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DESCUBRA
O HÁBIL BORDER COLLIE
O Border
Collie é conhecido como o grande campeão de Agility em toda a Europa", diz Ruth.
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Considerado o cão
mais inteligente em obediência e trabalho, as habilidades do Border Collie começam
a ser descobertas pelos apreciadores de cães. Até poucos anos atrás, ele era praticamente
um desconhecido entre os brasileiros. Mas está chegando de mansinho. Começou como
"estrela" de diversos comerciais de TV, trazido pelo adestrador, criador e especialista
em comportamento animal, Gilberto Miranda, responsável pelo treinamento desses
"artistas" há anos. "A raça já apareceu em 112 propagandas brasileiras", diz ele.
Mesmo assim, pouca gente a reconhece. É que o Border Collie tem muitos tipos físicos
e quem não o conhece pode não associá-lo a uma raça definida. Mas, se você prestar
atenção, vai notar algo em comum entre o cão apresentado ao lado de um Cocker
num anúncio de rações, o que se vê no filme do adoçante Finn, e o da Campanha
Nacional de Vacinação do Governo Federal (ao lado de um gato e de um Labrador
Amarelo). E entre esses e um casal de cães com papel importante no filme Babe,
Um Porquinho Atrapalhado. Não é à toa que o Border foi escolhido para participar
de tantas produções: ele é considerado o cão mais obediente do mundo. O canadense
Stanley Coren, psicólogo e treinador de cães, autor do livro A Inteligência dos
Cães, coloca a raça em primeiro lugar entre as 133 que tiveram sua inteligência
de obediência e trabalho testada em diversas provas. Segundo Coren, 190 dos 199
juízes participantes situaram o Border entre os dez melhores. Patricia Harvey,
adestradora há 17 anos e responsável pela parte educacional da Holyrood Dog Obedience
Society, na Escócia, já treinou muitas raças para o trabalho e afirma que se tiver
que escolher um cão para provas de obediência, fica com o Border. "Eles estão
'prontos' mais cedo que os Pastores Alemães e os Golden Retrievers, duas outras
raças reconhecidas por sua obediência. Gilberto explica: "Quando estimulado
pelo interesse do dono, o Border aprende muito cedo, aos quatro ou seis meses
para provas de obediência, por exemplo, enquanto outras raças só aprendem aos
seis ou oito meses." Uma característica do Border é a sua precocidade. "Tenho
um filhote de quatro meses e já saio com ele na rua sem coleira, sem que se afaste",
revela Arlindo Stocco, que ganhou o cão de seu filho, Marcelo Stocco, criador
pelo Canil Border Collie, de Campo Bonito - SP. "Quando mando parar, a reação
é imediata; fica imóvel e só volta pra mim se o chamo", garante. Marcelo comenta
que as outras raças têm dificuldade de entender isso tão cedo. Jane Cresswell,
secretária do Border Collie Club of Great Britain e criadora há 17 anos confirma:
"Um Border de apenas três ou quatro meses, bem motivado, já obedece ordens comopare,
deita e venha", comenta. "Que outra raça faz isso?", desafia. Jane diz ainda que
eles são rápidos em compreender as situações e tentar resolvê-las. Relata que,
certa vez, uma amiga sua, dona de um Border, caiu dentro de casa e não podia se
mexer. Conseguiu apenas pronunciar o nome do marido, que estava no jardim. O cão
foi logo até ele e ficou puxando-o pela camisa. O marido, sem entender, achou
que o Border queria brincar e jogou uma bola para ele apanhar. O Border nem ligou,
e continuou puxando-o. Finalmente, o dono entendeu e decidiu segui-lo. O cão o
levou direto aonde a dona estava, caída no chão. O Border se destaca pela
notável capacidade de aprender sozinho, por observação. "Certa vez eu treinava
dois filhotes a transpor obstáculos; o macho fez tudo bem, mas a fêmea não entendeu.
Então o fiz repetir os exercícios na frente dela. Em seguida, dei o comando e
ela fez direitinho." Essa capacidade foi lembrada também pelo norte-americano
Allen Webb, dono de uma Border. "Tudo que ensinava a outro cão, um Schipperke,
a Border aprendia. Seja a dançar sobre as duas patas traseiras, como a trazer
objetos de volta e ficar sentado no banco de trás do carro", diz. Ruth Hobday,
tem uma escola de adestramento de cães na Inglaterra, e cria a raça há 11 anos.
