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OS
ESPERMATOZÓIDES E O MUCO CERVICAL |
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A
vagina ácida, com nível de pH oscilante entre
2,0 e 4,0 é o principal indicador da saúde genital.
Tal nível de acidez garante o equilíbrio entre
os microorganismos que povoam o meio e nos protegem de doenças.
Curiosamente, esse mesmo nível de acidez é fatal
para os espermatozóides. A maioria dos candidatos ao
solitário óvulo feminino, cerca de 60 milhões
de espermatozóides que são transportados em
uma única ejaculação, em princípio
morrerá na vagina, apesar de protegidos pelo líquido
seminal, ou sêmen, que funciona neste caso como uma
espécie de impermeável contra a acidez ambiente.
Os sobreviventes só atingem o almejado alvo depois
de furar a barreira do muco cervical, que se abre à
sua passagem apenas alguns dias do mês - exatamente
durante o período fértil. Confira abaixo as
mudanças que concorrem para que essa disputa feroz
que é a reprodução tenha êxito.
As informações foram extraídas do livro
A História da V, a escritora inglesa Catherine Blackledge
(Editora Degustar, São Paulo, 2004):
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ESPERMATOZÓIDES
E PH VAGINAL |
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A ejaculação
eleva o pH vaginal para níveis mais alcalinos, entre
5,5 a 7,0. Tal mudança torna a flora vaginal mais receptiva
aos espermatozóides. A elevação, porém,
é temporária. Em menos de duas horas os lactobacilos
reassumem o comando da flora vaginal restaurando o pH favorável
à saúde vaginal.
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ESPERMATOZÓIDES
E MUCO CERVICAL |
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| Uma vez dentro
da vagina e depois de sobreviver às condições
ácidas do local e às células de defesa presentes
na flora, se não forem expulsos do ambiente junto com o líquido
seminal (o ejaculado) que escorre para fora da vagina, os espermatozóides
enfrentam o muco cervical. Produzido principalmente nas glândulas
alojadas acima da cérvix, a entrada do útero, o muco
forma uma espécie de tampão, vedando completamente o
acesso à região cervical. É desse patamar que
escorre em colunas em direção à vagina, ininterruptamente,
dando vazão a 20 até 60 mg de muco por dia e levando
para fora da vagina, na "enxurrada", os espermatozóides
mais resistentes. |
ESPERMATOZÓIDES
E DIAS FÉRTEIS |
Durante o período
fértil, entre dois e três dias antes da ovulação
até 24 horas depois desta o muco cervical sofre drástica
alteração, tornando-se verdadeiro aliado dos espermatozóides.
Visualmente, como se sabe, ele muda de consistência, brilho
e cor - de uma massa viscosa, opaca e leitosa se torna uma substância
sedosa e particularmente elástica, alongando em fios de 2,5
cm, em média, até sete a dez cm. Adquire assim aparência
translúcida e brilhante, à semelhança da clara
de ovo, como é conhecido. A produção também
aumenta nesta fase do ciclo, para 600 mg por dia e é acompanhada
de mudanças na região cervical. A boca do útero,
denominada cientificamente de óstio, se abre cerca de quatro
mm, de 24 a 48 horas antes da ocorrência da ovulação.
Os espermatozóides que tiverem sorte de dar nas proximidades
de uma das colunas desse muco cervical alterado, da metade do ciclo,
são aspirados para dentro de sua estrutura. As contrações
uterinas se encarregam, então, de puxá-los para dentro
do útero.
Os níveis de hormônio em circulação são
os principais responsáveis pelas alterações na
estrutura desse muco facilitador da escalada dos espermatozóides.
O aumento nos níveis de estrógeno nos dias que precedem
a ovulação modifica o alinhamento dos fios, dispondo
paralelamente suas longas moléculas de mucina (a proteína
que forma a matéria prima do muco), daí os filamentos.
Estes formam uma estrutura em canais por onde os espermatozóides
viajam até o útero. Essa configuração
particular se dissolve completamente após a ovulação,
com o aumento dos níveis de progesterona, o outro hormônio
produzido na segunda fase do ciclo. E os filamentos voltam a embaralhar-se
em uma trama que os espermatozóides não mais conseguem
atravessar.
Espermatozóides e processo seletivo - estudos recentes vem
indicando o papel seletivo do muco alterado, do período fértil,
no processo de concepção. Os tais canais ou filamentos
paralelos por onde trafegam os espermatozóides seriam extremamente
finos, menores do que a cabeça de um espermatozóide,
que seria forçado assim a esbarrar no muco de tal forma como
se passasse por um filtro biológico, que facilitaria a viagem
dos espermatozóides com formato normal daqueles com anomalias
morfológicas. Os pesquisadores estariam ainda tateando acerca
de hipóteses como essas, mas a meta é entender em breve
como o chamado "trato genital feminino", incluindo o muco,
seleciona dentre os pretendentes aquele que vai fecundar o solitário
óvulo. |
ESPERMATOZÓIDES
E PROCESSO SELETIVO |
| Estudos recentes
vem indicando o papel seletivo do muco alterado, do período
fértil, no processo de concepção. Os tais canais
ou filamentos paralelos por onde trafegam os espermatozóides
seriam extremamente finos, menores do que a cabeça de um espermatozóide,
que seria forçado assim a esbarrar no muco de tal forma como
se passasse por um filtro biológico, que facilitaria a viagem
dos espermatozóides com formato normal daqueles com anomalias
morfológicas. Os pesquisadores estariam ainda tateando acerca
de hipóteses como essas, mas a meta é entender em breve
como o chamado "trato genital feminino", incluindo o muco,
seleciona dentre os pretendentes aquele que vai fecundar o solitário
óvulo. |
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