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morena fm
22.Julho.2017

Por onde começo?


Assim que voltei ao Brasil passei a me dedicar a montar a Morena FM mas, antes, precisei definir um plano de trabalho. A primeira coisa é saber onde você deve construir a rádio e como o prédio deve ser para acomodar as funções dela.

O local é crítico. O sinal de FM segue em linha reta e é bloqueado por morros e prédios, por isso a antena deve ficar no lugar mais alto possível. Eu fazia questão de manter antena e sede no mesmo local, faltava achar um adequado.

Se voce tem a sede no centro, a antena fica muito baixa ou você tem que montar um retransmissor para outro local. Se fica no melhor local para a antena, pode ser inacessível para clientes, funcionários e fornecedores. É preciso achar o local ideal e... combater o besteirol.

Desde o início quis fazer uma FM com o mesmo nível das de São Paulo e Rio. E me incomodava quando as pessoas diziam “pra que fazer uma rádio assim em Itabuna?” É a mania de achar que, só porque é Itabuna, as coisas não precisam ser “tão boas”. Idiotice local.

Passei vários meses frequentando congressos de rádio, visitando emissoras nas capitais, pesquisando equipamentos, conversando com radialistas para saber os melhores, comparando programações e a arquitetura das emissoras.

Foi nestas conversas que descobri Carlos Augusto Schermann, o maior engenheiro de telecomunicações do país, consultor de entidades mundiais. “Se é para fazer o melhor, contrate ele”, me disseram vários donos de rádio. Contratei.

Schermann veio a Itabuna e analisou todos os bairros, chegando à conclusão de que a Morena tinha que ser onde está. O problema é que na época (1986) não existia asfalto, telefone, água, esgoto nem ônibus. E a rede elétrica era ruim.

“Como é que a rádio vai funcionar num lugar desses, Schermann, nem tem ônibus para trazer os funcionários”. A resposta foi típica dele: “se vire. Tem que ser aqui”. A sorte é que, alguns meses despois, a Prefeitura (gestão de Ubaldo) começou a asfaltar a avenida.

Com o asfalto vieram água, esgoto, telefonia e ponto de ônibus. Daí foi só convencer a Coelba a melhorar a energia, com alguma pressão. Conto essa depois, porque lembrei da “traquinagem”.

Durante a última visita técnica de Schermann, não resisti a fazer uma brincadeira com aquele senhor sisudo, que nunca tinha visto dando um sorriso. Começou quando soube que o aniversário da esposa estava perto. “Voce vai voltar da Bahia sem levar nada?” perguntei no aeroporto.

Fui até o Chocolate Caseiro e mandei embrulhar para presente um “cacau do Nacib”. Orientei a dizer à esposa que ele tinha lembrado dela. No dia seguinte, um irritado Schermann me dava um longo esculacho pelo telefone.

“Se não tivesse mentido para ela, dizendo que foi você quem comprou, não levaria bronca”, respondi. Schermann caiu na gargalhada e fomos amigos até morrer. Bom, agora é fazer o prédio...



A rádio Morena FM 98 completa 30 anos em dezembro, por isso seu fundador, Marcel Leal, está contando a história e as estórias da rádio mais ousada da Bahia.

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