Alerta que o cão aprende tudo muito fácil - até o que o dono não gostaria. Um
dos Borders de Jane detesta o aquecedor "Quando tenho de ligá-lo, no inverno,
espera que eu dê as costas, vai até o termostato e o desliga", conta. "Se quero
que eles não entrem em algum cômodo, preciso trancar a porta", completa. Ela conta,
ainda, que muitas vezes prende seus cães no canil. Quando percebe, já conseguiram
abrir o portão e lá estão eles no quintal. "Mas sabem que não gosto, e se apareço,
nem preciso falar: correm para dentro do canil e esperam que eu feche a porta",
diz. Conforme ensina o próprio Coren, é preciso entender que os critérios
usados para classificar a inteligência canina referem-se ao seu potencial de desempenho
máximo. Isso significa que embora o Border tenha muitas capacidades, fazer aflorá-las
de modo positivo vai depender do dono, ou do treinador do cachorro. "É como um
diamante que precisa ser lapidado", diz Miranda. AGILIDADE
"O Border Collie é conhecido como o grande campeão de Agility em toda a Europa",
diz Ruth. A competição - que consiste em fazer o cachorro transpor uma série de
obstáculos atendendo aos comandos do dono, e no menor tempo possível - surgiu
na Inglaterra, em 1978, para divertir o público nas exposições de beleza. A raça
é a mais encontrada nas pistas de Agility devido à grande velocidade e, claro,
à indiscutível agilidade. Todos os entrevistados afirmaram que o sucesso da raça
no esporte está associado à sua agilidade física e mental - assimila e realiza
os comandos mais rápido do que cães de outras raças. "A resposta às ordens é praticamente
imediata", diz Kenneth Tatsch, presidente da United States Dogs Agility Association.
"Em uma disputa, se você quiser apostar em algum cão, aposte num Border", sugere
Ruth. A superioridade da raça no esporte é tamanha que, no ano passado, foi criada
uma categoria especial só para Borders, a ABC (Anything But a Collie). Na Inglaterra,
Collie é sinônimo de Border Collie; a raça conhecida por nós como Collie, aquela
da Lassie, é chamada pelos ingleses de Rough Collie, e é bem menos popular do
que o Border entre eles. "A ABC é uma espécie de NBA do Agility", compara Ruth,
referindo-se à liga de basquete norte-americana, considerada a melhor do mundo.
"Nos Estados Unidos, o Border também se destaca nas competições de Agility, mesmo
sendo menos conhecido que muitas outras raças", informa Tatsch. "A raça ganha
cerca da metade das mais de cem provas anuais da nossa associação." Há uma explicação
anatômica para essa superioridade: "O fato de eles serem um pouco mais compridos
do que altos auxilia a movimentação e aumenta a agilidade", diz Ruth. "Essa é
a principal vantagem para que o Border consiga ganhar segundos preciosos contra
o relógio durante as provas", diz. A cinóloga e consultora de Cães & Cia, Hilda
Drumond, explica que o Border tem uma estrutra física adequada para o pastoreio,
que exige agilidade. "A extrema facilidade do Border em mudar de direção é determinada
pela coluna vertebral alongada, com maior distância entre as costelas, que aumenta
a agilidade, e pela caixa toráxica estreita que ajuda a proporcionar um equilíbrio
físico instável", explica. "É o que acontece com a bicicleta, por exemplo, que
tem mais facilidade de movimento e mudança de direção que um trator."
COMPETÊNCIA Mas não é só. Além de obediente e ágil, o Border
é considerado muito ativo e resistente. Juntas, essas características explicam
porque é um pastor de ovelhas tão competente - e tão usado. Tanto é assim que
a maioria dos Borders é registrada em clubes e entidades voltadas apenas para
o trabalho. A Federação Cinológica Internacional (FCI) tem um padrão oficial
para a raça há bastante tempo, mas o American Kennel Club (AKC) apenas a reconheceu
há pouco mais de um ano. Por isso, uma rápida olhada nos números de registro da
raça no mundo pode dar a impressão errada de que existem poucos exemplares. Nos
Estados Unidos, o AKC registrou 704 em 1995. No The Kennel Club (TKC), Inglaterra,
somaram pouco mais de 2 mil. Nos outros países, os números também são pouco expressivos.
Ao contabilizar os registros nos clubes de trabalho, porém, a coisa muda de figura.
