INFORMACÃO<Guia de raça << CAIRN TERRIER>>
  



CAIRN TERRIER: VIVA A ENERGIA



 
 


Este pequeno escocês vive a mil por hora e tem tudo para agradar quem deseja um cão antimonotonia. Ele está entre os menores cães de tipo terrier, grupo que abrange mais de 30 raças e se caracteriza por caçar animais de tocas. O Cairn, além de capturar doninhas, martas, texugos e raposas, tornou-se perito em expulsar presas escondidas sob as pedras das típicas colinas escocesas. Daí o nome Cairn, que em inglês significa "amontoado de pedras". Aqui no Brasil, este pequeno cão de pelagem eriçada, orelhas eretas e expressão sapeca, foi descoberto por poucos. Nos últimos 15 anos houve apenas dez exemplares registrados. Já, na Inglaterra, é popular. Lá, o Cairn é a 18° raça mais registrada entre as 186 reconhecidas. Entre os franceses, também conquistou muitos fãs. "Na França é uma das 20 raças mais vendidas para companhia", diz Hervè Fontaine, do Canil Oleage de Terrardieare, Millonfosse, França.

MARCANTE

Uma característica marcante de seu temperamento é ser extremamente ativo. "É verdade que todos os terriers são cheios de vida, mas o Cairn se destaca", avalia o presidente do South Wales and West England Cairn Terrier Club, da Inglaterra, Kevin Holmes, conhecedor do comportamento de diversos terriers. Com o Cairn, não há monotonia. "São incansáveis, estão sempre prontos a brincar e correr", diz a americana Nan Anderson, do Lincairn Kennel, de Knoxville, Tennessee - EUA, que cria há mais de 30 anos. Animar o ambiente é uma tarefa a cumprir de manhã, de tarde e de noite. Descanso, só quando dorme. "Dentro de casa, corre pelos corredores, se enfia em baixo da cama, dá outra carreira e aterrissa em cima do sofá", ilustra Holmes. "Quem não gosta de agito não deve se atrever a conviver com um". Mesmo com o tamanho diminuto, que facilita tê-lo em lugares pequenos, sua imensa disposição tem que ser gasta. Uma opção é passear com ele diariamente. "Caso o Cairn não viva numa área externa que apresente estímulos, como passarinhos voando para correr atrás e coisas do gênero, é bom que veja o movimento de pessoas e outros bichos passeando na rua", explica David Winsley, criador da raça na Inglaterra. "Se não tiver algo diferente que prenda sua atenção, por pelo menos meia hora, provavelmente fará travessuras como dar uma roidinha na mesa de centro". Outra opção, caso não haja disponibilidade para passear, é distraí-lo com brincadeiras. O Cairn tem paixão por perseguir bolinhas ou fazer um pega-pega com o dono. A raça é tão brincalhona que não perde o interesse por essas diversões, mesmo quando está velha. "O adulto tem o mesmo espírito esportivo e é tão ativo quanto o filhote", afirma Flávio Queiroz, do Dunvegan's Kennel, São Paulo - SP. David lembra de um de seus exemplares que ficava solto no jardim. Com 13 anos, mantinha um passatempo predileto: sair em disparada em direção ao muro. Quando chegava, dava um pulo homérico de quase um metro de altura, batia as patinhas na parede e começava tudo outra vez. Ficar sozinho não é com ele. Se permanecer por muito tempo, a tendência é exibir uma boa birra. "Quando demoro muito para chegar em casa, minha exemplar, que normalmente é educada, acaba aprontando alguma arte, como um xixi fora de lugar ou um sapato mastigado", narra Claudia Cecília Fedeli, proprietária de uma fêmea de um ano e três meses. Para evitar esse tipo de reação, convém acostumá-lo a ficar sozinho desde filhote, aumentando o tempo progressivamente. Com crianças, o pique da raça promete uma relação excelente. "Meus sobrinhos fazem a maior folia com os meus cães", diz Claudio Gornati, do Canil Blow Up's, São Paulo - SP.

