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Nos últimos quatro anos
com dados disponíveis - de 1995 a 1998 - o número de registros de nascimento de
Bull Terriers na Confederação Brasileira de Cinofilia (CBKC) mais do que quadruplicou
(veja quadro Crescimento da raça) Ano 1995 1996 1997 1998 Registros de Bulls Terriers
156 325 399 673 Posição no Hanking de registros 43º 32º 34º 27º Total de registros
de todas as raças 84.680 88.241 116.429 96.144 Representatividade do Bull Terrier
0,18% 0,36% 0,34% 0,70 Por mais inusitado que pareça, o principal motivo desse
substancial crescimento do Bull é a sua semelhança com uma das raças que mais
crescem na atualidade: o Pit Bull. Semelhança essa que não é mera coincidência:
ambos possuem, lá atrás, alguns ancestrais em comum. E foram esses ancestrais
que inicialmente transmitiram - tanto a um como ao outro - o tamanho mediano,
o corpo musculoso, meio atarracado e a enorme capacidade para brigar, saltar e
executar uma infinidade de atividades físicas de resistência e força. "É inegável
que a 'onda Pit Bull', que vem ocorrendo nos últimos anos, alavancou o Bull Terrier",
fala a criadora de Bull há 13 anos, Mônica Voss. "Muita gente tem comprado o Bull
porque o acha parecido com o Pit Bull e muita gente até os confunde", acrescenta
ela. "A semelhança com o Pit Bull tem feito a procura pelo Bull crescer a cada
dia", concorda Glauco Barreto Sartori, que cria Bull Terrier há oito anos. Mas,
ainda que semelhantes, os dois possuem várias diferenças físicas. E enumerá-las
tornou-se uma constante para os criadores de Bull Terrier (veja As Maiores Diferenças
Físicas do Bull Terrier e do Pit Bull). O DONO IDEAL
Não acho negativo que o Bull Terrier cresça impulsionado pelo sucesso do Pit Bull",
avalia Mônica. "Assim, a nossa raça vai se tornando cada vez mais conhecida, mais
divulgada e, não só com o seu físico atlético e aparência divertida, mas também
com o seu temperamento encantador, vai conquistando os seus próprios admiradores",
conclui."O Bull é sobretudo um cão companheiro, disposto a fazer qualquer coisa
que a gente faça", resume Mônica. "É do tipo que segue o dono 24 horas ao dia,
mas, também, se for deixado sozinho por algumas horas, fica numa boa, sem latir
ou destruir as coisas", completa. "É um cão de natureza disciplinada, nunca vi
um Bull que fosse destruidor de objetos ou que latisse em demasia", concorda o
criador há 26 anos, Paulo Eduardo Costa. "É claro que durante a infância podem
fazer alguma traquinagem, mas, mesmo assim, é raro, e, quando adultos, sou capaz
de apostar que não estragarão nada além de seus próprios brinquedos", enfatiza
ele. Atividade: quanto mais, melhor. "O dono ideal para um Bull é aquele que gosta
de praticar esportes com o cão ou, pelo menos, que possibilita a ele bastante
atividade física", define Rogério Brasil Uberti, criador da raça há 12 anos. É
que o Bull é um atleta nato. Correr, pular, brincar, nadar e tudo o mais que exija
preparo físico são certamente os programas prediletos da raça. "Aos donos potenciais,
vale lembrar que, além de ativo e animado, o Bull é um cão pesado, que pode dar
uns empurrões meio fortes na gente", avisa Rogério. "Capacidade de observação
e de resolver problemas por conta própria também são pontos altos da raça. "O
Bull aprende olhando o que acontece a sua volta e usa isso em seu benefício",
fala Paulo. "Só para citar um exemplo, certa vez, uma de minhas fêmeas ficou sem
água no canil, então, pulou a grade e foi beber em um barril, de onde eu sempre
pegava a sua água", conta ele. Glauco é outro que se recorda de histórias semelhantes
à de Paulo: "Uma noite, esqueci de deixar comida para o Bull, que ficava solto
no jardim, e, quando a fome apertou, ele pulou em cima de um recipiente de 1m10
de altura, no qual sabia que ficava a ração, empurrou a tampa e jantou sossegado",
descreve. "O Bull é um cão para quem admira esse seu estilo 'autodidata' de aprendizado,
mas não para quem pretende ter um companheiro superobediente", contrapõe Rogério.
"É uma raça de personalidade forte, que parece questionar o motivo das ordens
e daí precisar de um dono com boa voz de comando", diz Paulo. "Caso seja adestrado,
o Bull até acaba aprendendo, mas o treino é mais demorado do que em outras raças
e o Bull tende a resistir bastante", acrescenta Glauco, que também é adestrador.