A International Sheep Dog Society (ISDS), na Inglaterra, registra cerca de 6,5
mil Borders por ano. Se fosse possível somar esses registros com os do TKC - o
que pode não corresponder à realidade, pois alguns são registrados nas duas entidades
- chegaríamos a mais de 9 mil Borders por ano, número superior à quantidade de
Rottweilers e Dobermanns registrados no país. Nos EUA também há várias entidades
que registram exclusivamente Borders. Apenas uma delas, a North American Sheep
Dog Society, registra 1,4 mil cães por ano. Com um detalhe: esses clubes não reconhecem
o pedigree dos kennels, mas os kennels reconhecem os cães registrados por eles.
OVELHAS A tradição do Border em pastoreio é espantosa. Além
das entidades, há diversas publicações voltadas à raça. E livros, fitas de vídeo,
cursos especializados e artigos de consumo (roupas, objetos) relacionados a ela.
Só a revista The Working Border Collie tem aproximadamente 2,1 mil assinantes
em vários países. Linda Fogt, criadora há 20 anos e editora da revista The Working
Border Collie, nos EUA, conta que a revista divulga notícias e informaçães sobre
as técnicas de treinamento do Border no pastoreio. "Também publicamos os resultados
dos trials - as provas de campo realizadas pelos Borders - em todo o mundo", informa
Linda. Ela admite que os trials, realizados em fazendas no interior do país, não
são visitados por um grande público. Mas são bastante freqüentes: nos próximos
11 meses estão previstas 28 provas em diversos Estados. Rossine Kirsch, secretária
doThe North American Sheep Dog Society, conta que a entidade emite um certificado
de trabalho para os cães eficientes no pastoreio, avaliados por membros do conselho
de árbitros, através de uma fita de vídeo. "Verificamos a habilidade na condução
de animais (normalmente ovelhas), a integração do cão com o pastor, a atitude,
velocidade, agilidade, resposta aos comandos, concentração, disposição, movimentação
e obediência demonstradas pelo Border", revela. Rossine diz, ainda, que sua entidade
realiza entre cinco e seis provas de trial por ano. O maior de todos os eventos
ocorre no Colorado e reúne os melhores cães da temporada. Shirley Walton, secretária
da ISDS-fundada em 1916 e principal sociedade de registro de Borders de trabalho
em todo o mundo - conta que a entidade realiza cinco provas de trial por ano,
das quais quatro nacionais. Ela estima que cerca de seis mil pessoas assistam
a essas provas, cada uma, em média, com 150 Borders. Em setembro, a ISDS realiza
o torneio internacional, com os quinze melhores cães que disputaram as provas
nacionais. Arlindo Stocco já assistiu a uma dessas provas, no País de Gales. "É
um espetáculo indiscutivelmente maravilhoso", diz. No trial duplo, por exemplo,
o treinador comanda dois cães usando assobios diferenciados para cada um. Eles
devem conduzir pelo menos cinco ovelhas. Enquanto um recebe um comando, o outro
segue executando o anterior. "Imagine a dificuldade de se fazer um cão cercar
as ovelhas pela esquerda enquanto o outro deve permanecer deitado ou cercando
as ovelhas pela direita. Ou então, no final, quando um cão deve separar das demais
a ovelha com uma fita no pescoço, enquanto o outro não pode deixar as outras sairem
de um círculo de aproximadamente 18 metros, muitas vezes tendo que correr ininterruptamente
ao redor, para conseguir", descreve. Há seis comandos básicos para, por exemplo,
induzir o cão a rodear as ovelhas pela esquerda ou pela direita, ou a andar atrás
delas lentamente - go (vá); lay down (deita); stay there (fique); away to me (para
a esquerda); come bye (para a direita); steady (siga ou mantenha). Além desses,
cada treinador adota outros de acordo com a sua conveniência. Com esses comandos,
aliados à natureza pastoreadora do Border, é possível conseguir que o cão conduza
o rebanho a qualquer lugar. Seu instinto é tão forte que, mesmo longe do campo,
o Border costuma pastorear. "Uma vez, uma senhora me ligou contando uma história
muito curiosa", relata Rossine. "O Border avistou algumas pombas no parque, foi
chegando e rodeando-as devagar, até que de repente todas voaram. O Border, desesperado,
latia para cima e via espantado suas 'ovelhas' desaparecerem no céu." Ela soube
de outro Border que tentou pastorear automóveis em manobra num estacionamento
e quase foi atropelado. O Border assume uma pose bastante típica quando trabalha:
cabeça para frente, patas da frente abaixadas e garupa alta. "Faz isso para intimidar
as ovelhas e impor respeito", diz Peter Bedford, presidente do Border Collie Club
of Great Britain. Mas mesmo os que nunca foram treinados adotam essa posição quando
querem pastorear algo, seja o dono, uma bola de basquete ou um grupo de crianças.
