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HUSKY: CONHEÇA SEU TEMPERAMENTO

 
 



Lindo e dócil, ele é um dos cães mais populares do mundo e, certamente, um dos mais independentes. Sua semelhança com o lobo remete a um passado primitivo. A seu lado, tem-se a sensação de resgatar o elo perdido com uma vida livre e selvagem, quando homens e lobos estabeleceram os primeiros pactos de colaboração mútua. O olhar ativo e penetrante - muitas vezes iluminado por encantadoras íris azuis - completa a aparência exótica. Originalmente desenvolvido para o trabalho de puxar trenós, o Husky é hoje um dos cães preferidos em diversos países. No Brasil, está entre as cinco raças mais criadas desde 1990. O mesmo ocorre no Japão, Itália e Espanha. A grande popularidade do Husky deve-se muito à sua chamativa aparência do que a quaisquer outras características, desconhecidas da maioria das pessoas. Donna Beckman, presidente da Siberian Husky Club of America, concorda. "O apelo da beleza exótica do Husky, muito explorado no cinema e na TV, supera o interesse por artigos e reportagens sobre seu comportamento", diz. "Cerca de 90% daqueles que procuram um Husky o fazem por impulso pensando só na beleza do cão", confirma Vânia Regina Haga, do Huskyland Siberians, em São Paulo. Luiz Otávio Cavalcante, do Canil Siberice, em Foz do Iguaçu, tem uma estatística um pouco mais favorável, mas ainda assim espantosa. Para ele, 70% dos compradores não conhecem as peculiaridades da raça, apenas querem um cão de olhos azuis. A presidente do Clube dos Cães Nórdicos de Portugal, Manoela Gaspar, também vivencia essa situação em seu país. "A pessoa se encanta com o cachorro e compra sem pensar." Até aí nada de novo, visto que a maioria das raças atrai inicialmente seus futuros proprietários pelo aspecto físico. A questão é que o Husky definitivamente não é para qualquer um. Além de muito ativo, seu comportamento independente difere daquele tradicionalmente associado aos cães.
E o comprador desavisado pode ver o seu entusiasmo se transformar em decepção depois de conviver algum tempo com a raça. Esse é o caso do paulistano José Luis Sotello. Ele se impressionou com a beleza de uma filhote e a levou para casa. Hoje, a cadela está com onze meses, e José Luiz, desesperado com o comportamento irrequieto dela. "Já perdi a conta de quantos sapatos destruiu e de quantos buracos cavou no jardim", diz. "Minha casa está em reforma, e nem a colher do pedreiro se salvou dos dentes da Husky. Só não destrói martelo porque o cabo é de ferro", completa. Sotello conta que já encontrou no canteiro de areia vários ossos, pães de queijo e petiscos enterrados por ela. Além disso, se queixa que a cadela pula em cima das pessoas e que quando a prende no canil, não agüenta o barulho. "Ela não para de uivar."


RESGATE

Sotello é apenas mais um dos cerca de quinze donos arrependidos que procuram a SOS Husky, anualmente, uma entidade filantrópica, mantida pelo Clube do Husky Siberiano de São Paulo, e especializada em recolocar cães devolvidos. Nos Estados Unidos, existe uma verdadeira 'rede' - com endereço na Internet e tudo - empenhada em resolver problemas semelhantes. Gerry Dalakian, secretária nacional do Husky Rescue Network, diz que a entidade recoloca cerca de 250 Huskies todos os anos. "Desse total, cerca de 100 são devolvidos por donos decepcionados, e 150 são recuperados de abrigos municipais", revela. Gerry conta que os interessados em adotar um devem responder a um formulário para que a entidade trace seu perfil e encontre o Husky mais adequado a ele.

