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DESCUBRA O HÁBIL BORDER COLLIE


O Border Collie é conhecido como o grande campeão de Agility em toda a Europa", diz Ruth.

 
 

Considerado o cão mais inteligente em obediência e trabalho, as habilidades do Border Collie começam a ser descobertas pelos apreciadores de cães. Até poucos anos atrás, ele era praticamente um desconhecido entre os brasileiros. Mas está chegando de mansinho. Começou como "estrela" de diversos comerciais de TV, trazido pelo adestrador, criador e especialista em comportamento animal, Gilberto Miranda, responsável pelo treinamento desses "artistas" há anos. "A raça já apareceu em 112 propagandas brasileiras", diz ele. Mesmo assim, pouca gente a reconhece. É que o Border Collie tem muitos tipos físicos e quem não o conhece pode não associá-lo a uma raça definida. Mas, se você prestar atenção, vai notar algo em comum entre o cão apresentado ao lado de um Cocker num anúncio de rações, o que se vê no filme do adoçante Finn, e o da Campanha Nacional de Vacinação do Governo Federal (ao lado de um gato e de um Labrador Amarelo). E entre esses e um casal de cães com papel importante no filme Babe, Um Porquinho Atrapalhado. Não é à toa que o Border foi escolhido para participar de tantas produções: ele é considerado o cão mais obediente do mundo.
O canadense Stanley Coren, psicólogo e treinador de cães, autor do livro A Inteligência dos Cães, coloca a raça em primeiro lugar entre as 133 que tiveram sua inteligência de obediência e trabalho testada em diversas provas. Segundo Coren, 190 dos 199 juízes participantes situaram o Border entre os dez melhores.
Patricia Harvey, adestradora há 17 anos e responsável pela parte educacional da Holyrood Dog Obedience Society, na Escócia, já treinou muitas raças para o trabalho e afirma que se tiver que escolher um cão para provas de obediência, fica com o Border. "Eles estão 'prontos' mais cedo que os Pastores Alemães e os Golden Retrievers, duas outras raças reconhecidas por sua obediência.
Gilberto explica: "Quando estimulado pelo interesse do dono, o Border aprende muito cedo, aos quatro ou seis meses para provas de obediência, por exemplo, enquanto outras raças só aprendem aos seis ou oito meses." Uma característica do Border é a sua precocidade. "Tenho um filhote de quatro meses e já saio com ele na rua sem coleira, sem que se afaste", revela Arlindo Stocco, que ganhou o cão de seu filho, Marcelo Stocco, criador pelo Canil Border Collie, de Campo Bonito - SP. "Quando mando parar, a reação é imediata; fica imóvel e só volta pra mim se o chamo", garante. Marcelo comenta que as outras raças têm dificuldade de entender isso tão cedo.
Jane Cresswell, secretária do Border Collie Club of Great Britain e criadora há 17 anos confirma: "Um Border de apenas três ou quatro meses, bem motivado, já obedece ordens comopare, deita e venha", comenta. "Que outra raça faz isso?", desafia. Jane diz ainda que eles são rápidos em compreender as situações e tentar resolvê-las. Relata que, certa vez, uma amiga sua, dona de um Border, caiu dentro de casa e não podia se mexer. Conseguiu apenas pronunciar o nome do marido, que estava no jardim. O cão foi logo até ele e ficou puxando-o pela camisa. O marido, sem entender, achou que o Border queria brincar e jogou uma bola para ele apanhar. O Border nem ligou, e continuou puxando-o. Finalmente, o dono entendeu e decidiu segui-lo. O cão o levou direto aonde a dona estava, caída no chão.
O Border se destaca pela notável capacidade de aprender sozinho, por observação. "Certa vez eu treinava dois filhotes a transpor obstáculos; o macho fez tudo bem, mas a fêmea não entendeu. Então o fiz repetir os exercícios na frente dela. Em seguida, dei o comando e ela fez direitinho." Essa capacidade foi lembrada também pelo norte-americano Allen Webb, dono de uma Border. "Tudo que ensinava a outro cão, um Schipperke, a Border aprendia. Seja a dançar sobre as duas patas traseiras, como a trazer objetos de volta e ficar sentado no banco de trás do carro", diz. Ruth Hobday, tem uma escola de adestramento de cães na Inglaterra, e cria a raça há 11 anos. Alerta que o cão aprende tudo muito fácil - até o que o dono não gostaria. Um dos Borders de Jane detesta o aquecedor "Quando tenho de ligá-lo, no inverno, espera que eu dê as costas, vai até o termostato e o desliga", conta. "Se quero que eles não entrem em algum cômodo, preciso trancar a porta", completa. Ela conta, ainda, que muitas vezes prende seus cães no canil. Quando percebe, já conseguiram abrir o portão e lá estão eles no quintal. "Mas sabem que não gosto, e se apareço, nem preciso falar: correm para dentro do canil e esperam que eu feche a porta", diz.
Conforme ensina o próprio Coren, é preciso entender que os critérios usados para classificar a inteligência canina referem-se ao seu potencial de desempenho máximo. Isso significa que embora o Border tenha muitas capacidades, fazer aflorá-las de modo positivo vai depender do dono, ou do treinador do cachorro. "É como um diamante que precisa ser lapidado", diz Miranda.

