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A
vagina não é seca, ao contrário do que muitas
mulheres imaginam e algumas prefeririam. Tampouco é um recipiente
passivo, um simples canal de passagem de espermatozóides
como se pensou durante os séculos. Ela é banhada pelo
muco cervical, como se chama a secreção que a protege
de agentes invasores e, conforme vem sendo descoberto, a faz funcionar
também como um verdadeiro órgão seletivo em
relação aos pretendentes de nosso solitário
óvulo, os espermatozóides. Ao menos é esta
a teoria exposta no livro citado, sobre a História da V,
da escritora inglesa Catherine Blackledge.
A escritora
nos lembra de como o ambiente vaginal é repleto e transbordante
de vida graças ao muco cervical, verdadeira sopa biológica
que alimenta uma variedade de organismos benéficos ao ambiente
como os bacilos de Doderlein, do qual já tratamos neste especial,
na matéria sobre o PH
Vaginal.
A secreção
vaginal normal ou muco é composto de substâncias semelhantes
às do soro sanguíneo: água, albumina (uma proteína
abundante no corpo) e células brancas de origem sanguínea
além de mucina. Ela é translúcida e limpíssima,
pois não transporta subprodutos de excreção
tóxica, como a urina ou as fezes. Apesar de sua importância
e pureza, em muitas culturas o muco é mal visto e erroneamente
considerado como um corrimento. Em alguns países da África
como o Zimbábue, informa o livro a História da V,
a vagina seca é valorizada pelos homens e as mulheres usam
preparações à base de sais e ervas na tentativa
de torná-la seca. Um estudo sobre esse tipo de prática
vaginal, feito no país, revelou que mais de 85% das mulheres
teriam usado ao menos uma vez os sais desidratantes. O resultado
não pode ser mais nefasto para a saúde genital feminina,
conforme descreve Blackledge, em seu livro: "O sexo seco, que
os homens de algumas regiões da África adoram, leva
inevitavelmente a abrasões e rachaduras das paredes vaginais,
o que deixa as mulheres em risco de infecções."
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Fonte
da excitação que molha, nos lubrifica e nos leva a
usufruir o sexo com mais prazer do que riscos o muco é uma
espécie de coquetel de secreções que tem origem
em várias fontes. Encontram-se nele as secreções
das glândulas de Bartolini, localizadas na entrada da vagina,
assim como o produto das glândulas de Skene, hoje identificadas
como glândula prostática da mulher, e conhecida popularmente
como ponto G. Ainda contribuem para o muco os fluidos da lubrificação
vaginal e da descamação natural das células
que revestem as paredes interiores vaginais e, por fim, o sumo que
escorre ao sabor dos ciclos hormonais das trompas de falópio
e do cérvix -- como se chama a entrada do útero.
O muco cervical
desce num fluxo colunar, misturando-se ainda às secreções
uterinas e endometriais, das glândulas sudoríparas
e sebáceas. Estas últimas, produtoras de óleos
e situadas na pele lisa e brilhante dos pequenos lábios e
entre os lábios, foram recém-descobertas pela pesquisa
e ainda são pouco conhecidas, nos conta a autora da História
da V. Não perca a próxima atualização
do Especial Vagina, sobre a participação do muco na
reprodução. Ele tem um papel importante na seleção
dos espermatozóides, os pretendentes do nosso óvulo
solitário.
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