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O Que ACM Vai Dizer...
A renúncia do senador Antonio Carlos Peixoto de Magalhães é líquida e certa, por mais que ele desminta. O texto está pronto, feito com a ajuda de publicitários já de olho na campanha de 2002, onde ACM encenará o papel de opositor ferrenho do governo de Fernando Henrique, sempre dando a impressão de que nunca fez parte dele. A estratégia é se colocar como o paladino da defesa da Bahia contra FHC, como se o governo federal perseguisse o estado inteiro ao se afastar de ACM. Aliás, a Bahia será citada em todo o discurso, com frases de efeito como "jamais abandonarei a Bahia" ou "entre o governo federal e a Bahia, fico com a Bahia." Grande ator político, ACM vai alternar entre o discurso violento contra "a corrupção do governo" e momentos de ternura falando da Bahia e de Luis Eduardo Magalhães, novamente tentando explorar o cadáver em seu benefício político. Quem conheceu LEM sabe do abismo de diferença de caráter e personalidade entre os dois e o porque de se chamar de "explorar o cadáver". ACM vai afirmar que "é estranho" que a violação do painel do Senado tenha vindo à tona justamente quando ele iniciava ataques ao governo FHC. Talvez pela idade, o senador esquece que foi sua boca grande, alardeando para três promotores federais que tinha a lista da votação do Senado, que detonou todo o processo atual. ACM sempre gostou de arrotar segredos, informações privilegiadas que só ele possuía, como forma de auto-afirmação de sua importância política. O argumento seguirá dizendo que ele está sendo perseguido porque resolveu denunciar a corrupção do governo FHC e lutar contra a pobreza. Novamente, falha a memória de ACM, responsável pelo comando de bastidores não só dos seis anos do governo Fernando Henrique, como dos governos de Fernando Collor e José Sarney, incluindo a compra de votos, os acordos secretos, as obras ganhas por empreiteiras amigas, as concessões de rádio e tv, o escândalo da NEC/Globo, as contas fantasmas da TV Bahia no Citibank, só para citar alguns. Diga-se de passagem, foi ACM quem comandou o setor energético desde a época de Sarney, quando foi presidente da Eletrobrás. De lá para cá nomeou todos os ministros do setor, exceto na época de Itamar Franco. Se FHC quer encontrar o culpado pela crise energética, basta olhar para o Senado. Sobre a pobreza, nada fala mais alto que o estado de miséria em que se encontra o estado da Bahia, "possuído" por ACM e seus marionetes nos últimos 30 anos, com exceção de 4 da oposição, sabotada via bloqueio de verbas do governo federal e controle da midia no estado. A Bahia é um dos estados com maior concentração de pessoas vivendo abaixo do nível de pobreza, de pessoas analfabetas e de mortalidade infantil. E tem a renda per capita entre as piores do Nordeste. Sobre o processo de cassação, ACM vai começar dizendo houve pré-julgamento, besteira desmentida ao vivo pela tv Senado durante todo o período de apuração. Vai afirmar que não teve chance de defesa. Chega a ser ridícula a afirmação depois de meses de investigação, acareação, depoimentos, "memoriais" enviados por seus advogados, centenas de declarações suas na midia, etc. Dirá que não há motivos para cassação, pois "em momento algum" foi provado que ele pediu pessoalmente a Regina Borges a lista de votação. Está certo. E também errado. Não é por isso que ACM deve ser cassado. É por esconder um crime grave cometido por um senador e uma funcionária do Senado. É por mentir várias vezes sobre assunto do Senado dentro e fora dele. É por destruir a prova de um crime cometido dentro do Senado. É por caluniar uma senadora, Heloísa Helena. Apesar do que se pensa, Luiz Estevão não foi cassado pelas denúncias de corrupção que existiam contra ele, e sim porque mentiu no plenário do Senado. Como Arruda. Como ACM. É o que basta. Finalmente ACM vai se vangloriar de seu curral eleitoral, afirmando que "a Bahia" exige que ele renuncie para poder ser eleito ao governo do estado ou de volta para o Senado. "A Bahia me quer," dirá o futuro ex-senador. "A Bahia me dará o cargo que quiser, porque a Bahia está comigo." Não sei se a Bahia o quer. A minha Bahia, a Bahia dos homens sérios, a Bahia da imprensa livre de cabrestos, a Bahia dos estudantes conscientes, a Bahia dos empresários sedentos de liberdade, a Bahia de Ruy Barbosa com certeza dispensa a opção. Mas talvez ACM tenha se referido à Bahia de Zélia Gattai, de Gal Costa, das empreiteiras, da Rede Bahia... |
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