AGILIDADE

"O Border Collie é conhecido como o grande campeão de Agility em toda a Europa", diz Ruth. A competição - que consiste em fazer o cachorro transpor uma série de obstáculos atendendo aos comandos do dono, e no menor tempo possível - surgiu na Inglaterra, em 1978, para divertir o público nas exposições de beleza. A raça é a mais encontrada nas pistas de Agility devido à grande velocidade e, claro, à indiscutível agilidade. Todos os entrevistados afirmaram que o sucesso da raça no esporte está associado à sua agilidade física e mental - assimila e realiza os comandos mais rápido do que cães de outras raças. "A resposta às ordens é praticamente imediata", diz Kenneth Tatsch, presidente da United States Dogs Agility Association. "Em uma disputa, se você quiser apostar em algum cão, aposte num Border", sugere Ruth. A superioridade da raça no esporte é tamanha que, no ano passado, foi criada uma categoria especial só para Borders, a ABC (Anything But a Collie). Na Inglaterra, Collie é sinônimo de Border Collie; a raça conhecida por nós como Collie, aquela da Lassie, é chamada pelos ingleses de Rough Collie, e é bem menos popular do que o Border entre eles. "A ABC é uma espécie de NBA do Agility", compara Ruth, referindo-se à liga de basquete norte-americana, considerada a melhor do mundo. "Nos Estados Unidos, o Border também se destaca nas competições de Agility, mesmo sendo menos conhecido que muitas outras raças", informa Tatsch. "A raça ganha cerca da metade das mais de cem provas anuais da nossa associação." Há uma explicação anatômica para essa superioridade: "O fato de eles serem um pouco mais compridos do que altos auxilia a movimentação e aumenta a agilidade", diz Ruth. "Essa é a principal vantagem para que o Border consiga ganhar segundos preciosos contra o relógio durante as provas", diz. A cinóloga e consultora de Cães & Cia, Hilda Drumond, explica que o Border tem uma estrutra física adequada para o pastoreio, que exige agilidade. "A extrema facilidade do Border em mudar de direção é determinada pela coluna vertebral alongada, com maior distância entre as costelas, que aumenta a agilidade, e pela caixa toráxica estreita que ajuda a proporcionar um equilíbrio físico instável", explica. "É o que acontece com a bicicleta, por exemplo, que tem mais facilidade de movimento e mudança de direção que um trator."

COMPETÊNCIA

Mas não é só. Além de obediente e ágil, o Border é considerado muito ativo e resistente. Juntas, essas características explicam porque é um pastor de ovelhas tão competente - e tão usado. Tanto é assim que a maioria dos Borders é registrada em clubes e entidades voltadas apenas para o trabalho.
A Federação Cinológica Internacional (FCI) tem um padrão oficial para a raça há bastante tempo, mas o American Kennel Club (AKC) apenas a reconheceu há pouco mais de um ano. Por isso, uma rápida olhada nos números de registro da raça no mundo pode dar a impressão errada de que existem poucos exemplares. Nos Estados Unidos, o AKC registrou 704 em 1995. No The Kennel Club (TKC), Inglaterra, somaram pouco mais de 2 mil. Nos outros países, os números também são pouco expressivos. Ao contabilizar os registros nos clubes de trabalho, porém, a coisa muda de figura. A International Sheep Dog Society (ISDS), na Inglaterra, registra cerca de 6,5 mil Borders por ano. Se fosse possível somar esses registros com os do TKC - o que pode não corresponder à realidade, pois alguns são registrados nas duas entidades - chegaríamos a mais de 9 mil Borders por ano, número superior à quantidade de Rottweilers e Dobermanns registrados no país. Nos EUA também há várias entidades que registram exclusivamente Borders. Apenas uma delas, a North American Sheep Dog Society, registra 1,4 mil cães por ano. Com um detalhe: esses clubes não reconhecem o pedigree dos kennels, mas os kennels reconhecem os cães registrados por eles.

