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AU!
Há quanto tempo vocês estão na cinofilia
nacional? O
pequinês foi incrivelmente popular há cerca de 30 anos atrás
aqui no Brasil, popularidade que se compara a da raça Poodle nos últimos
anos. Assim como vem acontecendo com este, a grande procura fez com que muitas
pessoas se envolvessem com a raça objetivando lucro, e esta acabou perdendo
suas características principais, devido a acasalamentos impensados, miscigenação
e problemas de temperamento e conformação decorrentes (ainda tem-se
a impressão de que os pequineses são agressivos, barulhentos e tem
mau cheiro – algo totalmente alheio aos bons exemplares...). Na última
década a raça tornou-se bastante rara aqui no Brasil entretanto,
desde que nos envolvemos, ajudamos a formar alguns pólos de criação
em outras partes do país, introduzindo a raça ou complementando
o plantel de outros criadores. A raça no momento vai muito bem e o futuro
é promissor! |
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AU!
Além de vocês, qual (ais) outros criadores que se empenham na qualidade
da raça em nosso País? Atualmente nosso plantel é composto de 8 fêmeas e 7 machos. Entre as fêmeas destacam-se Summer – campeã americana e Melhor Fêmea na National Specialty Americana e Westminster em 98, sua irmã Trixie (tbém campeã americana) e AleFer`s Thunder Alley – Reserve Winners Bitch na Especializada que antecedeu a National Americana em 99 (aos 10 meses de idade!). Entre
os machos, além de Dreamer, podemos destacar Thumper (campeão americano
Multi Ganhador de Grupos nos EUA) – que ganhou 31 Best In Shows em 98 e 99 aqui
no Brasil, Thunder (macho preto campeão americano Multi Ganhador de Grupos
e Best In Specialty Show nos EUA), Mike (irmão de Dreamer, cão #
5 da África do Sul em 96 e ganhador de BIS), e o recém adquirido
Am. Ch. Singlewell Ba-Loo, também nascido na Inglaterra (assim como Dreamer
e Mike) que vem complementar nosso plantel. Nossa nova estrela é o filho
de Dreamer, AleFer`s Pekenic, ganhador de Mini BIS na Top Quality do Brasil Kennel
Club em 2000 e que acaba de vencer a classe Bred By Exibitor na National Specialty
Americana, fevereiro de 2001! AU! Na sua opinião qual foi o Melhor Pequinês que vocês já viram ou tiveram notícias? Nacional ou importado. Dreamer
sem dúvida nenhuma! Já vimos a raça ser julgada na Inglaterra,
Europa Continental e Estados Unidos (além de outros países menos
significativos em termos de qualidade e número de exemplares) e posso afirmar
que o melhor que já vimos é Dreamer. Sempre achamos isto muito antes
de sequer sonharmos em obtê-lo; para nós Dreamer representa o absoluto
ideal de tipo, conformação e temperamento. Além de Dreamer
devo dizer que o último vencedor da raça na Westminster – Taeplace
Monet – que também foi o cão número 1 de todas as raças
no Canadá em 2000 também nos agrada muitíssimo. Se
falarmos em termos de padrão – e o que seguimos é o inglês
(país patrono da raça na FCI) – há sim algumas diferenças,
notadamente tamanho – o padrão inglês diz que o ideal não
deve ultrapassar 5 kg (machos) e 5,5 kg (fêmeas) enquanto o americano estabelece
o limite em 7 kg, considerando qualquer peso abaixo deste aceitável (e
desqualificando os que o excederem). Há ainda outros detalhes mas, na realidade,
não se nota diferenças entre os cães apresentados na Inglaterra
e nos EUA, pois o centro da criação mundial ainda é a primeira
e os americanos ainda importam muito do Reino Unido ( e os juízes das exposições
especializadas mais importantes nos EUA são criadores ingleses convidados). Sem
dúvida a Inglaterra, mas mesmo assim a raça está muito bem
representada internacionalmente, basta pensar que o ganhador da National dos EUA
ano passado foi um cão canadense e o deste ano um cão holandês
(ambos de linhagem inglesa). Eventualmente
utilizamos handlers sim. Vania
Breim é responsável pelo treinamento da maioria de nossos pomerânias
e Marcelo Véras apresentou Thumper brilhantemente no segundo semestre de
99, já que estávamos com 3 ninhadas em casa! De qualquer forma tenho
o maior prazer em apresentar meus cães e acredito que a relação
de cumplicidade e amor de um cão e seu dono em pista é quase insubstituível.
Sempre observamos e aprendemos com os profissionais e apresentamos nossos cães
da melhor forma que podemos. Ter uma atitude profissional de apresentação,
bons cães em excelente estado quase sempre se traduz em sucesso em pista,
tanto nacionais quanto internacionais. Na minha opinião, se você
e seu cão se divertem juntos em pista, então tente aprender tudo
o que você precisa para você mesmo apresentá-lo da melhor forma
possível, se, entretanto, você fica muito nervoso apresentando, ou
não se sente capaz, recorra a um handler. E, claro, se seu cão não
gosta de exposições, deixe-o em casa, pois não há
nada pior que ver um cão infeliz em pista. As
influências foram muitas. Nos últimos anos, após muito estudo,
desenvolvemos um plano de criação bastante pessoal, levando em conta
o fenótipo desejado e os genótipos disponíveis, buscando
sempre uma criação menos intuitiva e mais científica. Você
precisa de muito mais que um macho e uma fêmea para se considerar um criador.
