Helio Castro Neves
12.Julho.2016



Iowa: Quando um raio cai duas vezes


      Oi amigos, tudo bem?
      Pois é, amigos, como vocês estão vendo, o campeonato da Fórmula Indy é tão competitivo que qualquer situação que saia do controle faz a gente acabar tendo prejuízos na tabela de classificação. Foi o que aconteceu comigo no domingo passado em Iowa, no oval mais curto da temporada e que tem uma volta na casa dos 17 segundos.
      Para quem olha pela televisão, até dá a impressão de ser algo fácil, mas posso garantir para vocês que é uma das provas mais duras fisicamente falando do calendário. Pelas dimensões do traçado e pelo fato de a gente ficar praticamente o tempo todo em posição de contorno de curva, a pressão da gravidade é muito grande.
      É como se você fosse empurrado por uma força equivalente a cinco vezes o seu próprio peso. Isso ocorrendo ininterruptamente em 300 voltas deixa qualquer um exausto.
      Não é incomum, principalmente no Qualifying, quando a gente vai até lá na “casa do Deus me livre” para tentar uma volta rápida, fazer praticamente a volta toda sem respirar. E digo que isso é quase instintivo.
      Como a sua mente sabe que o desafio será completado em poucos segundos, na hora do “vamos ver” você acaba travando tudo para não fugir da concentração extrema. Esses são detalhes que o público normalmente não conhece e é por isso que estou aproveitando a oportunidade para contar essas particularidades.
      Todo mundo sabe, obviamente, que a posição de largada num oval não é algo tão fundamental assim, justamente em razão da dinâmica da corrida. Mas, mesmo assim, há fatores que fazem os pilotos se dedicarem ao máximo para conquistarem a pole.
      A primeira delas, na prática, é que quanto mais na frente você estiver, menos chances tem de se envolver em confusões de largada que não são difíceis de acontecer, principalmente da metade do pelotão para trás.
      Mas há também o fator pontuação que conta muito. Vejam vocês que cada pole position garante ao piloto, além de premiação e visibilidade, um ponto no campeonato. Somente nesse quesito há 16 pontos em jogo, o que significa dizer que cada pontinho é muito valioso e pode fazer uma diferença brutal lá na última corrida.
      Bom, eu fiz o terceiro melhor tempo no Qualifying e, na corrida, mantive uma boa presença no pelotão da frente o tempo todo. A primeira janela de pits, em bandeira verde, foi tranquila e logo voltei ao grupo da frente. Mas aí “caiu um raio na minha cabeça”.
      Num dos pits seguintes, parei em verde novamente e assim que sai para a pista apareceu uma amarela. Por causa disso, perdi um tempo enorme e caiu para o final do pelotão, com uma volta a menos.
      Não me restava outra alternativa a não ser sair de trás e tentar recuperar a volta perdida para entrar novamente na briga pelo pódio. Mas quem disse que um raio não cai duas vezes no mesmo lugar? Cai sim e foi o que aconteceu comigo.
      No pit seguinte, já trabalhando numa estratégia diferente para recuperar o atraso, entrei no pit em verde, o meu pessoal do Hitachi Team Penske fez um trabalho incrível e saí babando para retomar o meu lugar de direito. Eis que, novamente, uma amarela me pegou no pulo.
      Depois disso, amigos, não tinha mais o que fazer. Caí para 13º, com duas voltas de desvantagem, e lá fiquei. O resultado disso é que perdi a vice-liderança do campeonato.
      Foi uma pena porque tinha um carro bem constante e com plenas condições de fechar a prova pelo menos entre os cinco primeiros. Até um pódio daria para descolar. Basta dizer que o vencedor, o Josef Newgarden, estava uma posição apenas na minha frente no grid.
      Mas tudo isso faz parte e mostra como é competitiva a nossa competição. Então, o negócio é recuperar o terreno perdido e é isso que vou fazer nesse fim de semana em Toronto, onde teremos a 11ª etapa do Verizon IndyCar Series. Os treinos começam na sexta, o Qualifying será no sábado e a corrida, no domingo, começará às 16:00, no horário oficial de Brasília.
      É isso aí, amigos, na semana que vem eu volto para contar como foi a etapa canadense e, espero, sem “raios na cabeça” para relatar. Vamos que vamos!‚Äč
     
      Fale com Helio Castroneves...
      Estou aqui ao inteiro dispor dos leitores do (citar nome da publicação) para responder as perguntas que desejarem. Banta enviar um e-mail para press@castronevesracing.com
     
O jornal A Região integra o grupo de veículos de comunicação, em língua portuguesa, que publica semanalmente a coluna do piloto de Fórmula Indy Helio Castroneves, sob licença da Castroneves Racing, Miami, USA. Todos os direitos reservados. Contatos: americo@diariomotorsport.com.br.
     
helinho

     
      Links úteis
Helio Castroneves Media Center
Helio Castroneves Website
Helio Castroneves Twitter
Helio Castroneves Facebook
Team Penske
Team Penske Media (Mediante Cadastro)
Indycar
IndyCar Media (Mediante Cadastro)


Mais colunas:

Cláudio Humberto, politica
Juliana Soledade, cronicas
Daniel Thame, esportes
Marcel Leal, opinião
Diogo Caldas, coluna social
Carta ao Leitor, editorial
Tech, tecnologia e games
Malha Fina, notas ácidas

compre fazenda
Anuncie aqui: anuncio@aregiao.com.br

Copyright©1996-2016 A Região Editora Ltda, Praça Manoel Leal (adami), 34, 45600-023, Itabuna, BA, Brasil | Reprodução permitida desde que sem mudanças e citada a fonte.