OVELHAS


A tradição do Border em pastoreio é espantosa. Além das entidades, há diversas publicações voltadas à raça. E livros, fitas de vídeo, cursos especializados e artigos de consumo (roupas, objetos) relacionados a ela. Só a revista The Working Border Collie tem aproximadamente 2,1 mil assinantes em vários países. Linda Fogt, criadora há 20 anos e editora da revista The Working Border Collie, nos EUA, conta que a revista divulga notícias e informaçães sobre as técnicas de treinamento do Border no pastoreio. "Também publicamos os resultados dos trials - as provas de campo realizadas pelos Borders - em todo o mundo", informa Linda. Ela admite que os trials, realizados em fazendas no interior do país, não são visitados por um grande público. Mas são bastante freqüentes: nos próximos 11 meses estão previstas 28 provas em diversos Estados. Rossine Kirsch, secretária doThe North American Sheep Dog Society, conta que a entidade emite um certificado de trabalho para os cães eficientes no pastoreio, avaliados por membros do conselho de árbitros, através de uma fita de vídeo. "Verificamos a habilidade na condução de animais (normalmente ovelhas), a integração do cão com o pastor, a atitude, velocidade, agilidade, resposta aos comandos, concentração, disposição, movimentação e obediência demonstradas pelo Border", revela. Rossine diz, ainda, que sua entidade realiza entre cinco e seis provas de trial por ano. O maior de todos os eventos ocorre no Colorado e reúne os melhores cães da temporada. Shirley Walton, secretária da ISDS-fundada em 1916 e principal sociedade de registro de Borders de trabalho em todo o mundo - conta que a entidade realiza cinco provas de trial por ano, das quais quatro nacionais. Ela estima que cerca de seis mil pessoas assistam a essas provas, cada uma, em média, com 150 Borders. Em setembro, a ISDS realiza o torneio internacional, com os quinze melhores cães que disputaram as provas nacionais. Arlindo Stocco já assistiu a uma dessas provas, no País de Gales. "É um espetáculo indiscutivelmente maravilhoso", diz. No trial duplo, por exemplo, o treinador comanda dois cães usando assobios diferenciados para cada um. Eles devem conduzir pelo menos cinco ovelhas. Enquanto um recebe um comando, o outro segue executando o anterior. "Imagine a dificuldade de se fazer um cão cercar as ovelhas pela esquerda enquanto o outro deve permanecer deitado ou cercando as ovelhas pela direita. Ou então, no final, quando um cão deve separar das demais a ovelha com uma fita no pescoço, enquanto o outro não pode deixar as outras sairem de um círculo de aproximadamente 18 metros, muitas vezes tendo que correr ininterruptamente ao redor, para conseguir", descreve. Há seis comandos básicos para, por exemplo, induzir o cão a rodear as ovelhas pela esquerda ou pela direita, ou a andar atrás delas lentamente - go (vá); lay down (deita); stay there (fique); away to me (para a esquerda); come bye (para a direita); steady (siga ou mantenha). Além desses, cada treinador adota outros de acordo com a sua conveniência. Com esses comandos, aliados à natureza pastoreadora do Border, é possível conseguir que o cão conduza o rebanho a qualquer lugar. Seu instinto é tão forte que, mesmo longe do campo, o Border costuma pastorear. "Uma vez, uma senhora me ligou contando uma história muito curiosa", relata Rossine. "O Border avistou algumas pombas no parque, foi chegando e rodeando-as devagar, até que de repente todas voaram. O Border, desesperado, latia para cima e via espantado suas 'ovelhas' desaparecerem no céu." Ela soube de outro Border que tentou pastorear automóveis em manobra num estacionamento e quase foi atropelado.
O Border assume uma pose bastante típica quando trabalha: cabeça para frente, patas da frente abaixadas e garupa alta. "Faz isso para intimidar as ovelhas e impor respeito", diz Peter Bedford, presidente do Border Collie Club of Great Britain. Mas mesmo os que nunca foram treinados adotam essa posição quando querem pastorear algo, seja o dono, uma bola de basquete ou um grupo de crianças. A criação do Border foi essencialmente voltada ao trabalho e ainda hoje a raça não segue um padrão muito rígido. Há criadores contrários a acasalamentos que privilegiem a estética, que podem comprometer as aptidões para o trabalho. Por outro lado, cruzamentos visando essas aptidões resultam em tipos físicos variados. "O Border sempre foi criado pela sua versatilidade e eficiência, e é assim que as coisas devem continuar", opina Linda. Mas o padrão adotado pela FCI determina características que todo Border deve ter, como por exemplo um corpo um pouco mais comprido do que alto, o porte médio com cerca de 50 cm na altura da cernelha, o focinho relativamente fino, as orelhas afastadas e inseridas no alto da cabeça, a cauda moderadamente comprida. Mas permite variações. O pêlo pode ser curto ou longo; as orelhas eretas ou semi-eretas (o importante é formarem uma concha acústica que proporcione boa audição); e são permitidas várias marcações, normalmente em preto, marrom, vermelho, e até mesmo o azul merle, sobre fundo branco, que não deve ser predominante. Segundo os criadores, todas essas variações não comprometem o trabalho do cão.

