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ENTREVISTA
COM O GINECOLOGISTA DR. DIRCEU HENRIQUE MENDES PEREIRA |
COMO
MANTER O BEM ESTAR O ginecologista Dirceu Henrique Mendes Pereira,
secretário-geral da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana
e especialista em fertilidade pratica a medicina integrativa em sua clínica
em São Paulo, a Profert. O conceito associa aos avanços diagnósticos
da medicina convencional as terapias alternativas como acunputura, homeopatia
e outras técnicas bio-energéticas para tratar a mulher como um todo.
Na entrevista a seguir, ele dá dicas sobre a importância de cultivar
bons hábitos de vida para manter o bem estar e afastar o risco de doenças
de origem hormonal. | |
ONDE
COMEÇAM OS PROBLEMAS DE SAÚDE FEMININOS? |
| DR.
DIRCEU: Na
alimentação sem fibras, que levam o intestino grosso a ficar mais
lento e a não funcionar direito. Entre 50% e 70% das mulheres em idade
fértil apresentam sintomas de disbiose por causa da alimentação
inadequada. A disbiose se caracteriza por obstipação intestinal,
dores abdominais e às vezes diarréia, um conjunto de sintomas que
também é chamado de síndrome do cólon irritável.
Ela pode levar o organismo feminino a um desequilíbrio crônico e
desencadear distorções hormonais. O desenvolvimento de miomas, acompanhados
por tensão pré-menstrual, dor pélvica e sangramento genital
é uma das consequências mais frequentes da falta de harmonia energética
na região pélvica. | COMO
SE DESENROLA ESSE PROCESSO DE DESEQUILÍBRIO ENERGÉTICO E HORMONAL? |
| DR.
DIRCEU:A
ausência de evacuação regular, decorrente da disbiose faz
com que parte dos hormônios femininos que deveria ser eliminada com as fezes
volte para o organismo e sobrecarregue o fígado. Este não consegue
dar conta do trabalho e a conseqüência pode ser um excesso de estrogênio
em circulação no corpo da mulher. Estrogênio em excesso é
combustível ideal para a formação de miomas e de endometriose,
entre outros problemas ginecológicos. | A
PRISÃO DE VENTRE É RESPONSÁVEL POR ESSE DESEQUILÍBRIO
HORMONAL, EM ÚLTIMA INSTÂNCIA? | | DR.
DIRCEU:Nao
só. Outros fatores contribuem. Vou citar os três principais, que
estão na origem, aliás, da própria prisão de ventre:o
consumo em excesso de alimentos industrializados , gordura saturada e a ingestão
exagerada de doces e carboidratos. Os conservantes químicos dos produtos
industrializados levam o organismo feminino à escassez de nutrientes básicos
como as vitaminas do complexo B, selênio, zinco, crômio, magnésio,
manganês, entre outros minerais essenciais. O consumo exagerado de gorduras
saturadas (todas as gorduras sólidas) desregula o metabolismo das membranas
celulares e o complexo receptor de hormônios. Ambos os fatores favorecem
a ação de radicais livres, cuja ação é extremamente
nociva ao equilíbrio energético e hormonal. |
QUANTO
AO CONSUMO DE DOCES? | | DR.
DIRCEU:A
ingestão de "doces" faz aumentar abruptamente os níveis
de glicose no sangue, provocando secreção proporcional de insulina.Com
o passar do tempo, instala-se assim um quadro de hipoglicemia, que pode manifestar-se
como sensação de fadiga ou exaustão, síndrome de pânico,
instabilidade emocional, sudorese, insônia, taquicardia. É como se
o organismo entrasse em estado de emergência, porque o consumo excessivo
de doces exige das glândulas adrenais a secreção extra de
cortisol para repor os níveis de glicose no sangue. No início, as
adrenais tornam-se hiperativas para dar conta do recado, mas com o passar do tempo
podem chegar à exaustão, levando ao desequilíbrio hormonal.
| COMO
ISSO ACONTECE? | | DR.
DIRCEU:A
progesterona é precursora do cortisol. Quando o organismo exige mais quantidade
desse hormônio da adrenal para estabilizar os níveis de glicose,
a progesterona é desviada para essa via metabólica em detrimento
do equilíbrio estrógeno/progesterona. Instala-se a partir dai o
estado de dominância estrogênica - a condição ideal
para o surgimento da tensão pré-menstrual, dos miomas e da endometriose. |
QUE
OUTROS FATORES ESTÃO IMPLICADOS NESSE MECANISMO REGULADOR DA PRODUÇÃO
HORMONAL FEMININA? | | DR.
DIRCEU:Os
xeno-hormônios, que são substâncias químicas presentes
nos agrotóxicos, pesticidas, inseticidas, plásticos, etc. Eles contaminam
os alimentos, a água, os cosméticos e por essa via entram no nosso
metabolismo. A molécula dos xeno-hormônios tem semelhança
com os hormônios esteróides e podem associar-se com seus receptores.
As conseqüências dessa associação são nefastas
para o organismo feminino. Causam uma variedade de disfunções, tais
como alterações menstruais, síndrome da tensão pré-menstrual
(STPM), miomatose, distúrbios cognitivos, entre outros. A maneira de prevenir-se
contra eles, mais uma vez, é manter uma dieta com muita fibra de cereais
e vegetais e fugir do estilo de vida sedentário. |
E
ESTRESSE FÍSICO E EMOCIONAL, QUAIS OS ESTRAGOS QUE ELE FAZ NO ORGANISMO
DA MULHER? | | DR.
DIRCEU:Essas
duas situações debilitam a pessoa do ponto de vista imunológico
e a baixa da resistência acarreta desequilíbrio hormonal ao prejudicar
a bio-síntese de esteróides. O estresse aumenta a necessidade de
produção do cortisol, que como já vimos pode levar as glândulas
adrenais à exaustão além de desviar a progesterona do seu
destino metabólico e de aumentar a resistência periférica
do organismo à insulina, etc. É este o círculo vicioso que
determina a predominância de estrogênio no organismo. Como os distúrbios
hormonais são dependentes do estrogênio, pode-se imaginar as conseqüências
para a saúde feminina da evolução desse processo. Daí
a importância das técnicas de integração corpo e mente,
como a yoga e a atividade física, entre outras, para prevenir o estresse.,
bem como a ingestao de nutrientes específicos para equilibrar a função
adrenal. | E
A HERANÇA GENÉTICA, QUAL O PAPEL QUE ELA DESEMPENHA NO DESEQUILÍBRIO
HORMONAL E SUAS CONSEQUÊNCIAS? | |
DR.
DIRCEU:A
conclusão do projeto genoma certamente foi um passo gigantesco da comunidade
científica para decifrar um sem número de doenças. É
possível que ao final desta década a gênese do mioma possa
estar relacionada com identificação de um ou vários genes.
No entanto, vale lembrar que a influência genética não é
tudo, pois o estilo de vida e o comportamento do ser humano tem um peso maior
na evolução de determinadas doenças. |
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