Com pessoas desconhecidas, o Bull não costuma ser hostil, mas também não é festeiro
logo de cara. "A menos que seja muito socializado e acostumado desde pequeno a
interagir com gente estranha, o Bull tende a ser reservado com desconhecidos",
fala Paulo. "Aceita a presença de estranhos, mas se mantém atento e não é de puxar
brincadeira com quem não conhece direito" , fala Glauco. "Se a pessoa tiver uma
atitude que o Bull considere ameaçadora, ele avança e age como um verdadeiro guardião",
explica. "Tempos atrás, um amigo que não me via há anos me encontrou e veio me
abraçar, eu estava com uma de minhas Bulls e tive de segurá-la no ar para que
não o atacasse, pois ela achou que aquilo fosse uma agressão", ilustra Paulo.
Por natureza, o Bull não costuma se dar bem com cães do mesmo sexo e muito menos
com outros bichos. No entanto, se for acostumado com eles desde filhote, há boas
chances de um convívio amigável. "Apresentar um Bull adulto a outro cão ou bicho,
via de regra, não dá certo e, portanto, não se deve arriscar", diz Rogério.
Renato Branco é um aficcionado por Bulls. No total, já teve seis. Hoje, está com
Pig, uma fêmea miniatura, variedade da raça com cerca de 15 centímetros a menos
de altura do que a tradicional. Pig, como uma típica Bull Terrier, é a companheirona
da família. Agüenta as brincadeiras nem sempre comedidas da filha pequena de Renato
e não demonstra cansaço durante as longas caminhadas que ele gosta de fazer "Sempre
tive cachorros. Por ser amigo de um criador, conheço o Bull há muito tempo. E
desde que adquiri um exemplar, nunca mais deixei de ter Bulls. É um cão fora do
comum. Inteligente, companheiro, silencioso, bom na guarda e cheio de personalidade.
Seu único senão é não ser muito obediente. É do tipo que só faz o que quer. Mas
também não chega a ser um grande problema. Se você tiver pulso firme, mostrar
os limites e não pretender que o Bull se torne um exímio executor de comandos,
está tudo resolvido. Ainda que já tenha tido vários Bulls, Pig é a minha primeira
experiência com a variedade miniatura. Optei por ela exatamente por ser menos
corpulenta, menos forte e, portanto, menos provável que por um gesto "estabanado"
acabe machucando minha filha Juliana, de apenas cinco anos. É que os Bulls, mesmo
sendo dóceis com os donos, são pesados e, às vezes, durantes as brincadeiras,
podem dar uns trancos mais violentos na gente. Com um exemplar míni, essa possibilidade
fica bem atenuada. O relacionamento entre Pig e minha filha é excelente. Juliana
é a prova viva de sua paciência e docilidade. Ela faz de tudo com a cadela. Põe
roupinha e até a pinta. Pig não só aceita numa boa como se diverte à beça. Se
por um lado Pig é mais delicada nas brincadeiras, sua resistência e vontade de
se exercitar não parece ser menor do que a dos Bulls de tamanho tradicional. Nos
fins de semana, levo-a para andar na praia. A gente vai de moto e ela vai sentadinha
na minha frente, com as patas no guidão. Aí, durante uns 40 minutos, percorremos
uma trilha a pé. Todos os Bulls que tive faziam o mesmo comigo. Nunca nenhum demonstrou
cansaço ou falta de disposição. Além disso, todas as noites passeio com Pig e
sempre que posso vamos a um campo de futebol, onde a solto para que corra à vontade.
Outro dia, ela pegou um gato. Ainda bem que consegui salvá-lo a tempo. Com outros
bichos, Pig realmente não é muito amigável. E os outros Bulls que tive também
não eram. Já com gente desconhecida, eles sempre aceitaram. Enquanto não estão
bem familiarizados, ficam mais reservados. Mas não costumam ser agressivos. A
menos, é claro, que a pessoa chegue de maneira espalhafatosa, falando alto, fazendo
gestos bruscos. Nesses casos, Pig fica bem alerta e se eu bobear pode até avançar
para me proteger . RENATO, ESTUDANTE, DE SÃO VICENTE, SP. Tequila,
um Bull sobre Rodas Dono de um banho e tosa e estudante de biologia, o paulistano
Ricardo Pinheiro Machado é realmente um curtidor dos animais. Já teve serpente,
rã, coelhos, aves e vários cães e gatos. Hoje, seu mascote preferido chama-se
Tequila, um Bull, que, de tão companheiro e disposto à atividade, aprendeu até
as manobras radicais do esporte praticado pelo dono: andar de skate Apesar de
ser formado em desenho industrial, o que gosto mesmo de fazer é lidar com bichos.
