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BLOODHOUND: NARIZ DE SHERLOCK HOLMES


Apesar do olhar tristonho, é carinhoso e brincalhão. Sempre esteve nas mãos da "nata sociedade", devido ao seu elevado preço. Esse é o Bloodhound, um cão que além de tudo, tem o melhor faro do mundo. "Madame Gata" é uma bela felina (vira-lata, diga-se de passagem) que reina na casa de sua dona, que aliás a adora e dispensa-lhe mimos sem medida.

 
 
A maldade do mordomo da residência, inspirada nos vilões dos romances policiais de Agatha Christie, faz com que ele odeie a estimada bichinha. E não é que "Madame Gata" dá a luz a uma linda ninhada! Enfurecido e enciumado, o cruel mordomo resolve sumir com a prole recém-nascida. O céu vem abaixo. "Madame Gata" a "Madame da casa" (dona gata) e afins, choram, descabelam-se e tentam desesperadamente encontrar os pequeninos gatinhos. Contudo, ninguém tem êxito nas buscas. O cachorro do vizinho, sensibilizado, aguça o faro e sai à caça. Final da estória: encontra os gatinhos, entrega-os à "Madame Gata", torna-se um herói e todos "vivem felizes para sempre". Qualquer semelhança com o desenho "Aristogatas" de Walt Disney não é mera coincidência. A introdução cinematográfica apresenta um cão, dono do melhor faro do mundo - o Bloodhound, raça pouco conhecida no Brasil.
O Bloodhound é uma caricatura do Pluto, também personagem de Disney. O jeitão grandão com as orelhas caídas, o rabo em pé simulando alerta e o nariz sempre "ligado", como se fosse um radar a perseguir pistas e sinais, dão uma idéia da principal função desse cão - farejar rastros e encontrar pessoas ou objetos desaparecidos.

DE ONDE VEM ESSE EXÍMIO FAREJADOR?


O Bloodhound originou-se do cão de Santo Humberto procedente provavelmente da França e Bélgica. Era conhecido muito antes da Era Cristã, e bastante apreciado pelos povos mediterrâneos, devido a sua extrema habilidade em perseguir os rastros mais difíceis. Consolidou-se como raça distinta, graças ao trabalho da nobreza do clero europeu que promovia cruzamentos, desenvolvendo e aprimorando o Bloodhound. Aliás, naquele tempo, possuir um cão desses era um privilégio e um sinal de status, já que o esporte preferido da época era as caçadas. A criação mais famosa foi a do monge François Hubert. Em Ardenes (França), por volta do século VII d.C., se empenhou para que o Bloodhound apresentasse a forma de hoje. Mais tarde, de monge, François passou a bispo e, depois de canonizado, foi considerado o patrono dos cães caçadores. Apresentados os "parentes mais próximos" do Bloodhound, é bom lembrar que essa raça esteve à beira da extinção e foi salva pela introdução em exposições, a partir de aproximadamente 1851. Segundo o famoso médico e cinófilo inglês, Johannes Caius, que se dedicou ao estudo da raça, durante anos, o nome Bloodhound é oriundo de sangüinarii, uma alusão ao seu modo peculiar de caçar - persegue a presa e a traz morta para o caçador, com profusão de sangue. Entretanto, outros estudiosos da raça, dizem que o Bloodhound, deriva da expressão blooded hound, que significa linha de sangue puro.

QUEM PODE, PODE!


Se existe um cão que pode se dar ao luxo de escolher o seu dono, esse cão é o Bloodhound. Logicamente, ele não pode apontar para fulano e dizer "você vai ser meu dono". Contudo, por ser uma raça caríssima em qualquer parte do mundo, apenas pessoas de alto poder aquisitivo têm possibilidade de adquirir um cão desses. Conclui-se assim que, na grande maioria das vezes, o Bloodhound leva uma vida para "cachorro nenhum botar defeito"! Segundo Vera Lúcia de Castro Barbosa, proprietária do Canil Dois Pinheiros, São Paulo (SP) e criadora da raça, o seu preço elevado se deve especialmente à dificuldade de acasalamento e o conseqüente número reduzido de exemplares.
Apesar de ter tudo para "levar uma vida de rei", o Bloodhound se presta muito bem ao trabalho. Ao contrário dos cães policiais treinados para ataque, ele nunca agride o homem. Limita-se a encontrar a trilha e posteriormente o alvo desaparecido. Um exemplo é o famoso "Nick Carter", um Bloodhound norte-americano que seguiu um rastro durante 105 horas, acabando por achar o criminoso. Outro exemplar também dos EUA localizou cerca de 600 presos fugitivos em toda a sua vida.
A exemplo da National Police Bloodhound Association Inc., que abrange Estados Unidos e Canadá, a Polícia Militar do Brasil está começando a usar essa raça para seguir pistas. Por enquanto Bruna, uma Bloodhound de 2 anos e meio é a "filha única" do Canil da PM mas já tem demonstrado ter o tal "faro fino". De acordo com o Tenente Eduardo Espósito, Bruna tem êxito em 80% dos casos em que é acionada. Os principais motivos dos 20% de insucesso devem-se à falta de sorte e do fato de a população não preservar o local, confundindo e dispersando as trilhas.

CARACTERÍSTICAS DO RADAR CANINO

O Bloodhound lembra muito o Basset Hound, aliás seu parente, só que em tamanho gigante - altura média do macho adulto é de 66 cm e da fêmea adulta, 61 cm. Já o peso médio do macho é de 41 kg e da fêmea, 36,5 kg. A pele, a exemplo do conhecido Basset, é fina ao toque e extremamente solta, especialmente nas regiões da cabeça e pescoço, onde cai em profundas dobras.
Caídas também são as suas longas orelhas. Associadas ao tipo de rosto fino da raça - que dá a impressão de ter sido achatado por dois pratos (de bateria musical) -, elas tornam sua expressão nobre e "cheia de sabedoria".
A pelagem pode ser preta e canela, vermelha e canela fulvo ( amarelo "queimado"). É permissível um pouco de branco no peito, pés e ponta da cauda.
Seus olhos são profundos e variam de acordo com a cor do animal, indo do avelã escuro ao amarelo.
Calmo e dócil, persegue sua presa por "mero esporte". Dificilmente agride o homem ou outros animais.
Diante da proximidade de estranhos, apenas alerta o dono com seu uivo característico.
Apesar do olhar melancólico, que reflete sua timidez, é afetivo, alegre e brincalhão.

Reportagem: Mônica Régia Kato. Foto: Rolando de Freitas. Prop.: Canil Dois Pinheiros.
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