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Manoel Carlos de Almeida

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Varrendo a cacauicultura
      A terrível vassoura-de-bruxa, em sua marcha batida e irresistível, vai aos poucos dizimando – se já não dizimou – a outrora importante lavoura de cacau do sul da Bahia.
      Com a colaboração voluntária ou involuntária de muitos dos seus produtores, os cacauais vão sendo infestados pela doença importada da Amazônia, e se antes se confinava, apenas, aos municípios de Camacan e Uruçuca, hoje se alastra por toda a chamada micro-região cacaueira.
      Cientistas de diversas instituições estão debruçados sobre microscópios e outros instrumentos, manejando tubos de ensaios e realizando experimentos, na busca frenética de algum antídoto que elimine, ou simplesmente controlem, a indesejada doença.
      Produtores mais esclarecidos e, certamente, mais abonados, combatem em suas propriedades o terrível mal na tentativa de evitarem o predomínio do mal e, em conseqüência, a liquidação final dos seus cacauais. Até aqui tem sido uma luta inglória sem garantia de que, um dia, conseguirão domina-lo.
      A vinda dessa doença, antes confinada aos cacauais da Amazônia, continua um verdadeiro mistério.
      Quando ela foi descoberta em fazendas do município de Uruçuca e, posteriormente, denunciada a sua existência, já em avançado estágio, no município de Camacan, correu mundo a notícia de que a sua aparição aqui no sul da Bahia foi resultado de um ato criminoso: “alguém” havia encontrado galhos e folhas infectados amarrados em árvores sadias em algumas fazendas.
      Contudo, a sua comprovação nunca foi determinada de forma a não deixar dúvidas, nem o “alguém” foi identificado.
      O que soube e me foi contado por um trabalhador admitido em minha fazenda, foi que ele e sua família tinham sido contratados com outros trabalhadores de Camacan para cuidarem de umas terras próprias para cacau que o seu patrão havia adquirido em Roraima.
      Levou ele dois anos por lá, mas não resistiu à malária nem ao impaludismo, moléstias endêmicas na região amazônica, e retornou.
      Não só ele, mas a maioria dos que foram trabalhar no “eldorado” que, para os ricos fazendeiros, se constituía a misteriosa região que muitos denominam de “pulmão da terra”.
      Hoje em dia ainda se pergunta quem foi o responsável pela vinda da vassoura para a Bahia. Ninguém dá a resposta correta, principalmente porque ninguém, nem instituição alguma, tratou de investigar seriamente.
      Não é de se descartar, porém, a hipótese de que os trabalhadores que daqui foram enviados para Roraima – e logo retornaram – tenham sido os portadores involuntários da doença.
      Hipótese bastante viável se considerarmos que foi em Camacan que ela se instalou mais cedo, embora o seu anúncio tenha demorado de vir a público por conveniência do proprietário da fazenda inicialmente afetada.
      A verdade é que a vassoura-de-bruxa está aí liquidando patrimônios construídos com muita luta e imensos sacrifícios, levando honrados produtores à inadimplência de seus penhores junto à rede bancária, penhores esses repetidamente prorrogados com seus valores substancialmente elevados por força das correções, juros e têerres a eles acrescidos.
      A uma lavoura empobrecida, sem lideranças de peso, sob muitos aspectos desorganizada institucionalmente, o governo destina algumas migalhas para o pomposo Programa de Combate à Vassoura-de-Bruxa, e incumbe ao Banco do Brasil a tarefa de alocar os recursos aos produtores que deles necessitarem.
      Mas a direção do banco impõe tais restrições aos financiamentos, demora tanto na sua liberação, que propriedades que se mantinham no nível inicial da infestação, quando conseguem os recursos já estão com as suas porteiras fechadas, seus trabalhadores demitidos e suas terras adubadas com as lágrimas dos que nela confiaram o seu futuro e o de sua família.
      Os que estão encastelados nas poltronas macias de seus luxuosos gabinetes em Brasília, são os responsáveis pelo desaparecimento de uma lavoura que tanto produziu para o país, tanto ajudou o Estado, tanto contribuiu para o florescimento dos municípios do sul da Bahia. Um dia, eles responderão perante a História. E serão execrados.
      Nota do Editor: este artigo foi publicado pela primeira vez no “Diário da Tarde”-Ilhéus – ed. 14/11/95, mas continua atual até hoje, julho de 2000.

      Manoel Carlos de Almeida é membro-fundador do Instituto Histórico de Ilhéus. (manocar@uol.com.br)

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