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SEXO É UM APRENDIZADO A DOIS

Dra. Carmita AbdoO desencontro de emoções entre o casal, com a presença de sentimentos hostis como raiva, ansiedade, depressão ou medo, explica em geral a falta do diálogo, que compromete o prazer sexual. A maioria dos casos de falta de orgasmo sem causa física tem essa origem," observa a dra. Carmita. "É um problema de falta de diálogo, que dificulta o aprendizado sobre o desejo mútuo e o melhor caminho para obtê-lo."

Fazer sexo com prazer sem abrir o coração não é impossível, mas é mais difícil.
Entre os fatores psicológicos que inibem a relação sexual satisfatória estão a rejeição ao parceiro sexual, por sua falta de desenvoltura ou alguma razão emocional como sentimentos de hostilidade para com ele; aversão ao sexo por sentimentos de culpa sobre os próprios impulsos sexuais; inibição para assumir o papel erótico; temor da satisfação plena e perda de controle; medo de engravidar; e, por último, traumas psíquicos. Nada que uma psicoterapia não resolva.

Às vezes as causas tem origem psicológica profunda e é preciso fazer uma terapia individual mais longa, diz a dra. Carmita. A terapia sexual breve, de quatro a seis semanas, funciona nos casos emergenciais que tem origem, por exemplo, em problemas de auto-estima, de falta de comunicação, ou no desconhecimento sobre o próprio corpo. A mulher não consegue dizer como gosta de ser tocada, ou nem sabe. Ou o homem tem uma imagem negativa a respeito de si mesmo e de seus genitais, o que o leva a ter problemas de disfunção erétil.

O CICLO FEMININO E O DESEJO

O ciclo hormonal feminino é outro fator que pode influir sobre o desejo sexual e o prazer e deve ser observado. Diferente dos homens, que produzem testosterona (o hormônio da libido masculina) ininterruptamente a partir da puberdade, a mulher só produz estrogênio, o hormônio estimulante da libido feminina, durante metade do ciclo. Em um ciclo de 21 a 35 dias, com média de 28 dias, o organismo feminino libera estrogênio durante 14 dias após o primeiro dia de menstruação. No final desse período o óvulo está maduro, pronto para ser fecundado, inicia-se o período fértil e a produção de progesterona, o hormônio que prepara o ninho para o ovo, no interior do útero.

Os ginecologistas observam que a progesterona deixa as mulheres indiferentes em relação ao desejo. Não existem estudos científicos comprovando essa ação da progesterona sobre a libido feminina, mas é conhecida sua associação com as flutuações de humor. Algumas mulheres seriam mais suscetíveis do que outras à ação desse hormônio, daí o desinteresse sexual que muitas apresentam na segunda metade do ciclo, na avaliação dos médicos. Os distúrbios hormonais do ciclo sem dúvida prejudicam o prazer sexual, uma vez que produzem uma série de efeitos como transtorno de humor, cólicas terríveis, dores, enxaquecas, enfim, mal estar generalizado.

DISTÚRBIOS HORMONAIS

01 - Uma glândula como pouco mais de 1 centímetro alojada na base do cérebro, chamada hipófise, comanda a produção de hormônios no organismo. Qualquer alteração na hipófise pode afetar a libido.

02 - O excesso ou a queda de produção de hormônios pela tireóide também interferem no desejo sexual, atenuando-o.

03 - Problemas nas supra-renais desregulam a produção de testosterona, uma dos hormônios cruciais estimulante da libido masculina e também feminina.

04 - O desequilíbrio de produção de estrogênios e progesterona com queda nos níveis estrogênios diminui o desejo e a excitação e contribui para o ressecamento vaginal após a menopausa.

A IMPORTÂNCIA DO TOQUE

Para fazer sexo e vivenciar o desejo até o orgasmo é preciso estar disposto a aprender mais sobre o as sensações do próprio corpo. Os médicos e sexólogos tentam orientar as pessoas sobre a participação dos hormônios nesta história, como já vimos, e também sobre a importância de tocar-se para conhecer pontos sensíveis e saber conduzir o parceiro na estimulação destes.

Em todos os órgãos há regiões que concentram mais terminações nervosas e por isso são especialmente vulneráveis às sensações de prazer ou de dor, a começar da pele, lembra a dra. Carmita. O torso da nossa mão, por exemplo, é muito mais sensível ao toque do que a palma da mão. O clitóris e a entrada da vagina até o denominado ponto G (no primeiro terço da parede anterior do canal vaginal), concentram uma malha complexa de terminações nervosas e são particularmente suscetíveis à estimulação. Nos movimentos de penetração o homem deve estimular mais a entrada da vagina do que o fundo, que é pobre em terminações nervosas. A região do ânus é outra área de grande concentração de terminações nervosas e super sensível.

A FISIOLOGIA DO ATO SEXUAL

A relação sexual prazerosa se desenrola necessariamente em quatro fases. A fase do desejo, da excitação, de orgasmo e resolução. O desejo envolve o querer o outro e os pensamentos sexuais que levam a ter vontade de contato. A excitação inclui sensações de prazer com a preparação do corpo para o ato sexual. É o momento da ereção do pênis, nos homens, e da lubrificação da vagina, nas mulheres. O orgasmo é o ponto máximo da relação sexual. Ele ocorre sob a forma de descarga de energia ou da tensão sexual represada nas duas fases anteriores, a qual produz no corpo sensação de prazer intenso. A resolução é a fase de bem-estar e relaxamento proporcionada pelo exercício sexual como um todo.

Em cada uma dessas fases da atividade sexual o organismo produz substâncias químicas que causam mudanças físicas no corpo e abrem caminho à experiência do prazer erótico. Durante a excitação, há liberação de hormônios sexuais (estrógeno na mulher e testosterona no homem). A alta hormonal aumenta a circulação sangüínea e acelera os batimentos cardíacos.Os pêlos eriçam, a pele enrubesce e os órgãos sexuais dilatam, devido a grande concentração de sangue nos vasos que irrigam os tecidos da região. Na mulher, o clitóris e os lábios vaginais incham e a musculatura da entrada do canal se abre. No homem, ocorre a ereção.

OS BENEFÍCIOS DO PRAZER ERÓTICO

No ápice da excitação, entra em ação a endorfina, substância responsável pelas sensações de prazer. É o momento em que as células nervosas do cérebro "descarregam" a energia acumulada, promovendo no organismo a experiência do orgasmo. Na mulher, ele provoca a miotonia, como se chama a contração de tecidos musculares, especialmente na região pélvica, em espasmos involuntários. Algumas mulheres liberam grande quantidade de líquido no momento do orgasmo, semelhante a uma ejaculação seminal masculina. O organismo feminino produz ainda um outro hormônio nesse momento, a ocitocina, que produz contrações do útero, favorecendo a entrada dos espermatozóides.

As mudanças químicas e físicas descritas tormam o sexo uma atividade física que faz muito bem ao corpo. Ele ativa a circulação sangüínea, fortalece a musculatura pélvica --os músculos da bexiga, ânus, pênis e vagina --, deixa a pele com mais viço, melhora o sono e alivia dores de cabeça, de cólicas menstruais ou de origem reumática. O prazer sexual é fundamental ainda para o bem estar psíquico. Na medida em que contribui para descarregar tensões, ele pode aliviar o estresse, melhorar o ânimo e o humor e aumentar a auto-estima.

Dra. Carmita Abdo é médica, professora de psiquiatria e coordenadora geral do ProSex, Projeto de Sexualidade do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo.