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COMO ATUA AO FAZER A GUARDA

Que o Boxer é companheiro e protetor ninguém duvida. Mas será que ele é realmente capaz de agredir um intruso para defender o dono? Ele une o útil ao agradável. É definido como alerta, corajoso, autoconfiante, forte, veloz e determinado. Tem uma extraordinária devoção à família, um instinto de proteção excepcional.

 
 

A afeição que dedica às crianças é mundialmente conhecida. Quem convive com o Boxer percebe logo a sua boa índole e que age com as pessoas de fora sem a mesma agressividade que faz a fama das raças de guarda mais ostensivas. Ao deparar com um estranho no portão, o Boxer costuma apenas observá-lo atentamente enquanto não se sentir ameaçado. Mesmo ao perceber algo suspeito não toma atitudes totalmente agressivas de início: prefere dar o alarme, latindo. Quando o visitante é bem recebido pelo dono, pode até mostrar-se amistoso e receptivo. Nada a ver com a reserva e desconfiança que conviria a um guardião linha-dura. Atitudes como essas chegam a colocar em dúvida a sua eficiência para a guarda. "Entre os cães classificados como de guarda, é no Boxer que deposito maior confiança para deixar junto à minha filha e à minha família. Mas apesar de todos os livros e revistas ressaltarem as habilidades da raça como guarda, quando visito conhecidos que têm Boxers, vejo que os seus cães não tentam me intimidar. Por que então atacariam um intruso qualquer?", perguntou a Cães & Cia o leitor Marco Aurélio Ciarlini Vollner, capitão da Polícia Militar da Região dos Lagos, no Rio de Janeiro, à procura de um guardião para proteger o lar dele. "O Boxer tornou-se um cão de família; não sei se pode ser considerado de guarda", questiona o responsável por assuntos externos do The Kennel Club (TKC), Brian Leonard, que nunca teve um Boxer. Há até quem se recuse a vender Boxers para guarda. "Conheço uma criadora que se indignou quando um comprador lhe pediu um Boxer para fazer guarda e mandou-o procurar um canil de Pastores Alemães", queixa-se a presidente da Sociedade Paulista do Boxer e criadora da raça há onze anos pelo Canil Macorê, em Embu das Artes, Regina Coloneri. "Cheguei a duvidar da capacidade da minha primeira Boxer para guardar a casa e atacar intrusos, mas estava enganada", enfatiza Sonia Bloes, que começou como simples proprietária de um exemplar da raça e hoje a cria em seu Canil Emery Bowen, de Itapetininga, SP.

INSTINTO

Muita gente que conhece bem o Boxer garante: seu zelo vai além da preocupação com o bem-estar das crianças e das pessoas da casa. "Reduzir o Boxer a 'babá' chega a ser depreciativo. Ele é um cão de guarda, basta ver o padrão", diz Regina. A Federação Cinológica Internacional (FCI) - que adota o padrão da Alemanha, país de origem da raça - diz que o Boxer é "terrível" quando desempenha a sua missão de guarda. O American Kennel Club, dos Estados Unidos, determina: a raça é "instintivamente de guarda e alarme" e "deve ser cautelosa com estranhos". De forma semelhante, o TKC, da Inglaterra, define que a raça deve ter instinto de guarda e desconfiança a estranhos. A questão é que o estilo do Boxer nada tem a ver com o popular quanto mais fera, melhor. Ele só revida ao sentir ameaça, como quando há uma invasão ao seu território. "Antes de avançar, o Boxer julga a situação e a reação das pessoas. Ser dócil e sociável não o impede de ser corajoso a ponto de defender o dono até a morte", assegura Hilda Drumond, cinóloga, juíza de todas as raças, que criou Boxers por 45 anos. "Em vez de latir, ele observa para ver se identifica algo suspeito. E se perceber, dá o sinal e avança", descreve Patrícia Carlucci, criadora há dez anos pelo Alkaid Boxer Kennel, em Ribeirão Preto, SP. "O extremo apego do Boxer à família é a sua motivação para agir quando há perigo", reforça Carlos Rangel, que estudou 19 Boxers na guarda e tem mais de vinte anos de experiência em adestramento, além de ser o responsável pelo treinamento dos cerca de 70 cães de guarda da empresa de segurança Pires. Um estranho, mesmo que pareça ter se tornado amigo de um Boxer, não fica livre de ser reavaliado na próxima visita. "Se eu deixar o Boxer com um desconhecido, o cão até gostará da companhia; mas se a pessoa deixar de ser bem-vinda, possivelmente será defensivo, trocando contato com olhares e rosnados", prevê Bruce Cattanach, criador da raça há 40 anos em Harwell, Oxfordshire, Inglaterra, e ex-presidente do principal clube inglês da raça, o British Boxer Club. "O Boxer é um dos poucos cães capaz de se transformar, indo da extrema docilidade à extrema agressividade, porém mantendo o autocontrole", acredita Gilberto Rocha, criador da raça há 22 anos, pelo Gama Grass Kennel, de Sorocaba, SP. Cara de bravo, postura alerta e peito projetado para a frente - essas características físicas dão ao Boxer uma aparência que atemoriza. Numa pesquisa realizada com cem pessoas por Cães & Cia (edição 197), a cara do Boxer foi considerada a mais intimidadora entre as sete raças de guarda mais populares. "Intimidação é 80% da eficiência na guarda", destaca Rangel. "É preferível não arriscar para saber o que se esconde por trás da cara de mau do Boxer", diz Hilda. "As pessoas têm mais medo da cara de bravo das minhas Boxers do que a das minhas Rottweilers", afirma Sonia, que hoje tem seis Boxers. O oficial e adestrador da Polícia de St. Louis, nos EUA, Edward Meyer, comenta: "Recentemente, um conhecido me recebeu com um Boxer solto ao lado. Com minha experiência, fiz amizade com o cão em poucos minutos e passei inclusive a mão na cabeça dele. Mas, com essa mesma experiência, eu não entraria naquela casa sem o dono por perto; o vigor físico e a vigilância atenta do Boxer me impõem respeito." A proprietária Sonia afirma: "Não tenho mais qualquer dúvida sobre as aptidões da raça para a guarda." Ela é testemunha de dois casos reveladores. Um dia sua Boxer estava presa e de repente ficou bastante impaciente. Sonia resolveu soltá-la e viu-a sair correndo. Seguiu-a com o olhar e percebeu que havia um ladrão dentro do quintal. Aterrorizado, ao ver o cachorro correndo em sua direção, o invasor logo pulou o muro e fugiu. Em outra oportunidade, Sonia já tinha duas Boxers. Ao voltar para casa de madrugada encontrou uma porta, que esquecera de fechar, escancarada provavelmente pelo vento. As duas Boxers, deitadas ao lado, tomavam conta. "Achei incrível. Elas poderiam ter entrado na sala, bem mais confortável", diz ela. Testemunha também desse instinto, Marianne Monteiro, de São Paulo, tem dois Boxers em casa comprados para companhia, que sempre receberam os visitantes bem, às vezes com pulos de amizade. Mas um dia dois entregadores de gás entraram sem aviso e os cães partiram pra cima deles, arrastando uma tampa de concreto bem pesada à qual estavam presos. A mãe de Marianne, ao ouvir os latidos, ordenou que parassem. Obedeceram de imediato, mas mantiveram os entregadores sob vigilância. Resultado: aqueles homens nunca mais voltaram. Outra vez, Marianne chegou em casa e encontrou no porão os pedreiros que reformavam sua casa. Chamavam por socorro e os dois Boxers mantinham-se sentados, de olho na porta. "Eram pessoas desconhecidas que, por descuido, havíamos deixado sozinhas com os cães soltos", conta.

EM AÇÃO

"O ataque do Boxer não deixa nada a desejar ao de outras raças", avalia o adestrador Rangel. Ele explica: seu ataque é rápido, com excelente mobilidade, sendo a velocidade e resistência superiores a algumas raças de guarda mais pesadas; é determinado e decidido para a luta; o dinamismo se alia à silhueta menor que a de outras raças de guarda e o tornam um alvo difícil pouco alvejável; atua bem no escuro devido à audição e faro; a formação dentária extremamente bem projetada e desenvolvida e mais a musculatura firme da mandíbula lhe dão uma mordida muito poderosa.