O futuro dono tem de assinar um contrato que prevê até o confisco do cão, caso não cumpra determinadas exigências. Criadores sérios e preocupados com o futuro dos seus cães também alertam os novos donos sobre o que é realmente um Husky. Kathleen Kanzler, criadora há 36 anos pelo Innisfree Kennel, nos EUA, diz que não costuma receber reclamações porque, quando alguém compra um Husky seu, sabe o que está fazendo. "Faço várias perguntas e conto tudo o que posso para deixá-lo ciente dos desafios que terá", informa. "Se achar que a pessoa não dará as condições adequadas para um Husky, não vendo. Não entrego um filhote para quem trabalha fora o dia todo, mora em apartamento ou não admite ver seu belo jardim destruído." Vânia faz o mesmo quando percebe que o comprador não conhece a raça. Antes de vender, aviso que o Husky precisa de bastante espaço e exercício, que perde muito pêlo na época da muda, que é independente e que faz artes", conta. "O candidato tem que saber que o Husky é capaz de virar uma casa do avesso", avisa Anita Soares, vice-presidente do Clube do Husky Siberiano de São Paulo e criadora pelo Antique's Place Kennel, em São Paulo. "Tem até quem ache que eu não quero vender, mas o que eu não quero mesmo é entregar um filhote a alguém que não esteja preparado para ter um Husky", diz. Criado para correr muitos quilômetros puxando cargas em terreno acidentado, o Husky é musculoso e cheio de energia. Adora se movimentar e é daqueles que se entediam logo - por isso, costuma queimar seu 'gás' cavando o jardim, roendo móveis, perseguindo gatos ou pulando muros e portões em busca de aventuras.
A maioria deles também cultiva o "hobby" de mastigar objetos como pratos de comida, escovas e tapetes - o que significa que precisam ser vigiados constantemente. Segundo Anita, o habitat ideal para um Husky é o quintal, não o interior da casa. "Quando eles ficam do lado de fora, o máximo que podem fazer é cavar um túnel de três metros, como fizeram no meu jardim", conta. Tais atitudes se multiplicam ao extremo em Huskies sem espaço e estímulos para se ocupar. Daí, ser o ideal passear com eles todos os dias, pelo menos meia hora, e dar chances para que se distraia sozinho. Por último, é preciso lembrar que devido ao instinto de explorador e andarilho incansável, quem se arrisca a manter portões abertos ou muros baixos - com menos de 2,5 metros - na certa um dia acordará sem o cão. Passear com um Husky sem coleira ou bobear com a porta entreaberta nas entradas e saídas de casa, com ele solto no jardim, também são situações contra-indicadas. Além do espírito curioso por novos horizontes, o Husky deixa o seu jeito travesso vir à tona e cria - o que é para ele - uma divertida brincadeira de fazer o dono correr atrás dele. "Certa vez saindo de um veterinário numa avenida em São Paulo, deixei a coleira de um dos meus Huskies, o Kiev, cair no chão", lembra Anita. Kiev saiu feito uma bola, atravessando as ruas da cidade. Às vezes parava numa árvore, olhava marotamente para a dona, que corria em sua direção, esperava ela chegar bem perto e, pronto, iniciava uma nova disparada. "A brincadeira durou uns 3 quilômetros, até que consegui pegá-lo num "golpe" rápido, quando se aproximava da Marginal Pinheiros." Histórias semelhantes envolvendo Huskies não são raras e se o proprietário não tiver sorte e resistência para acompanhar o ritmo desenfreado da raça, a coisa pode acabar mal. "O ideal, se possível, é ir de carro atrás dele", fala a adestradora Maria Ernestina Souza Bastos que em outubro passou por uma situação dessas, quando foi na casa de uma cliente. Bastou que a porta se entreabrisse para o Husky aproveitar a fresta e iniciar sua correria. "Fui à caça dele de carro. Cada vez que ele parava, eu também parava", conta. "O espertalhão queria mesmo era brincar, ele esperava eu abrir a porta, descer do carro, e desembestava feito um doido outra vez. Demorou cerca de meia hora, mas consegui capturá-lo."

