Para quem ainda pensa que a raça Pequinês está em extinção, saiba que dois jovens criadores estão reescrevendo a história do Pequinês no Brasil. Fernando e Alexandre, proprietários do canil Alefer possuem apenas um objetivo- aprimorar e apresentar o melhor plantel da raça Pequinês. Conheça essa brilhante história.

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AU! Há quanto tempo vocês estão na cinofilia nacional?

Começamos na Cinofilia em 1993, participando de exposições com nossos Westies (que foi nossa primeira raça)

AU!
Vocês começaram apresentando Lulu da Pomerânia e depois Pequinês. Como foi esse interesse pela raça Pequinês?

Em 1996, na Westminster, ficamos completamente fascinados por um Pequinês – achamos que este era o cão (não só o pequinês) mais lindo que já havíamos visto e, por causa dele, resolvemos nos envolver também com esta raça. Fomos a Inglaterra, seu país de origem, onde conhecemos o pai, irmãos e irmãs e posteriormente pudemos adquirir um irmão, um neto e uma neta. Este cão é ninguém menos que Dreamer (Am. Ch. Taloola Mr Dream Maker For Delwin), que tivemos a incrível sorte de adquirir de sua proprietária americana, Pat Harrison, em 1999, quando esta teve, por motivos pessoais, que desistir da criação. Dreamer foi um grande sucesso na Inglaterra e nos EUA antes de chegar aqui no Brasil (venceu Best In Show em grande especializada na Inglaterra, com 138 pequineses presentes e Best In Show mais vários grupos e Especializadas nos EUA) e aqui repetiu o sucesso ano passado, onde ganhou 16 Bests In Show nas maiores expos de 8 diferentes estados brasileiros, sagrando-se o 3o Melhor Cão do País em 2000.



AU!
O Pequinês no Brasil ainda corre risco de extinção?

O pequinês foi incrivelmente popular há cerca de 30 anos atrás aqui no Brasil, popularidade que se compara a da raça Poodle nos últimos anos. Assim como vem acontecendo com este, a grande procura fez com que muitas pessoas se envolvessem com a raça objetivando lucro, e esta acabou perdendo suas características principais, devido a acasalamentos impensados, miscigenação e problemas de temperamento e conformação decorrentes (ainda tem-se a impressão de que os pequineses são agressivos, barulhentos e tem mau cheiro – algo totalmente alheio aos bons exemplares...). Na última década a raça tornou-se bastante rara aqui no Brasil entretanto, desde que nos envolvemos, ajudamos a formar alguns pólos de criação em outras partes do país, introduzindo a raça ou complementando o plantel de outros criadores. A raça no momento vai muito bem e o futuro é promissor!


  
 

AU! Além de vocês, qual (ais) outros criadores que se empenham na qualidade da raça em nosso País?

Atualmente temos Adalberto e Rosalda, do canil Chyld Dog, em Butiá – RS, que obtiveram exemplares da raça na Holanda, Canadá e nos últimos anos adquiriram alguns cães de nossa criação, inclusive o único filho particolor de Dreamer – AleFer`s Dominó, dois cães de nossa criação ainda nascidos nos EUA – AleFer`s Summer Temptation – "Batatinha" e AleFer`s Thunder Stormy (ambos já premiados com Reserva de Best In Show) , etc... Temos também Andrei em Belo Horizonte, Vera e Sr. Constantino em São Paulo, Leyla em Recife (que recentemente adquiriu um filhote sensacional – AleFer`s Frenesi), todos amantes da raça para quem tive o prazer de mandar excelentes exemplares. Nossos amigos Jean Pascal e Guto, em Porto Alegre, famosos internacionalmente por seus Whippets (canil Sol Y Sombra) são co-proprietários de uma belíssima fêmea, sobrinha de Dreamer – AleFer`s Sabotage – com a qual pretendem iniciar a criação de pequineses. Portanto acredito que a raça esteja passando por um ressurgimento aqui no Brasil, com pessoas sérias se envolvendo e exemplares de excelente qualidade se destacando em exposições. O fato de um pequinês estar entre os melhores cães do país por três anos consecutivos (Thumper foi 3o Melhor Cão do País em 98 e 99 e Dreamer repetiu o feito em 2000) muito nos orgulha. Acho que o futuro é brilhante para a raça por aqui!


AU! Quantos Pequineses vocês possuem?

Atualmente nosso plantel é composto de 8 fêmeas e 7 machos. Entre as fêmeas destacam-se Summer – campeã americana e Melhor Fêmea na National Specialty Americana e Westminster em 98, sua irmã Trixie (tbém campeã americana) e AleFer`s Thunder Alley – Reserve Winners Bitch na Especializada que antecedeu a National Americana em 99 (aos 10 meses de idade!).

