Mata Atlântica e o Cacau
A Mata Atlântica, originalmente estava presente do Ceará ao Rio Grande do
Sul. Atualmente, não chega a 8% de sua composição original. No nordeste
brasileiro, a Bahia é considerada a maior detentora de fragmentos deste
bioma.
Em estudos realizados por botânicos de intituições nacionais e
internacionais foram detectadas, nestas áreas, uma das maiores
biodiversidades do planeta.
Os viajantes que chegam a Ilhéus, município do sudeste baiano, de avião,
devem imaginar estar chegando em uma região ainda com grande cobertura
florestal. Esta impresão ainda é possível graças ao cacaueiro, planta
originada na bacia amazônica e introduzida na Bahia, ha quase 200 anos.
As plantações de cacau ocuparam o sub-bosque da Mata Atlântica,
descaracterizando a mesma, pois apenas manteve alguns indivíduos no estrato
superior como elementos promotores de sombra, formando o que denominamos de
sistema agroflorestal, cacau-cabruca.
Se por um lado esta atividade
antrópica alterou a paisagem natural da região, sua implementação no modelo
agroflorestal, minimizou o efeito borda presente nos fragmentos florestais
remanecentes e interligou estes fragmentos (corredores ecológicos), o que
permitiu e permite até hoje a troca de material genético entre os mesmos,
contribuindo, assim, na manuteção da biodiversidade.
Sob o ponto de vista de impactos ambientais causados pela agropecuária, a
lavoura cacaueira, comparativamente a outras atividades que degradaram a
Mata Atlantica, se apresenta como uma atividade de baixo impacto.
Acerca de
13 anos, a região sudeste da Bahia foi surpreendida com uma doença do
cacaueiro denominada de vassoura-de bruxa e muitas plantações deixaram de
ser viáveis econômicamente, sendo substituídas neste período pela pecuária
e também pelo café, atividades de médio a alto impacto ambiental.
Apesar de
já existir tecnologia para o controle desta doença, as políticas públicas
voltadas para estimular os cacauicultores a materem suas lavouras, não
tiveram sua implementação com a velocidade desejada, sendo que algumas
propriedades, situadas em áreas estratégicas para manutenção dos corredores
ecológicos foram substituídas pelas culturas acima citadas.
Perdemos ambientalmente algumas batalhas, mas não perdemos a guerra para a
manutençao da biodiversidade regional, hoje reconhecida internacionalmente.
Novas políticas públicas estão sendo traçadas para esta região em
particular para o agronegócio cacau.
Nós ambientalistas temos a esperança
que os recursos financeiros necessários para para a recuperação desta
lavoura chegue logo e sem burocracia nas mãos dos produtores pois
entendemos ser este tipo de agricultura, implantada em modelo
agroflorestal, parceira na conservação da Mata Atlântica.
* Demosthenes Lordello de Carvalho - Eng. Agro. Especialista em Gestão Ambiental Diretor do
GRAMA.