ENCANTOS

Essas coisas típicas da raça podem levar algumas pessoas ao desespero, mas outras se divertem e admiram a sua maneira travessa e - muitas vezes - até meio selvagem. A independência do Husky e a capacidade de resolver problemas por si mesmo, são apreciadas pelos fãs da raça. "Durante uma nevasca, com poucas condições de visibilidade, ele decide qual o melhor caminho a seguir e sabe como desviar de um abismo", exemplifica Anita. "O Husky não depende tanto de nós quanto outras raças, não é submisso, tem personalidade própria." Para Kathleen, o maior prazer em ter um Husky é poder contar com um amigo de verdade, e não com um "escravo" que obedece cegamente e faz tudo o que o dono quer. "O Husky nos olha de frente, não com um ser inferior", diz. Além disso, tem dignidade e exige respeito. "Se levar uma bronca não merecida, vai dar uma 'gelada' em quem fez a injustiça", garante Donna. Mas isso não deve ser confundido com indiferença ao dono. "Quando volto para casa eles reconhecem o barulho do meu carro de longe com o motor desligado, e ficam me esperando no portão, abanando o rabo e uivando, todos juntos", completa Vânia, que tem 13 Huskies. "Costumo desligar o motor para não perceberem a minha aproximação, mas é inútil." Kathleen conta que uma vez, seus cães presenciaram uma queda de seu marido no meio da neve. "Imediatamente todos reagiram latindo, como se perguntassem se ele estava bem." A maneira diferente de se comunicar é outro atrativo. "Parece que ele conversa conosco quando responde com aqueles resmungos", diz Cavalcante. Além dos "resmungos", o Husky prefere uivar a latir - essa é outra característica que o aproxima dos lobos. Chuva, noites de lua-cheia, um pôr-de-sol avermelhado ou solidão são as ocasiões que mais o "inspiram". Tem até quem pense que ele não late, o que não é verdade - só não é comum.

RELACIONAMENTOS

A docilidade irrestrita a todas as pessoas (inclusive estranhas) também encanta os admiradores. "Se recebo visitas, os meus cães pulam, abanam o rabo e até deitam no chão de barriga para cima para serem afagados", conta Fabrício Renato Minuscoli, do Kazalimsky Kennel, em Porto Alegre. "Canso de ver desconhecidos passarem a mão nos meus cães do lado de fora do portão", confirma Mariana Hoffmann, do Canil Bukharin, em Cruz Alta - RS. As crianças, mesmo quando os seus limites são ultrapassados, ele não morde nem ataca. "O máximo que faz é se retirar ou encerrar a brincadeira", diz. A única recomendação é não deixar um Husky sozinho com crianças pequenas, ele costuma pular nas brincadeiras e pode machucá-las sem querer. Embora 'dócil com gente, o Husky não convive bem com outros animais ou cães. Ainda que o padrão da raça diga que não deve ser agressivo com outros cães, a maioria dos criadores afirma que Husky os considera como rivais com quem disputa a liderança. Essa tendência é mais forte entre os machos. Eles podem lutar até a morte. É difícil separá-los: água fria é encarada com 'refresco', e chamá-los simplesmente não adianta. "O jeito é entrar no corpo-a-corpo, arriscando levar uma mordida perdida", diz Anita. Segundo a criadora, entre as fêmeas também existe liderança, mas a mais forte se impõe com atitudes dominantes como olhares profundos e rosnados. Já, em se tratando do convívio com outras raças, as fêmeas de Husky não aceitam outras fêmeas. Se essas forem de raças grande, brigarão; se forem pequenas, é possível que as "cace". Gatos, pássaros, roedores e outros bichinhos de estimação também são encarados como presas.

 Embora 'dócil com gente, o Husky não convive bem com outros animais ou cães. 


Os Huskies os perseguem e os matam mesmo. "Uma vez vendi um filhote que foi para uma fazenda e vivia perseguindo uma ovelha; quando conseguiu atacá-la, o dono teve de intervir para evitar o fim da pobrezinha", conta Minuscoli. "Em outra, levei um casal de Huskies para meu sítio, onde criava 30 frangos. Na primeira chance que tiveram, abriram a porta do galinheiro e mataram todos", acrescenta. Anita teve experiência parecida com seus gatos. "Eles provocavam os Huskies em cima do muro, e os cães pulavam o dia inteiro até que conseguiam pegá-los pelo rabo. Não sobrou nenhum." É importante lembrar que não adianta tentar convencer um Husky a fazer o que ele não quer. Devido à sua grande independência, normalmente só faz o que está afim. Por isso não é um candidato muito aplicado em aulas de obediência. A autora do II Grande Libro dei Cani da Slitta, Valeria Rossi, que o diga. ex-criadora e adestradora de Pastor Alemão, uma das raças mais dispostas a obedecer o homem, Valeria certa vez topou o desafio de treinar um Husky de um cliente que reclamava da desobediência dele. Até que teve algum sucesso. O cão a obedecia para comandos básicos, como sentar e ficar. Um dia, em sua fazenda, o Husky avistou um grupo de ovelhas e saiu em disparada atrás dele. Não obedeceu aos insistentes berros da treinadora para que parasse. Enfim, Valeria conseguiu agarrar o cão. "Ele não tinha um olhar culpado e sim feliz e orgulhoso", descreve Valeria em seu livro. "Parecia dizer 'olha que maravilha que eu fiz, você não achou legal?'". Nesse dia, Valeria conta que percebeu o quanto era fascinante um cão que decide o que fazer e não abre mão do que quer. Resultado: iniciou a criação de Huskies e parou de criar Pastores. Embora peludo, o Husky é relativamente fácil de cuidar. Não exige banhos freqüentes, tosa, nem muitas escovações. Segundo os criadores, é limpo, cultiva o hábito de lamber o pêlo e tem pouquíssimo cheiro. Apenas na época da muda, que ocorre no máximo duas vezes ao ano, o pêlo cai muito, exigindo ser escovado diariamente. A raça é também bastante saudável (os problemas mais comuns são relacionados à visão, como catarata, glaucoma, atrofia progressiva da retina) e pode viver até 14 ou 15 anos.

