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O
DESAFIO DE SER BULDOGUE INGLÊS Com
um superfísico e um temperamento valente, o Buldogue Americano é o novo guardião
que chega ao Brasil. Desconhecido da maioria do público, o Buldogue Americano
desperta admiração imediata em quem gosta de cães poderosos. | |
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Seu visual marcante resulta de
muito trabalho, porém lhe traz inconvenientes. Conheça-os. Ele é uma figura ímpar,
uma verdadeira e divertida caricatura de cachorro. Mesmo seus criadores mais fiéis
concordam: "o Buldogue Inglês é belíssimo em seu aspecto horrendo", conta Herculano
de Oliveira, do Real Griffin Kennels, Jundiaí - SP. Mas saiba que os detalhes
deste físico tão peculiar têm razão de ser e a resposta está no passado, quando
a raça lutava contra touros. De lá para cá transformou-se muito, mas ainda conserva
algumas características dos tempos dos combates - um dos esportes mais populares
(e violentos) da Inglaterra entre os séculos 13 e 19. Um de seus traços marcantes
é a mandíbula, que tornou-se mais desenvolvida que a arcada superior para poder
morder, de baixo para cima, as narinas e o pescoço do touro, de forma que este
não se saltasse. O focinho curto e o nariz para o alto, responsáveis por grande
parte da expressão "invocada" do Buldogue, serviam para que ele não se sufocasse
com o sangue da presa, enquanto a mordia. Este detalhe tornou-se um de seus maiores
problemas - é curto demais para resfriar o ar e pode causar a morte em conseqüência
do calor excessivo. Como a sinuosidade da cana nasal dificulta a respiração, ele
se cansa logo se fizer esforços físicos. As pernas dianteiras curtas e espaçadas
e a frente bem mais larga que a traseira, satirizadas por toda um legião de desenhistas
(lembra-se do cãozarrão inimigo do gato Tom?), foram fundamentais. Permitiam verdadeiros
dribles laterais que o ajudavam a se defender e atacar com eficiência o touro.
ANTICHIFRE Apesar de na época dos combates o Buldogue
ser mais alto que hoje, os mais baixos levavam vantagens. Eram menos vulneráveis
ao alcance dos chifres. Isto provavelmente colaborou para a desproporção entre
peso e tamanho da raça. Para se ter idéia, ele tem aproximadamente a altura do
Cocker Spaniel Inglês e o peso do Collie (quase duas vezes mais alto). O tipo
pesado e atarracado, tão peculiar à raça, tem um lado pouco funcional. Atualmente,
segundo uma pesquisa do The Bulldog Club of America, 94% dos partos são induzidos
por cesariana. A explicação é simples. "A cabeça e a caixa toráxica do filhote
costumam ser maiores que o espaço entre os ossos que formam a pélvis da cadela
exigindo a cirurgia", explica a especialista em reprodução animal da USP - Universidade
de São Paulo, Silvia Crusco. "É muito raro que um exemplar de ótima qualidade
gere filhos igualmente ótimos por parto natural", diz a cinóloga Hilda Drumond.
Outro problema é a dificuldade de acasalamento. O macho, devido às pernas curtas
e largura da caixa toráxica, não consegue agarrar a fêmea. Além disso, ambos se
cansam fácil. São necessárias, no mínimo, duas pessoas para ajudá-los. A inseminação
artificial tem sido uma opção bastante usada, já que poupa o casal do esforço
excessivo. O Buldogue se afastou tanto do protótipo comum aos cães que, se o homem
não o ajudasse a reproduzir, a raça como conhecemos hoje provavelmente deixaria
de existir. Quanto ao temperamento, foi-se o tempo que o Buldogue era uma fera.
No século 19, quando a Inglaterra proibiu o combate de animais, ele passou por
uma série de cruzamentos para ser amansado. Sucesso total. Tornou-se um excelente
cão de companhia, dócil e afetuoso. De bravo só sobrou a cara e, justamente por
isso, não é bom na guarda. "A única que meus Buldogues guardam bem é o prato de
comida", brinca Letícia Fernandes Leite, do Canil Fran Bell, Itapetininga - SP.
FICHA Compra do filhote: um bom filhote deve ser ativo,
com cabeça grande, bem enrugada, dentes inferiores sobrepostos aos superiores.
Até os 50 dias o nariz pode ser avermelhado, mas com sinais de escurecimento.
Cuidados especiais: deve ficar à sombra (em local fresco), bem ventilado e livre
de correntes de ar. É sujeito a assaduras, dermatites e sarna demodécica. Para
fazer a cama, use um estrado forrado de panos ou jornais, trocados diariamente.
De 2 a 3 vezes por semana, limpe os olhos com pano macio ou algodão embebido em
água boricada e as dobras do focinho e pescoço com água e sabão neutro. Para prevenir
assaduras, Dalton Escobar, veterinário e criador do Canil Dalton's, Embu - SP,
aconselha o uso de óleo de amêndoas ou produtos utilizados em bebês.
Características gerais: testa chata com um degrau largo entre os olhos.
Olhos escuros e redondos. Lábios e nariz negros. Pescoço grosso e curto. Orelhas
pequenas e finas. Pelagem curta, densa, lisa. Cauda de tamanho médio, mais para
curta. Cores: vermelho em qualquer tonalidade, rajado (listas pretas sobre vermelho),
branco ou com marcações brancas sobre qualquer uma das cores. Fígado, preto e
preto com marcas castanhas são indesejáveis. A máscara e o focinho podem ser negros.
Peso: machos 25 kg e fêmeas 22,7. AKC e ACB - machos 22,7 e fêmeas 18,2. Dados:
baseados no padrão CBKC 149 a de 9/4/94 (tradução do padrão FCI 149b de 24/6/87).
Para ler: The New Complete Bulldog, de Bailey C. Hanes, Howell
Book House, Nova York - EUA. Agradecemos aos entrevistados,
inclusive pela revisão técnica deste texto feita também pela cinóloga Hilda Drumond
e por Anita Soares, juíza all rounder pela CBKC Reportagem: Fernando dos Santis
Pinto. Edição de texto: Flávia C. Soares Foto: Luiz Henrique Mendes Prop.:
Canil Fran Bell Direitos
autorais do texto: Cães&Cia, é proibida a reprodução
total ou parcial do texto
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