Entre os machos, além de Dreamer, podemos destacar Thumper (campeão americano Multi Ganhador de Grupos nos EUA) – que ganhou 31 Best In Shows em 98 e 99 aqui no Brasil, Thunder (macho preto campeão americano Multi Ganhador de Grupos e Best In Specialty Show nos EUA), Mike (irmão de Dreamer, cão # 5 da África do Sul em 96 e ganhador de BIS), e o recém adquirido Am. Ch. Singlewell Ba-Loo, também nascido na Inglaterra (assim como Dreamer e Mike) que vem complementar nosso plantel. Nossa nova estrela é o filho de Dreamer, AleFer`s Pekenic, ganhador de Mini BIS na Top Quality do Brasil Kennel Club em 2000 e que acaba de vencer a classe Bred By Exibitor na National Specialty Americana, fevereiro de 2001!

AU! Na sua opinião qual foi o Melhor Pequinês que vocês já viram ou tiveram notícias? Nacional ou importado.

Dreamer sem dúvida nenhuma! Já vimos a raça ser julgada na Inglaterra, Europa Continental e Estados Unidos (além de outros países menos significativos em termos de qualidade e número de exemplares) e posso afirmar que o melhor que já vimos é Dreamer. Sempre achamos isto muito antes de sequer sonharmos em obtê-lo; para nós Dreamer representa o absoluto ideal de tipo, conformação e temperamento. Além de Dreamer devo dizer que o último vencedor da raça na Westminster – Taeplace Monet – que também foi o cão número 1 de todas as raças no Canadá em 2000 também nos agrada muitíssimo.



AU!
Pequinês americano x Pequinês inglês. Quais as diferenças?

Se falarmos em termos de padrão – e o que seguimos é o inglês (país patrono da raça na FCI) – há sim algumas diferenças, notadamente tamanho – o padrão inglês diz que o ideal não deve ultrapassar 5 kg (machos) e 5,5 kg (fêmeas) enquanto o americano estabelece o limite em 7 kg, considerando qualquer peso abaixo deste aceitável (e desqualificando os que o excederem). Há ainda outros detalhes mas, na realidade, não se nota diferenças entre os cães apresentados na Inglaterra e nos EUA, pois o centro da criação mundial ainda é a primeira e os americanos ainda importam muito do Reino Unido ( e os juízes das exposições especializadas mais importantes nos EUA são criadores ingleses convidados).


AU! Atualmente qual o país que melhor cria a raça?

Sem dúvida a Inglaterra, mas mesmo assim a raça está muito bem representada internacionalmente, basta pensar que o ganhador da National dos EUA ano passado foi um cão canadense e o deste ano um cão holandês (ambos de linhagem inglesa).



AU!
Vocês mesmos apresentam seus cães. Vocês utilizam handler de vez enquando?

Eventualmente utilizamos handlers sim. Vania Breim é responsável pelo treinamento da maioria de nossos pomerânias e Marcelo Véras apresentou Thumper brilhantemente no segundo semestre de 99, já que estávamos com 3 ninhadas em casa! De qualquer forma tenho o maior prazer em apresentar meus cães e acredito que a relação de cumplicidade e amor de um cão e seu dono em pista é quase insubstituível. Sempre observamos e aprendemos com os profissionais e apresentamos nossos cães da melhor forma que podemos. Ter uma atitude profissional de apresentação, bons cães em excelente estado quase sempre se traduz em sucesso em pista, tanto nacionais quanto internacionais. Na minha opinião, se você e seu cão se divertem juntos em pista, então tente aprender tudo o que você precisa para você mesmo apresentá-lo da melhor forma possível, se, entretanto, você fica muito nervoso apresentando, ou não se sente capaz, recorra a um handler. E, claro, se seu cão não gosta de exposições, deixe-o em casa, pois não há nada pior que ver um cão infeliz em pista.


AU!
Cite criadores ou personagem que tiveram influências na sua vida de criador

As influências foram muitas. Nos últimos anos, após muito estudo, desenvolvemos um plano de criação bastante pessoal, levando em conta o fenótipo desejado e os genótipos disponíveis, buscando sempre uma criação menos intuitiva e mais científica. Você precisa de muito mais que um macho e uma fêmea para se considerar um criador. Infelizmente são poucas as pessoas que se dedicam a aprimoração constante do plantel, aquisição de linhas de sangue condizentes, utilização de inbreeding e linebreeding para fixar características desejadas, estudo aprofundado de pedigrees, etc... Nós temos acasalamentos programados para os próximos 5 anos – sabemos onde queremos chegar e o que devemos fazer para tentar alcançar nossos objetivos...


AU!
O que falta na cinofilia nacional?