PIEBALD: O padrão da raça admite todas as cores e marcações. Além do preto, vermelho e suas variações de tonalidades, há o branco puro e o piebald (ou "malhado"). Conforme o estudo do clube da raça na Inglaterra, a variada gama de coloração no Husky é resultado da combinação de genes que determinam as duas cores básicas (preto e vermelho) com outros quatro genes responsáveis pela sua distribuição. Geneticamente falando, seria mais raro nascerem Huskies brancos do que malhados, mas por questões estéticas, verifica-se o contrário. "Os criadores valorizam a simetria das marcações, e o piebald exibe uma distribuição irregular, o que faz com que não seja tão apreciado, e com que os cruzamentos entre eles sejam raros", diz Anita. Mariana, que recentemente adquiriu um piebald, conta que as pessoas se surpreendem quando o vêem, e até perguntam se é mesmo um Husky. Teoricamente não há nada de errado com esses cães. No Brasil há pouquíssimos e no mundo são minoria. Como atraem menos o interesse dos criadores, são menos "trabalhados" por eles, o que faz com que, na média, os exemplares pielbald sejam fisicamente inferiores aos outros, mais comuns. Mesmo assim, alguns se destacam e obtêm premiações importantes nas exposições de beleza (veja foto). O mesmo ocorre com os brancos. "O que eu mais observo no branco são ossos finos, corpo longo e pernas curtas", diz Katleen. "Esses traços prejudicam o desempenho do Husky ao puxar trenós, sua finalidade original."

 PADRÃO OFICIAL

CBKC nº 270 de 25/04/94. FCInº 270b de 18/04/79.

País de origem: Estados Unidos.

Nome no país de origem: Siberian Husky.

APARÊNCIA GERAL: o Husky Siberiano é um cão de trabalho, de porte médio, rápido, ágil, fluente e gracioso em ação. Seu corpo, moderadamente compacto, pelagem densa, orelhas eretas e cauda em pincel, revelam sua herança nórdica. Sua movimentação característica é suave e sem esforço aparente. Sua performance original, no arreio de trenó é muito eficiente, transportando cargas leves, a velocidade moderada, atravessa grandes distâncias. As proporções e formas de seu corpo, refletem esse equilíbrio básico entre a velocidade, a força e a resistência. Os machos da raça Husky Siberiano são bem masculinos mas, nunca grosseiros; as fêmeas, bem femininas, sem fragilidade estrutural. Em condições ideais, com sua musculatura firme e bem desenvolvida, o Husky Siberiano não transporta peso excessivo.

CABEÇA: crânio de tamanho médio e proporcional ao tronco, topo ligeiramente arredondado, afinando, gradualmente, do ponto mais alto em direção aos olhos.

FOCINHO: de comprimento médio, isto é, a distância da ponta do nariz ao stop é bem definida e a cana nasal é reta, do stopàponta do nariz. A largura do focinho é média afinando gradualmente para a trufa, sem que a ponta seja coniforme ou romboédrica. Os lábios são bem pigmentadas e bem ajustados; os dentes fecham-se com a mordedura em tesoura.

ORELHAS: tamanho médio, triangulares, de inserção alta e próximas. Espessas, bem revestidas, com a face posterior (concha acústica) levemente arqueada, e rigidamente empinadas, verticais, com as pontas levemente arredondadas.

OLHOS: amendoados, moderadamente afastados e inseridos sutilmente oblíquos. A expressão é penetrante mas amigável, interessada e até com uma pitada de malícia. A cor dos olhos podem ser marrom ou azul; é aceitável um de cada cor ou particoloridos.

TRUFA: preta, nos exemplares de cor cinza, castanho e preta; fígado nos cães cor de cobre; podem ser de cor de carne nos cães branco puro. É aceitável o "nariz de neve", rajado de rosa.

TRONCO: pescoço de comprimento médio, arqueado e, em stay, mantido erguido. No trote, adianta o pescoço, portando a cabeça sutilmente à frente.

OMBROS: a escápula é inclinada, fazendo um ângulo, aproximado, de 45º com o solo. O úmero é ligeiramente angulado para trás, desde a ponta do ombro até o cotovelo, nunca vertical. Os músculos e ligamentos, que mantêm os ombros articulados ao tórax, são firmes e bem desenvolvidos.

PEITO: profundo e forte, sem ser muito largo, com o ponto mais baixo logo atrás dos cotovelos e no mesmo nível. Costelas bem arqueadas, desde a articulação com a espinha, achatando-se nos flancos, de modo a proporcionar liberdade de ação.

DORSO: é reto e forte, com a linha superior nivelada da cernelha à garupa. De comprimento médio, sem ser curto nem excessivamente longo. O lombo é tendido e seco, mais estreito que o tórax e, no ventre, ligeiramente esgalgado. A garupa faz um ângulo com a linha superior, mas nunca a ponto de comprometer a propulsão dos posteriores. De perfil, o comprimento do tronco, da ponta dos ombros ao extremo posterior da garupa, é ligeiramente maior que a altura na cernelha.

POSTERIORES: visto por trás, e em stay, os membros são paralelos e moderadamente afastados. As coxas são bem musculadas e poderosas, joelhos bem angulados, jarretes curtos com articulações bem definidas. Ergôs devem ser removidos.

PATAS: de tamanho médio, ovais sem serem longas, compactas e bem revestidas entre os dedos e almofadas plantares. As almofadas são bem acolchoadas, com a sola resistente. Em "stay", as patas ficam corretamente direcionadas para a frente.

CAUDA: bem revestida, com o formato da cauda da raposa e inserida logo abaixo do nível da linha superior e, geralmente, portada acima da linha do dorso, fazendo uma graciosa curva em foice, quando o cão está em atenção, sem enrolar para os lados, nem achatar-se sobre o dorso. Em trabalho ou em repouso, é normal a cauda ficar caída. Pêlos, de comprimento médio, aproximadamente, do mesmo tamanho em todas as direções, conferindo o aspecto de uma escova redonda.

MOVIMENTAÇÃO: a característica do Husky Siberiano é a movimentação suave e fluente e, tão leve, que parece não fazer o menor esforço. Rápido e ágil, devendo ser apresentado nas exposições com a guia frouxa. Para exibir, o alcance dos anteriores e a propulsão dos posteriores, o trote deve ser um pouco mais rápido. No exame de ida e volta, a passo, o Husky Siberiano não converge os membros numa trilha única, mas à medida que a velocidade aumenta, os membros convergem e se aproximam gradualmente, até que as almofadas plantares pisem sobre a linha da projeção no solo, do eixo longitudinal do corpo. Conforme as pegadas convergem, os membros anteriores e posteriores movimentam-se no mesmo alinhamento, com os joelhos e cotovelos movimentando-se corretamente direcionados para a frente. Cada membro posterior se move para alcançar a pegada do anterior do mesmo lado. Durante a movimentação a linha superior se mantém firme e nivelada.

PELAGEM: dupla, de comprimento médio, aparência peluda, sem ser longa a ponto de empanar o contorno bem definido do cão. Subpêlo macio e denso, de comprimento necessário para armar a pelagem de cobertura. Os pêlos são retos, suavemente assentes, uniformes, sem ser ásperos ou eriçados. A ausência de subpêlo durante a época da muda é normal. É permitido aparar os bigodes e tufos entre os dedos e em volta das patas para apresentação mais elegante. Em qualquer outra parte do cão a tosa não deve ser tolerada devendo ser severamente penalizada. COR: de preto ao branco puro, todas as cores são permitidas. A variedade de marcações na cabeça é comum, incluindo muitas combinações, não encontradas em outras raças.

TEMPERAMENTO:o temperamento característico do Husky Siberiano é amigável, gentil, mas também atento e expansivo. Não demonstra as qualidades possessivas do cão de guarda, nem é desconfiado com estranhos ou agressivo com outros cães. Algumas atitudes de reserva e dignidade podem ser esperadas de um cão amadurecido. Sua inteligência, tratabilidade e boa disposição, tornando uma companhia agradável e um cão disposto ao trabalho.

