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Donos e criadores
contam como é viver com esse cão que conquista mais e mais admiradores no País
Ainda que ele esteja distante da notoriedade das raças mais populares, os dados
oficiais garantem: ano após ano, o Chow Chow vem ampliando sua representatividade
na cinofilia nacional. De 1994 ao final de 1998 - quando a última lista disponível
de registros caninos foi emitida pela Confederação Brasileira de Cinofilia (CBKC)
- o número de nascimentos de Chows quase quadruplicou, passando de 329 filhotes
ao ano para 1.205 (veja quadro O Salto da Raça). "O aumento de interesse pelo
Chow nos últimos tempos é notável na prática", observa a criadora há 17 anos,
Maria Glória Romero, de São Paulo. "Cada vez há mais criadores, mais proprietários
e mais gente sabendo identificar um Chow na rua, o que antes dificilmente ocorria",
completa. "Não que a raça seja daquelas que todos conhecem, mas é indiscutível
que tem crescido o número de pessoas familiarizadas com ela", concorda Sophia
Kuckartz van Ackir, criadora há 15 anos em Gramado, RS. CAUSANDO
FUROR A ascendente popularidade do Chow, pelo menos por enquanto,
não parece ter diminuído seu poder de deslumbrar o público. Aonde quer que ele
vá, é o foco das atenções. A criadora há oito anos, Régia de Oliveira, de Brasília,
ilustra o que acontece quando um Chow dá o ar de sua graça em vias públicas: "Quando
saio com os cães, sou tão assediada com perguntas e comentários que, às vezes,
demoro, sem exagero, duas horas em passeios que deveriam levar apenas meia", conta
ela. "O mesmo ocorre com vários amigos meus que têm Chows; eles saem com os cachorros
e nem conseguem andar direito de tanta gente que os pára", completa. Uma coisa
é certa: não há criador ou dono de Chow que já não tenha passado por situação
semelhante. "A cara achatada, a língua azul, que é a marca registrada da raça,
e especialmente a pelagem abundante do Chow mais comum, que é o de pêlo longo,
realmente chamam muito a atenção", descreve Sophia. Não bastasse tudo isso, graças
à juba ao redor do pescoço, o Chow fica - como o próprio padrão define - com aspecto
leonino. É difícil encontrar alguém que, mesmo desconhecendo a raça, não faça
essa associação. "Tem gente que o compara a um urso, mas a frase 'nossa, parece
um leão' é a que mais ouço por aí quando estou com um Chow", fala Régia. Não é
à toa que boa parte dos donos batize seus exemplares com o nome Simba.
DONO X CHOW Se você quer um companheiro que não o solicite demais,
o Chow se enquadra nesse quesito. Ele definitivamente não é do tipo que vive atrás
de um cafunezinho ou que insiste e persiste em convidar o dono para brincadeiras
ou, muito menos, que teima em dividir o mesmo espaço no sofá. O Chow pertence
ao time dos independentes. "É uma raça que vive a própria vida e não a nossa",
define Maria Glória. "Costuma ficar por perto, mas de maneira pouco invasiva,
pouco absorvente", completa. "O Chow é apegado ao dono, mostra-se disposto a brincar
e a ser agradado sempre que este quiser, mas não cobra a sua atenção", concorda
Sophia. Como resultado dessa maneira auto-suficiente de ser, o Chow, via de regra,
não parece se incomodar em passar algumas horas sozinho. "É claro que o ideal,
e isso vale para qualquer raça, é não deixar o próprio cão sozinho por muito tempo,
mas realmente o Chow não demonstra insatisfação quando o dono sai sem o levar",
diz Maria Glória. "Quem tem um Chow pode deixá-lo sozinho a tarde toda que, na
volta, não encontrará um cão desesperado por atenção, tampouco a casa em ruínas
ou a vizinhança enraivecida por causa de latidos", comenta Sophia. Seja na ausência
ou na presença do dono, ver um Chow latindo é, de fato, raridade. "É muito silencioso,
quando late é porque percebeu algo estranho e, mesmo assim, dá dois ou três latidos
e pára", garante Régia. Tendência a destruir móveis e objetos que não lhe pertençam
também não faz parte do comportamento típico da raça. Exceto na infância - fase
em que a maioria dos cães, independente de raça, tende a travessuras -, o Chow
costuma ser exemplar no que se refere a manter intacto o ambiente em que vive.
"Os próprios brinquedos, ele eventualmente até destrói, mas nunca ouvi falar de
um exemplar adulto que partisse para o mobiliário da casa", avalia Régia.
É bem possível que essa disciplina natural da raça esteja relacionada com seu
grau moderado de atividade. "Não é um cão que fique o tempo todo andando de um
lado para o outro em busca do que fazer", fala Régia. "Se fosse, teria mais
chances de fazer coisas erradas", analisa. "Não que nunca brinque ou corra pela
casa, mas, na maior parte do tempo, está sossegado, observando o movimento ao
redor ou entretido com seus brinquedos", diz Sophia. Com os hábitos de higiene,
a raça também não é de dar muito trabalho. "Depois que aprende o lugar certo para
fazer as necessidades, o que em geral ocorre em questão de dias ou poucas semanas,
não erra mais", conta Maria Glória. "É um cão naturalmente limpo, que nem
sequer gosta de ficar perto do próprio 'banheiro'", acrescenta Régia. Por
todas essas características, o Chow é um ótimo candidato para viver dentro de
casa. "É uma das poucas raças de porte médio-grande que se adequam bem a apartamentos,
mesmo aos pequenos", indica Maria Glória. 1ª Foto:
Luiz Henrique Mendes Prop.:da 1ª foto acimaCanil Shambala texto: Cãe&Cia
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total ou parcial do texto
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