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musculatura do assoalho pélvico tem a forma de um funil e é composta
de músculos de nomes esdrúxulos como elevador do ânus e coccígeos.
A vagina, a uretra e o reto atravessam essa trama fechada de músculos para
atingir a superfície. As funções fisiológicas são
reguladas por músculos esfincterianos também localizados no assoalho.
Os feixes musculares saem do osso sacro e do cóccix e fecham a cavidade
pélvica sustentando assim os órgãos internos. Quando o osso
da bacia e da coluna vertebral estão mal posicionados, essa musculatura
cede, ou seja, torna-se flácida, o que altera a posição dos
órgãos dentro da pelve. O resultado, com o tempo, é a incontinência.
Por isso que os fisioterapeutas recomendam a correção da postura
quando tratam de problemas na região. É fundamental manter estável
a posição da pelve ao longo da vida e, principalmente, na menopausa.
Incontinência
de esforço, de urgência e perda urinária são os três
tipos de disfunção produzidos pela flacidez da musculatura pélvica,
que podem aparecer nas mulheres ainda antes da menopausa, por volta dos 40 anos.
A primeira é a mais comum. A mulher tosse, espirra ou dá uma risada
mais forte e o líquido vaza. Na incontinência de urgência a
vontade de xixi é tão forte que não dá tempo de chegar
ao banheiro. O hábito da micção freqüente ou de adiar
muito tempo essa necessidade podem contribuir para essas disfunções.
A redução dos níveis de estrogênio na transição
para a menopausa acentua o problema em mulheres que não exercitam a musculatura
pélvica. As fibras de colágeno (moléculas de proteínas)
responsáveis pela elasticidade e firmeza dos tecidos da região diminuem
em quantidade, tamanho e qualidade sem os hormônios. A falta de exercícios
compromete ainda mais a elasticidade e firmeza desses tecidos musculares que sustentam
os órgãos internos da pelve, e o resultado pode ser o prolapso da
bexiga (fenômeno popularmente chamado de bexiga baixa) e o enfraquecimento
dos músculos esfincterianos. A
malhação incorreta, que não observa o posicionamento ideal
dos ossos da região pélvica é um fator de risco para as mulheres
mais jovens. Na Europa, 55% das esportistas sofrem com a perda involuntária
de urina por causa da prática física inadequada, informam estudos
da Associação Européia de Urologia. Existe um teste de Avaliação
Funcional do Aparelho Pélvico, o AFA, que define o nível de incontinência
com uma pontuação. As terapias para corrigir a disfunção
incluem desde o treinamento da bexiga, apoiado por exercícios, ao uso de
estímulos elétricos ou de pesos internos, na vagina, para fortalecer
o assoalho pélvico, dependendo do grau de incontinência. Cinesioterapia
é o termo técnico do conjunto de exercícios para fortalecimento
do assoalho pélvico, recomendados a todas as mulheres, especialmente depois
dos 30 anos. Eles envolvem movimentos simples, de contração e distensão
da musculatura anal, que devem ser repetidos várias vezes ao longo do dia.
Outras duas atividades que fortalecem particularmente a musculatura pélvica
são a yoga e o balé. A atividade física que combine exercícios
aeróbicos e de musculação, feita com a pelve posicionadas
corretamente, é a única forma de reverter esse processo de flacidez,
que leva a perdas urinárias, em longo prazo. | EXERCÍCIOS
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| Deitada,
apoie a cabeça no chão, relaxe os ombros e acomode bem a lombar.
Com os joelhos dobrados e ligeiramente afastados, os pés apoiados no chão
com o dedão apontando para fora concentre a atenção na região
muscular anal. Contraia o ânus como se quisesse fechá-lo, com força,
o máximo que conseguir e mantenha, contando até cinco. É
preciso bastante empenho para obter resultado com esse exercício. A barriga
deve estar relaxada durante toda a série, bem como o bumbum e coxas. Pratique
duas semanas, diariamente, fazendo 50 repetições dessa série.
Depois, passe para a segunda posição, apresentada na foto a seguir. |
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| Acrescente ao exercício
essa inovação: coloque uma almofada entre os joelhos e prenda-a
para não cair. Não é necessário fazer muita força
com os joelhos. Contraia o ânus segurando a almofada, em seguida contraia
os dois glúteos como se quisesse colar um no outro, mantenha e conte até
5. Faça 50 repetições diárias, sem esquecer de segurar
a contração por cinco segundos a cada vez. |
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| Depois de fazer os
dois tipos de exercícios deitada, durante dois meses, repita a mesma série
também na posição sentada, mantendo a contração
por cinco segundos e repetindo 30 vezes cada uma das séries. A prática
das duas séries de movimentos, deitada e sentada, deve ser incorporada
ao contidiano para o resto da vida por quem quiser manter o tônus da pelve
e a saúde genital. Com o tempo e experiência é possível
praticar os exercícios da posição sentada a qualquer hora
e lugar: assistindo à TV, sentada no carro ou no cinema. | *
Consultoria: Mirca Ocanhas, fisioterapeuta coordenadora dos serviços de
assistência à incontinência urinária feminina e afecções
relacionadas do Hospital do Servidor Público Estadual (HSP-SP) e do Hospital
Albert Einstein. |
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