| A vagina é
um canal que se estende do colo do útero à vulva, diz a definição
do dicionário Aurélio. Muitas mulheres a imaginam como, de fato,
como um canal ou tubo permanentemente aberto e posicionado na vertical em relação
à vulva -- a face externa do genital feminino --, conforme aparece nos
desenhos esquemáticos de anatomia. A
maioria não tem noção de que a vagina é na verdade
um espaço fechado em si mesmo, como um balão vazio, observa o ginecologista
Eliano Pellini, professor do Departamento de Ginecologia da Faculdade de Medicina
do ABC paulista. O médico tem em seu consultório um equipamento
com câmera que permite à paciente acompanhar o exame ginecológico
e ver a vagina em detalhes. "Elas se surpreendem com o contato visual, invariavelmente",
diz ele. Em repouso,
a vagina é uma espécie de túnel fechado, de oito a nove centímetros
de comprimento, mais largo no fundo, junto ao cervix e mais estreito na abertura,
junto à vulva. É feita de tecido muscular, elástico o suficiente
para expandir e contrair quando estimulado e resistir à pressão
da passagem de um bebê de 4 quilos, por exemplo, ou ao atrito de um pênis
de até 25 centímetros. "As mulheres acreditam, erroneamente,
que a vagina é um órgão frágil, sujeito a machucar,
principalmente as mães preocupam-se quando suas filhas manipulam os genitais,
achando que vão ferir os tecidos e provocar infecções",
lembra o ginecologista. "Não deveriam ter tanto receio. O órgão
é muito mais resistente e poderoso do que o pênis, desse ponto de
vista." A
vagina não é um órgão seco e tem defesa própria.
Ela produz uma espécie de película ou filme de líquido, conhecido
como muco vaginal, que mantém vivo seus tecidos internos e ao longo dos
ciclos hormonais também é permeada pelo muco cervical, uma secreção
produzida pelas glândulas do cervix estimulada pela atividade dos hormônios.
Além disso, produz lactobacilos, um tipo de bactéria benéfica
que protege o meio ambiente de germes invasores e bactérias nocivas e as
células de suas paredes são renovadas continuamente, um outro mecanismo
de defesa contra a agentes infecciosos. Internamente,
a parece vaginal é revestida por uma camada de tecido pregueado inigualável
por qualquer outro órgão informa o médico francês Gérard
Zwang, autor do livro O Sexo da Mulher (Editora Unesp, 2000). "A mucosa vaginal
adulta tem pregas em rugas e colunas. As colunas acompanham os dois eixos de entrada
e as rugas desenham zigue-zagues que se superpõem de cima para baixo nas
laterais e espessam às vezes em tubérculos", informa o livro.
Tal textura espessa e carnuda constitui o crivo natural de atrito na penetração,
explica o médico francês. Cerca de 90% dos terminais da rede
nervosa da vagina estão localizados na sua porção inferior,
perto da abertura, o que torna a região especialmente sensível ao
toque bem como às variações de temperatura. A porção
superior do órgão, junto ao cervix, tem bem menos terminações
nervosas e é menos suscetível. Durante a excitação
sexual aumenta muito a circulação sanguínea nas paredes vaginais
e elas ficam maiores ou inchadas de sangue, além de liberar internamente
o fluído lubrificante que torna confortável e prazerosa a fricção
do pênis, dedos ou outros objetos de estimulação sexual em
seu interior. O processo é mais ou menos semelhante ao que ocorre com o
pênis, que aumenta de tamanho por causa do afluxo sanguíneo. As
mulheres queixam-se das complicações que enfrentam com freqüência
na região vaginal, como irritações, coceiras, entre outros
pruridos, recorrendo às vezes a expressão "até parece
que não foi feita para usar", e eis aí um equívoco.
A atividade sexual não melhora nem piora a saúde vaginal da mulher
jovem, desde que observados cuidados elementares como o uso do preservativo feminino
ou masculino, especialmente quando se mantém contato sexual com mais de
um parceiro. Entre os componentes que garantem a saúde vaginal são
importantes também o estilo de vida, que contemple uma alimentação
equilibrada e, de preferência, um cotidiano com pouco estresse emocional. A
experiência do orgasmo faz diferença, no entanto, para a saúde
vaginal da mulher que já passou a menopausa. A vagina é altamente
dependente de estrogênios e tem milhões de receptores desses hormônios
espalhados por seus tecidos. E tende a atrofiar depois da menopausa, quando cai
a produção de hormônios. Esse efeito é mais acentuado
em mulheres que levam vida sedentária e não mantém atividade
sexual, seja com um parceiro ou por meio da masturbação. A experiência
do orgasmo aumenta a irrigação sanguínea dos tecidos de toda
a região pélvica e contribui para tonificar a musculatura local
e do tecido vaginal. Vamos
falar sobre isso nas próximas matérias. Não deixe de acompanhar
esta série especial sobre vagina, do Assunto de Mulher. Afinal, ela tem
tudo a ver com você. |