SOLUÇÃO

Entre a obediência e a teimosia, o Cairn tende à teimosia. Não é daqueles que se submetem a tudo, sem mais nem porquê. Os Terriers, de forma geral, têm essa característica. Não foram cães que trabalharam em parceria com o homem e nem dependeram das ordens dele para tomar decisões. Ficavam soltos nas fazendas e eliminavam os predadores entocados, por conta própria. Ganharam independência e capacidade de resolver problemas sozinhos. No livro A inteligência dos cães, de Stanley Coren, o Cairn é destacado entre outros terriers como sendo um dos que mais se saem bem em situações que exigem solução pessoal. Nan exemplifica esse tipo de inteligência lembrando de uma de suas Cairns. Quando tinha filhotes, ficava em uma caixa-maternidade com porta tipo vaivém, que só abria empurrando de dentro para fora. "Aprendeu a abrir do lado de fora pela alça, puxando-a com a boca e as patas. Conseguia sair e voltar quando bem entendesse". Obedecer ao dono não é prioridade na vida deles. Claudio comenta que quando fazem algo errado, como mastigar um objeto, até param assim que levam a primeira bronca. "Mas é só virarmos as costas que continuam". Apesar de não existir fórmula que combata com 100% de eficiência os instintos naturais, arraigados geneticamente, é possível tornar o Cairn mais receptivo a ordens. Claudio conta que o segredo é usar um tom de voz que imponha respeito, e insistir na bronca até convencê-lo de que você, e não ele, é o mais teimoso. "Caso sinta uma certa moleza da nossa parte, nunca obedecerá nada", avisa. Nan costuma premiar seus cães quando fazem o que ela deseja. "Dou um petisco como recompensa nessas ocasiões". A raça também tem tendência a latir em demasia. Para evitar que se torne inconveniente, deve-se ter voz de comando, condicionando-a desde pequena a não dar o alarme por qualquer coisa. Com pessoas estranhas, a raça não chega a ser agressiva, mas também está longe de ser um exemplo de sociabilidade. "Quando cisma, fica encarando a pessoa e late sem parar, deixando todo mundo surdo", comenta Claudia. No caso do Cairn, vale o ditado: quem ladra não morde. Outros cães, costuma aceitar bem. Claudia atesta: "faz amizade rapidinho e adora convidá-los para uma boa correria".

ERIÇADO

Está entre as poucas raças que quase não exigem cuidados de beleza e saúde. A pelagem praticamente não forma nós. Escovar uma vez por semana é suficiente; não demora nem dez minutos. Banho, só quando necessário. Vários criadores, que levam seus cães a exposições, passam muitos meses sem lavá-los. A lavagem freqüente pode deixar a pelagem macia, atípica ao Cairn. O pêlo duro e eriçado é uma defesa natural na caça contra ataques de predadores. No entanto, para exemplares de estimação, o banho pode ser dado mensalmente. A pelagem não chega a amaciar e evita-se o mau cheiro. A saúde é boa. Só existem duas doenças hereditárias na raça. A primeira é a atrofia progressiva da retina (surge por volta dos seis anos e causa cegueira). Na Inglaterra, não se observam casos há dois anos, resultado do rigoroso controle em não acasalar portadores. O segundo é a subluxação da patela. Consiste numa má formação da rótula (joelho). O cão a desloca facilmente, causando dor e dificuldade de movimentação. Na maioria das vezes, o osso retorna para o lugar sozinho. Se isto não ocorrer, o dono pode ajudar. Como o problema volta freqüentemente, há cirurgia para eliminá-lo. A raça pode apresentar prognatismo (arcada dentária inferior sobre a superior) e ausência de dentes incisivos e pré-molares. Ambos não prejudicam o cão, mas causam perda de pontos nas exposições. Desde 1994, a raça conta com um importante trabalho para acompanhar o aparecimento de doenças genéticas, a fim de preveni-las. Trata-se do Cairn Terrier Health Watch, da Inglaterra, composto por uma comissão de criadores e veterinários, responsável pelo controle de doenças hereditárias na raça. Os proprietários de Cairn colaboram enviando ao clube informações sobre qualquer problema que apareça em seus cães, além de uma cópia do pedigree para que se identifiquem os ancestrais. Desta maneira, fica fácil manter os portadores fora da reprodução, evitando o alastramento. Cães & Cia falou com Ruth Wadman Taylor, uma das encarregadas da comissão e também veterinária, juíza e criadora da raça. "Ainda estamos em fase inicial, mas o retorno dos criadores tem sido grande", afirma. "Até agora o Cairn tem feito jus à fama de super saudável".

RECENTE

Embora já se tenha notícias de seus ancestrais desde o século 16, a história do Cairn moderno se define no final do século 19. É que até 1880 não havia grandes distinções entre os terriers escoceses. Todos eram conhecidos como terriers de Skye, ilha a oeste da Escócia, onde tiveram origem. O Cairn, que descende do menor da turma, era chamado de Terrier de Skye de pêlo curto. Foi com esse nome que, em 1860, participou da primeira exposição de Inverness, cidade da Grã-Bretanha, ao norte da Escócia. Só passou a ter o nome atual a partir de maio de 1912, quando os primeiros exemplares foram registrados no The Kennel Club, na Inglaterra. Mas nem mesmo o reconhecimento por essa entidade colocou ponto final a uma questão antiga, que confundia muito as pessoas. É que paralelamente ao aprimoramento do Cairn, nascia a raça West Highland White Terrier, desenvolvida a partir de exemplares brancos, excluídos da criação do Cairn. Até 1924, os dois eram diferenciados apenas pela cor. Exemplares de uma mesma ninhada ganhavam registro de West, se fossem brancos, ou de Cairn, se tivessem outras cores. As aceitas até hoje são creme, trigo, vermelho, cinza ou quase preto. Atualmente, ambos têm seus próprios padrões. "Por isso, considera-se um dos piores defeitos da raça ser parecida com um West, na cor ou estrutura", diz Hervè Fontaine.

