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Pataxós viram 'decoração'
Os Pataxós viraram 'decoração' para turistas em Coroa Vermelha e protestam contra o tratamento recebido dos organizadores das comemorações dos 500 anos do Descobrimento.
 
Os índios Pataxós, que vivem em Coroa Vermelha, localizada entre Porto Seguro e Santa Cruz Cabralia, reclamam das precárias condições em que estão vivendo desde que foram iniciadas as obras de infra-estrutura do Museu Aberto do Descobrimento e do Memorial do Encontro.
 
De acordo com os indígenas, a urbanização da Aldeia, oferecida como contrapartida pelas obras no sítio histórico de Coroa Vermelha, está atrasada. A pressa para a conclusão do Museu e do Memorial está fazendo com que os pataxós sejam deixados de lado.  
Várias famílias tiveram que deixar suas casas para dar lugar às obras, antes mesmo de iniciada a construção das novas casas. Além disso, os Pataxós denunciam que as obras em Coroa Vermelha oferecem risco à saúde, já que a empresa responsável pelo saneamento deixou esgotos a céu aberto.
 
O poço artesiano, que abastecia as mais de 40 famílias da aldeia, foi totalmente destruído e se transformou num lamaçal. Os índios são obrigados a recorrer a carros-pipa.  
A comunidade indígena também não aceita a cruz de bronze, obra do artista plástico baiano Mario Cravo Neto para substituir a de madeira, que há vários anos marca o local onde teria sido celebrada a primeira missa do Brasil. Apesar da reação contrária dos pataxós, as autoridades garantem que a peça será instalada de qualquer maneira.
 
As obras planejadas pelo governo brasileiro transformam a vida da comunidade pataxó de maneira arbitrária e agressiva. Além de marginalizar os Pataxós, o governo despreza a principal reivindicação dos povos indígenas: a terra demarcada e livre de invasores, afirma o diretor do Conselho Indigenista Missionário, Antonio Eduardo Oliveira.
 
Em Coroa Vermelha os Pataxós se transformaram em objeto de decoração para turistas do Brasil e do Exterior. O artesanato que eles produzem está sendo comercializado em barracões de madeira que mais lembram os camelôs. Pequenos índios percorrem as barracas de praia, vendendo bugigangas ou mesmo tirando fotos ao lado de turistas em troca de alguns trocados.
 
Prêmio
 
Na semana passada os índios Pataxós Hã Hã Hãe que habitam as aldeias em Pau Brasil
receberam o Prêmio Nacional dos Direitos Humanos, em Brasília. O prêmio foi
concedido em reconhecimento pela luta dos Pataxós para a retomada de uma área de 54
mil hectares, ocupada irregularmente por cerca de 400 fazendeiros.
 
Até agora foram retomados pouco mais de 4 mil hectares. Durante a entrega do prêmio o cacique Gerson Melo lembrou que hoje existem cerca de 300 policiais militares na área da aldeia, "cercando nossa tribo e ameaçando a gente de morte."
 
Gerson afirmou ainda que não sabe "como esse governo está gastando milhões de reais com a festa em Porto Seguro e nós que somos os donos da terra estamos sofrendo." "O presidente deveria pegar esse dinheiro e dar emprego para o povo, porque festa não enche barriga de ninguém."
 
Daniel Thame, jornalista.
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