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"É profissão de fé resolver problema do cacau"
diz Lula durante o ato de lançamento do PAC do Cacau, na noite de sexta-feira 9, em Ilhéus, acrescentando que veio ao sul da Bahia anunciar “um desejo de muitos anos do produtor de cacau”. lula
      O presidente Luis Inácio Lula da Silva lançou o programa que destina R$ 2,54 bilhões para a região em oito anos e equaciona as dívidas do produtor na praça Dom Eduardo, onde chegou por volta das 18h10.
      Um grande público o aguardava. Ele anunciou os recursos para a lavoura e lembrou o sofrimento do produtor de cacau, que acumula dívidas de quase R$ 1 bilhão.
      Na praça tomada por caravanas de quase uma centena de municípios, o presidente ressaltou o esforço dos governos federal e estadual para lançar o PAC do Cacau. Lula foi bem aplaudido, ao contrário do ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima (confira box).
      Antes de fazer um discurso contra as vaias a Geddel, Lula abordou os R$ 7 bilhões dos PACs de Saneamento e Habitação na Bahia e a medida provisória da renegociação da dívida dos produtores, que será votada nos próximos dias pelo Congresso Nacional.
      A medida provisória do cacau será publicada em separado do restante da dívida agrária de R$ 76 bilhões. A dívida do cacau, garantiu, foi discutida em “condições especiais”. Lula disse que saía de Ilhéus de “alma lavada” ao lançar o PAC do Cacau.
      Diante do público, o presidente afirmava que aquela era “uma noite consagradora”.
      A comitiva presidencial era integrada pelos ministros Dilma Roussef (Casa Civil), Geddel Lima (Integração Nacional) e Guilherme Cassel (Desenvolvimento Agrário); o governador Jaques Wagner e o secretário de Agricultura Geraldo Simões.
      Também vieram vários deputados federais, como Raymundo Veloso, citado várias vezes nos discursos, Alice Portugal, Lídice da Mata e Walter Pinheiro; estaduais como Fábio Santana e Ângela Souza.
     
      Bom humor
      O presidente Lula divertiu o público com tiradas de humor, como quando afirmou que passou fome na visita a Bahia e, às 20h, ainda não havia almoçado porque o governador Wagner estava “economizando para o PAC do Cacau”.
      “Só comi uma cocada de cacau, que estava deliciosa, no aeroporto,” uma referência a um kit de produtos grapiunas presenteado a Lula, quando ele desembarcou, pelas empresas Morena FM, jornal A Região e agência Costa do Cacau (veja box).
      Lula aproveitou a multidão para desfilar números da economia brasileira e do seu governo, citando dados da construção civil, “que cresce depois de 26 anos” e as reservas de quase US$ 200 bilhões.
      Também lembrou das vantagens do trabalhador nos acordos salariais (90% com ganho real), o aumento real de 50% do salário mínimo, os investimentos em ensino. “O Brasil teve 140 escolas técnicas em 90 anos. Nós, inauguraremos 214 escolas em apenas oito anos”.
     
      Jaques Wagner
      O governador da Bahia, Jaques Wagner, anunciou durante a solenidade de lançamento do PAC que o governo baiano aportará recursos da ordem de R$ 105 milhões para assegurar a renegociação da dívida e garantir acesso a dinheiro novo para o produtor.
      A mudança de mentalidade do cacauicultor foi um dos pontos abordados pelo governador. “Não queremos apenas produzir amêndoas de cacau, queremos o processo verticalizado em pequenas e grandes fábricas de chocolates”.
      O governador tratou de ponderar quanto às críticas de produtores ao PAC do Cacau. “O ideal não existe na democracia, existe o possível”. Durante a solenidade, Wagner ainda citou investimentos na região, como o Porto Sul, a ferrovia Oeste-Leste e o novo aeroporto.
      Segundo o governador, os investimentos em Ilhéus estão sendo pensados para “além do turismo, para além do pólo de informática, para que Ilhéus e toda a região voltem a brilhar”.



Também é notícia em A Região
encontro jucara Eleição na pauta
Um encontro na quinta-feira reuniu vários partidos para discutir as eleições deste ano e as necessidades de Itabuna. No evento, a pré-candidata a prefeita pelo PT, Juçara Feitosa, recebeu o apoio das lideranças presentes e sugeriu a recuperação dos bairros e da saúde como as prioridades para 2009.


Multidão vaia Geddel e gera mal-estar no evento
de lançamento do Plano de Desenvolvimento e de Diversificação Agrícola da Região Cacaueira (PAC do Cacau). Bastou o prefeito de Ilhéus, Newton Lima, citar o ministro Geddel Lima para surgirem as primeiras vaias. geddel
      Elas se seguiram em todos os discursos quando o nome do ministro era citado e somente foram dissipadas durante uma forte reprimenda do governador Jaques Wagner.
      “Aqui estão aqueles que enxergaram o futuro. Isso aqui não é palanque eleitoral. Nossas diferenças a gente tira em outro lugar, em outro momento. Hoje é dia de festa”.
      O que havia começado como manifestação de uma claque petista acabou ‘entoada’ por quase todo o público que compareceu ao lançamento do PAC do Cacau. As vaias eram, em parte, uma resposta aos ataques de Geddel ao secretário estadual Geraldo Simões.
      No ano passado, o ministro havia receitado Lexotan para Geraldo ao ‘diagnosticar’ que o petista estaria nervoso com o lançamento de uma candidatura peemedebista em Itabuna. Desde a convenção do PMDB, em novembro, os ânimos se acirraram.
      As vaias de petistas e comunistas em Ilhéus ficaram mais fortes e foram seguidas pelo público quando Geddel foi anunciado. Ele preferiu o confronto com a platéia e conseguiu atrair a rejeição de grande parte. “Aqui estão os que falam e os que uivam”, alfinetou.
      Irônico e sem poder falar, Geddel ainda apelou para o secretário Geraldo Simões. “Geraldo, minhas homenagens a você, para ver se o povo deixa a gente falar”. A provocação foi novamente seguida de estrondosa vaia.
     
      Desagravo
      Já sentado, Geddel gesticulava bastante e reclamava da platéia com a ministra Dilma Roussef e o presidente Lula, apontando para Geraldo. Para evitar um acirramento de ânimos, tanto o presidente Lula como Wagner fizeram uma espécie de desagravo a Geddel.
      Os dois pensavam em governabilidade. Além de pedir respeito à presença de Lula, Wagner afirmou que os adversários não estavam ali no palanque e que a disputa eleitoral fica para outubro.
      As vaias se tornaram quase o assunto principal do evento, que destina R$ 2,542 bilhões para a lavoura cacaueira. O presidente Lula lamentou as manifestações da platéia e lembrou que “a imprensa não publica aplausos”. E emendou: “uma vaia vale a manchete”.
      O presidente ressaltou que as vaias eram decorrentes das disputas locais em Itabuna e Ilhéus, mas ressalvou que “nessa disputa de olho por olho, dente por dente, todo mundo pode ficar cego”. E pediu à imprensa que a manchete de hoje não fossem as vaias, e sim o PAC.


Geraldo diz que planos eram político-eleitorais
e apenas ajudaram os últimos quatro governos estaduais e a eleger diversos prefeitos, “sem resolver o problema do produtor”. publico
      O secretário estadual de Agricultura, Geraldo Simões, foi anunciado como o coordenador estadual do PAC do Cacau e disse que os outros planos lançados foram “pior do que doença”, pois os créditos eram liberados em condições desfavoráveis para o produtor.
      Os financiamentos para o produtor eram liberados com juros anuais, mais Taxa de Juros a Longo Prazo (TJLP). O resultado foi mais crise, queda abrupta da produção e massa de desempregados formando bolsões de miséria na área urbana.
      O secretário citou que a crise reduziu a produção de 400 mil toneladas anuais para menos de 100 mil. E o número de empregados na lavoura caiu de 400 mil para apenas 110 mil, apesar da lavoura sulbaiana ser responsável pela produção de 70% do cacau brasileiro.
      “Hoje os tempos são outros”, lembrou Geraldo, e se tornou impossível “alimentar 3 milhões de sulbaianos apenas produzindo cacau”. Para ele, é importante a diversificação, com a produção de seringa, dendê e frutas, além de agregar valor ao produto cacau.
      “Plantar para apenas fornecer amêndoas é antigo”, na concepção de Geraldo, que forneceu números que indicam as potencialidades da região, caso passe a investir na agroindustrialização.
      A região gera cerca de R$ 400 milhões com a comercialização das amêndoas de cacau, mas pode aumentar em mais de seis vezes a renda ao produzir chocolate: R$ 2,6 bilhões.
      Somente o governo do estado vai investir na instalação de 20 fábricas de chocolates. “A região que produz mais de dois terços do cacau não tem fábrica de chocolate”.
     
      Veloso
      Representante da cacauicultura, o deputado federal Raymundo Veloso (PMDB) revela o entusiasmo em poder, após pouco mais de um ano de mandato, participar do anúncio da solução para o que tem sido a sua principal bandeira: a recuperação da lavoura cacaueira.
      “Tenho a sensação do dever cumprido, mas este é apenas o primeiro passo para o soerguimento desta região”. O deputado, que veio com Lula no avião presidencial, diz que “nesta luta só há vencedores e não há como personalizar um ‘pai’”.
      Para ele, na verdade, o ‘pai’ do PAC do Cacau “somos todos nós, moradores da região cacaueira, que construímos esta terra com muito suor e trabalho e que por muitos anos, sustentamos o Estado”.
      Veloso destacou que o presidente Lula “faz justiça ao olhar para nós com atenção e respeito”. O deputado criou uma Frente Parlamentar do Cacau, com adesão de 81 deputados e senadores; e fundou a Subcomissão Permanente do Cacau nba Câmara Federal.



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