 "O ataque do Boxer não deixa nada a desejar ao de outras raças", avalia o adestrador Rangel."  

"O Boxer é mais veloz compensando a maior velocidade de arranque do Rottweiler com uma maior resistência para manter o ritmo em um confronto; supera o maior peso do Rottweiler com um ímpeto de ataque maior devido à sua maior decisão e rapidez, e sobrepuja a maior agilidade do Dobermann com um ataque mais impetuoso por ter uma vitalidade maior", compara Rangel. Facilmente adestrável e controlável pelo condutor, o Boxer também costuma responder aos comandos sem resistir, ao contrário das raças mais dominantes. Rangel, em seus testes com os 19 Boxers - tinham idades entre 6 meses e 3 anos - concluiu que eles retiveram muito bem o aprendizado quando adestrados. "Treinei-os e depois os entreguei a famílias que os trataram como cães de estimação. Passados seis a oito meses, submeti-os a provas de ataque e eles responderam perfeitamente", conta. Mais que controlável, o Boxer tem autocontrole, qualidade importante para evitar acidentes. "O conjunto de suas características o tornam interessante para a guarda profissional", considera Rangel. Na Pires, cada cão trabalha em dupla com um vigilante e só deve atuar quando agredido ou solicitado pelo condutor. "O Boxer age exatamente assim", explica Rangel, que tornou-se entusiasta da raça e pensa em adotá-la na empresa. "Só não o fiz até agora por me faltar o tempo exigido para uma implantação dessas", justifica. "O potencial do Boxer permite que seja bem mais aproveitado profissionalmente do que é. Se não aconteceu até hoje, é devido à tradição muito forte do Pastor Alemão desde o início do século", teoriza. Meyer, como oficial e adestrador da polícia americana, confirma na prática: "Me adaptei bem aos Pastores e não vejo por que substituí-los."

ELOGIOS

Como companhia, as opiniões sobre a raça formam um coro afinado. "O Boxer é um cão de estimação para os americanos", declara Meyer. "Encaramos o Boxer como um cão de companhia", expõe Tracy Hendrickson, responsável pelo Boxer Rescue, do Boxer Club of America. "Na Inglaterra também é assim", diz Cattanach. "Pelo menos 70% das pessoas que me ligam querem um Boxer para companhia", estima Regina. O amor incondicional às crianças é sempre lembrado. "Nesse ponto o Boxer é imbatível. Nem mesmo o Collie tem tanta paciência com elas", garante Hilda. "Minha filha aprendeu a andar agarrando um Boxer e o mordia, mas ele nem se mexia para não machucá-la", conta. Sonia relata: "Houve uma época em que a minha Boxer chorava em frente ao portão, sempre no mesmo horário. Um dia entendi o porquê: a vizinha levava a filha pequena à praça em frente para tomar sol e a Boxer queria sair para brincar com ela." Tracy resume: "Boxer e confiança devem andar juntos." E informa: "Dos 208 cães recebidos pela nossa instituição, apenas dois apresentavam antecedentes ruins, ou seja, morderam o dono ou alguém da família. Isso aconteceu por algum desvio comportamental genético ou foi desenvolvido por maus tratos". Rangel complementa: "No Boxer, os desvios comportamentais são menos freqüentes que em outras raças." É importante tratar o Boxer de acordo com a sua natureza sociável. "Ele aprecia a companhia humana e precisa dela", diz Tracy. Regina deixa de vender Boxers a quem pretende mantê-los presos num canil o dia todo. "Para conciliar as funções de guarda e companhia, como é esperado para a raça, o Boxer precisa ter contato com o dono; pode até ficar preso, mas não em excesso por ser tão carinhoso." Cattanach alerta: "O comprador precisa saber com antecedência da adoração do Boxer por contato físico e do seu hábito de pular nas pessoas da casa." A criadora de Boxers há seis anos, em Guaratinguetá, SP, do canil Decesario, Monique Rodrigues, orienta: "Quem se incomoda com demonstrações de afeto desse tipo, deve educar o Boxer desde filhote ou considerar outra raça." As qualidades de guarda do Boxer podem ser perdidas por motivos genéticos, devido à falta de cruzamentos cuidadosos. "Nem todos os Boxer têm temperamento de guarda", constata Monique, que além de criadora é veterinária. Regina, como presidente de clube especializado, orienta: "Acasalar exemplares com temperamento fraco gera Boxers com pouco instinto de proteção. Isso não deve ser feito, pois é indesejado para a raça."