A criação do Border foi essencialmente voltada ao trabalho e ainda hoje a raça
não segue um padrão muito rígido. Há criadores contrários a acasalamentos que
privilegiem a estética, que podem comprometer as aptidões para o trabalho. Por
outro lado, cruzamentos visando essas aptidões resultam em tipos físicos variados.
"O Border sempre foi criado pela sua versatilidade e eficiência, e é assim que
as coisas devem continuar", opina Linda. Mas o padrão adotado pela FCI determina
características que todo Border deve ter, como por exemplo um corpo um pouco mais
comprido do que alto, o porte médio com cerca de 50 cm na altura da cernelha,
o focinho relativamente fino, as orelhas afastadas e inseridas no alto da cabeça,
a cauda moderadamente comprida. Mas permite variações. O pêlo pode ser curto ou
longo; as orelhas eretas ou semi-eretas (o importante é formarem uma concha acústica
que proporcione boa audição); e são permitidas várias marcações, normalmente em
preto, marrom, vermelho, e até mesmo o azul merle, sobre fundo branco, que não
deve ser predominante. Segundo os criadores, todas essas variações não comprometem
o trabalho do cão. NAS CIDADES Cada vez mais Borders
Collies vêm sendo usados para outras finalidades que não o pastoreio. As pessoas
vêm descobrindo suas qualidades para companhia ou como atleta em provas de Agility.
Além disso, o número de Borders inscritos em exposições de beleza e nos kennels
clubes vem crescendo. "As coisas estão mudando muito no mundo do Border", diz
Margareth Everton, membro do General Committee do TKC, juíza há 40 anos e responsável
pelas regras de julgamento das raças do grupo de trabalho. "Há cerca de 15 anos
eram poucos os Borders em exposições. Em 1996, na maior exposição do país participaram
250 Borders, quase tantos quanto os populares Rottweiler e Dogue Alemão", informa.
Eles dificilmente ganham o primeiro lugar do grupo, mas ficam entre os dez melhores.
Para ela, porém, apesar da mentalidade estar mudando - há uma certa estabilidade
nos registros de Borders em clubes de trabalho e um crescimento dos registros
nos kennels, indicando um interesse pela raça fora do círculo de fazendeiros -
ainda é muito forte a tendência de achar que o Border não é um cão show, mas sim
de trabalho. INCANSÁVEL Quem quer um Border como companhia
é atraído por suas exaltadas qualidades (inteligência e obediência, principalmente).
Mas é preciso lembrar que ele precisa de muito espaço para se exercitar, pois
é extremamente ativo e incansável. "Falar que o Border é ativo é um eufemismo",
brinca Ruth. "Ele é mesmo elétrico, principalmente até os três anos de idade."
Até os mais velhos, se estimulados, são capazes de mostrar grande disposição.
"A raça é feita para agüentar atividades físicas contínuas, durante horas a fio",
lembra Marcelo. "Andar dezenas de quilômetros é pouco para o Border. Na verdade,
não conheci ainda o limite dele." Embora existam casos que comprovem que o Border
pode se adaptar, o fato é que foi desenvolvido para viver no campo, em grandes
áreas. "É preciso muita disposição para satisfazer a demanda por exercícios de
um Border que mora em um lugar pequeno, e nem todo dono tem esse pique", alerta
Jane. A Border de Webb mora com ele num apartamento, e se comporta bem. "Ela não
destrói nada, mas deixo sempre seus brinquedos, ossos e bolinhas espalhados pela
casa", diz. Mas admite: "Devo ser sincero, apartamento não é o habitat ideal para
o Border, pois sua necessidade de exercícios é muito grande". Ele conta que a
leva para passear duas vezes por dia, mas que não parece o suficiente: ela agüentaria
muito mais. "Sem um mínimo de atividade física, o Border fica nervoso, agitado,
correndo pela casa de um lado para o outro como se estivesse ligado na tomada",
prevê. "Recomendo passeios entre 40 minutos e uma hora, quatro vezes por dia",
diz Marcelo. "De preferência, solte-o num parque e jogue bolinhas e gravetos para
ele buscar." Jane e Ruth dão o mesmo conselho. Ruth lembra, ainda, que quem quer
um Border para companhia deve ter isso em mente, e escolher o menos ativo da ninhada.
