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Maria Luiza Heine
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28 de Junho

Ilheus, de vila a cidade
      A Capitania de Ilhéus foi doada em 1534 a Jorge de Figueiredo Corrêa, que não veio tomar posse de suas terras e mandou em seu lugar o castelhano Francisco Romero. Ele chegou às novas terras, ao sul da Ilha de Itaparica, onde hoje está localizado o povoado de Morro de São Paulo, na Ilha denominada Tinharé. maria luiza heine
      Após ter fundado a nova vila, determinou que algumas embarcações rumassem ao sul para fazer o reconhecimento das terras. Os engenheiros da armada acharam ideal para fundar uma vila aquela localidade, formada por uma baía, ladeada por dois morros, uma proteção natural. Hoje, os morros de Pernambuco e de São Sebastião.
      A vila de São Jorge dos Ilhéus recebeu este nome em homenagem ao dono da Capitania e por causa das pequenas ilhas encontradas ao largo da costa. As primeiras riquezas econômicas foram a extração de madeira e a cana-de-açúcar.
      Como a vila não se desenvolveu, por mais de 200 anos permaneceu apenas como uma alternativa de parada para as embarcações. Somente a partir do meado do século XIX, com o aparecimento do cacau, é que, lentamente, a vila começou a se desenvolver e a despertar interesses, o que só se daria realmente no final do mesmo século.
      No dia 4 de junho de 1881, o deputado cônego Manuel Teodolindo Ferreira apresentou à Augusta Assembléia Legislativa Provincial da Bahia o projeto de lei, datado de 3 de junho, que elevava a Vila de São Jorge dos Ilhéus à categoria de cidade.
      Subscreveram o documento os deputados Paranhos Almeida, Vigário Batista, Virgilio de Carvalho, E. Baraúna, Reguião, Áppio Cláudio e Carneiro da Rocha, segundo o professor Arleo Barbosa. O projeto foi para a Assembléia Legislativa, para ser discutido três vezes como mandava a lei. Ele foi discutida entre os dias 7 e 14 de junho e tomou o número 604.
      As sessões foram presididas pelo deputado João dos Reis de Souza Dantas. No dia 28 de junho de 1881, através da Lei Provincial nº 2.187, a Assembléia enviou ao Presidente da Província, anexo a um memorando, a Resolução que elevava a Vila de São Jorge dos Ilhéus à categoria de cidade. A vila permaneceu com o mesmo nome.
      A Resolução foi assinada por João Lustosa da Cunha Paranaguá, mais tarde Marquês de Paranaguá. Hoje nome de rua, ele foi “Conselheiro de Estado, senador do Império, Dignatário da Ordem da Rosa, Comendador de São Gregório Magno, Desembargador e Presidente da Província da Bahia” (Barbosa, p. 67).
      Cabe salientar um aspecto muito interessante, segundo narrativa do professor Pedro Mattos, que mostra a diferença entre elevação à categoria de cidade e emancipação política, fundamentado na palavra do professor Leopoldo de Campos Monteiro. Ilhéus foi elevada à categoria de cidade, pois foi fundada vila desde sua ocupação como Capitania Hereditária.
      Mas não houve emancipação política, como aconteceu com as outras cidades da região. E ela permanece com o mesmo nome desde que foi fundada.
      Segundo Silva Campos (p. 262), naquela época, as edificações já se estendiam pela margem ocidental do rio, as vias públicas possuíam largura regular e uniforme, com casas assoalhadas, havendo diversas de gosto moderno, bonitas e de construção bastante sólida. Nesta época já haviam sido construídos alguns sobrados.
      A população era de pouco mais de mil habitantes. A cidade contava com três igrejas (São Jorge, Vitória e a capela de São Sebastião), 2 fontes públicas, 120 casas comerciais, 2 farmácias e 2 escolas primárias.
      Quando já havia prosperidade, os primeiros plantadores de cacau moravam nas fazendas, mudando para a cidade a partir do início dos anos de 1910, quando ela se desenvolveu de forma acentuada e foi construído todo o Patrimônio Histórico e Cultural que permanece até os nossos dias.
      Com os problemas surgidos da doença Vassoura de Bruxa, a região empobreceu e ainda não encontrou um novo rumo. Esperamos que a população local se una e encontre no turismo a saída para os problemas econômicos que afligem a região.
      O turismo local, se for encarado com profissionalismo, pode ser muito promissor, pois, além das riquezas naturais, a região possui um patrimônio cultural único no mundo: a mistura da cultura do cacau com a histórias por ela geradas.


Por Maria Luiza Heine. Email para mlheine@oi.com.br


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