SUCESSO

Em países como os da Grã-Bretanha, onde processos judiciais por desrespeito aos direitos do próximo são temidos, cães confiáveis têm espaço garantido. Isso explica porque o Boxer mais que dobrou o número de registros por lá nos últimos dez anos e o Rottweiler e o Dobermann despencaram a menos da metade. Hoje, mais de dois Boxers são registrados na Grã-Bretanha para cada Rottweiler que obtém registro. Uma fantástica inversão na situação de dez anos atrás, quando para cada Boxer quase dois Rottweilers eram registrados. "Nenhum inglês quer um cão violento na sua propriedade", afirma Cattanach. "O Boxer é uma alternativa aos cães de guarda mais bravos. Certamente os compradores de Rottweiler e Dobermann de ontem têm tudo para ser os compradores de Boxer de hoje", diz Leonard. Nos EUA a mentalidade anti-violência também ganha espaço e o Boxer cresce junto. "Acredito demais na aceitação cada vez maior do Boxer, porque nenhuma pessoa neste país quer ter problemas com mordidas de cachorros", diz Tracy. Nos últimos dez anos, os registros de Boxer no AKC quase dobraram e aumentaram sete vezes acima da média de todas as raças caninas. Já os de Dobermann caíram um terço e o Rottweiler, que crescia sem parar até 1993, desde então perde registros ano após ano. A preferência do brasileiro vai por um caminho completamente oposto. Enquanto o Boxer avançou quase 20% no último decênio no Brasil, o Rottweiler extrapolou e disparou com quase 1400% de aumento nos registros. Mas as mudanças ocorridas em outros países podem prenunciar uma nova era para o Boxer verde-amarelo. O próprio caso do leitor Vollner, procurando um guardião menos agressivo, pode ser um indicativo. A consciência pelos direitos dos cidadões não pára de aumentar. Até mesmo no uso profissional, a raça pode deslanchar. Rangel não descarta a idéia de incluir Boxers no plantel da Pires - atualmente com cerca de 80% de Pastores Alemães, 14% de Dobermanns e 6% de Rottweilers. "Muita gente ainda desconhece as virtudes do Boxer, mas tenho certeza de que os incrédulos ficarão impressionados ao vê-lo em ação."

TUMORES

Bastante saudável, o Boxer é resistente e fácil de cuidar. Mas está sujeito a alguns males genéticos. Entre eles, tumores. Cattanach explica que a Universidade de Cambridge pesquisa o assunto: "Os tumores são comuns no Boxer e ainda ninguém entende o porquê." Monique Rodrigues com seus conhecimentos de criadora e veterinária, acrescenta: "Mais da metade dos Boxers desenvolve algum tipo de tumor, a maioria benigno. Os mais comuns são o de pele e o de boca, embora os cânceres de mama, ovário e testículos também aconteçam." Tracy indica: "Costumam aparecer depois de 6 anos de idade." A solução pode ser cirúrgica ou quimioterápica. "Estima-se que muitos Boxers vão apresentar em alguma fase de suas vidas a Hiperplasia da Gengiva", informa Monique. O mal é um crescimento anormal das gengivas que chega a cobrir os dentes, levando o cão a comer menos, especialmente alimentos duros. Esse excesso de gengiva é retirado por cirurgia. Outro problema genético, menos comum, é o crescimento anormal do coração: a Cardiomiopatia. Não há como conter a dilatação do músculo. A doença é fatal. "Apesar de o mal ser bastante freqüente, os sintomas podem demorar a aparecer e muitas vezes não é detectado. Em mais de cem cães atendidos, vi apenas quatro com ele", informa Monique. Os afetados se cansam com extrema facilidade, tossem, tornam-se apáticos e preferem passar boa parte do tempo deitados. Nos casos mais adiantados, é possível perceber uma dilatação abdominal. A confirmação do problema é feita com eletrocardiograma e ecocardiograma.

