Terezinha de J. Moreira
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Algumas reflexões
Os escândalos que rechearam a mídia brasileira ultimamente,
quando se comemoram os 500 anos do descobrimento do Brasil, permitem-nos
fazer algumas reflexões acerca dessa realidade, da frustração
que absorve o cidadão comum e de nossas perspectivas enquanto sociedade.  
A primeira é sobre a nossa frágil democracia. É
importante lembrar que a simples escolha de representantes para quaisquer
cargos nas instituições não exclui os demais cidadãos
da responsabilidade pelos destinos da nação. Na verdade,
a essência da democracia é o exercício da cidadania,
e uma não sobrevive sem a outra.
 
Os políticos por sua vez, são fruto da sociedade. O famoso
slogan "Rouba mas faz" expõe o perfil de uma sociedade viciada em
migalhas despendidas por um poder público sórdido e podre.
Um povo que aceita passivamente a condição de submisso, quando
deveria estar subordinado ao poder constituído, e se coloca impotente
frente a ele.
 
Escândalos como o de São Paulo servem para derrubar mitos,
como o de que Maluf é corrupto, mas é bom administrador,
e expor redes de corrupção comuns em qualquer cidade do interior
do país, das quais apenas a mídia "não sabia". Todavia,
esses fatos mostram sobretudo que necessitamos urgente renovar o quadro
político brasileiro.
 
Nesse momento, não adianta fugir da responsabilidade com a desculpa
de que não há políticos honestos. Precisamos FAZÊ-LOS
honestos. Mostrar-lhes que não aceitamos mais os velhos truques,
as trapaças e roubalheiras que sempre marcaram a política
nacional. Que tal começarmos exigindo que eles prometam o que NÃO
FARÃO (não desviar verbas, não roubar, não
empregar parentes...) para que eles possam, quem sabe, realizar um pouco
do que gostaríamos?
 
Reduzir a distância entre o cidadão comum e o político
é fundamental para mudar essa relação, e acabar com
a atual ditadura econômica. Não precisamos de tapinhas nas
costas, favores e brindes de campanha, mas de pessoas que tenham um passado
claro, de trabalho, que tenham transparência em suas ações
e sejam capazes de nos prestar conta de seus mandatos. Não nos iludamos,
apenas com pessoas melhores faremos instituições melhores,
e por tabela, uma sociedade melhor.
 
O terceiro milênio está apenas começando, mas a
famosa "Lei de Gerson", aquela de levar vantagem em tudo, está ultrapassada.
A falta de ética, a desonestidade, a degradação social
e do meio-ambiente não cabem mais em nossa história. Políticos
corruptos devem ser afastados dos cargos, punidos, e jamais serem reeleitos.
Não podemos conviver com a corrupção como se ela fosse
um mal necessário. Pagamos muito caro por isso.
 
Democracia se constrói com consciência, e a responsabilidade
é de todos nós. Está mais que na hora de o verdadeiro
povo brasileiro assumir os destinos do país. Afastar do poder a
elite que nos dominou nesses 500 anos de exploração, não
é tarefa fácil, porém não é impossível,
afinal ninguém engana todo mundo o tempo todo. E não precisamos
virar super-heróis para mudar o curso da história, basta
exercer o direito de cidadão.
 
A propósito, as novas gerações não aceitam
a inércia e a passividade. Estão mais conscientes da efetividade
de sua participação na construção de uma nova
sociedade. Podemos reaprender com as crianças a resgatar nossa autoconfiança,
pois não precisamos de salvadores da pátria, mas apenas de
pessoas honestas e sinceras, para juntos fazermos, nos próximos
séculos, um Brasil melhor para os brasileiros.
 
Terezinha de J. Moreira, Bancária e pós-graduanda em Economia de Empresas pela Uesc (BA).
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