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morena fm
16.Setembro.2017

Mostrando aos gringos


O uso inovador que a Morena FM fazia dos lançamentos exclusivos vindos da TM Century, dos Estados Unidos, fez com que a empresa me convidasse para explicar aos radialistas americanos como aproveitar o material ao máximo.

palestra nab Passei vários dias em Los Angeles, na California, mostrando nosso sistema, debatendo rádio, trocando experiências, aprendendo e ensinando. Visitei várias emissoras e estranhei ver só equipamentos analógicos. Afinal, eu usava só CDs há 8 anos e spots 100% digitais há 6.

Para nós, comprar os equipamentos (americanos) era uma odisséia e saía caríssimo. Eles podiam comprar na esquina pagando barato, por isso não entendi. A explicação era de que não havia “motivo” para usar CDs se LPs e cassettes “ainda serviam”. Incrível...

Nesta visita, a Morena FM passou a ser conhecida no meio, porém o que deu mais status para ela nos Estados Unidos foi o uso da internet. Em 1999, a Morena já usava a internet há 3 anos, desde buscando informações e notícias, até se divulgando através do website.

Desde 1996 a Morena FM transmitia seu sinal pela internet, coisa tão rara na época que só outras três emissoras no Brasil faziam isso. Mesmo assim, a Morena era a única a transmitir 24 horas ao vivo. As outras se limitavam a 4 a 6 horas diárias.

A qualidade do site e o pioneirismo no streaming levaram a NAB, National Association of Broadcasters (a associação nacional de rádio e TV dos EUA) a me convidar para ser um dos palestrantes no NAB Radio Show de 1999.

O americano é muito focado no próprio negócio e, frequentemente, ignora todos os outros se não enxergar um uso no dele. Na época, os radialistas ignoravam a internet, não tinham sequer vontade em conhecer o meio. A NAB queria mudar isso, daí o interesse no que fazíamos.

A palestra, em Miami, começou um um tropeço. Apesar de ser fluente em inglês, preferi falar em português. Existiam vários intérpretes de inglês para português, francês, espanhol e alemão no evento. Mas o de português para inglês ficou doente e tive que palestrar em inglês mesmo.

O engraçado aconteceu no final. Como pensar em outra língua é mais difícil, eu fazia pequenas pausas para organizar os pensamentos. Quanto terminou, o chefe dos intérpretes veio me agradecer porque fui “o único que pensou neles, fazendo pausas para facilitar”...

Sem powerpoint nem nada, quebrei o gelo da platéia, de uns 60 donos e gerentes de rádio, prometendo que, quem me aguentasse até o final, ganharia um CD de músicas brasileiras. Era o Jupará, que por sinal fez muito sucesso com os americanos.

Comecei perguntando quantas rádios ali tinham um website (era 1999, lembre). Só quatro mãos foram levantadas. Quantas transmitiam online? Nenhuma. “Voces que não tem websites devem correr para ter, porque do contrário estarão mortos em 10 anos”, alertei.

Usando um truque me ensinado pelos genial palestrante e meu amigo Dado Schneider, consegui manter a platéia interessada e no final respondi a dezenas de perguntas. Foi um sucesso, o que rendeu convite para o evento do ano seguinte, 2000.

Desta vez, ao perguntar quantas rádios tinham site, a maioria levantou a mão.

Mas as que transmitiam online ainda eram poucas, cerca de 10 na platéia de 80. Foi muito bacana divulgar a Morena FM de modo positivo e trocar ideias. Semana que vem tem mais.



A rádio Morena FM 98 completa 30 anos em dezembro, por isso seu fundador, Marcel Leal, está contando a história e as estórias da rádio mais ousada da Bahia.

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