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DISPOSIÇÃO
Já há 2 mil anos o exército romano usava ancestrais do Bernese como guardiões
de acampamentos e para auxiliar no transporte de cargas através dos Alpes. Na
Suíça onde se desenvolveu neste século, pastoreou e protegeu pequenos rebanhos
de gado e de ovelhas, típicos das pequenas propriedades da região, e substituiu
o cavalo, de manutenção bem mais dispendiosa, puxando pequenas carroças com lã
e laticínios até o mercado. Da região de Dürrbach vem o primeiro nome conhecido
da raça "Dürrbachler", onde esse cão, no século XVIII, era criado e vendido pela
sua disposição ao trabalho e simplicidade de cuidar. Atualmente, com a modernização
das fazendas, a criação da raça é quase apenas para a companhia e guarda. O uso
da raça em outras funções é feito mais por tradição. EXPANSÃO
Não há quem não admire sua cor, porte e temperamento dócil e calmo. É muito
ativo, limpo e apegado às pessoas de casa. As características e qualidade do plantel
original tornaram-no muito popular na Suíça, onde é chamado de "O Cão da Família"
e tem participações bem-sucedidas nas exposições cinófilas, provocando um crescente
interesse em outros países. Seu desenvolvimento começou no final do século XIX,
com o criador Franz Schertenleib, que selecionou alguns cães com estrutura mais
robusta para criá-los na região de Burgdorf, em Berna, na Suíca, de onde vem seu
atual nome, Berner Sennenhund (sennen=boiadeiro, hund=cão) e onde surgiu o primeiro
clube da raça, em 1907, o Klub für Berner Sennenhund.
Essa entidade,
em 1954, começou a verificar as ninhadas e desde 1964 só permite a reprodução
de exemplares aprovados no exame, chamado "Anköhrung", feito a partir dos 15 meses
de idade. São observados a saúde, incluindo isenção de displasia traseira e dianteira,
as características físicas conforme o padrão e o temperamento, que deve ser sociável
e destemido.
| | "Encantei-me
com a beleza, o caráter meigo desse cão e sua semelhança
com os Rottweilers" | |
Em muitos países, o Bernese participava de provas de pastoreio de gado, ovelhas
e gansos, além de puxar crianças em pequenas carroças, com visível alegria, em
feiras e eventos. No Brasil, onde o primeiro casal de Berneses chegou em 1976,
há hoje cerca de 150 exemplares, um plantel com tendência à expansão, favorecido
até por importações de criadores de outras raças, como Gilda Gazolla de Rezende,
do Canil Tapiratuba GG em Alfenas-MG, que há 10 anos cria Rottweilers. "Encantei-me
com a beleza, o caráter meigo deste cão e sua semelhança com os Rottweilers, no
porte e instinto de proteção", conta. Especializada há 8 anos exclusivamente em
Berneses, a criadora Cecília Spinelli, do Canil Klamm D'Innsbruck, em Ribeirão
Preto-SP, confirma. "É muito sociável, mas desconfiado com estranhos. Silencioso,
só late quando é extremamente necessário". Ernest Brunner, criado há 16 anos pelo
Canil Lago de Zurigo, em Porto Alegre-RS, complementa que "é companheiro nato,
um guardião defensivo e tem nessas funções o seu maior aproveitamento na atualidade,
seja no campo ou na cidade". Comenta também a procura pela raça. "Tenho uma boa
lista de espera de pessoas ansiosas por um Bernese Mountain Dog". FICHA
Escolha do filhote: exija Atestado de Isenção de Displasia dos pais. Cores:
preto intenso com marcações tan (castanho). Branco nos pés, no peito (de preferência
em forma de cruz), na ponta da cauda (desejável, não obrigatório) e na cabeça
(do focinho estendendo-se por entre os olhos). Olhos: castanhos escuros. Pelagem:
fina. lisa, longa e levemente ondulada. Orelhas: triangulares e pendentes. Cauda:
pendendo até o tornozelo. Base: Padrão CBKC-1993. Cuidados: Necessita de razoável
espaço ao ar livre para exercita-se, não sendo indicado para viver em áreas pequenas.
Sua pelagem, mesmo quando criado no campo, dificilmente embaraça ou retém sujeira.
Exige apenas cuidados de higiene básica, bastando banhos e escovações ocasionais.
A única cirurgia estética é a remoção dos ergots (5os dedos) entre 5 a 7
dias de vida. Altura: macho, de 64 a 70 cm. Fêmea, de 58 a 66 cm. Clube Suíço:
Klub für Berner Sennenhund, tel (0041054) 747-1366. Agradecemos
aos entrevistados, inclusive pela revisão do texto final, da qual participou também
Hilda Drumond. Reportagem e redação: Jorge Bechara. Edição de texto: Marcos Pennacchi.
Foto: Luiz Henrique Mendes Prop.: Canil Klamm D'Innsbruck, Ribeirão Preto-SP
Direitos
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