NAS CIDADES

Cada vez mais Borders Collies vêm sendo usados para outras finalidades que não o pastoreio. As pessoas vêm descobrindo suas qualidades para companhia ou como atleta em provas de Agility. Além disso, o número de Borders inscritos em exposições de beleza e nos kennels clubes vem crescendo. "As coisas estão mudando muito no mundo do Border", diz Margareth Everton, membro do General Committee do TKC, juíza há 40 anos e responsável pelas regras de julgamento das raças do grupo de trabalho. "Há cerca de 15 anos eram poucos os Borders em exposições. Em 1996, na maior exposição do país participaram 250 Borders, quase tantos quanto os populares Rottweiler e Dogue Alemão", informa. Eles dificilmente ganham o primeiro lugar do grupo, mas ficam entre os dez melhores. Para ela, porém, apesar da mentalidade estar mudando - há uma certa estabilidade nos registros de Borders em clubes de trabalho e um crescimento dos registros nos kennels, indicando um interesse pela raça fora do círculo de fazendeiros - ainda é muito forte a tendência de achar que o Border não é um cão show, mas sim de trabalho.

INCANSÁVEL

Quem quer um Border como companhia é atraído por suas exaltadas qualidades (inteligência e obediência, principalmente). Mas é preciso lembrar que ele precisa de muito espaço para se exercitar, pois é extremamente ativo e incansável. "Falar que o Border é ativo é um eufemismo", brinca Ruth. "Ele é mesmo elétrico, principalmente até os três anos de idade." Até os mais velhos, se estimulados, são capazes de mostrar grande disposição. "A raça é feita para agüentar atividades físicas contínuas, durante horas a fio", lembra Marcelo. "Andar dezenas de quilômetros é pouco para o Border. Na verdade, não conheci ainda o limite dele." Embora existam casos que comprovem que o Border pode se adaptar, o fato é que foi desenvolvido para viver no campo, em grandes áreas. "É preciso muita disposição para satisfazer a demanda por exercícios de um Border que mora em um lugar pequeno, e nem todo dono tem esse pique", alerta Jane. A Border de Webb mora com ele num apartamento, e se comporta bem. "Ela não destrói nada, mas deixo sempre seus brinquedos, ossos e bolinhas espalhados pela casa", diz. Mas admite: "Devo ser sincero, apartamento não é o habitat ideal para o Border, pois sua necessidade de exercícios é muito grande". Ele conta que a leva para passear duas vezes por dia, mas que não parece o suficiente: ela agüentaria muito mais. "Sem um mínimo de atividade física, o Border fica nervoso, agitado, correndo pela casa de um lado para o outro como se estivesse ligado na tomada", prevê. "Recomendo passeios entre 40 minutos e uma hora, quatro vezes por dia", diz Marcelo. "De preferência, solte-o num parque e jogue bolinhas e gravetos para ele buscar." Jane e Ruth dão o mesmo conselho. Ruth lembra, ainda, que quem quer um Border para companhia deve ter isso em mente, e escolher o menos ativo da ninhada. Em compensação, o Border é normalmente muito fiel e devotado ao dono. Alguns são tão "grudados" que exageram. "Já fui obrigado a mandá-la parar de me seguir para ir ao banheiro em paz", diverte-se Webb. Embora não sirva para guarda, fica desconfiado quando um estranho se aproxima. A maioria late, o que serve de alarme. Ao mesmo tempo, donos e criadores dizem que o Border é bastante sensível a demonstrações de amizade e, se um estranho o tratar bem e chamar para brincar, ele não pensa duas vezes. Também costumam se comportar bem em lugares públicos e em passeios de carro. "É um verdadeiro gentleman", diz Jane.
Com ou sem coleira e guia, não é daqueles que se impressionam com multidões e, apesar de apreciar uma novidade, é capaz de se conter a um simples comando do dono. Os criadores afirmam ainda que o Border é bastante sociável e costuma se dar bem com outros animais. Até gatos, é comum tolerar. Quanto às crianças, dá-se bem com elas, mas seu instinto de pastor pode assustá-las se forem muito pequenas. "Eles não são de pular, mas podem ficar correndo em volta delas, evitando que se dispersem", avisa Jane. Linda e Bedford confirmam: ambas já assistiram a cenas de Borders tentando trazer uma turma de crianças para elas, nem que para isso fosse preciso segurá-las pelos braços - com a boca, claro.

