ESPECIAL VAGINA
UM BALÃO VAZIO
CONHEÇA O PH DA SUA VAGINA
PERCEPÇÕES SOBRE A VAGINA
CORRIMENTOS VAGINAIS
FAZENDO SEXO COM PRAZER
COMO ENFRENTAR A CANDIDÍASE
GINÁSTICA VAGINAL
CONTRACEPÇÃO VAGINAL
A VAGINA NÃO É SECA
HERPES GENITAL

CONTRACEPÇÃO NA IDADE FÉRTIL
CONTRACEPÇÃO NA PERIMENOPAUSA
CONTRACEPÇÃO NA ADOLESCÊNCIA

GINÁSTICA VAGINAL
As mulheres deveriam se ocupar dessa prática a partir dos 30 anos, segundo os fisioterapeutas. Trabalhar a musculatura pélvica -- a trama de músculos que circundam a vagina e sustentam nossos órgãos internos - é fundamental para evitar problemas desagradáveis mais lá na frente como a incontinência urinária. Ter os músculos da pelve fortalecidos e seus ossos bem posicionados também melhora a experiência do prazer na atividade sexual. O Especial Vagina trata esta semana dos exercícios que fortalecem a musculatura pélvica. Incorpore a série que apresentamos a seguir em sua vida diária e comprove, você mesmo, os benefícios que ela representa.
MUSCULATURA PODEROSA

A musculatura do assoalho pélvico tem a forma de um funil e é composta de músculos de nomes esdrúxulos como elevador do ânus e coccígeos. A vagina, a uretra e o reto atravessam essa trama fechada de músculos para atingir a superfície. As funções fisiológicas são reguladas por músculos esfincterianos também localizados no assoalho. Os feixes musculares saem do osso sacro e do cóccix e fecham a cavidade pélvica sustentando assim os órgãos internos. Quando o osso da bacia e da coluna vertebral estão mal posicionados, essa musculatura cede, ou seja, torna-se flácida, o que altera a posição dos órgãos dentro da pelve. O resultado, com o tempo, é a incontinência. Por isso que os fisioterapeutas recomendam a correção da postura quando tratam de problemas na região. É fundamental manter estável a posição da pelve ao longo da vida e, principalmente, na menopausa.

Incontinência de esforço, de urgência e perda urinária são os três tipos de disfunção produzidos pela flacidez da musculatura pélvica, que podem aparecer nas mulheres ainda antes da menopausa, por volta dos 40 anos. A primeira é a mais comum. A mulher tosse, espirra ou dá uma risada mais forte e o líquido vaza. Na incontinência de urgência a vontade de xixi é tão forte que não dá tempo de chegar ao banheiro. O hábito da micção freqüente ou de adiar muito tempo essa necessidade podem contribuir para essas disfunções. A redução dos níveis de estrogênio na transição para a menopausa acentua o problema em mulheres que não exercitam a musculatura pélvica. As fibras de colágeno (moléculas de proteínas) responsáveis pela elasticidade e firmeza dos tecidos da região diminuem em quantidade, tamanho e qualidade sem os hormônios. A falta de exercícios compromete ainda mais a elasticidade e firmeza desses tecidos musculares que sustentam os órgãos internos da pelve, e o resultado pode ser o prolapso da bexiga (fenômeno popularmente chamado de bexiga baixa) e o enfraquecimento dos músculos esfincterianos.

A malhação incorreta, que não observa o posicionamento ideal dos ossos da região pélvica é um fator de risco para as mulheres mais jovens. Na Europa, 55% das esportistas sofrem com a perda involuntária de urina por causa da prática física inadequada, informam estudos da Associação Européia de Urologia. Existe um teste de Avaliação Funcional do Aparelho Pélvico, o AFA, que define o nível de incontinência com uma pontuação. As terapias para corrigir a disfunção incluem desde o treinamento da bexiga, apoiado por exercícios, ao uso de estímulos elétricos ou de pesos internos, na vagina, para fortalecer o assoalho pélvico, dependendo do grau de incontinência. Cinesioterapia é o termo técnico do conjunto de exercícios para fortalecimento do assoalho pélvico, recomendados a todas as mulheres, especialmente depois dos 30 anos. Eles envolvem movimentos simples, de contração e distensão da musculatura anal, que devem ser repetidos várias vezes ao longo do dia. Outras duas atividades que fortalecem particularmente a musculatura pélvica são a yoga e o balé. A atividade física que combine exercícios aeróbicos e de musculação, feita com a pelve posicionadas corretamente, é a única forma de reverter esse processo de flacidez, que leva a perdas urinárias, em longo prazo.

EXERCÍCIOS
01
Deitada, apoie a cabeça no chão, relaxe os ombros e acomode bem a lombar. Com os joelhos dobrados e ligeiramente afastados, os pés apoiados no chão com o dedão apontando para fora concentre a atenção na região muscular anal. Contraia o ânus como se quisesse fechá-lo, com força, o máximo que conseguir e mantenha, contando até cinco. É preciso bastante empenho para obter resultado com esse exercício. A barriga deve estar relaxada durante toda a série, bem como o bumbum e coxas. Pratique duas semanas, diariamente, fazendo 50 repetições dessa série. Depois, passe para a segunda posição, apresentada na foto a seguir.
02
Acrescente ao exercício essa inovação: coloque uma almofada entre os joelhos e prenda-a para não cair. Não é necessário fazer muita força com os joelhos. Contraia o ânus segurando a almofada, em seguida contraia os dois glúteos como se quisesse colar um no outro, mantenha e conte até 5. Faça 50 repetições diárias, sem esquecer de segurar a contração por cinco segundos a cada vez.
03
Depois de fazer os dois tipos de exercícios deitada, durante dois meses, repita a mesma série também na posição sentada, mantendo a contração por cinco segundos e repetindo 30 vezes cada uma das séries. A prática das duas séries de movimentos, deitada e sentada, deve ser incorporada ao contidiano para o resto da vida por quem quiser manter o tônus da pelve e a saúde genital. Com o tempo e experiência é possível praticar os exercícios da posição sentada a qualquer hora e lugar: assistindo à TV, sentada no carro ou no cinema.
* Consultoria: Mirca Ocanhas, fisioterapeuta coordenadora dos serviços de assistência à incontinência urinária feminina e afecções relacionadas do Hospital do Servidor Público Estadual (HSP-SP) e do Hospital Albert Einstein.