Uma
mulher da tribo africana de caçadores e extrativistas !Kung experimenta
ao longo de sua vida reprodutiva, de aproximadamente 23 anos, 48 ciclos menstruais.
Vive grávida em média 4 anos e passa 15 anos sem menstruar, amamentando
sua prole. A mulher da sociedade urbano-industrial passa por 380 ciclos ao longo
de sua vida reprodutiva, de 35 anos em média, considerando que a menarca
vem ocorrendo cada vez mais cedo e a taxa de fertilidade não pára
de cair, inclusive nos países em desenvolvimento, lembra o ginecologista
norte-americano Leon Speroff, autor de um dos guias de contracepção
mais lidos pelos ginecologistas.
A
invenção da pílula anticoncepcional, 43 anos atrás,
contribuiu decisivamente para essa mudança. A diversidade atual de contraceptivos
hormonais vem acrescentando outras modificações importantes no padrão
reprodutivo feminino. Além da liberdade básica de evitar a gravidez
eles permitem hoje que as mulheres escolham menstruar ou não, além
de resolver sintomas desagradáveis associados aos ciclos menstruais como
anemia, cólicas intensas e TPM (Tensão Pré-Menstrual). Tal
liberdade é assegurada, ainda, por contraceptivos mais seguros, compostos
de doses hormonais reduzidas.Vinte anos atrás, por exemplo, as pílulas
continham em geral 150 microgramas de estrogênio e 9580 microgramas de progesterona.
Hoje existem anticoncepcionais de 20 e até 15 microgramas de estrogênio
e 60 microgramas de progesterona. As dosagens mais baixas dos anticoncepcionais
atuais significam redução dos riscos de efeitos colaterais para
as usuárias, lembra o ginecologista Nilson Roberto Melo, presidente da
Sociedade Brasileira de Reprodução Humana e professor da Faculdade
de Medicina da Universidade de São Paulo. "A diversidade atual de
métodos, não só do ponto de vista da composição
hormonal mas das vias de aplicação é fantástica para
os médicos. Ela permite melhorar, e muito, a individualização
do tratamento das pacientes", diz ele. São poucas as mulheres que
não se adaptam aos níveis hormonais reduzidos e têm de voltar
a usar contraceptivos mais potentes, segundo Nilson Melo.
A
escolha do método hormonal de contracepção deve levar em
conta fatores como a saúde da usuária, freqüência da
atividade sexual, número de parceiros e a expectativa de ter filhos no
futuro. A eficácia do método e os tipos de efeitos colaterais que
eventualmente ele pode provocar também devem ser considerados. Os contraceptivos
hormonais não devem ser usados por mulheres que tenham história
de câncer de mama na família ou já tiveram a doença,
nem por quem apresenta risco para problemas cardíacos e vasculares. Mulheres
que usam contraceptivos hormonais também são aconselhadas pelos
médicos a não fumar. O cigarro favorece o risco de efeitos adversos
associados a fenômenos tromboembólicos (formação de
coágulos no sangue), principalmente em que tem tendência a desenvolver
o problema. As fumantes de um maço de cigarros por dia, que têm 35
anos ou mais estão particularmente sujeitas a este risco e só devem
usar anticoncepcionais hormonais que contenham baixa dose de etinilestradiol,
de 15 a 20 microgramas.
SILVIA
CAMPOLIM, editora-responsável dos sites ASSUNTO DE MULHER e MENOSPAUSA