Em compensação, o Border é normalmente muito fiel e devotado ao dono. Alguns são
tão "grudados" que exageram. "Já fui obrigado a mandá-la parar de me seguir para
ir ao banheiro em paz", diverte-se Webb. Embora não sirva para guarda, fica desconfiado
quando um estranho se aproxima. A maioria late, o que serve de alarme. Ao mesmo
tempo, donos e criadores dizem que o Border é bastante sensível a demonstrações
de amizade e, se um estranho o tratar bem e chamar para brincar, ele não pensa
duas vezes. Também costumam se comportar bem em lugares públicos e em passeios
de carro. "É um verdadeiro gentleman", diz Jane. Com ou sem coleira e guia,
não é daqueles que se impressionam com multidões e, apesar de apreciar uma novidade,
é capaz de se conter a um simples comando do dono. Os criadores afirmam ainda
que o Border é bastante sociável e costuma se dar bem com outros animais. Até
gatos, é comum tolerar. Quanto às crianças, dá-se bem com elas, mas seu instinto
de pastor pode assustá-las se forem muito pequenas. "Eles não são de pular, mas
podem ficar correndo em volta delas, evitando que se dispersem", avisa Jane. Linda
e Bedford confirmam: ambas já assistiram a cenas de Borders tentando trazer uma
turma de crianças para elas, nem que para isso fosse preciso segurá-las pelos
braços - com a boca, claro. BOA SAÚDE Manter um Border
saudável não costuma ser difícil. "Pode parecer incrível, mas nunca tive problemas
de saúde com meus cães", garante o criador Stocco. O Border está sujeito a alguns
males hereditários. Um é a Retinal Pigment Epitelial Distrophy (RPED), conhecida
como PRA central, uma atrofia da retina devido a depósito de melanina, que pode
aparecer a partir dos três anos. "Os casos de RPED, que já afetaram 12% dos cães
ingleses na década de 80, alcançam hoje cerca de 1% do plantel na Inglaterra",
diz o veterinário Peter Bedford, presidente do Border Collie Club of Great Britain
e professor titular do Royal College of Veterinary Surgery, especialista em oftalmologia.
Bedford diz que os Borders também são sujeitos à CEA (Anomalia do Olho do Collie),
um descolamento da retina. O problema é hereditário e aparece bem cedo no Border.
"A CEA resulta em sangramentos e cegueira", diz. Os casos de CEA em Borders não
são tão freqüentes. Atingem cerca de 2% dos exemplares. Casos de displasia coxo-femural
(anomalia no encaixe do fêmur e da bacia) também já foram relatados, mas são mais
raros ainda na Inglaterra: segundo Bedford, atingem menos de 1% naquele país.
Já nos EUA, a Orthopedic Foundation Association pesquisou 837 Borders entre 1974
e 1991, com uma incidência de 14%. Quanto à higiene, banhos podem ser dados
mensalmente (no exterior, os criadores dão apenas dois banhos por ano). Escovações
freqüentes são recomendáveis para manter a pelagem sempre na melhor forma. Nos
de pêlo longo, mais ainda: de preferência, todo dia. "Mas essa tarefa não leva
mais de cinco minutos", garante Jane.
| | PADRÃO
OFICIAL CBKC nº 297, de 9/6/95 FCI nº 297 GB, de 8/9/88 País de origem: Grã-Bretanha
Nome no país de origem: Border Collie APARÊNCIA GERAL:bem proporcionado,
de silhueta suave revelando qualidade, graça e perfeito equilíbrio, combinando
com substância suficiente para conferir uma impressão de resistência. Qualquer
tendência à rusticidade ou debilidade é indesejável. CARACTERÍSTICAS:tenacidade,
pastor de trabalho pesado, de ótima tratabilidade. TEMPERAMENTO:esperto,
alerta, responsável e inteligente. Jamais nervoso ou agressivo. CABEÇA
E CRÂNIO: crânio razoavelmente largo, occipital não pronunciado. Sem bochechas
cheias ou arredondadas. Focinho afinando para a trufa, moderadamente curto e robusto.
Crânio e focinho, aproximadamente do mesmo comprimento. Stop bem marcado. Trufa
preta, exceto para os exemplares de cor marrom ou chocolate, nos quais pode ser
mais marrom. Nos azuis, a trufa é cor-de-ardósia. Narinas bemdesenvolvidas.
O LHOS:inseridos bem separados, de formato oval e tamanho médio; de
cor marrom exceto nos "merle" para os quais um, ambos os olhos ou apenas parte
de um poderá ser azul. Expressão suave, esperta, alerta e inteligente.
