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Sem a associação com o exame clínico dos seios por profissional treinado e sem a mamografia periódica, o auto-exame não vai ajudar a reduzir a taxa de mortalidade de mulheres afetadas pelo câncer de mama, estabelece o último consenso sobre a evolução dessa doença no país, elaborado em novembro de 2003 pela área de Saúde da Mulher do Ministério da Saúde e pelo INCA, com a ajuda de profissionais de saúde, pesquisadores, gestores de instituições especializadas na assistência à saúde feminina e entidades de defesa dos direitos da mulher. O documento não desconsidera o auto-exame como procedimento importante para a conscientização da mulher sobre a saúde das mamas, mas recomenda que ele seja sempre associado a outras medidas preventivas como a visita a um profissional especializado e o exame de mamografia. Todas as mulheres com mais de 40 anos de idade devem fazer o exame clínico das mamas ao menos uma vez por ano, além de uma mamografia a cada dois anos. Já as mulheres entre 50 e 69 anos devem fazer a mamografia anualmente, além do exame clínico. Mulheres com histórico familiar de câncer de mama, de parente de primeiro grau (mãe ou irmã), devem fazer o exame clínico associado com a mamografia a partir dos 35 anos, recomenda o Consenso.
O câncer de mama é o tipo de câncer que mais mata as brasileiras. Em 2003, foram registrados 41.610 novos casos e 9.335 morreram por causa da doença. As recomendações do consenso brasileiro foram influenciadas por estudos internacionais recentes, entre eles, por uma pesquisa feita na Rússia com 100 mil mulheres, entre 1985 e 2003, pelo mastologista Vladimir Semiglazov e apresentada no 4º Congresso Europeu sobre o Câncer de Mama, realizado na Alemanha, em meados de março deste ano. O estudo constatou que o auto-exame, isolado, revelou-se contra-producente. Além de não contribuir para reduzir a mortalidade entre as mulheres pesquisadas, ele aumentou a ansiedade do grupo submetido somente a esta técnica e multiplicou o número de consultas ao médico.
Para as sociedades de mastologia, as recomendações do consenso não representam novidade. O auto-exame não é considerado isoladamente uma ferramenta eficaz para a detecção do câncer de mama, lembra o mastologista do IBCC (Instituto Brasileiro de Combate ao Câncer) Adalgir D'Alessandro. Mas o médico adverte que ele ainda é um procedimento crucial para conscientizar as mulheres sobre a prevenção da doença: "Apalpar e examinar os seios atrás de sinais suspeitos ou de quaisquer irregularidades é uma medida importante para prevenir o câncer de mama", diz D'Alessandro. Na sua opinião, as mulheres não devem abandonar essa prática. "Muitas vezes conseguimos diganosticar lesões pré-malignas ou outros sinais que nos servem como marcadores de futuras suspeitas da doença por causa desse cuidado das mulheres, que vêm ao consultório exatamente porque notaram diferenças no auto-exame das mamas."
O estudo russo foi apresentado durante o 4º Congresso Europeu sobre o Câncer de Mama, realizado na cidade de Hamburgo (Alemanha), por Lars Holmberg, professor do Centro Oncológico Regional de Upsala (Suécia) e presidente da conferência. Ao expor os resultados da pesquisa, Holmberg fez questão de ressalvar que o auto-exame das mamas continua importante, tanto quanto a observação de partes do corpo como a pele, para a detecção de alterações de textura, aparência ou outros sinais. Não se pode, entretanto, considerá-lo suficiente para substituir a mamografia quando se quer detectar precocemente este tipo de câncer que mais atinge as mulheres no mundo todo.