de cair e atingiu o nível das 100 mil toneladas/ano. O Brasil, de 2º país maior exportador de cacau que era, tornou-se país importador. A relação de perda é de 1:4 vezes.
      Combinando as perdas básicas na produção (1:4) com as perdas no preço (1:6) e os custos crescentes na produção de cacau (o único insumo que não disparou foi o da mão-de-obra), com a aplicação em larga escala de calcário, fertilizantes, fungicidas e inseticidas, somando-se também o alto custo dos empréstimos agrícolas (correção plena pela TR e TJLP), em cacauais velhos e decadentes, tem-se como resultado a grave e desesperadora crise regional com milhares de produtores alijados do processo produtivo e centenas de milhares de trabalhadores rurais desempregados. A região se afigurava, aparentemente, sem saída.
      Não se pode omitir que a região do sul da Bahia foi assolada por prolongadas estiagens, mormente nos anos de 1987 e 1988, com perdas na produção de 100 e 90 mil toneladas, respectivamente.
      Se o preço do cacau fosse condizente, capaz de fazer frente às despesas, seria fácil, como historicamente sempre foi, incluir a “vassoura-de-bruxa” na rotina de mais um trato cultural e, assim, ganhar fôlego para ir substituindo as plantações atuais por variedades mais resistentes ou tolerantes, tudo combinado com um controle cultural eficaz.

      Parte 2

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