Temos grandes cães em nosso país, cães que podem contribuir para suas raças a nível mundial e temos handlers que estão entre os melhores do mundo. Acho que o fato de contarmos basicamente com juízes all-rounders faz com que, algumas vezes, raças menos representadas numericamente sejam prejudicadas no julgamento pela falta de contato de nossos juízes com as mesmas. Mas temos que compreender que este problema não é exclusivo nosso mas de todas as cinofilias em desenvolvimento, mesmo em países mais evoluídos economicamente, que devido ao pouco número de cães em expos, tem que recorrer a juízes não especialistas. É nossa obrigação enquanto criadores orientar os juízes sobre as particularidades das raças que criamos. É um trabalho longo e difícil muitas vezes, mas gratificante. Atualmente os juízes brasileiros tocam melhor, compreendem melhor e por consequência julgam melhor pequineses do que quando começamos a expor a raça há alguns anos atrás. Ainda há problemas, claro, como juízes que insistem em fazer um pequinês andar muito num calor infernal, e, claro, quase todos insistem em ver os dentes (no pequinês não se abre a boca, isso prejudica a respiração pela conformação da cabeça, sendo extremamente desagradável para o cão - o padrão, propositadamente, não cita a mordedura, visando evitar essa prática...).

Outra crítica é que por aqui ainda se importa muito para ganhar exposições e não objetivando a criação. Portanto quem importa geralmente não está preocupado com o potencial genético do exemplar adquirido e, muitas vezes, nem sequer cria ou tem qualquer envolvimento com aquela raça. Por outro lado acho que temos alguns criadores que fizeram sim importações conscientes, trazendo grandes cães que não só marcaram nossa cinofilia pelo destaque que obtiveram em exposições como também pela influência que tiveram em suas raças - acho que este é o caminho.



AU!
Qual o Panorama da raça Pequinês no exterior?

A raça vai muito bem no exterior, tanto em termos de criação quanto em sucesso em pistas. Na Holanda há dois anos um pequinês foi o cão #1 do país, no Canadá o mesmo aconteceu ano passado e há exemplares sendo premiados em vários outros países do mundo, inclusive, claro, na Inglaterra e EUA, onde exemplares da raça foram BIS em Westminster por 3 vezes!



AU!
Depois dos Pequineses, como ficaram os Pomerânias? Vocês continuam criando e expondo exemplares?

Sim, continuamos apresentando e criando Pomerânias, mas numa escala menor que a dos Pequineses, pelas próprias características da raça. Ano passado fechamos o Campeonato Americano de 2 exemplares – um sendo AleFer`s Flash Gordon, o único Pomerânia de criação nacional a ser Campeão Americano. Flash fechou o campeonato no fim de semana da National Specialty Americana, competindo com pomerânias de todos os EUA, conduzido por nós, criadores/proprietários! Flash e Joker também ganharam Best In Show no Brasil ano passado. Como normalmente só eu apresento é difícil coordenar duas raças na eventualidade de ambas ganharem seus grupos, por isso optamos por priorizar a apresentação de pequineses mas sem de forma alguma desistir de pomerânias. Inclusive estamos investindo em novas aquisições nesta raça necessárias ao nosso plano de criação.




AU!
Como está a raça Pomerânia no Brasil na opinião de vocês?

Praticamente inexistente. Além de nós temos Luiz e Ângelo (canil Carlang) no Sul do país e Márcia em Recife. Esta é uma raça muito difícil, principalmente pela qualidade do plantel não estar boa internacionalmente, o que dificulta ainda mais boas importações. Exemplares apresentados em nosso país, alguns inclusive ganhadores de importantes premiações em exposições são apenas medíocres. O presente desta raça não é bom e o futuro, na minha opinião, incerto. A grande dificuldade na criação nos impede de contribuir para o plantel de outros criadores interessados. Márcia tem dois exemplares de nossa criação mas é a única. Recentemente Luiz e Ângelo estão realizando excelentes importações e nos mandaram duas fêmeas de excelente qualidade.



AU!
Quais os planos futuros do ALEFER?

Nosso objetivo é prosseguir criando e expondo exemplares de nível internacional que possam competir e ganhar nas melhores pistas do mundo e serem excelentes companheiros em casa – de nada adianta beleza sem temperamento. Queremos prosseguir com o resgate da raça Pequinês no país e tentar garantir que a mesma fique em mãos de pessoas responsáveis – não buscamos uma nova popularização, mas sim garantir um lugar de destaque para a mais fabulosa e antiga raça de companhia. Nossos cães não vivem em gaiolas, mas estão sempre conosco socializando, brincando, enfim, vivendo. Não criamos plantas mas sim animais tão sociáveis quanto seres humanos e que precisam não só de cuidados mas de convivência, amor e alegria. O resultado disto pode ser visto tanto em pista quanto em casa e é um imenso prazer para nós conviver com seres tão especiais. Pretendemos também, conforme já dito, incrementar nossa criação de pomerânias com algumas novas aquisições.

AU! Vocês já pensaram em escrever um livro sobre Pequinês no Brasil?

Ah, um livro sobre a raça... Acho que daqui a alguns anos poderemos pensar nisso, mas no momento ainda estamos vivendo nossa história...

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