 

PADRÃO OFICIAL

CBKC nº144 a, de 8/4/94 FCI nº144 d, de 14/4/93 País de origem:Alemanha Nome do país de origem: Deutscher Boxer Utilização: Guarda e companhia. Obs: Exigida prova de Trabalho para o Campeonato Aparência Geral: o Boxer é um cão de talhe médio, compacto, de figura quadrada, com ossatura robusta e de pelagem curta. A musculatura é seca, poderosamente desenvolvida, modelagem nitidamente definida. Sua movimentação é energética, poderosa e nobre. O Boxer não é rústico, pesado, muito leve, nem lhe falta substância.
Proporções Importantes: a. Comprimento do tronco: a construção é de figura quadrada, isto é, a horizontal da cernelha e as duas verticais, uma tangenciando a ponta do ombro e a outra a ponta do ísquio, formando um quadrado. b. Profundidade de peito: o peito alcança abaixo dos cotovelos, sendo a metade da altura na cernelha. c. Comprimento da cana nasal: a proporção crânio-focinho é de 2:1; medidos o crânio do stop, canto medial do olho até o occipital e da ponta da trufa ao stop Caráter: é da maior importância e ponto de maior atenção. A ligação e a fidelidade do Boxer para com seu dono e seu território, sua vigilância, sua intrépida coragem como defensor e guardião, são conhecidas há muito tempo. Dócil no meio familiar, mas desconfiado para com os estranhos; de temperamento alegre e amistoso nas brincadeiras, mas terrível quando desempenha uma missão. Sua docilidade, energia e coragem, sua mordacidade natural, a acuidade do seu olfato o tornam um cão fácil de educar e de induzir. É igualmente agradável por suas exigências mínimas, territorialidade e tradição como cão de guarda, de defesa e de serviço. De caráter franco, não reserva espaço para a falsidade ou traições, mesmo em idade avançada.
Cabeça: é a parte do Boxer que lhe confere o aspecto característico: bem proporcionada ao tronco sem parecer leve nem muito pesada. O focinho, o mais largo e poderoso possível. A estrutura da cabeça obedece à relação proporcional entre as medidas do focinho e as do crânio. Visto de qualquer ângulo, o focinho guarda uma proporção correta com o crânio, isto é, não pode parecer muito pequeno. A pele, normalmente, não apresentou rugas. Entretanto, com o movimento natural das orelhas, conforme cada posição, pode haver formação de rugas. Com origem na face dorsal da raiz do focinho, rugas naturais, levemente marcadas, descem simetricamente, pelas faces laterais. Crânio: o crânio bem modelado, isométrico, com os faces planas, sem relevo, levemente arqueado, sem ser curto, abobadado, ou plano; moderadamente longo e o occipital moderadamente pronunciado. Stop: nitidamente marcado, formado pelo frontal e a cana nasal. A cana nasal não deve ser encurtada, como no Buldogue, nem caída para frente. O comprimento da cana nasal é igual à metade do comprimento do crânio (relação C/F = 2:1). O frontal apresenta um sulco mediano, sutilmente profundo especialmente entre os dois olhos.
Trufa: fica um pouco mais alta em relação à raiz, larga, preta, levemente arrebitada, com narinas largas, separadas pelo fino sulco mediano da trufa.
Focinho: bem desenvolvido nas três dimensões de maneira equilibrada. Sua forma é determinada pela: a. forma e articulação dos maxilares; b. disposição dos caninos inferiores e alinhamento das arcadas dentárias; c. maneira com que os lábios se amoldam a essa estrutura. Os caninos, de bom tamanho, são o mais afastado possível. O plano anterior do focinho é, portanto, largo, quase quadrado, formando um ângulo obtuso com a linha superior do focinho. O contorno do lábio superior pousa no contorno do inferior. O lábio inferior, no terço anterior da mandíbula, curvada para cima, não pode ultrapassar muito à frente nem, tampouco, ocultar-se sob o lábio superior. O queixo projeta-se à frente do lábio superior, de maneira bem nítida, tanto de frente, quanto de perfil, sem por isso, assemelhar-se ao do Buldogue. Tanto os incisivos inferiores, quanto a língua, devem ficar ocultos, enquanto a boca estiver fechada. Os seis incisivos são bem alinhados, inclusive os incisivos pinça; entretanto, os inferiores alinham-se em reta. Os dois dentes são fortes, sadios e normalmente inseridos. A mandíbula avança em relação à maxila e assume uma forma levemente encurvada para cima. Lábios:os lábios arrematam a forma do focinho. O superior é espesso, formando um acolchoado, que preenche o espaço do prognatismo entre a arcada superior e inferior e fica apoiado nos caninos inferiores. Dentes:o Boxer é naturalmente prognata. A maxila é larga desde a raiz, mantendo essa largura, em toda a sua extensão, diminuindo muito pouco, na direção da ponta do queixo. Tanto a maxila quanto a mandíbula são muito largas na ponta do focinho. Faces:fortemente desenvolvidas, em virtude da robustez dos maxilares, sem que com isso, sejam fortemente pronunciadas em relevo saliente: apenas, fundem-se ao focinho em leve curva. Olhos: marrom-escuro, com a orla das pálpebras escura, de tamanho médio e inserção faceando com a superfície da pele. De expressão energética e inteligente, sem ficar com a expressão carrancuda - ameaçadora -, penetrante. Orelhas: inserção alta, preferencialmente pequenas e espessura delgada. Em repouso, são portadas pendentes bem rente às faces. Em atenção, voltam-se para a frente, caindo e fazendo uma dobra bem marcada. Quando operadas, são cortadas em ponta, de comprimento moderado, com o pavilhão auditivo de largura moderada e são portadas eretas. Pescoço:com a nuca bem evidenciada, por uma curva elegante, na linha superior; de seção redonda, comprimento e largura médios; forte e musculado, pele ajustada em toda a extensão, sem ser exageradamente lassa, e sem barbela.
Tronco:de construção quadrada, compacto e membros retos. Cernelha: bem marcada. Linha superior: reta, dorso e lombo curtos, largos e bem musculados.
Garupa: levemente inclinada, larga, com tênue, quase reto, arqueamento. O osso pélvico é longo, largo, sendo mais largo nas fêmeas. Peito e antepeito: profundo, descendo ao nível dos cotovelos; e igual à metade da altura na cernelha. Antepeito bem desenvolvido. Costelas: bem arqueadas, sem ser em barril, com as articulações bem anguladas para trás. Linha inferior: descreve uma curva elegante, ligeiramente esgalgada. Lombo: curto, compacto e rígido. Cauda: de inserção mais para alta que baixa, amputada, portada acima da horizontal. Membros anteriores: visto de frente, os membros anteriores devem ser retos e paralelos, com uma forte ossatura. Ombros: com escápula longa e inclinada, amoldada ao tórax, sem ser muscularmente carregado. Braços: longos, com uma forte ossatura, articulações firmes e o úmero fazendo um ângulo reto (90º) com a escápula. Cotovelos: bem ajustados, trabalhando paralelos, rente ao tórax. Antebraços: verticais, longos e fortemente musculados por musculatura seca. Carpos: fortes, bem marcados, embora sem volume. Metacarpos: curtos, quase verticais. Patas: pequenas, redondas, compactas, e almofadas plantares com a sola bem resistente. Posteriores: musculatura muito forte, músculos rígidos, com relevo bem modelado.
Coxas: longas e largas. Articulações coxofemorais e dos joelhos o mais fechadas possível. Joelho: com o exemplar em stay, deve tangenciar a vertical da ponta do ílio. Pernas: muito musculosas. Jarretes: fortes, bem definidos, com a ponta não voltada para cima e o ângulo próximo aos 140º. Metatarso:curto, pouco inclinado fazendo um ângulo com o solo de 95º - 100º. Patas: levemente mais longas que a dos anteriores, com almofadas robustas. Movimentação: vigorosa, com muita propulsão e nobreza.