 PADRÃO OFICIAL

CBKC n° 4 de 22/4/1994. FCI n° 4b de 24/6/1987. Classificação FCI: Grupo 3: Terriers Seção B: de Pequeno Porte.
País de Origem: Grã-Bretanha.
Nome no país de origem: Cairn Terrier.
Utilização: caça e companhia.
Prova de trabalho: para campeonato, independente.

Aparência Geral: ágil, alerta, habilidoso, apresentado ao natural. Firme nas patas dianteiras. Posteriores poderosos. Peito profundo, bem fluente na movimentação. Pelagem resistente às intempéries.

Características: deve impressionar por sua atividade, habilidade na caça e audácia.

Temperamento: coragem e alegria e disposição; impetuoso, porém não agressivo.

Cabeça e Crânio: cabeça pequena, mas proporcional ao corpo. Crânio largo; uma evidente interrupção entre os olhos, com stop definido.

Focinho poderoso, mandíbulas forte, sem ser longa ou pesada.
Trufa preta. Cabeça bem provida de pêlos.

Olhos: bem separados, de tamanho médio, avelã escuros. Inserção moderadamente profunda, com sobrancelhas cerradas.

Orelhas: pequenas, pontudas, bem portadas e eretas, inseridas não muito juntas, de pelagem leve.

Boca: dentes grandes. Maxilares fortes, com uma mordedura em tesoura perfeita, regular e completa, isto é, os dentes superiores ultrapassando e tocando levemente os inferiores e inseridos perpendicularmente aos maxilares.

Pescoço: bem inserido, não sendo curto.

Anteriores: espáduas obliqüas, pernas de comprimento médio, ossatura bem desenvolvida sem ser muito pesada. Anteriores nunca devem expulsar os cotovelos. Pernas revestidos de pêlos ásperos.

Tronco: dorso de nível, tamanho médio. Costelas bem arqueadas; lombo forte e flexível. Posteriores: coxas muito fortes e musculadas. Boa angulação de joelhos, sem ser excessiva. Jarretes curtos e, vistos por trás, aprumados e corretamente direcionados para a frente.

Patas: anteriores maiores que as posteriores, podem ser, ligeiramente, voltadas para fora. Almofadas plantares grossas, dotada de sola bem resistente. Patas finas, estreitas ou abertas e unhas longas, são indesejáveis.

Cauda: curta, proporcional, bem revestida de pêlos, sem ser franjada. De inserção média, portada acima da horizontal, mas sem curvar-se sobre o dorso.

Movimentação: passadas bem livres e fluentes; os anteriores com bom alcance de passadas. Os posteriores fornecendo forte propulsão. Jarretes trabalhando com afastamento moderado.

Pelagem: muito importante. Resistente a intempéries. Dupla, com a pelagem externa profusa, áspera, sem ser rústica; o subpêlo é curto, macio e cerrado. A pelagem aberta é indesejável. Permitidas suaves ondas.

Cores: creme, trigo, vermelho, cinza ou quase preto, podendo ser rajadas. Áreas pretas, nas orelhas e focinho, fazem parte da tipicidade da raça. Inaceitáveis as cores preto, branco sólido, ou preto e canela.
e: aproximadamente, 28 - 31cm de altura, na cernelha, mas sempre em
Talhproporção ao peso ideal de 6 - 7,5 quilos.

Faltas: qualquer desvio, dos termos deste padrão, deverá ser considerado como falta e penalizado na exata proporção de sua gravidade.

Nota: os machos deverão ter dois testículos, de aparência normal, completamente descidos na bolsa escrotal.
 


PARA SABER MAIS
Livros:
1) The New Cairn Terrier, de Betty E. Marcum, editora Howell Book House, Nova York-EUA.
2) The Cairn Terrier, de J.W.H. Beynon, Alex Fisher, Peggy Wilson, editora Popular Dogs. Publishing Co.Ltd, Londres-Inglaterra.
3) All About Cairn Terrier, de John F. Gordon, editora Pelhan Books Ltd, Londres-Inglaterra. Clube: South Wales and West England Cairn Terrier Club, Hampshire, Inglaterra, tel.: (0044142)547-9013.

Agradecemos aos entrevistados e a Hilda Drumond, diretora cinotécnica da ACB, inclusive pela revisão técnica desse texto feita também por José Peduti Neto, juiz de todas as raças pela CBKC. Reportagem: Mariana Viktor e Rodrigo Flores. Texto: Flávia C. Soares Foto: M.J.M.P. Prop: Claudio Gornati
Direitos autorais do texto: Cães&Cia, é proibida a reprodução total ou parcial do texto

 
  
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