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O processo que encerra a
fase reprodutiva das mulheres é lento, mas começa cedo. Por volta
dos 35 ou 37 anos já é possível observar diminuição
na fertilidade. Depois dos 40 anos a mulher não mais ovula todos os meses.
Estudos indicam que a taxa de fertilidade cai 3% ao ano, em média, durante
o climatério - como os médicos denominam o período de alterações
hormonais que as mulheres experimentam e que se prolonga, em geral, dos 40 anos
até os 55 ou 60 anos. O desequilíbrio nos níveis de estrogênios
em circulação no organismo feminino pode produzir sintomas desagradáveis
até dez anos antes da última menstruação, mesmo de
forma leve, mas é a partir dos 45 anos, em geral, que seus efeitos começam
a se fazer notar. Daí o termo cunhado pelos médicos para caracterizar
esta fase de transição como perimenopausa (em torno da menopausa).
Com o desaparecimento gradativo dos folículos ovarianos, característica
dessa fase do climatério, reduz em 50% as chances de ovulação
a cada ciclo e dá origem a um circuito de erros na produção
hormonal. A produção de progesterona se torna irregular e os níveis
de estrogênio estradiol em circulação no organismo podem aumentar
ou cair drasticamente. Os
sintomas decorrentes dessas alterações são ciclos mais curtos,
aumento de fluxo ou de intervalo entre as menstruações à
ausência de um ou mais períodos menstruais ao longo do ano. Tais
manifestações podem ou não ser acompanhadas de outros sintomas
desagradáveis como instabilidade emocional, dor de cabeça e inchaço
das mamas ou retenção de líquido e aumento do peso corporal,
característicos da tensão pré-menstrual. Algumas mulheres
chegam a ter experiência de calores leves no período pré-menstrual,
lembra a ginecologista Lúcia Helena de Azevedo, especializada em climatério
e professora da Faculdade de Medicina do ABC paulista. O ritmo da oscilação
dos níveis hormonais bem como a sensibilidade de cada mulher são
os fatores responsáveis pela manifestação maior ou menor
desses sintomas, ela esclarece. "Os métodos hormonais de contracepção
podem atenuar essa experiência dos sintomas, além de prevenir a gravidez
indesejada", acrescenta Azevedo. Mas
a escolha do que é melhor para você depende de avaliação
médica, ressalva a ginecologista. "Cada caso é único
quando se trata do uso de métodos hormonais contraceptivos", diz ela,
considerando a contra-indicação de anticoncepcionais hormonais em
casos de doenças metabólicas como hipertensão, problemas
cardiovasculares e diabetes fora de controle bem como histórico familiar
importante de câncer de mama. A ginecologista também não recomenda
o implante de progestogênio para esta fase da vida, por causa de efeitos
adversos como sangramentos irregulares, produção de acne, dor nas
mamas e aumento de peso, além de instabilidade emocional. Menos de 30%
das usuárias do implante param de menstruar com o método. Para
quem não quer saber de hormônios o DIU de cobre é uma opção
eficaz nesta fase, mostra a experiência de consultório da dra. Lúcia
Helena de Azevedo. "Ele tem efeitos adversos, que desagrada muito às
mulheres, como cólicas ou produção de fluxo abundante, mas
que podem ser controlados", diz a médica, que usa antiinflamatórios
para tratar as pacientes tais sintomas. Confira
a seguir as opções existentes segundo a indicação
da ginecologista e converse com seu médico sobre elas, levando em conta
suas necessidades, tipo de vida sexual e condições de saúde. |
| Os
dois podem ser usados por mulheres saudáveis até os 50 anos. Mulheres
que apresentam diabetes supercompensado, o que significa sob total controle, poderiam
candidatar-se ao método trimestral. O injetável mensal produz sangramento
e não é indicado para quem tem mioma ou endometriose. O injetável
trimestral tem o efeito de levar a maioria das usuárias à amenorréia,
como se chama a ausência de menstruação. Cerca de 60% das
mulheres que utilizam o método param de menstruar depois de seis a oito
meses. Mas podem ocorrer spots, como os ginecologistas denominam as manchas ou
escapes de sangue fora de época. A amenorréia se deve a progesterona,
o único hormônio do injetável trimestral. Ele impede o espessamento
do endométrio, a camada que reveste internamente o útero, ao obstruir
o processo de multiplicação celular ou hiperplasia, um problema
que afeta muitas mulheres na perimenopausa e é causa de sangramentos abundantes
e fora de época.
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