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Lucilio Bastos

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Cidade, cidadão e cidadania
      Era o dia 6 de março de 1905. Naquela dia, os moradores do povoado de Tabocas, através uma vigorosa salva de palmas, escolhiam e consagravam o nome do município que surgiria cinco anos mais tarde, como uma estrela de primeira grandeza na constelação da região cacaueira: ITABUNA.
      Um ano antes, no palacete do coronel Firmino Alves, Artur Nilo de Santana, João Soares Lopes, coronel José Joaquim Xavier, coronel Paulino Vieira do Nascimento, dentre outros, decidiram pela emancipação do arraial. Mas, uma pergunta surgia: qual o nome a ser escolhido?
      É o querido amigo Adelindo Kfoury Silveira quem rememora a nova reunião, agora na residência do coronel Basílio de Oliveira, ali onde se ergue o palácio maçônico da "Areópago Itabunense", para se dirimir a questão. Os nomes de Henrique e Firmino Alves terminaram empatados. O que fazer?
      – Bota o nome de Maria Buna! – sugere alguém da platéia, com o intuito de fazer pilhéria. E a pobre lavadeira foi lembrada, quem sabe para valorizar mais adiante os nomes de bravas e valorosas mulheres desta terra com tanto ainda por se fazer.
      Não há quem possa afirmar, agora, que tudo já está feito.
      Depende muito de todos nós cidadãos, na medida em que prevalecerem os direitos e deveres da cidadania.
      28 de julho de 1910. Cria-se o município, edifica-se uma cidade. Cidade que, como ponto de grandes aglomerações humanas, é uma invenção relativamente recente do homem, remontando a um passado não superior a uns sete mil anos e que apareceram às margens dos grandes rios como o Nilo, Tigre, Eufrates, e mais tarde o Tibre, o Sena, o Tâmisa.
      E Itabuna nasceu às margens do Cachoeira, antes caudaloso e farto, hoje humilhantemente desprezado. Essa é a festa que hoje comemoramos. Comemoramos?
      O cidadão passou a assumir um sentido social e político, à medida que os habitantes da cidade se emancipavam do domínio feudal.
      É o cidadão quem se liberta para o exercício da cidadania, com uma participação voluntária e consciente dos seus deveres e direitos cívicos. É cidadão aquele que cumpre com os seus deveres para com a terra, natural ou adotiva, e que sabe respeitar os direitos que a terra lhe confere.
      A nossa cidade hoje completa 90 anos e, emancipada a sua gente do domínio da terra mater, Ilhéus, não há porque, hoje e em qualquer outro tempo, após 28 de julho de 1910, alguém se arvorar a ser seu dono e senhor de baraço e cutelo.
      O exercício da cidadania confere a cada um, homens e mulheres, jovens e velhos o direito livre e soberano de votar e ser votado e de escolher, livremente, sem peias e sem receios, os seus representantes no Executivo e Legislativo.
      Pena que tal não ocorra, ainda, com o Judiciário, sabido é que "todo poder emana do povo".
      Após mais de três décadas vivenciando Itabuna, suas alegrias, suas conquistas, suas tristezas e derrotas, convivendo e sepultando seus vultos ilustres e seu povo humilde e laborioso, recebo hoje, por decisão da Câmara de Vereadores e por indicação do companheiro Everaldo Anunciação, o diploma de "Cidadão Itabunense", roupagem que vesti desde que aqui cheguei.
      Um título conquistado, jamais pedido, nunca negociado.
      Sofri há algum tempo a rejeição ainda nas comissões, o que impediu que a indicação chegasse ao plenário. Era o medo de alguns, talvez da maioria, do tirano de plantão.
      A honraria lhe desagradava e os lacaios temem o senhor seu dono. O autor da honraria, José Japiassu, não teve como lutar contra os moinhos de vento da subserviência e da bajulação.
      Quis o tempo que agora, com o mesmo atrabiliário governante no poder, o título sonhado e jamais renegado chagasse às minhas mãos, sem tergiversar, sem sucumbir, sem rastejar.
      Ele não me pertence, dobrando que já começo o "cabo da Boa Esperança".
      Entrego-o à minha família – esposa, filhos e netos – eles, mais do que eu, terão orgulho deste sertanejo que, sem negar suas origens e o seu amor pela terra onde nasceu – Feira de Santana – tem procurado ser digno da cidade que o acolheu, das amizades que amealhou e da permanente vontade de servir, enquanto a vida, esta dádiva de Deus, assim o permitir.

      Lucílio Miranda Bastos, radialista e servidor público federal aposentado

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