ORELHAS:de textura e tamanho médio, inseridas bem separadas. Portadas eretas
ou semi-eretas e de audição muito sensível. BOCA: maxilares e
dentes fortes com uma mordedura em tesoura perfeita, regular e completa, isto
é, os dentes superiores recobrem os inferiores e são inseridos ortogonalmente
aos maxilares. PESCOÇO: de bom comprimento, robusto e musculado,
levemente arqueados engrossando para os ombros. ANTERIORES:visto
de frente, paralelos, visto de perfil, metacarpos ligeiramente inclinados. Ossatura
forte sem ser pesada. Ombros bem angulados, os cotovelos trabalhando ajustados
rente ao tórax. TRONCO: de aspecto atlético, costelas bem arqueadas,
peito profundo e mais para largo, lombo profundo e musculado sem ser esgaldado.
O comprimento do tronco é ligeiramente maior que a altura na cernelha.
POSTERIORES: largos, musculados, vistos de perfil, a garupa é ligeiramente
inclinada para a raiz da cauda. Coxas longas, profundas e musculadas com joelhos
bem angulados e jarretes curtos e robustos. Vistos por trás, os jarretes têm boa
ossatura e são paralelos. PATAS: de formato oval, almofadas plantares
e digitais espessas, robustas e saudáveis, dígitos bem arqueados e compactos.
Unhas curtas e fortes CAUDA: moderadamente longa, com a última
vértebra alcançando, no mínimo, o nível dos jarretes, de inserção baixa, bem guarnecida
de pêlos e com uma espiral para cima na direção da ponta, conferindo um gracioso
contorno e equilíbrio ao cão. A cauda poderá erguer-se em estado de excitação,
jamais portada sobre o dorso. MOVIMENTAÇÃO: fluente, suave e
incansável, com um mínimo de elevação das patas, conferindo a impressão de habilidade
para movimentação com grande propulsão e velocidade. PELAGEM: duas
variedades. Moderadamente longa. Lisa. Em ambas, a pelagem é densa e de textura
média, subpêlo macio e denso fornecendo boa proteção contra intempéries. Na variedade
de pelagem moderadamente longa, a abundância de pêlos forma uma juba, culotes
e pincel. Na face, orelhas, anteriores (exceto para franjas), posteriores do jarrete
ao solo, o pêlo é curto e liso. COR: a variedade de cores é permitida.
O branco jamais deverá ser predominante. TALHE: altura ideal
na cernelha: machos 53cm; fêmeas, ligeiramente menores. FALTAS: qualquer
desvio dos termos deste padrão deverá ser considerado como falta e penalizado
na exata proporção de sua gravidade. NOTA:os machos devem apresentar
dois testículos da aparência normal, bem desenvolvidos e acomodados na bolsa escrotal.
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PARA SABER MAIS Livros: 1) A Way of Life: Sheepdog
Training, Handling and Trialing, de Glyn Jones e Barbara Collins - Ed. Diamond
Farm Book Publisher, Alexandria Bay, NY - EUA; 2)One Dog, His Man and His
Trials, de Marjorie Quarton - Ed. Diamond Farm, EUA; 3) Lessons From a Stock
Dog: A Training Guide, de Bruce Fogt - Ed.The Working Border Collie, Sidney, Ohio,
EUA; 4) Border Collies, de Margaret Collier - Ed. TFH, EUA. Vídeos:
1) Take Time, de Glyn Jones e Eric Halstall - Ed. Diamond Farm, EUA; 2)That'll
Do!, de Glyn Jones - Diamond Farm, EUA Clubes: International Sheep Dog Society
(Inglaterra) - tel. 00441234 35-2672; North American Sheep Dog Society (EUA) -
tel. 001618 757-2238; American Border Collie Association (EUA) - tel. 001601 928-7551;
Border Collie Club of Great Britain (Inglaterra) - tel. 00441785 66-4619
Internet: http://www.ari.net/home/leeshore/usbcc/akc.html.
Agradecemos a Jane Cresswell, a Hilda Drumond, ao juiz e veterinário
José Peduti Neto e aos entrevistados brasileiros pela revisão técnica deste texto
(Marcelo Stocco, que se encontrava em viagem, não revisou). Reportagem: Rodrigo
Flores. Texto: Léa de Lucca. Foto: Paulo Fasanella e Luís Prado Prop: Canil Border
Collie - Capão Bonito-SP Direitos
autorais do texto: Cães&Cia, é proibida a reprodução
total ou parcial do texto
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