Infelizmente são poucas as pessoas que se dedicam a aprimoração
constante do plantel, aquisição de linhas de sangue condizentes,
utilização de inbreeding e linebreeding para fixar características
desejadas, estudo aprofundado de pedigrees, etc... Nós temos acasalamentos
programados para os próximos 5 anos – sabemos onde queremos chegar e o
que devemos fazer para tentar alcançar nossos objetivos... Temos grandes cães em nosso país, cães que podem contribuir para suas raças a nível mundial e temos handlers que estão entre os melhores do mundo. Acho que o fato de contarmos basicamente com juízes all-rounders faz com que, algumas vezes, raças menos representadas numericamente sejam prejudicadas no julgamento pela falta de contato de nossos juízes com as mesmas. Mas temos que compreender que este problema não é exclusivo nosso mas de todas as cinofilias em desenvolvimento, mesmo em países mais evoluídos economicamente, que devido ao pouco número de cães em expos, tem que recorrer a juízes não especialistas. É nossa obrigação enquanto criadores orientar os juízes sobre as particularidades das raças que criamos. É um trabalho longo e difícil muitas vezes, mas gratificante. Atualmente os juízes brasileiros tocam melhor, compreendem melhor e por consequência julgam melhor pequineses do que quando começamos a expor a raça há alguns anos atrás. Ainda há problemas, claro, como juízes que insistem em fazer um pequinês andar muito num calor infernal, e, claro, quase todos insistem em ver os dentes (no pequinês não se abre a boca, isso prejudica a respiração pela conformação da cabeça, sendo extremamente desagradável para o cão - o padrão, propositadamente, não cita a mordedura, visando evitar essa prática...). Outra
crítica é que por aqui ainda se importa muito para ganhar exposições
e não objetivando a criação. Portanto quem importa geralmente
não está preocupado com o potencial genético do exemplar
adquirido e, muitas vezes, nem sequer cria ou tem qualquer envolvimento com aquela
raça. Por outro lado acho que temos alguns criadores que fizeram sim importações
conscientes, trazendo grandes cães que não só marcaram nossa
cinofilia pelo destaque que obtiveram em exposições como também
pela influência que tiveram em suas raças - acho que este é
o caminho. A
raça vai muito bem no exterior, tanto em termos de criação
quanto em sucesso em pistas. Na Holanda há dois anos um pequinês
foi o cão #1 do país, no Canadá o mesmo aconteceu ano passado
e há exemplares sendo premiados em vários outros países do
mundo, inclusive, claro, na Inglaterra e EUA, onde exemplares da raça foram
BIS em Westminster por 3 vezes! Sim,
continuamos apresentando e criando Pomerânias, mas numa escala menor que
a dos Pequineses, pelas próprias características da raça.
Ano passado fechamos o Campeonato Americano de 2 exemplares – um sendo AleFer`s
Flash Gordon, o único Pomerânia de criação nacional
a ser Campeão Americano. Flash fechou o campeonato no fim de semana da
National Specialty Americana, competindo com pomerânias de todos os EUA,
conduzido por nós, criadores/proprietários! Flash e Joker também
ganharam Best In Show no Brasil ano passado. Como normalmente só eu apresento
é difícil coordenar duas raças na eventualidade de ambas
ganharem seus grupos, por isso optamos por priorizar a apresentação
de pequineses mas sem de forma alguma desistir de pomerânias. Inclusive
estamos investindo em novas aquisições nesta raça necessárias
ao nosso plano de criação. Praticamente
inexistente. Além de nós temos Luiz e Ângelo (canil Carlang)
no Sul do país e Márcia em Recife. Esta é uma raça
muito difícil, principalmente pela qualidade do plantel não estar
boa internacionalmente, o que dificulta ainda mais boas importações.
Exemplares apresentados em nosso país, alguns inclusive ganhadores de importantes
premiações em exposições são apenas medíocres.
O presente desta raça não é bom e o futuro, na minha opinião,
incerto. A grande dificuldade na criação nos impede de contribuir
para o plantel de outros criadores interessados. Márcia tem dois exemplares
de nossa criação mas é a única. Recentemente Luiz
e Ângelo estão realizando excelentes importações e
nos mandaram duas fêmeas de excelente qualidade. Nosso
objetivo é prosseguir criando e expondo exemplares de nível internacional
que possam competir e ganhar nas melhores pistas do mundo e serem excelentes companheiros
em casa – de nada adianta beleza sem temperamento. Queremos prosseguir com o resgate
da raça Pequinês no país e tentar garantir que a mesma fique
em mãos de pessoas responsáveis – não buscamos uma nova popularização,
mas sim garantir um lugar de destaque para a mais fabulosa e antiga raça
de companhia. Nossos cães não vivem em gaiolas, mas estão
sempre conosco socializando, brincando, enfim, vivendo. Não criamos plantas
mas sim animais tão sociáveis quanto seres humanos e que precisam
não só de cuidados mas de convivência, amor e alegria. O resultado
disto pode ser visto tanto em pista quanto em casa e é um imenso prazer
para nós conviver com seres tão especiais. Pretendemos também,
conforme já dito, incrementar nossa criação de pomerânias
com algumas novas aquisições. AU! Vocês já pensaram em escrever um livro sobre Pequinês no Brasil? Ah,
um livro sobre a raça... Acho que daqui a alguns anos poderemos
pensar nisso, mas no momento ainda estamos vivendo nossa história...
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