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juliana soledade
18.Fevereiro.2017

Depois das onze


Carro frio, corpos quentes. Silêncio. Poucas palavras conduziam até as quatro paredes incrédulas. A cada vez que o casal atravessava a porta ebulições incidiam. Beijo, admiração, desejo, saudades. Era o amontoamento de sensações e encantos reprimidos, mas ali eram senhores dos seus destinos. Donos de si, inteiros. Exalando lascívia.

 
Imprudentes como a música de Bethânia, dentro de um “infinito delírio chamado desejo” - onde a racionalidade perde fácil para a emoção. O instinto aguçado para o cheiro, toque e pele, sem a mínima vontade de jogar a toalha. É fácil bailar no mesmo passo de música. O caminho era apenas um: arrepios arrebatadores, madrugada de bem olhos abertos e afagos incalculáveis.

 
O olhar continuava transportando além dos clímaces, foram tantos que nem o mais potente placar digital daria conta. Ele ensandecido pelo prazer da parceira, reluzia. Por ela, um olhar condensado em forma de agradecimento, uma forma de amar absurdamente cúmplice e gostosa.

 
Ela chegando ao ápice: incrível. Ele idem! Conexão: lógica, nexo; coerência. Um centímetro a mais a machucaria, um a menos não a faria tão saciada. O rebolado generoso fornece as estrelas cadentes da noite. Uns tapas na bunda indo do gozo ao curioso. Tudo cabe.

 
O diálogo pelo gesto, sussurros e respiração, simples quando o sincronismo existe. Simples quando o gemido sai provocando ingenuamente, quando a barba roça os seios, a barriga e as coxas. Santa barba, possuidora de sonhos violentos por aí. Mãos, língua, fome e chamas. Brasas que acendiam no sexo, labaredas que fulminavam no suprassumo.

 
Para além de um rostinho bonito. O sorriso de prazer dele é um estandarte que ela queria carregar por aí. Sorriso de gozo, de satisfação, de plenitude. O sorriso dela era a entrega completa. O sorriso começava delicadamente em um rosto e terminava em outro.

 
Fagulhas continuaram correndo na via sanguínea ao restante do dia. Um passeio saltitante e contínuo pelos anéis de Saturno. A órbita sempre demora até realinhar novamente, faz parte. E dentro de outros universos, uma saudade com nome, sobrenome e dono de um sexo sensacional.



Coluna da escritora Juliana Soledade.

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