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AS DOSES MÍNIMAS PARA EVITAR A GRAVIDEZ

A preocupação de reduzir os efeitos indesejáveis das pílulas e aumentar seus benefícios, como o alívio de sintomas desagradáveis associados aos ciclos menstruais, entre eles anemia, cólicas intensas e TPM (Tensão Pré-Menstrual) deram origem a um número maior de produtos e formulações. O desenvolvimento de anticoncepcionais orais multifásicos, cuja dosagem de componentes hormonais (tanto de estrogênio quanto de progestogênio) varia ao longo do mês são outro aperfeiçoamento, de uma década atrás, que melhorou a eficácia da contracepção do ponto de vista dos efeitos colaterais nas usuárias.

Mulheres em idade de ter filhos, que menstruam regularmente, mas não querem engravidar estão tendo hoje a oportunidade de usar os níveis mais baixos de doses hormonais da história dos anticoncepcionais, lembram os médicos. "Estamos provavelmente perto das menores doses de hormônio que podem ser empregadas sem comprometer a eficácia desse tipo de medicação", afirma a ginecologista Cristina Stephan, consultora do Assunto de Mulher e uma das responsáveis pelo atendimento das dúvidas da seção Converse, que recomenda às mulheres adultas saudáveis a utilização das pílulas de baixa dose para evitar a gravidez. Elas são comercializadas em cartelas de 24 comprimidos com pausa de quatro dias, enquanto os anticoncepcionais de dose normal são comercializados em cartelas de 21 comprimidos com pausa de sete dias.

Antes de usar qualquer anticoncepcional é preciso consultar um ginecologista e conversar a respeito da dosagem e o tipo de medicação mais adequado a seu caso. Não custa insistir nisto! Sair tomando pílula por conta própria, depois de conversar com amigas pode ser prejudicial à sua saúde e bem estar. As pílulas podem produzir efeitos indesejáveis em algumas usuárias. Existem mulheres, por exemplo, que apresentam manchas na pele, denominadas melasmas, como reação ao etinilestradiol, o estrogênio sintético usado nos anticoncepcionais. Tal efeito pode ser evitado com o uso de fotoprotetor sob o sol e ambientes com luz fosforescente, a iluminação típica de prédios de escritórios. A proteção do filtro deve ser renovada a cada três horas por essas usuárias, o que exige certo trabalho, mas é a única forma de impedir o aparecimento das manchas. Anticoncepcionais hormonais podem produzir também microvarizes e celulite em algumas usuárias, dependendo da suscetibilidade a esse efeito. A pele em geral melhora com o uso de contraceptivos hormonais combinados, que contém estrogênio e progesterona.

Mulheres que usam medicação anticonvulsivante à base da substância fenitoína devem usar anticoncepcionais de dose mais elevada ou trocar o tipo de anticonvulsivante para não ter de aumentar a dose do anticoncepcional, informa a ginecologista Cristina Stephan. A fenitoína interfere na ação dos anticoncepcionais hormonais. Os medicamentos que interferem no funcionamento normal do intestino, diminuindo a motilidade ou alterando o pH intestinal, caso dos antibióticos como a penicilina e a tetraciclina também podem reduzir ou comprometer a ação dos anticoncepcionais, ao contribuir para a eliminação rápida das substâncias hormonais. Mas como o uso desses medicamentos é recomendado em geral por um período curto de tempo, vale mais a pena associar o uso da pílula de baixa dose com outro método como a camisinha do que trocar a dosagem do contraceptivo durante o tratamento de alguma infecção.

Quem padece com a desagradável TPM, mas não quer iniciar um tratamento específico para acabar com as crises tem a opção de suspender a menstruação com o uso contínuo de anticoncepcionais, o implante ou a injeção trimestral. A maioria das mulheres pára de menstruar com essas alternativas. As que sofrem particularmente com a retenção de líquidos antes e durante a menstruação e de inchaço e sensibilidade nas mamas tem a opção de um novo progestogênio, denominado drospirenona, que impede esse efeito. Existem opções de medicação que diminuem as cólicas pela ação da progesterona que os contraceptivos contém.

O anel vaginal e o adesivo são mais indicados para mulheres fumantes. A via de administração transdérmica desses dois métodos reduzem o risco de acidentes tromboembólicos - a formação de coágulo no sangue que pode resultar em AVC ou outro acidente vascular. O fato de os hormônios entrarem na circulação sanguínea através da pele ou da mucosa vaginal evita o que os médicos chamam de "primeira passagem" pelo fígado, que ocorre com os anticoncepcionais usados por via oral. O risco de tromboembolismo, principalmente entre as fumantes com mais de 35 anos, é tão preocupante que alguns médicos não recomendam anticoncepcionais a pacientes tabagistas. Tal orientação, porém, não é unânime, atualmente e depende do consenso entre você e seu ginecologista.

Os contraceptivos transdérmicos também são mais indicados para mulheres com problemas gástricos ou que são muito esquecidas. As que têm tendência de alta na taxa de colesterol devem usar anticoncepcionais que contenham progestogênios menos androgênios, derivados da 19-nortestosteronas, que são moléculas desenvolvidas a partir da testosterona e que têm ação progestacional adequada e ação androgênica mínima. Os androgênios são responsáveis por efeitos como aparecimento de acne, pêlos no rosto e acúmulo de gordura no sangue.

O tempo de uso dos anticoncepcionais não interfere na fertilidade, ao contrário do que pensam muitas mulheres. Após três meses da interrupção do uso de qualquer anticoncepcional os ciclos hormonais são plenamente restabelecidos e a ovulação entra em seu ritmo normal. O período que os médicos consideram normal para uma gravidez, com ou sem uso anterior de contraceptivos hormonais, é de um ano.