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Marcel Leal

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Crime e não castigo
      Esta semana várias pessoas me ligaram, preocupadas com minha segurança, porque o jornal A Tarde publicou uma matéria que inclui esta suposta declaração minha:
      "Os mandantes foram o prefeito Fernando Gomes, o delegado Gilson Prata e a secretária municipal de governo, Maria Alice Araújo. A nossa única dúvida é apenas sobre qual deles foi o autor intelectual do crime. Os executores foram Roque Cardoso Souza, Marcone Sarmento e o policial Mozart da Costa Brasil, que trabalha com Gilson Prata."
      Houve aqui um pequeno problema de comunicação. O que eu disse, na verdade, é que os suspeitos de serem os mandantes são o prefeito, o delegado e a secretária, já que são os únicos que têm ligação com os três executores apontados pela PF e os que foram denunciados no jornal A Região no mês anterior ao crime.
      O problema não é tanto a declaração, nem mesmo a matéria, muito bem escrita pelo repórter Marconi de Souza, um dos jornalistas mais corajosos e talentosos da Bahia.
      O problema é que a simples lembrança dos fatos que cercam este crime é suficiente para elevar a pressão dos suspeitos, que já andam meio descontrolados com a perda constante de poder politico e votos.
      Plagiando o título, ruim por sinal, que os tradutores deram para o filme JFK, este é o "crime que não quer calar" e que continua exposto, como uma ferida, aos olhos do público. Este mesmo público a quem o governo estadual garante que a Bahia é um paraíso.
      Na verdade é sim um paraíso. Para assassinos, mandantes e corruptos em geral.
      A série de matérias que ao longo da semana será veiculada em A Tarde, todas escritas pelo Marconi de Souza, chega em boa hora para mostrar estas feridas da Bahia.
      Nosso estado foi o responsável por 80% dos assassinatos de jornalistas no Brasil na década de 90, ou 5% de todos os assassinatos registrados na América Latina no mesmo período.
      Isto sem falar nos 15 jornalistas que foram espancados, sequestrados, torturados ou receberam ameaças de morte na década passada. Um deles foi, acredite, chicoteado em praça pública por um prefeito.
      Os responsáveis pela segurança neste período, 1991 a 1998, eram os atuais senadores Antonio Carlos Peixoto e Paulo Souto, que governaram a Bahia antes do atual governador.
      Os suspeitos de praticamente todos os 10 assassinatos de jornalistas baianos neste período eram delegados, policiais civis e militares, prefeitos e deputados ligados ao grupo carlista, comandado pelo senador ACM.
      Nenhum dos crimes teve investigação bem feita ou sequer 'razoável'. Muitos dos inquéritos foram claramente manipulados ou 'desapareceram' de delegacias e forums.
      Considerando que Peixoto e Souto eram os chefes das policias, eles tinham poder para determinar e cobrar investigações rigorosas dos crimes mas, se o fizeram, foram desmoralizados pela desobediência dos subalternos.
      Como chefes das policias, os ex-governadores poderiam ter evitado nove destes crimes. Bastaria apurar com rigor e punir os culpados pelo primeiro deles, o do radialista Ivan Rocha, em Teixeira de Freitas, em 1991.
      Ivan foi morto um dia antes de fazer a prometida revelação dos nomes de policiais que faziam parte de um grupo de exterminio no extremo-sul e de um deputado carlista que seria o chefe deste grupo.
      No inicio a policia investigou e chegou a decretar a prisão dos envolvidos: quatro PMs, dois policiais civis e o assessor parlamentar do deputado Timóteo Alves de Brito, Salvador Rodrigues Brandão Filho.
      A principal testemunha do crime, que identificou Salvador, foi sequestrada e quando reapareceu negou tudo em uma entrevista na tv, ao lado do suspeito. Um acinte à inteligência da população.
      Este tipo de ação se repetiria com Paulo Sergio, um dos assassinos confessos do radialista Ronaldo Santana, de Bahia. Ele acusou o prefeito carlista Paulo Dapé de ser o mandante, dando inclusive detalhes. Depois de ficar incomunicável em Salvador por dois meses, passou a negar tudo.
      O repórter Marconi levantou, no caso de Teixeira de Freitas, que Timóteo apelou na época a Antonio Carlos Peixoto, seu cacique politico e então governador, para que parassem de procurar o corpo do radialista, desaparecido.
      Conseguiu. Depois usaram a ausência do corpo para livrar os envolvidos. O deputado sequer foi chamado a depor e hoje concorre novamente à prefeitura de Teixeira de Freitas.
      É assim que têm sido as investigações dos crimes contra jornalistas - contra o seu direito de ser informado - na Bahia. Com a ajuda de governadores que, de chefes das policias, passam a cúmplices dos crimes, por omissão.

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