BOA SAÚDE

Manter um Border saudável não costuma ser difícil. "Pode parecer incrível, mas nunca tive problemas de saúde com meus cães", garante o criador Stocco. O Border está sujeito a alguns males hereditários. Um é a Retinal Pigment Epitelial Distrophy (RPED), conhecida como PRA central, uma atrofia da retina devido a depósito de melanina, que pode aparecer a partir dos três anos. "Os casos de RPED, que já afetaram 12% dos cães ingleses na década de 80, alcançam hoje cerca de 1% do plantel na Inglaterra", diz o veterinário Peter Bedford, presidente do Border Collie Club of Great Britain e professor titular do Royal College of Veterinary Surgery, especialista em oftalmologia. Bedford diz que os Borders também são sujeitos à CEA (Anomalia do Olho do Collie), um descolamento da retina. O problema é hereditário e aparece bem cedo no Border. "A CEA resulta em sangramentos e cegueira", diz. Os casos de CEA em Borders não são tão freqüentes. Atingem cerca de 2% dos exemplares. Casos de displasia coxo-femural (anomalia no encaixe do fêmur e da bacia) também já foram relatados, mas são mais raros ainda na Inglaterra: segundo Bedford, atingem menos de 1% naquele país. Já nos EUA, a Orthopedic Foundation Association pesquisou 837 Borders entre 1974 e 1991, com uma incidência de 14%.
Quanto à higiene, banhos podem ser dados mensalmente (no exterior, os criadores dão apenas dois banhos por ano). Escovações freqüentes são recomendáveis para manter a pelagem sempre na melhor forma. Nos de pêlo longo, mais ainda: de preferência, todo dia. "Mas essa tarefa não leva mais de cinco minutos", garante Jane.

 PADRÃO OFICIAL CBKC nº 297, de 9/6/95 FCI nº 297 GB, de 8/9/88 País de origem: Grã-Bretanha Nome no país de origem: Border Collie

APARÊNCIA GERAL:bem proporcionado, de silhueta suave revelando qualidade, graça e perfeito equilíbrio, combinando com substância suficiente para conferir uma impressão de resistência. Qualquer tendência à rusticidade ou debilidade é indesejável.

CARACTERÍSTICAS:tenacidade, pastor de trabalho pesado, de ótima tratabilidade.

TEMPERAMENTO:
esperto, alerta, responsável e inteligente. Jamais nervoso ou agressivo.

CABEÇA E CRÂNIO: crânio razoavelmente largo, occipital não pronunciado. Sem bochechas cheias ou arredondadas. Focinho afinando para a trufa, moderadamente curto e robusto. Crânio e focinho, aproximadamente do mesmo comprimento. Stop bem marcado. Trufa preta, exceto para os exemplares de cor marrom ou chocolate, nos quais pode ser mais marrom. Nos azuis, a trufa é cor-de-ardósia. Narinas bemdesenvolvidas.

O LHOS:inseridos bem separados, de formato oval e tamanho médio; de cor marrom exceto nos "merle" para os quais um, ambos os olhos ou apenas parte de um poderá ser azul. Expressão suave, esperta, alerta e inteligente.

