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juliana soledade
22.Abril.2017

Mar de sangue


Ainda com sono pela noite em claro, acordei e busquei o controle da televisão. Ao ser acionada, repórteres com ar de preocupação e um peso na fala. O sono foi embora e resolvi sentar à da beira cama. A notícia era exatamente assim: “EUA faz ataque com mísseis na Síria”. Entontei ao relembrar do ataque químico dias anteriores na mesma região. Entontei ao ver as crianças agonizando nos vídeos divulgados nas redes sociais. Entontei e encolhi, mais uma vez, me coloquei em oração e desliguei o informativo do horário.

 
Acordei num dia como hoje me sentindo imersa a uma terceira guerra mundial - que me perdoem os estudiosos -, falta muito pouco. O terrorismo acontece em nossa frente TODOS OS DIAS e nas mais diversas formas. O sangue escorre, faz doer inocente, dilacera pessoas de bens em troco muitas vezes de benefício próprio e restrito.

 
Em pouco mais de seis anos, somente este conflito Sírio já somou mais de 400 mil mortos e deslocou 4,5 milhões de pessoas, segundo dados da ONU. No final do ano passado, Allepo ganhou manchetes de jornais, hastag de apoio nas plataformas sociais e muita aflição pelos nossos irmãos.

 
Levantar bandeira por Assad ou Trump é o mesmo que escolher inimigo com nomes e carcaças distintas. Diferente do que dito pelo presidente americano essa atitude de selvageria, atingindo ainda mais civis, apenas será um eterno mar de sangue.

 
A dor da guerra consegue invadir os corações e permite a empatia com os povos de outras nações. É impossível seguir o dia sem pensar em tamanho mal e desespero pelo desejo do poder. E essa guerra, meus caros, também acontece aqui, debaixo de nossos narizes diariamente. Seja no duelo do tráfico de drogas que mata milhares de pessoas igualmente inocentes, seja nos tantos crimes passionais.

 
Diante as mais variadas formas apresentadas pela fraqueza humana, é necessário acreditar que neste mundo é preciso ter sempre coragem. Ora para fugir, se esconder e se proteger ou coragem [e disposição] para iniciar o dia sendo bombardeado de notícias dolorosas.



Coluna da escritora Juliana Soledade.

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