Pele: ajustada, elástica e sem rugas. Pelagem: Pêlo: curto, duro, brilhante e bem assentado. Cor: fulvo (dourado) ou tigrado. Dourado: apresenta-se em diversas tonalidades, indo e vindo do vermelho escuro ao amarelo claro; as tonalidades médias, o vermelho amarelado, são as mais características. A máscara preta. Tigrado: desenha-se em linhas, de cor escura ou preta, sobre as diversas tonalidades já descritas. O contraste entre a cor das listas e a cor-base deve ser nítido. As marcas brancas não devem ser proscritas; elas podem, até mesmo, ser muito agradáveis.

Talhe: altura média na cernelha, na vertical que passa no cotovelo: machos 53 - 63 cm; fêmeas 53 - 59 cm. Faltas: qualquer desvio dos termos deste padrão deverá ser considerado como falta e penalizado na exata proporção de sua gravidade. Caráter e temperamento: fraco; agressivo; traiçoeiro; pouco corajoso. Cabeça: sem tipicidade e expressão; fisionomia carrancuda; dentadura alterada por doença, inserção defeituosa dos dentes: cabeça de Pinscher, de Buldogue; exemplar que baba; orelhas mal cortadas; se inteira, orelha portada em rosa, ou voltada para trás, semi-ereta, ou rígida; dentes ou língua à mostra com a boca fechada; olhos claros (de rapina); canal nasal descendente; focinho pontuado ou muito leve; trufa marrom, clara em certos pontos. Pescoço: curto, grosso e barbela. Tronco: antepeito muito largo; falta de profundidade de peito; ombros soltos; tórax muito baixo entre os anteriores; esgalgado; barrigudo. Dorso: carpeado; cedido; magro. Lombo: longo, estreito; nitidamente selado; não muito firme na conexão com a garupa. Garupa: caída, muito arqueada, estreita; inserção baixa de cauda. Anteriores: frente francesa, ombros soltos, cotovelos soltos, metacarpos fracos, pés de lebre, abertos ou achatados. Posteriores: altos; retos; rígidos; angulação insuficiente; pobremente musculados; jarretes de vaca; pernas em barril; membros abertos. Movimentação: bamboleante, pouca cobertura de solo, passo de camelo. Cor: máscara excedendo os seus limites, listas tigradas muito juntas ou algumas poucas, reconhecíveis. Interferências de cores; marcas brancas indesejáveis, tais que, a cabeça seja inteira ou metade branca. Outras cores de cães cuja cor-base é invadida por mais de um terço de branco. Nota: os machos devem apresentar dois testículos de aparência normal, bem desenvolvidos e acomodados na bolsa escrotal.

 

PARA SABER MAIS

Entidades:
1. Sociedade Paulista do Boxer, tel. (011)494-2132;
2. Boxer Clube do Estado do Rio de Janeiro (Boxerj), tel.(021)493-5212;
3. Boxer Club of America, tel. (001703) 385-9385;
4. British Boxer Club, tel. (004 41) 2358-35410

Livros:
1. O Boxer, de Elizabeth Somerfield, Ed. Nobel (Livraria Cães & Cia).
2. The New Boxer, por Billy Mc Sadden, Howell Book House, NY, EUA.
3. The Boxer Blue Print, por Daniel A. Buchwald e Jean M. Buchwald, Golden Boy Press, New Jersey, NY, EUA.
4. Livros da TFH Publications, Neptune City, NJ: The Boxer, por Anna K. Nicholase.
5. Boxers, por Beverly Pisano. Revista: The Boxer Review, 8760 Appian Way, Los Angeles, CA, 90046 - EUA, tel. (001 213) 654-3147, Fax (001 213) 654-8318.

Reportagem: Rodrigo Flores (Coordenação: Marcos Pennacchi). Texto: Léa De Luca (Alterações de estrutura: Marcos Pennacchi e Flávia Soares. Roteiro e texto final: Marcos Pennacchi). Revisão Técnica (secretariada por Fabio Bense): Completa - Carlos Rangel, Hilda Drumond e Regina Coloneri. Parcial - Edward Meyer, Gilberto Rocha, Marco A. Vollner, Marianne Monteiro, Monique Rodrigues, Patricia Carlucci, Sonia Bloes. Foto: Luiz Henrique Mendes Prop.:Gamma Grass Kennel - Sorocaba - SP
Direitos autorais do texto: Cães&Cia, é proibida a reprodução total ou parcial do texto

 
  
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