ORELHAS:
de textura e tamanho médio, inseridas bem separadas. Portadas eretas ou semi-eretas e de audição muito sensível.

BOCA: maxilares e dentes fortes com uma mordedura em tesoura perfeita, regular e completa, isto é, os dentes superiores recobrem os inferiores e são inseridos ortogonalmente aos maxilares.

PESCOÇO: de bom comprimento, robusto e musculado, levemente arqueados engrossando para os ombros.

ANTERIORES:visto de frente, paralelos, visto de perfil, metacarpos ligeiramente inclinados. Ossatura forte sem ser pesada. Ombros bem angulados, os cotovelos trabalhando ajustados rente ao tórax.

TRONCO:
de aspecto atlético, costelas bem arqueadas, peito profundo e mais para largo, lombo profundo e musculado sem ser esgaldado. O comprimento do tronco é ligeiramente maior que a altura na cernelha.

POSTERIORES: largos, musculados, vistos de perfil, a garupa é ligeiramente inclinada para a raiz da cauda. Coxas longas, profundas e musculadas com joelhos bem angulados e jarretes curtos e robustos. Vistos por trás, os jarretes têm boa ossatura e são paralelos.

PATAS: de formato oval, almofadas plantares e digitais espessas, robustas e saudáveis, dígitos bem arqueados e compactos. Unhas curtas e fortes

CAUDA: moderadamente longa, com a última vértebra alcançando, no mínimo, o nível dos jarretes, de inserção baixa, bem guarnecida de pêlos e com uma espiral para cima na direção da ponta, conferindo um gracioso contorno e equilíbrio ao cão. A cauda poderá erguer-se em estado de excitação, jamais portada sobre o dorso.

MOVIMENTAÇÃO: fluente, suave e incansável, com um mínimo de elevação das patas, conferindo a impressão de habilidade para movimentação com grande propulsão e velocidade.

PELAGEM: duas variedades. Moderadamente longa. Lisa. Em ambas, a pelagem é densa e de textura média, subpêlo macio e denso fornecendo boa proteção contra intempéries. Na variedade de pelagem moderadamente longa, a abundância de pêlos forma uma juba, culotes e pincel. Na face, orelhas, anteriores (exceto para franjas), posteriores do jarrete ao solo, o pêlo é curto e liso.

COR: a variedade de cores é permitida. O branco jamais deverá ser predominante.

TALHE: altura ideal na cernelha: machos 53cm; fêmeas, ligeiramente menores.

FALTAS: qualquer desvio dos termos deste padrão deverá ser considerado como falta e penalizado na exata proporção de sua gravidade.

NOTA:
os machos devem apresentar dois testículos da aparência normal, bem desenvolvidos e acomodados na bolsa escrotal.
 

PARA SABER MAIS
Livros:
1) A Way of Life: Sheepdog Training, Handling and Trialing, de Glyn Jones e Barbara Collins - Ed. Diamond Farm Book Publisher, Alexandria Bay, NY - EUA;
2)One Dog, His Man and His Trials, de Marjorie Quarton - Ed. Diamond Farm, EUA;
3) Lessons From a Stock Dog: A Training Guide, de Bruce Fogt - Ed.The Working Border Collie, Sidney, Ohio, EUA;
4) Border Collies, de Margaret Collier - Ed. TFH, EUA.

Vídeos:
1) Take Time, de Glyn Jones e Eric Halstall - Ed. Diamond Farm, EUA; 2)That'll Do!, de Glyn Jones - Diamond Farm, EUA Clubes: International Sheep Dog Society (Inglaterra) - tel. 00441234 35-2672; North American Sheep Dog Society (EUA) - tel. 001618 757-2238; American Border Collie Association (EUA) - tel. 001601 928-7551; Border Collie Club of Great Britain (Inglaterra) - tel. 00441785 66-4619

Internet: http://www.ari.net/home/leeshore/usbcc/akc.html.

Agradecemos a Jane Cresswell, a Hilda Drumond, ao juiz e veterinário José Peduti Neto e aos entrevistados brasileiros pela revisão técnica deste texto (Marcelo Stocco, que se encontrava em viagem, não revisou). Reportagem: Rodrigo Flores. Texto: Léa de Lucca. Foto: Paulo Fasanella e Luís Prado Prop: Canil Border Collie - Capão Bonito-SP

Direitos autorais do texto: Cães&Cia, é proibida a reprodução total ou parcial do texto

 
  
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