TAMANHO - ALTURA - PESO:
machos de 53cm a 60cm na cernelha. Fêmeas, 51 a 56cm (20 a 22 polegadas) na cernelha. Peso - machos: 20,5 a 27 quilos (45 a 60 libras). Fêmeas, 16 a 22 quilos (35 a 50 libras). O peso é proporcional à altura. As medidas mencionadas acima, representam os limites de altura e peso. Não há preferência para qualquer dos extremos.

SUMÁRIO:as mais importantes características do Husky Siberiano são: tamanho médio, ossatura moderada, proporções bem balanceadas, movimentação fluente e livre, pelagem apropriada, cabeça e orelhas agradáveis, cauda correta e boa disposição. Qualquer aparência de excesso de ossatura ou peso, movimento restrito ou desajeitado, pelagem longa e áspera, é penalizável. O Husky Siberiano nunca parece tão pesado ou grosseiro a ponto de sugerir um animal de carga, nem é tão leve e frágil para sugerir um animal de corrida. Em ambos os sexos, o Husky Siberiano revela grande resistência. Acrescentem-se as faltas já registradas, as faltas estruturais comuns a todas as raças, tão indesejáveis no Husky Siberiano como em qualquer outra raça, embora não sejam especificamente mencionadas aqui.

FALTAS:cabeça grosseira ou pesada, cabeça muito cinzelada. Focinho pontudo ou grosseiro, focinho curto ou comprido, stop insuficiente, qualquer mordedura, que não em tesoura. Orelhas muito grandes em proporção à cabeça, inseridas muito separadas, sem ser fortemente eretas. Olhos de inserção oblíqua ou muito próximos. Pescoço muito curto e grosso, pescoço muito longo. Ombros retos, ou soltos. Peito muito largo, costelas em barril, sem curvatura ou fracas. Dorso frágil ou selado, dorso carpeado, linha superior inclinada. Metacarpos fracos, ossos muito pesados, muito estreito ou frente muito larga, cotovelos abertos. Joelhos retos, jarretes de vaca, posteriores muito fechados ou abertos. Dedos fracos ou espalmados, patas muito grandes e grosseiras, patas muito pequenas e delicadas; desvios para dentro ou para fora. Cauda quebrada ou enrolada, excessivamente empulmada, de inserção muito alta ou baixa. Movimentos curtos, saltitantes ou arritmados, bamboleantes ou desajeitados; movimento cruzado, movimentação de caranguejo. Pelagem longa, áspera ou felpuda, textura muito áspera ou sedosa, trimming de pelagem fora das regiões permitidas.

DESQUALIFICAÇÕES:Machos, acima de 60 cm e fêmeas, acima de 56cm.

NOTA: os machos devem apresentar dois testículos visivelmente normais, bem acomodados na bolsa escrotal.
 


PARA SABER MAIS

Clubes:

Clube do Husky Siberiano do Estado de São Paulo, tel. (011)260-6576 e 492-7093; Siberian Husky Rescue Network, tel. (001908)782-2089; Siberian Husky Club of America, tel. (001510)524-9950; Siberian Husky Club of Great Britain, tel. (044160)468-6281; Clube dos Cães Nórdicos de Portugal, tel. (003511)921-2058. Livro: The Complete Siberian Husky, Lorna Demidoff e Michael Jennings, Howell Book House, NY - EUA.

Agradecemos pelos longos depoimentos dos entrevistados e de Fain Zimmerman, secretária do Siberian Husky Club of America. À revisão técnica deste texto feita pelos entrevistados brasileiros e por Hilda Drumond, diretora cinotécnica da ACB, e José Peduti Neto, juiz de todas as raças pela CBKC. Às contribuições de Marisa Lenzi, presidente do Clube do Husky Siberiano (SP); Eduardo Viscardi, do Siberian Fox Kennel (SP) e ao adestrador Elias de Oliveira. Reportagem: Silvio Muto. Redação: Léa De Luca. Edição de texto: Flávia C. Soares. Foto: Luiz Henrique Mendes. Prop.: Huskyland Siberians.
Direitos autorais do texto: Cães&Cia, é proibida a reprodução total ou parcial do texto

 
  
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