Hoje moro com meus pais e temos um gato e três cães: uma mestiça de Pointer, uma
Lhasa Apso e o Tequila, com quase quatro anos. A raça Bull Terrier, eu já conheço
faz tempo. A primeira vez que a vi foi atuando em um filme, na sessão da tarde.
Mas só decidi ter um exemplar há cerca de quatro anos, quando convivi com o Bull
de uma amiga. Era um cachorro carinhoso e muito forte: me arrastava durante os
passeios. Gostei de seu estilo resistente e ativo. Acabei comprando o Tequila.
Como sou skatista há mais de 20 anos e todo Bull tem necessidade de exercício,
decidi colocá-lo para me puxar no skate em percursos planos. Quando havia descidas,
eu parava, colocava-o entre as minhas pernas e descíamos numa boa. A princípio,
achava que ele só poderia me puxar. Nem me ocorria que aprendesse a andar sobre
o próprio skate. Mas, um dia, Tequila subiu espontaneamente no skate. Daí em diante,
ele decidiu que andaria em cima dele. E eu passei a ir a pé. Escolhia sempre locais
com descidas suaves, para que o skate se movimentasse sozinho e ía atrás de Tequila,
segurando-o pela guia. No começo, eu punha a mão em sua garupa, para evitar que
ele caísse. Mas, em poucos dias, vi que Tequila sabia andar por conta própria
e que, mesmo sem a minha ajuda, não cairia. Até nas curvas, ele conseguia contrabalançar
o peso de seu corpo. Fomos andando cada vez mais rápido e executando curvas e
descidas cada vez mais difíceis. Até que resolvi comprar outro skate para acompanhá-lo.
Hoje, passeamos tanto sobre um único skate como em skates separados. Mas por questão
de segurança, mantenho-o sempre na guia. Ele já sabe até andar de costas. Também
já sabe parar: fica esperando o skate perder velocidade e aí salta para o chão.
Acho que dificilmente eu encontraria um cão tão companheiro como o Tequila. Aqui
em casa, não estraga nada, não faz barulho e se dá bem com todo mundo. Até mesmo
com os outros bichos. Ele veio filhote e os demais já eram adultos. Assim, se
acostumou bem ao convívio. Adora inclusive o gato. Até dorme com a cabeça em cima
de sua barriga. Mas esse é o único gato que Tequila tolera. Para os demais, fica
latindo. " RICARDO, DE SÃO PAULO. UMA BULL GUARDA-COSTAS Atuar
como guarda-costas. Esse foi o motivo pelo qual Rodrigo Batista Ferreira presenteou
sua mulher Valkiria com uma Bull Terrier, a Rhanayta. Atualmente com um ano e
meio de idade, a cadela não só tem desempenhado bem a sua missão como está sendo
adestrada e - ainda que resista um pouco ao treino - já sabe executar vários comandos
de obediência "Meu marido e eu adoramos bichos. Temos Tartarugas, Peixes e Chinchilas.
A idéia de adquirir uma Bull veio em uma época em que estava havendo muitos assaltos
na Marginal, local onde passo diariamente. Como moramos em apartamento e queríamos
um cão que me acompanhasse no carro aonde quer que eu fosse, precisávamos de uma
raça boa na guarda, mas que não fosse grande demais. Foi Rodrigo quem optou pelo
Bull. Ele o conhecia de um filme. A escolha não podia ter sido melhor. No começo,
fui acostumando Rhanayta a andar de carro e também contratei um adestrador. É
verdade que não é muito fácil treiná-la. Ela resiste um pouco. Mas faz vários
meses que está sendo adestrada e já aprendeu todos os comandos básicos, como 'senta',
'junto' e 'deita'. O comportamento dela no carro sempre foi ótimo. Vai tranqüila,
sentada atrás ou no banco do passageiro. Mas está sempre atenta ao movimento da
rua. Agora, não tenho mais receio de sair. Nos faróis, ninguém nem se aproxima
de mim. Quando páro o carro para ir até a padaria, não preciso sequer trancar
a porta. No apartamento, Rhanayta também se comporta superbem. Quase nunca late
e não estraga nada. Não há um móvel mordido ou arranhado. Ela tem os seus próprios
brinquedos e são as únicas coisas que destrói. Todos os dias, a levamos para passear.
Além disso, coloco-a para fazer esteira por meia hora. Ela adora atividade. Vira-e-mexe,
nos convida para brincar. Traz todos os seus brinquedos para a sala na esperança
de que alguém se renda à sua vontade e comece a arremessá-los para ela pegar.
Com os nossos outros bichos, conviveu desde novinha e os aceita bem. No início,
estranhou um pouco as Chinchilas. Mas a gente foi fazendo uma aproximação gradativa
e hoje podemos até soltá-las junto a Rhanayta. Para evitar riscos, ficamos sempre
por perto, pois sabemos que o espírito caçador da raça pode aflorar.
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